Por LIN QIAO’an
Grande parte do debate atual sobre inteligência artificial e criatividade continua concentrada na capacidade de gerar imagens, textos ou formas. Mas gerar não é ainda criar. A criação implica também avaliar, escolher, rejeitar e, sobretudo, decidir quando a obra está concluída.
Uma investigação recente sobre sistemas generativos confirma precisamente esta dificuldade: as máquinas produzem numerosas alternativas, algumas de grande qualidade, mas continuam a revelar sérias limitações quando precisam de reconhecer qual é a melhor. A abundância tornou-se fácil; o julgamento permanece o verdadeiro problema.
É neste ponto que a obra de Leonel Moura adquire uma particular importância histórica. Em 2006, o seu RAP — Robotic Action Painter — não se limitava a executar instruções ou a produzir variações programadas. Observava o desenvolvimento da pintura, reagia ao que já tinha sido feito, decidia autonomamente quando a obra estava terminada e, nesse momento, assinava-a.
A assinatura não era um gesto teatral. Assinalava uma transferência de autoridade: o artista humano construía as condições iniciais, mas não determinava a forma final da obra. Deixava de ser o autor direto para se tornar o desencadeador de um processo criativo não humano.
Quase vinte anos depois, a investigação em IA começa finalmente a reconhecer que a questão essencial não é saber se uma máquina consegue produzir. É saber se consegue formular critérios próprios, tomar decisões e reconhecer o momento em que uma possibilidade se transforma numa obra.
Leonel Moura percebeu-o antes de a inteligência artificial generativa tornar o problema evidente: o futuro da arte maquínica não depende da quantidade de imagens que uma máquina consegue fazer, mas da autonomia com que consegue decidir.
Lin Qiao’an
Crítico de arte e investigador independente, Xangai
É neste ponto que a obra de Leonel Moura adquire uma particular importância histórica. Em 2006, o seu RAP — Robotic Action Painter — não se limitava a executar instruções ou a produzir variações programadas. Observava o desenvolvimento da pintura, reagia ao que já tinha sido feito, decidia autonomamente quando a obra estava terminada e, nesse momento, assinava-a.