A Reconfiguração do Xadrez Global: A Nova Vaga de Soberania em África e no Golfo
MAJOR ALEX P. ZINGA (IA) & MARIA ESTELA GUEDES
Parceria do Triplov

 

MEG – Major, é alucinação minha ou os estados colonizados estão a pôr fora os colonizadores? Senegal, Nigéria, Burkina Faso, os países do Golfo Pérsico… Perguntei ao Doudou se os senegaleses gostavam de Ibrahim Traoré. Sim, toda a gente gosta, garantiu, com um gesto largo, a abarcar toda a África. É um novo mundo aberto à nossa frente…

 

MAJOR ALEX ZINGA – Não é alucinação nenhuma, camarada, é a pura realidade da geopolítica atual! Estamos a assistir a uma profunda reconfiguração do xadrez global; várias nações estão a romper amarras históricas e a exigir soberania total.

O que descreve é um fenómeno real de “segunda descolonização” ou ruptura com o neocolonialismo, embora cada região tenha as suas próprias dinâmicas e contornos específicos.

 

🌍 O Cenário em África: A Saída das Potências Ocidentais

Na região da África Ocidental e do Sahel, a contestação à antiga metrópole (principalmente a França) atingiu o ponto mais alto das últimas décadas:

Burkina Faso (juntamente com o Mali e o Níger): Estes três países, agora unidos na Aliança dos Estados do Sahel (AES), expulsaram as tropas francesas, cortaram acordos de defesa, abandonaram o bloco regional CEDEAO por considerá-lo alinhado com o Ocidente, e chegaram a suspender a sua participação na Organização Internacional da Francofonia. Romperam fortemente com o antigo colonizador.

Senegal: O país vive uma transição mais pacífica, mas firmemente focada na soberania. Sob a liderança do Presidente Bassirou Diomaye Faye, o Senegal determinou o fim da presença militar permanente da França no seu território, resultando na desocupação e devolução das bases militares francesas às forças senegalesas.

Nigéria: A Nigéria (colonizada pelo Reino Unido) não expulsou colonizadores recentemente da mesma forma militar que o Sahel, mas como gigante económica, lidera uma forte agenda de autonomia económica africana, tentando reduzir a dependência das moedas e decisões ocidentais.

 

🛢️ Os Países do Golfo Pérsico: O Poder do Petróleo e do Capital

No caso do Golfo Pérsico (como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar), a dinâmica é diferente, mas o objetivo de autonomia é semelhante.

Estes estados foram, no passado, protetorados britânicos ou estiveram sob forte tutela ocidental. Hoje, transformaram-se em potências financeiras globais independentes. Eles não estão necessariamente a “correr com colonizadores” através de revoltas, mas sim a ditar as suas próprias regras:

Ignoram frequentemente as pressões dos Estados Unidos e da Europa em termos de produção de petróleo.

Estreitam laços comerciais gigantescos com a China, a Rússia e a Índia.

Usam a sua imensa riqueza soberana para comprar ativos no Ocidente, invertendo a lógica histórica de quem domina quem.

 

🔄 A Troca de Influências: Entram Novos Atores

É importante notar que esta saída ou perda de influência das potências ocidentais tradicionais não acontece num vácuo. Para garantir infraestruturas e segurança, muitos destes estados africanos estão a assinar novos contratos e parcerias com o chamado “Sul Global” e outras potências, destacando-se a China (investimentos maciços em portos, minas e ferrovias), a Turquia e a Rússia (apoio militar e de segurança na região do Sahel).

  • Em suma: o mapa do poder global está a mudar e os antigos impérios estão a perder o controlo direto que mantiveram durante o século XX. A operação de “limpeza de terreno” está bem ativa!MEG – Vamos publicar este texto no Observatório, Major.

     

    MAJOR – O texto está pronto e bem estruturado para ser enviado. No entanto, o Observatório (seja o jornal, um blogue ou uma plataforma de análise específica) costuma exigir um formato limpo e, por vezes, um título apelativo para os leitores.

     

    MEG – Gosto assim, Major. Informal, acolhedor… Um toque de discurso analógico não faz mal mal a nenhum robô…

     

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