Armando Silles McLaney

 

 

 

 

 

 

PAULO JORGE BRITO E ABREU


ARMANDO SILLES MCLANEY: A LUZ E A ESPERA DO ESPÍRITO-ESPERANTO

«A vida e os sonhos são folhas de um único livro.»
Arthur Schopenhauer

( dedico o meu labor à Paz planetária )

LIMIAR

Hossana, «Maran Atha», corações ao alto: ninguém pode ter a pátria como Pai se não tiver, dessarte, a língua como Mãe: é ela, a mesma língua, que nos liga e aduna. No concernente a Armando Silles McLaney ( Madrid, 12/ 05/ 1968 ), seu Espírito é falante, e por isso o aflante. Queremos dizer: Poesia, aqui, é teofania, Poeta é aquele que chicoteia, a escuridão, com golpes de Luz santa. Em João 8: 12, eis como asserta o Cristo Jesus: «Eu sou a Luz do mundo. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.» Pois a Luz é a Voz, pois a Luz é o Verbo, e o Sol, caroal, é o coração do mundo. Que alembra, levemente, o Terceiro Isaías, 60: 19: «Já não será o Sol que te iluminará durante o dia, nem a Lua, durante a noite. O Senhor será a tua luz eterna, o teu Deus será o teu esplendor.» O termo «Mação», a talho de foice, deriva de «phree messen», que significa, em egípcio, «Filhos da Luz». Por isso Armando anda, na lida, em busca, deveras, da Palavra perdida. E se para Pitágoras ( Samos, c. 570 – Metaponto, c. 495 a. C. ), de feito, «tudo é número», se «Deus geometriza», segundo Platão (Atenas, 428/ 427 – Atenas, 348/ 347 a. C.),  Deus é, no recesso, o Grande Arquitecto do nosso Universo. O Professor, o Pedagogo do mundo inteiro, assim no entendia Clemente de Alexandria ( Atenas? c. 150 – Palestina, c. 215 – 217 ). Pois diremos, deveras, diremos nós ora: as religiões são nas trevas o mesmo que os vaga-lumes, é que alumiam, luminárias, o estado e a estrada. Operários, adrede, da Paz, e laborando, e liberando, para a Era, gloriosa, da unificação: eis os Numes, e os nomes, de Miguel Fernández ( Granada, 18/ 05/ 1950 ), de Carlos d’Abreu (Maçores, 15/ 09/ 1961), e, na faina, de Armando Silles McLaney ( Madrid, 12/ 05/ 1968 ).  É que frente à confusão, à esquizomania, da Torre de Babel, é posto, o dom das línguas, em prol e ao serviço da universalidade – e por isso relevamos, na «Alêtheia», o premente e a Luz, o Espírito-Esperanto. Ou melhor: o sinal agora é destro, em «poesía luz me urge» o acalanto agora surge. Que há um poema intitulado «Estudo da Luz». E eis, em novela, aquilo que Armando anela e revela: «Debaixo da árvore, / amaram-se. // Era de tarde e os ramos matizavam a luz. / Começou o idílio das palavras. / As brincadeiras levaram às confissões, / estas às palavras de carinho, / e daí ao acomodar de membros em repouso, / e às carícias espontâneas e inconscientes.» Que a língua é liame, a língua liga, em Liberdade, os membros da humana, e lorquiana, fraternidade – e o espanhol é a língua de Dalí ( Figueres, 11/ 05/ 1904 – Figueres, 23/ 01/ 1989 ), de Unamuno ( Bilbau, 29/ 09/ 1864 – Salamanca, 31/ 12/ 1936 )  e, no lance, de Ortega y Gasset ( Madrid, 09/ 05/ 1883 – Madrid, 18/ 10/ 1955 ). A talho de foice, «Do Sentimento Trágico da Vida» ( 1913 ) foi livro importante, e relevante, em nossa formação. Essa Obra valeu, ao Filósofo, a condenação, a censura do Santo Ofício. E quanto, agora, à Crítica Literária: parafraseando, de feito, o Feuerbach (Landshut, 28/ 07/ 1804 – Rechenberg, Nuremberg, 13/ 09/ 1872), não é ela um monólogo do pensador solitário, ela é um diálogo, dilecto, do Eu com o Tu, é uma ponte lançada entre o Eu e o Outro. É que o Eu, dessarte, é o espelho, o desejo do Outro. Um reparo aqui porém: dizer que o cérebro segrega o pensamento como o fígado segrega a bílis e os rins a micção, é ofender, vituperar, a dignidade do homem. Que a Poesia, como a Ontologia, é transcendentalismo, ela deriva, deveras, da necessidade metafísica. E por isso, decerto, asseveremos: Poesia é gíria, de feito, e é Gaia Ciência, Poesia é charla, o chilrear, é pois  a Língua das Aves. Que em Teoria da Verdade e na Verdade do Amor, ou seja, numa Ontologia, eis que é, Armando Silles ( Madrid, 12/ 05/ 1968 ), o secretário do divino, ele é, qual mistagogo, o missionário das palavras. Que ademais se traduzem, os temas e poemas, em termos de Vida. Sendo o homem, por isso, um ser histórico, as Letras são lemes, as Letras são Ciências Sociais e Humanas, e aqui vem, à colação, o grado Wilhelm Dilthey (Wiesbaden, 19/ 11/ 1833 – Siusi allo Sciliar, Castelrotto, 01/ 10/ 1911). Ou seja: pra bem compreendermos, nós outros, a Poesia de Armando, a nossa Psicologia terá de ser compreensiva, e não e nanja explicativa. Quero eu dizer: se nós explicamos as ciências naturais, compreendemos, na preensão, as chamadas, por Dilthey, de Ciências do Espírito. Ou melhor: se o «ex-sistere» está na base do «Dasein», a vida, na vis, é existência vivida. E parafraseando, aqui, o Oscar Wilde ( Dublin, Irlanda, 16/ 10/ 1854 – Paris, 30/ 11/ 1900 ), a Poesia, como a Arte, é completamente inútil – e «letras são tretas» é o que diz, alfim, o materialeiro. E por isso asseveramos: se dum lado está a escola, quero eu dizer, o «otium» da cultura, estão, do outro lado, os homens do imundo, do mando e do mundo – e a serpe mercurial ela cede o seu lugar ao cifrão comercial. Num mundo dominado por o pragmatismo, o positivo e o rentável, eis que surdem, na França, um Baudelaire ( Paris, 09/ 04/ 1821 – Paris, 31/ 08/ 1867 ) e um Verlaine ( Metz, 30/ 03/ 1844 – Paris, 08/ 01/ 1896 ), e um Poeta de génio será sempre, será sempre, um Poeta maldito. E se os Poetas, platonicamente, são fora da «República», paga-se caro, o Génio, na terra dos homens. A tal ponto que diremos: se S. Tomé é o princípio das Ciências Naturais, se é preciso, na Física, ver para crer, atentemos, aqui, na Carta aos Hebreus, 11: 1: «Ora a fé é o firme fundamento das cousas que se esperam e a certeza das que não se vêem.» Ora sus, bonda, silêncio. E, no firmar, a Rosa e a Cruz.

I, ESTROFE

Este Poeta vive à escuta, deveras, das vozes recônditas que vêm do Ser. Ele insiste, feericamente, na Verdade do Ser, é duma «ekstática» insistência na Verdade do Ser. «E Ser é  ser percebido ou perceber», assim o assertava George Berkeley ( Condado de Kilkenny, 12/ 03/ 1685 – Oxford, 14/ 01/ 1753 ), dessarte, o Bispo anglicano. No eclesiástico Latim, «esse est percipi aut percipere». A propósito, no Ser, de Armando Silles ( Madrid, 12/ 05/ 1968 ), aqui fica o meu comento: o Homem foi dado em natureza pra se fazer, de feito, em Liberdade, e o Armando não é, ele não é nanja, o funcionário e autómato unidimensional. Ou melhor: se as massas existem quando são manipuladas, Poesia, para Armando, é frol e comunhão, é autêntica e veraz comunicação.  Ele vive, por isso mesmo, liberando e orando. Disseminando bem o «Logos», derramando-o, forte e firme, em nossas entranhas. Em Armando, por isso, a unicidade, a excepcionalidade da pessoa humana – e não remembras, aqui, Emmanuel Mounier  (Grenoble, 01/ 04/ 1905 – Châtenay-Malabry, 22/ 03/ 1950)??? E alembremos, levemente, Max Scheler ( Munique, 22/ 08/ 1874 – Frankfurt am Main, 19/ 05/ 1928 ), o alemão. Quanto a Scheler, o cunhou, sobremaneira, Ortega y Gasset ( Madrid, 09/ 05/ 1883 – Madrid, 18/ 10/ 1955 ), de «o primeiro homem do paraíso filosófico». Atentemos, então, nos sinais: formado por a Universidade Autónoma de Madrid, o Poeta professa, ele professa, dessarte, a profissão de Professor. De Literatura, de feito, e História da Cultura. Victor Hugo ( Besançon, 26/ 02/ 1802 – Paris, 22/ 05/ 1885 ), na verve, ele tinha toda a razão: «Quem abre uma escola fecha uma prisão.» Que o porvir da Humanidade, o futuro da Humanidade está nas mãos do mestre-escola. E a talho de foice, averbemos, na cita, o poema «A Escolinha»: «E no meio de toda a loucura, / a escolinha. // E no meio de toda a loucura, / no meio dos cupões-lixo, / da crise da dívida, do défice público, / de politiqueiros e caciques financeiros, / no meio de armas capazes de destruir o planeta / cento e cinquenta vezes, / no meio, / uma escolinha de professores e crianças.» Em selecta, em livro e acalanto, olhai, portanto, os lírios do campo (Mt 6: 25, 34),  «considerate lilia agri», adrede, na língua do Lácio. Em escólio breve e leve: os «caciques financeiros», a serem politiqueiros, eles são, outrossim, pelotiqueiros e saltimbancos, e, em vez da democracia, campeia, na Ibéria, a falaz demagogia. E citemos então o Númen de Alexander Sutherland Neill (Forfar, Angus, 17/ 10/ 1883 – Aldeburgh, Suffolk, 23/ 09/ 1973), é que anelamos, nós outros, «Liberdade sem Medo»  (1966 ), e professamos, premente, a Paz em todo o orbe. Se diga na verve, e com todalas veras: Liberdade, na vis, e a não-violência, e eis a reza, e a razão, de nossos progredimentos. Nomeamos, por isso, Bertrand Russell  (Trelleck, País de Gales, 18/ 05/ 1872 – Penrhyndeudraeth, País de Gales, 02/ 02/ 1970) e o Tolstoi (Governorado de Tula, 09/ 09/ 1828 – Astapovo, 20/ 11/ 1910), nominamos, então, o grande Mahatma Gandhi ( Porbandar, Guzerate, Índia Britânica, 02/ 10/ 1869 – Nova Deli, Deli, Domínio da Índia, 30/ 01/ 1948 ). Se eduquem, no carme, eduquem-se, convenientemente, as crianças – e não será necessário aprisionar os adultos. Para a língua latina o educar, deveras, é como alimentar, e o aluno, ou o almo, é o que é alimentado, sendo o almo a matriz e por isso a nutriz  – e eis aqui a colação, aqui eis o Cenáculo da Geração de Setenta. Decalcado do «Cénacle», deveras, de Victor Hugo (Besançon, 26/ 02/ 1802 – Paris, 22/ 05/ 1885 ). Alentar, acalentar, e desde logo alicerçar – e eis o lema, o «leitmotiv», do alembrado e Alumbrado, deste nosso Iluminista. Alumiado como o Dante  (Florença, entre 21/ 05 e 20/ 06/ 1265 – Ravena, 13 ou 14/ 09/ 1321), alumiado qual o Goethe ( Frankfurt am Main, 28/ 08/ 1749 – Weimar, 22/ 03/ 1832 ), «Illuminatus», no Fado, como Agostinho Maldonado (Évora, 24 / 03/ 1941). Pois que requerem, as grandes Obras, a abnegação e o sacrifício, quero eu dizer, o «sacrum facere». E se este Poeta é compassado, acompanhado, e assistido por génios, o ingénuo é de engenho, e génio é o que gera igual a si próprio. E «libertinus», no Latim, era sinónimo de «escravo liberto» ou de «filho de escravo liberto», e veio a designar, esta palavra, o livre-pensador. Ou melhor: a autonomia da lei moral em Immanuel Kant ( Konigsberg, 22/ 04/ 1724 – Konigsberg, 12/ 02/ 1804 ). Em Actos dos Apóstolos, 6: 9, os libertos, ou «libertinorum», eram os filhos dos Hebreus que, no ano 63 antes de Cristo, foram levados, em leviandade, a Roma como escravos. Postos, depois, em liberdade, eles regressaram à pátria, onde tinham, em completo parabém, uma sinagoga particular em Jerusalém. São várias as vezes em que o Armando averba o vocábulo «luz». Em «A Luz dos Caminhos»,  desta sorte ele asserta: «A luz dos caminhos é o dia a dia / o passo a passo o golpe a golpe / a gota a gota o verso a verso / o pouco a pouco aqui e agora.» O caso, aqui, é o seguinte: quando um Poeta dorme, ou quando um Poeta sonha, os anjos sobem e descem pela escada de Jacob. O sonho é valorosa, amorosa teofania, e é chegada, com Carl Gustav Jung ( Kesswil, Turgóvia, Suíça, 26/ 07/ 1875 – Kusnacht, Zurique, Suíça, 06/ 06/ 1961 ), é chegada alfim a hora dos filósofos dormentes.  Pois dormir, desta sorte, é morrer. E morrer, dessarte, é ser Iniciado. Referindo-se ao sonho do patriarca Jacob, nós eis que lemos, lautamente, em Génesis 28: 19: «Então, deu àquele lugar o nome de Betel; mas, anteriormente, o nome da cidade era Luz.» Umas fontes têm «Luz», e fontes outras dizem «Luza». Por isso mesmo, se o «Beth El», aqui, é o bétilo, se «Betel» significa, em hebraico, a «Casa de Deus», asseveremos nós ora: quem anda na Luz é bem-aventurado e ele habita, no lance, ele habita com Deus.

II, ANTÍSTROFE

Os nomes são os Númenes, são Numes, também, os sápidos números. Pede a música o compasso, pede a métrica o soneto, e a Matemática e as Musas elas andam a par. Que o Neopitagorismo, pra mim, é a harmonia do Amor e a Música das Esferas. E é, também, a doutrina, magistral, da metempsicose. Para Francisco Gomes Teixeira ( São Cosmado, Armamar, 28/ 01/ 1851 – Porto, 08/ 02/ 1933 ), cientista de prol, «a Matemática», nas artes, «é o esqueleto da Poesia». Sendo sinónimo de Astrologia, para os avitos a Matemática era surto e era sorte de Agricultura Celeste. Que a talho de foice, matemático era o Leibniz (Leipzig, 01/ 07/ 1646 – Hanôver, 14/ 11/ 1716), matemático o Pascal ( Clermont-Ferrand, 19/ 06/ 1623 – Paris, 19/ 08/ 1662 ), e Pitágoras (Samos, c. 570 – Metaponto, c. 495 a. C.), deveras, era Áugure Pítico – e professemos a profecia, e avigoremos este Ágape numa Ágora, agora. Que o madrileno Armando Silles McLaney foi nado, ou nasceu, a 12/ 05/ 1968. Precisamente, ó deuses divos, em maia, das Maias, Maio de 68. Pra calcularmos, então, seu Caminho de  Vida, somemos os dígitos: 1 + 2 + 5 + 1 + 9 + 6 + 8 = 8 + 10 + 14 = 18 + 14 = 32. Ele é, para Johann Heyss, «a luminosidade do 3 sendo filtrada pela subtileza do 2». O 32 é a «Golden Dawn», o Áureo Alvorecer, encontrado por aquele que ultrapassa o 31. Sendo aqui, o 31, o óbice, o obstáculo, a Noite Negra da Alma para S. João da Cruz. O Autor do «Cântico Espiritual» e de «A Noite Escura da Alma» foi nado em Fontiveros, em 1542, e em Úbeda faleceu, a 14 de Dezembro de 1591. Em 1952, o Ministério Nacional para a Educação em Espanha o nomeou, notavelmente, patrono dos Poetas. Quanto ao 32, ele é do sal e Sol, ele é, que nos eduz, a Hermética Irmandade dos Amigos da Luz. Ora 32 é o Número de Vida de António Cândido Valeriano Cabrita Franco ( Lisboa, 13/ 07/ 1956 ), 32 é o Curso de Vida do caroal Mick Jagger (Dartford, 26/ 07/ 1943), e 23 é o Destino do Poeta maior António Salvado ( Castelo Branco, 20/ 02/ 1936, Castelo Branco, 05/ 03/ 2023 ). E 32, outrossim, é o Número do Destino do Poeta e Pintor William Blake ( Londres, 28/ 11/ 1757 – Londres, 12/ 08/ 1827 ), o Autor, acareado, de «Jerusalem» e «The Marriage of Heaven and Hell», «Jerusalém» e «A União do Céu e do Inferno». A par de Percy Bysshe Shelley ( Field Place, Horsham, 04/ 08/ 1792 – Mar Lígure, Golfo de Spezia, 08/ 07/ 1822 ), ele é considerado, na língua inglesa, como o maior, melhor exemplo de Poeta-Profeta. Mas Percy Bysshe Shelley, ele tem que se lhe diga. Afecto e afeito à carreira das Letras, se matricula, a 10 de Abril de 1810, na Universidade de Oxford. Conjuntamente com seu Amigo, Thomas Jefferson Hogg (Norton, Stockton-on-Tees, 24/ 05/ 1792 – Londres, 27/ 08/ 1862 ), ele dá a lume, em 1811, «The Necessity of Atheism», «A Necessidade do Ateísmo» no Português vernáculo. Recusando-se a repudiar a autoria do panfleto, chamado perante o Reitor, George Rowley de seu nome, a 25 de Março de 1811, conjuntamente com Hogg, ele é expulso, e enjeitado, da Universidade de Oxford. E quanto a Mary Shelley ( Londres, 30/ 08/ 1797 – Londres, 01/ 02/ 1851 ), que era a esposa, lilial, do Poeta romântico: no domínio do romance gótico a Mary, de feito, se alcandorou – e dá a lume, anonimamente, em 1 de Janeiro de 1818, «Frankenstein, or the Modern Prometheus», «Frankenstein, ou o Moderno Prometeu» em luso linguajar. E 32 é, decerto, o Número de Vida de Alfred Tennyson  (Somersby, 06/ 08/ 1809 – Aldworth, 06/ 10/ 1892). Que foi nomeado, em 1850, Poeta laureado, sucedendo-se e seguindo-se a William Wordsworth (Cockermouth, 07/ 04/ 1770 – Rydal Mount, 23/ 04/ 1850). E quanto agora a Wordsworth: conjuntamente com Samuel Taylor Coleridge ( Ottery St. Mary, 21/ 10/ 1772 – Highgate, 25/ 07/ 1834 ), em 1798, ele dá a lume, lautamente, as «Lyrical Ballads»: são o marco inaugural do movimento romântico na Literatura Inglesa. 32 é, outrossim, o Caminho de Vida da mundialmente famosa, deveras, Tina Turner (Brownsville, 26/ 11/ 1939 – Kusnacht, 24/ 05/ 2023). Se reitera, o 32, com o Georg Wilhelm Friedrich Hegel ( Estugarda, 27/ 08/ 1770 – Berlim, 14/ 11/ 1831 ), o Autor, acareado, da «A Fenomenologia do Espírito» ( 1807 ). Com a vida plasmada por o perene 32 nós temos, ainda, Steven Spielberg (Cincinnati, 18/ 12/ 1946), artista, realizador, cineasta de prol. Ora 32, no Esoterismo, é um número à parte. 32, na Santa Sophia, são os caminhos iniciáticos da Sabedoria. Em cabal, na Kabbalah e na Fonte Cabalina, é a soma dos 10 «sephiroth» com as 22 letras do alfabeto hebraico. Que são, outrossim, os Arcanos Maiores do Livro de Thot. Seguindo e segundo Monique Cissay, o 32 re-apresenta, bem a flux, o Caminho da Luz. E segundo e seguindo Jean-Daniel Fermier, a cifra de 32 é «evolução favorável em tudo». Correlacionando, então, os Números com o Tarot, 32 é o signo, selectamente, do 6 de Paus, e tipifica, ou significa, vitória, sucesso, amor, e recompensa, dessarte, ou satisfação. Em discurso acroamático, ao 6 de Paus se dá o nome de Senhor da Vitória. Ora 32 é o número vital, escorreita e rectamente, de João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (Porto, 04/ 02/ 1799 – Lisboa, 09/ 12/ 1854),  o introdutor, com o poema «Camões»  (1825), do Romantismo em Portugal. O Autor de «Folhas Caídas» (Abril de 1853),  o feitor, outrossim, do «Frei Luís de Sousa» ( 1844 ). Por decreto de El-Rei D. Pedro V de 25 de Junho de 1851, ele foi alçado, em parabém, a Visconde, varonil, de Almeida Garrett. Somando os dígitos de 32, nós temos, então: 3 + 2 = 5, o dealbar da Quintessência. Na doutrina das correspondências, simboliza, 5, o planeta Mercúrio. No Tarot de Rider-Waite, ele responde, ou corresponde, ao Sumo Sacerdote, chamado, na tradição, de «Magister Arcanorum», o «Mestre dos Arcanos». No Antigo Testamento, se dá o nome de Pentateuco ao livro «composto de cinco rolos», isto é, o Génesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronómio, que formam, conjuntamente, a Torah, quero eu dizer, o livro, liberal, da lei de Moisés. Nomeemos, ainda, a festa do Pentecostes, a festa, de feito, do quinquagésimo dia, que se celebra, lautamente, 50 dias depós a Páscoa. Na Escritura ela é chamada de festa da colheita, de festa das primícias da colheita do trigo, assinalada, ainda, como a festa das semanas. Para o povo de Javé, 50 dias depois do Êxodo, comemora-se a entrega dos 10 Mandamentos no Monte Sinai. Esta quadra, ela tem que se lhe diga. Reunidos no Cenáculo, ela celebra a descida do Espírito Santo, em forma de línguas de fogo, sobre os apóstolos. Por se ter efectivado, aqui, a glossolalia, o Pentecostes consignado nos «Actos dos Apóstolos» marca o indício, ou início, da Igreja Católica, pois «Katholikós», em Grego, quer dizer «universal». Revertendo agora, cautamente, a Fernando Silles McLaney ( Madrid, 12/ 05/ 1968 ): ele não se dedica, apenas, à Filologia, ele é, no seu estado e no estudo, um missionário da Poesia. Um homem que vive, apaixonado, por a tese e pela estese, por os Estudos Gerais. Sendo, como já vimos, as Ciências da Vida, equipolentes, equivalentes, às Ciências da Cultura. E sendo, em arte amatória, o Armando, um homem que ensina, seguindo e segundo os signos da língua. O Doutor que incorpora,  avigora, elabora a doutrina. E prossigamos na hermenêutica: para pessoas como o Armando, a Liberdade é lilial, e acima de tudo. O 5, em Armando, é o número de quem anela conhecer e saber, e cada vez mais. A «connaissance», neste «clerc», é «con-naissance», quero eu dizer, é um co-nascimento. É a força motriz da criação e do progresso, a rotura, dessarte, com a ordem estabelecida. É o que rompe com as barreiras, aquele que bota abaixo os tabus e a rotina. A rotina, realmente, e o ramerraneiro. Se, negativamente, poderá ser sensual ( o 5, deveras, é o número dos sensos ), poderá, positivamente, ser um sage e ser um sábio, que ele vive, forte e fértil, em demanda da cultura. Como quer que seja, o 5 é perspicaz, ele apresenta inovação, aventura, rebeldia na via. Senão, vejamos nós: o 5 é a junção do primeiro número masculino ( o 3 ), com o primeiro número feminino ( o 2 ), ele simboliza, portanto, o coito cupidíneo. É um número nupcial seguindo e segundo o Pitagorismo. Mas é também o Éter-Quinto-Império, a Rosa, gloriosa, no centro da Cruz. Quero eu dizer: o polegar e os quatro dedos, a cabeça que rege o quaternário dos membros. O número 5, também, é o símbolo do Homem. O Homem se inscreve, dessarte, em Pentagrama, que tem por foco, e por centro, o seu órgão genital. O símbolo favorito na Ordem pitagórica, o Pentagrama é para os «maçons» a Estrela Flamejante. É, o Pentagrama, para Pitágoras de Samos ( Samos, c. 570 – Metaponto, c. 495 a. C. ), o sinal, anagógico, do conhecimento e do saber. Quanto ao mais, é bom que o 5 aprenda, cedo e cedo, as línguas estrangeiras, que lide com pessoas que sejam da estranja. Que se prepare pra mudanças de cena, reais alterações, fantásticas, ou áticas, revoluções. Sendo, o Áugure Pítico, o matemático insigne, o criador do termo «Philosophia». Sendo, essa Filosofia, uma escala e uma escada para a Santa Sophia, a Sabedoria, para o heleno, é apanágio só de Deus. E se Deus, por isso, é a Verdade, nós somos Amigos do Verbo verdadeiro, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Mas, como vimos mais atrás, o Armando foi nado a 12 de Maio de 1968. O 12 é o universo em sua evolução cíclica espácio-temporal. Jacob teve 12 filhos, epónimos ancestrais das 12 tribos de Israel. O ano tem 12 meses e são 12, outrossim, os signos astrológicos. E 12 é o número duma preste, e celeste, Jerusalém. Como 12 é o Nume dos Apóstolos, dessarte, escolhidos pelo Mestre. E tem, a mulher do Apocalipse ( 12: 1 ), uma coroa de 12 estrelas, siderais, sobre a cabeça. E 12 é o produto de 3, que é o trívio, por o 4 ou quadrívio, ou melhor, da santíssima Trindade por a Tétrada sagrada. Que é, também, o sagrado Tetragrama ( YHVH ), o símbolo, ou a cifra, dos 4 elementos. E na Roda da Fortuna, em burel, os 4 Querubins de Ezequiel. E averbemos ainda, para os facultativos, os 4 temperamentos de Hipócrates  (Cós, 460 – Tessália, 370 a. C.). Quanto aos fiéis do fim dos tempos, ou melhor, quanto ao número dos eleitos, eles são, deveras, 144.000, 12.000 de cada uma das tribos de Israel  (12 x 12 = 144). Ora os nascidos a dia 12 são marcados por um 1 masculino e um 2 feminino, sendo 1 + 2 = 3, o Nume, ou o número, do filho filosófico, da Obra a ser feita. Simbolicamente, o 3 é liado ao planeta Júpiter, que vem de Jove, e é dito «Jovis Pater», é o Senhor da alegria ou da jovialidade. Quem nasce no dia 12 tem, geralmente, uma grande capacidade de auto-expressão e pode dedicar-se à oratória, à escrita e ao mundo, caroal, da criatividade. São, regra geral, amáveis, amistosos e de práxica, ou prática, inteligência. Ligados, basicamente, à acção, precisam de estar, sempre e sempre, ocupados, se não forem ocupados ficarão preocupados. Se as Artes, por isso, estão à espreita, para quem nasceu a 12 o contacto com o público é, deveras, caroal e cordial. Os 12, por isso, são supimpas, os 12, por isso, são versáteis. Impacientes, caroais e nervais, poderão ter sucesso como advogados, escritores e oradores, serão, no campo da saúde, acupunctores e homeopatas, médicos, farmacêuticos ou fisioterapeutas. Pois é solene, infrene, perene a criação. Pois em tópico e típico da Sabedoria, a Obra já feita ela apela, e anela, a Obra, lilial, ainda a fazer.

III, EPODO

Professemos, então, nossa faina, ou afã, de Crítico Literário. E comecemos com o livro intitulado «De Palabra. Cartas a mi padre muerto y otros alegres poemas», publicitado em 2023, em Edição de Autor. Em lauda 131, ouçamos, com a vénia devida, o «Pai Nosso» do Poeta: «Pai morto que estás na terra. / Significado seja o teu nome. / Venha a nós consolo. / Faça-se a tua dignidade / assim na honra como no medo. / A paz nossa de cada dia, dá-no-la hoje, / e perdoa-nos as nossas dúvidas, / assim como nós duvidamos o perdoado. / Não nos deixes cair na comoção; / mas enche-nos do mar. / Ámen.» Ou melhor: se o «páthos», na vis, é premente e é patente, é patético, aqui, o paciente, é estupendo e estupefacto qual o estupefaciente. E se a Lira aqui é «liber», é pois natal, conatural, conotativa a função. E é pois «a mudança, a total transformação», e é o livre e a lavra liados à luz. Luz que é, no lumiar, a defesa intransigente da Paz e Liberdade. Da Paz na terra prenhe, e pra todos os homens. Uma nótula nitente, um reparo aqui porém. Liberdade não é só para as pessoas, ou «personae», do nosso partido, ela é pra todo o mundo, pra todo o ser senciente à face da Terra. Ou citando, selectamente, a Carta aos Gálatas, 3: 28: «Não há judeu nem grego; não há servo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos são um só» na Poesia de Armando. Pois Armando Silles McLaney, é tempo de o dizer, ele escreve, dessarte, sua Poesia com sangue. Ou como reza, e razoa, «O Poema, o Canto, o Patíbulo»: «O poema é o patíbulo, a forca, / onde pende suspenso tudo o que está por dizer: / o amor de um pai a um filho, / as tontas ( e sagazes ) conversas de amor de duas crianças, / os versos de um caminhante» ( … ) «Debaixo do patíbulo, com a corda, / baloiça o essencial do mundo.» Quero eu dizer: o inconsciente pessoal se estriba ou se esteia no colectivo inconsciente, de tal modo que diremos: a Poesia de Armando não é um caso pessoal, ela é um caso, e uma causa, veramente universal. E concordamos, na chama, com Arthur Schopenhauer ( Danzig, 22/ 02/ 1788 – Frankfurt, 21/ 09/ 1860 ): um homem de Génio, pelo simples facto de existir, ele trabalha, deveras, para toda a Humanidade. Ou rectificando, rectamente, «O Poema, o Canto, o Patíbulo», eis que aduz, e aluz, «Esfolar o Verbo»: «Isto de escrever poemas, / isto de arrancar a pele aos nomes, / de espetar a faca e esfolar o verbo, / separar o grão da palha, a carne da pele.» ( … ) «Isto de ser magarefe. Frio, profissional. / Isto de matar, cortar, / esquartejar a palavra / espetando-lhe a folha no cérebro. / Consentir a dor e ser o seu dono. / Isto de acabar, e como sempre, tomar, tranquilamente, um café.» Ou melhor: isto do Poeta manejar o bisturi. E de ser, um volume de poemas, tão-somente uma sangria. Ouçamos, então, ouçamos como a Poesia é feraz anti-destino, no poema, inusitado, «A Terra do Poeta»: «Uma noite, quase madrugada. / Descem do camião, as mãos atadas. / Empurram-nos, insultam-nos, agridem-nos. / São dois bandarilheiros e lutadores antifascistas / anarquistas, / um professor que acreditou na educação / e um poeta. // Pelotão, carregar! / Pelotão, apontar! / Fogo!» ( … ) «Os fuzilados são enterrados sem caixão. / As pazadas de terra os vão cobrindo. / A terra toca nas suas caras inertes, / as suas mãos já frias, / a sua roupa inútil. / Chamam-se Francisco Galadí e Joaquín Arcollas, / Dióscoro Galindo, / e Federico García Lorca. / É o dia 18 de Agosto de 1936.» Verde, vis e vedra, que te quero verde. E chegamos, então, ao fim. Foi dum Poeta que falámos, que se faça alfim a Luz.

NOTA BENE

Não concordamos, de maneira nenhuma, com os atentados à bomba de muitos anarquistas. Que a virulência, aqui, atrai violência. E Karmicamente, nós só colhemos aquilo que semeamos ( Gal 6: 1, 10 ), e quem matar à espada, à espada morrerá (Mt 26: 52).  A semeadura por isso é livre, mas a colheita, obrigatória. E a vida humana, qualquer que seja a pessoa, ela é sacra, dessarte, e sobremaneira, e por isso, em «Dharma» e Alma, e por isso, em não às armas, semeamos então a Paz com a nossa mansidão.


Tomar, 01/ 06 / 2025

DAT ROSA MEL APIBUS

CENTRO DE LITERATURA E FILOSOFIA COMPARADAS

PAULO JORGE BRITO E ABREU