MANOEL TAVARES RODRIGUES-LEAL
LUÍS DE BARREIROS TAVARES, org.
Foi então que os olhos se cruzaram
e estava dita a primeira palavra
à superfície do tempo
Ruy Belo, do livro Aquele grande rio Eufrates (1961)
*
teço as noites com as manhãs
enfio dias pelas contas dentro
conchas, pessanhas, pequenos seixos
fulgurantes
Maria Estela Guedes, do livro a_amaar_gato (2005)
Quatro poemas inéditos de um caderno sem título de 1968
I
passo a passo
prossegue a tarde
águas paradas lisas de um lago
de tempo
Lx. 16/3/68 – “(à Maria)”
II
de uma luz nua
amarela carne
nua do tempo
que recua
circuito
nos vidros de cortinas
cortando a luz crua
amarela do café
carne nua
do tempo
de uma luz que clama
o calor da chama
chamada deserto
Lx. 17/3/68 – “(à Maria)”
III
de desejo me alago
da água do teu corpo
me recordo
do lago do teu corpo suspenso
apenas o penso
Lx. 3/68 – “(à Maria)”
IV
o dia não sorri
não sorri pois
desenlace em cheio
no rosto em riste e depois
Lx. 19/3/68




