Instauratio Magna

 

PAULO JORGE BRITO E ABREU


Instauratio Magna
PROPEDÊUTICA A «O ETERNO RETORNO, A JORNADA DO LOUCO», POR PAUL AKH


 

«In Memoriam», caroal, de José Augusto Marques Pinheiro

 

 

«O inconsciente é estruturado como um teatro.»
Antonio Quinet

(dedico o meu labor à Paz planetária )

Paz e Bem para todo o ser vivo. Bem-vindos, aqui, à Santa Sophia. Em cultismo e Ocultismo, «a jornada do louco» é outra designação para os Arcanos Maiores. Não será, a loucura, a outra face, caroal, da Sabedoria??? No terceiro livro de «Psicologia», menta, deste modo, o estrénuo Estagirita (Estagira, 384 a. C. – Atenas, 322 a. C.): o homem não pode pensar, correctamente, sem a ajuda, generosa, dos fantasmas ou imagens. Quero eu dizer: das parábolas, metonímias ou figuras de estilo. Os tropos comandam, desta sorte, a vida psíquica do Homem, por as imagens se manifesta o nosso inconsciente. E o sonho se desenrola por as metáforas, os Mitos, alegorias e litotes. Meditemos, então, matutemos nós outros: «image» e «magie», na língua do Galo, são perfeitos anagramas. O Autor deste «liber» é, na faina, pessoa bem preste, um Psicólogo de prol, ele é, ademais, o pronto Esoterista, ele é soldado, curial, no Exército do Verbo: disso trataremos e disso, neste ensaio, daremos testemunho. Que é pólo, o Paul Akh, duma alta Magia, e como terapeuta ele pratica, e preiteia, o desenvolvimento do potencial humano. O Tarot de Paul Akh  (Lisboa, 09/ 12/ 1966) é pois Ator, o Tarot é um mundo mágico-simbólico. Segundo Jung (Kesswil, Turgóvia, Suíça, 26/ 07/ 1875 – Kusnacht, Zurique, Suíça, 06/ 06/ 1961), o sonho é muito mais do que os resíduos arcaicos, o sonho expressa, o sonho exprime, os Arquétipos – Arcanos. Ou melhor: se a «Psicologia» é de feito uma «fala da Alma», os tópicos são tropos, e o mesmo diremos nós do feérico Tarot. À guisa de escólio: se 22 são as letras do alfabeto hebraico, são 22, outrossim, os Arcanos Maiores, e eis no carme aqui a «jornada do louco», e o carme é o charme e o canto é encanto, e professa, o adivinho, o caroal e divinal. E 22, ademais, 22 são os capítulos do feraz Apocalipse. E a Avesta, de feito, é composta de livros em 22 capítulos. E 22, outrossim, é o Caminho de Vida da loquaz, e maviosa, Madame Curie, ou seja: nada, a cientista, a 7 de Novembro de 1867, nós temos, então: 7 + 1 + 1 + 1867 = 1867 + 9 = 1876, sendo 1 + 8 + 7 + 6 = 9 + 13 = 22. Ganhadora de dois Prémios Nobel, o da Física ( 1903 ) e o da Química ( 1911 ), ela foi, historicamente, a primeira mulher a leccionar na Sorbonne.  Não menos ilustre foi de facto Immanuel Kant, ele foi nado em Konigsberg, a 22/ 04/ 1724: e os dígitos somando, 2 + 2 + 4 + 1 + 7 +2 + 4 = 8 + 8 + 6 = 16 + 6 = 22. E averbemos então aqui: nado a 15 de Dezembro de 1930, foi, Óscar González Quevedo, Parapsicólogo e jesuíta de água primeira: e 1 + 5 + 1 + 2 + 1 + 9 + 3 = 7 + 3 + 12 = 22. E versemos, de feito, o filósofo, o Professor e fautor da Análise Psicológica: Pierre Janet, que foi um émulo do Freud, foi nado em Paris, a 30 de Maio de 1859 – e 1859 + 3 + 5 = 1859 + 8 = 1867, sendo 1 + 8 + 6 + 7 = 9 + 13 = 22. Pioneiro no estudo do inconsciente, e ex-aluno de Charcot ( Paris, 29/ 11/ 1825 – Nièvre, 16/ 08/ 1893 ), averbemos, de Janet, sua tese de doutoramento em Letras: «O Automatismo Psicológico. Ensaio de Psicologia Experimental sobre as Formas Inferiores da Actividade Humana» ( 1888 ). Através de André Breton ( Tinchebray, 19/ 02/ 1896 – Paris, 28/ 09/ 1966 ), foi, esta lavra, relevante e marcante para o Surrealismo. E averbemos, na verve, Annie Besant: ela foi nada em Clapham Town, em London, a 01/ 10/ 1847: ora 1847 + 2 = 1849, sendo 1 + 8 + 4 + 9 = 9 + 13 = 22. Annie Besant foi uma Teósofa, Escritora, erudita, militante socialista, «maçon» e defensora, de facto, dos direitos das mulheres. E Presidente da Sociedade Teosófica desde 1908 até ao ano, desta sorte, do seu transe, em 1933. Mas há mais, ainda mais: o 14.º Dalai Lama, Tenzin Gyatso de seu nome de nascimento, foi nado em Taktser, na China, a 6 de Julho de 1935: ora 6 + 7 + 1 + 9 + 3 + 5 = 13 + 1935 = 1948, sendo 1 + 9 + 4 + 8 = 14 + 8 = 22. No oblívio, na lavra, não deixemos: São Josemaría Escrivá de Balaguer, o fundador do «Opus Dei», foi nado em Barbastro, na Espanha, a 09/ 01/ 1902 – e 9 + 1 + ( 1 + 9 + 2 ) = 10 + 12 = 22. E figura-fulgor na História da Cultura, Sir Francis Bacon foi nado em York House, Londres, a 22 de Janeiro de 1561. Foi Barão de Verulam e Lorde Chanceler de Inglaterra, foi ele Imperator, decerto, Rosacruciano. Dando a lume, em 1620, o «Novum Organum» e a «Instauratio Magna», ele propala, em 1624, a «Nova Atlantis». Foi ele grande inovador, foi fundador, de facto, da ciência moderna. Quanto a Paul Akh (Lisboa, 09/ 12/ 1966),  que professa, de facto, o Ankh ou Cruz Egípcia, o Paul Akh é Professor duma recta e escorreita mistagogia – e é direito, com «adresse», é director o reitor. E referindo-nos, agora, ao múnus e mester de Jacob Levy Moreno (Bucareste, Roménia, 18/ 05/ 1889 – Beacon, Nova Iorque, 14/ 05/ 1974), os nossos psicodramas são compostos no Céu – e representados, com efeito, na terra das sombras – e eis, portanto, o sidéreo, eis o espectro, aqui, da especulação. Se a histeria, para Freud (Freiberg in Mahren, 06/ 05/ 1856 – Londres, 23/ 09/ 1939), é uma obra de Arte deformada, então o louco, segundo Kant, «o louco é uma pessoa que sonha acordada». E os sonhos são Utopias, os sonhos são obras de Arte que nós forjamos e formamos, todalas noutes. Profere Krauss, preste e pronto: «A loucura é um sonho que ocorre durante a vigília dos sentidos.» Sendo o Sonho Desperto Dirigido, isto é, o escol e a escola do «rêve éveillé», um método, psicoterapeuta, inventado e forjado por Robert Desoille ( Besançon, 29/ 05/ 1890 – Paris, 10/ 10/ 1966 ). Que na língua do Galo, «tout songe est mensonge». Que os sonhos, afinal, os sonhos são mentiras que matutadas, manducadas, se transformam em verdade. Sendo o sonho uma curta loucura, e a loucura, dessarte, um grado e grande sonho. Sendo a «Pedra Filosofal», de António Gedeão (Sé, Lisboa, 24/ 11/ 1906 – Campo Grande, Lisboa, 19/ 02/ 1997 ), é como aduzia o Poeta da «Mensagem»: loucos são os heróis, loucos são os Santos, são génios os loucos – e era vesânia, pra São Paulo, a «loucura da Cruz» ( 1 Cor, 1: 18, 25 ). E a esquizofrenia, a par da histeria, ela é, muitas vezes, o instante máximo da Obra – e é o que acontece com Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19/ 05/ 1890 – Paris, 26/ 04/ 1916),  Antero de Quental ( Ponta Delgada, 18/ 04/ 1842 – Ponta Delgada, 11/ 09/ 1891 ) e Fernando Pessoa (Lisboa, 13/ 06/ 1888 – Lisboa, 30/ 11/ 1935). E não leixemos, aqui, no oblívio: Holderlin (Lauffen am Neckar, 20/ 03/ 1770 – Tubingen, 07/ 06/ 1843), Bocage ( Setúbal, 15/ 09/ 1765 – Lisboa, 21/ 12/ 1805) e Van Gogh (Zundert, 30/ 03/ 1853 – Auvers-sur-Oise, 29/ 07/ 1890).  E falemos, então, de Strindberg (Estocolmo, 22/ 01/ 1849 – Estocolmo, 14/ 05/ 1912), parlemos, quiçá, de Swedenborg (Estocolmo, 29/ 01/ 1688 – Londres, 29/ 03/ 1772)  e de Artaud ( Marselha, 04/ 09/ 1896 – Paris, 04/ 03/ 1948 ). E, nos nossos dias, da Adília Lopes ( Lisboa, 20/ 04/ 1960 – Lisboa, 30/ 12/ 2024 ), também. Caminho de Vida, na verve, da Adília Lopes: 2 + 4 + 1 + 9 + 6 = 7 + 15 = 22. O caso e a causa é portanto a seguinte: é que sonho e realidade se fundem na mais ampla realidade, que é a Obra de Arte surreal. Quanto à paixão amorosa, é uma forma de loucura não entravada por a psiquiatria, e as Musas são também o furor e alor. A tese foi defendida por Platão ( Atenas, 428/ 427 a. C. – Atenas, 348/ 347 a. C. ), e, antes dele, por Demócrito de Abdera ( ca. 460 a. C. – 370 a. C. ): não há Poeta, desta sorte, sem furor, e falamos, aqui, do sopro divino. Aprendemos, preste, preste, com o Peripatético: não há nenhum grande Génio que não tenha, em si, uma veia de loucura, «nullum magnum ingenium sine mixtura dementiae fuit» no Latim original. Pois falando do Tarot, falando da estesia, falando da Poesia, para Platão a mania é uma forma de mancia. Ou melhor: para Arístocles, de facto, o deus Dioniso e as Musas são «loucura divina» ou hieromania, e Horácio ( Venúsia, 08/ 12/ 65 a. C. – Roma, 27/ 11/ 8 a. C. ) chama, ao canto, uma «amabilis insania». É que o louco, na simbologia, é plasmado por o Tau. É a Cruz em forma de T, a «Crux ansata», o «Ankh», afinal, do povo das pirâmides. E esse Tau, como já vimos, é o número 22. É chamado um número Mestre, ele é, por extensão, o Iniciado, o Adepto, o Construtor das Catedrais. Aquele que vem para alentar, acalentar, alimentar o paciente no jogo da vida. À guisa, de feito, à guisa de informe, S. Francisco de Assis ( Assis, 1181 ou 1182 – Assis, 03/ 10/ 1226 ) assinava, ele selava as suas cartas com a letra Tau. Referimo-nos à Cruz branca, em forma de T, que usavam, em seu hábito, os Cónegos de Santo Antão. Nós queremos firmar, e no lance confirmar: o livro, ou tirocínio, de Paul Akh  (Lisboa, 09/ 12/ 1966), ele versa, e averba, o «Liber Mundi», o «Livro do Mundo» de que falam Rosacruzes. E, também, o Livro da Vida de que fala o Apocalipse. Quero eu, aqui, dizer: o Livro de Thot, o deus da Magia. E se o Nume é o número, e se «Deus geometriza» segundo Platão, nos amparamos e esteamos no Pitagorismo – e eis aqui a «Guematria» do nosso Paul Akh: 7 + 1 + 3 + 3 + 1 + 2 + 8 = 8 + 6 + 3 + 8 = 14 + 11 = 25. 25 é também o Caminho de Vida de Lady Diana Spencer, nada em Sandringham, a 01/ 07/ 1961: ora 1 + 7 + 1 + 9 + 6 + 1 = 8 + 10 + 7 = 18 + 7 = 25. Ora 2 é o número da submissão, o 5 é o número da preste Liberdade; o 25 é intuitivo e ousado, e como 5 x 5, ele é livre, dessarte, até ao figadal.  Este número sacode o nosso Paul Akh, que deve pugnar, e lutar, contra os seus instintos, sendo o mesmo 25 o Caminho da Provação. E 2 + 5 = 7. Acontece, deste modo, vezes muitas, no número 25: quem não estiver preparado pra lidar com a espiritualidade do 7, poder-se-á entregar de feito a excessos, sexuais e não só, mas isso não sucede, nós o cremos, com o feitor deste livro. Ademais, a mediunidade, a solidão e o psicossomatismo poderão ser constantes em seu Caminho de Vida. Continuando, o 7 é veramente a entrada nos Mistérios, é o Nume, e é o número, das Artes Liberais. Sendo a soma de 3 ( o Espírito ) com o 4 ( a matéria ), ele é, no Arcano do Carro, o Guia, ou Auriga, mandando e comandando a sápida Quadriga. Para Platão, o 3 simboliza a Ideia, e é o 4 a materialização, a concretização, dessa mesma Ideia. Sendo 7, para os Egípcios, o símbolo da vida eterna, cada fase da Lua dura 7 dias, e em 7 anos Salomão constrói o seu templo (Rs, 6: 38). E sendo 7, dessarte, as pétalas da Rosa, o 7 é usado 77 vezes no Antigo Testamento. E se é preciso, pra Mateus, se é preciso perdoar setenta vezes sete ( Mt 18: 21, 22 ), sete vezes sete, ou seja, 49, é o número do transe ( 4 + 9 = 13, o Arcano da Morte ) para os Antigos Tibetanos. E sendo, o Bardô, o estado intermediário entre duas encarnações. Pois seguindo e segundo Pierre Riffard ( Toulouse, 20/ 01/ 1946 ), «bardô designa geralmente um estado obtido pelo espírito fora do seu estado de consciência normal.» São 7, outrossim, os dias da criação, são 7 os planetas, e são 7, ademais, as cores do arco-íris, «verbi gratia», o vermelho, o laranja, o amarelo, o verde, o azul, o anil e o violeta. Quanto ao sexo mulheril, o ciclo menstrual dura, em média, 28 dias, ou seja, 4 semanas. Comemorando-se, para os judaicos, a Festa das Colheitas, 7 semanas depós a Festa dos Ázimos. Quanto,  agora, aos planetas, nós temos, na Astrosophia tradicional, o Sol (em Inglês, «Sunday», Domingo ), a Lua ( em Francês, «Lundi», segunda-feira ), Mercúrio (em Francês, «Mercredi», quarta-feira),  Vénus  (em Francês, «Vendredi», sexta-feira), Marte ( em Francês, «Mardi», terça-feira ), Júpiter (em Francês, «Jeudi», no Latim, «Jovis Pater», «Jove», em Português antigo, quinta-feira), e, finalmente, Saturno (em Francês, «Samedi», «Saturday» no Inglês, dia de Sábado). É o símbolo, também, dos 7 Chakras, e sendo a sabatina, era, antigamente, o número de anos do Ensino Secundário. E são 7, portanto, os dias da semana. E de 7 em 7 anos renovam-se, de feito, as células humanas. E nominemos, aqui, os 7 Chakras: desde o cóccix, dessarte, té ao topo da cabeça, averbemos, então, o Chakra Raiz (Períneo), o Chakra Sacral (Órgãos genitais), o Chakra do Plexo Solar (Umbigo),  o Chakra Cardíaco  (Coração), o Chakra Laríngeo (Garganta), o Chakra Frontal ( Glândula Pineal ) e, ademais, o Chakra Coronal (Topo da Cabeça). E são 7 as virtudes do militante cristão: sendo 3 teologais e 4 cardeais. As teologais assim se chamam porque são concedidas por Deus Pai, são a Fé, a Esperança e a Caridade. As outras 4, cardeais ( e «cardo», em Latim, significa «eixo» ), elas formam os eixos da vida virtuosa – e são a Prudência, a Justiça, a Fortaleza e a Temperança. Inicialmente, as virtudes cardeais foram enunciadas por Platão, no Livro IV da «República», e são averbadas, igualmente, no bíblico Livro da Sabedoria ( Sab 8: 7 ). E é que o Homem não é só, segundo a Teosofia, boca, carne e sangue, e músculos e ossos, o Homem é formado, a bem dizer, por 7 corpos – e ao Quaternário inferior se segue, com efeito, a Tríade superior, quer dizer: se segue, ao corpo físico, a parte imortal da natureza humana. Do mais denso para o mais alado, mencionemos: corpos físico, etérico, astral e mental e, na coroa, os corpos causal, búdico e átmico. Mas há mais, ainda mais: com o «Pater Noster» de Mateus, são 7 os pedidos que fazemos, de feito, ao Pai Inefável: «Pai nosso, que estais nos céus, / santificado seja o vosso nome,» ( 1 ) / «venha a nós o Vosso reino» ( 2 ); / «faça-se a Vossa vontade, assim na terra como no Céu» ( 3 ). /«O pão nosso de cada dia nos dai hoje», ( 4 ) /, «perdoai-nos as nossas ofensas», ( 5 ) / «assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido», / «e não nos deixeis cair em tentação», ( 6 ), «mas livrai-nos do mal.» ( 7 ) ( Mt 6: 9, 13 ). Reparando bem, os três primeiros pedidos são dirigidos a Deus, são, os últimos quatro, atinentes ao Homem. De pitagórica matriz, abarca, o Septívio, as sete vias do saber, ele é a soma do Trívio  (Gramática, Retórica e Dialéctica), com o quaternário do Quadrívio (Música, Aritmética, Geometria e Astronomia). Sendo, o Trívio, as «Artes Sermocinales», e sendo, o Quadrívio, as «Artes Reales». Nessa escala, ou nessa escola, são, os degraus, Triviais ou Acusmáticos e, no topo, Quadriviais ou Matemáticos. Matemáticos, os peritos na «mathema», ou seja, na «ciência». Os «akousmatikoi» eram os «acústicos», ou melhor, eram meros ouvintes, não tinham, deveras, permissão para falar; os mais avançados, «mathematikoi» chamados, eles podiam perguntar, e, até, expressar opiniões. Sendo o 4, então, para os Pitagóricos, o lema e emblema da Santa Tetraktys: é que 1 + 2 + 3 + 4 = 10: e é o regresso à Unidade, é a Roda da Fortuna no feérico Tarot. O 4 sinaliza, desde sempre, o signo do sólido, do sensível, e por isso do tangível. Relativo, ainda, ao quaternário, averbemos, aqui, os 4 elementos de Empédocles ( Terra, Água, Ar e Fogo ), os 4 querubins de Ezequiel ( Leão, Homem, Touro e Águia ), os 4 temperamentos de Hipócrates ( Colérico, Melancólico, Fleumático e Sanguíneo ), os 4 Evangelistas ( Mateus, Marcos, Lucas e João ) e, finalmente, o Tetragrammaton, isto é, as 4 letras hebraicas do Nome de Deus: YHWH  («iod», «hé», «vav», «hé»), como está registado no Livro do Êxodo, 3: 14, 15. Sendo que, na lei das Correspondências, o naipe dos Paus sinaliza o Fogo, o das Copas a Água, o das Espadas o Ar e, finalmente, a Terra se inscreve sob o signo dos Ouros. O Leão, outrossim, é o Fogo, o Touro a Terra, a Água o Homem e, alfim, o Ar vive, e sobrevive, nas asas da Águia. Registemos, ainda, as 4 estações do ano e os 4 pontos cardeais. Ademais, se lia no pórtico da Academia de Platão: «Não entra aqui quem não for Geómetra». Para Pitágoras, com efeito, «tudo é número», pra Pitágoras e Platão, «os números governam o mundo.» A História, deveras, o regista e arquiva: de boamente, e com paixão, Einstein (Ulm, 14/ 03/ 1879 – Princeton, 18/ 04/ 1955)  tocava, virtuoso, o violino. Que assertava, nas Artes, Galileu Galilei ( Pisa, 15/ 02/ 1564 – Arcetri, 08/ 01/ 1642 ): «A Matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o Universo». Em parentético informe, a 22 de Junho de 1633, recebia, Galileu Galilei, sua sentença, frente a um tribunal da Inquisição. Por ciência, ou livre-pensamento, considerados abomináveis, foi condenado, qual precito, à prisão. Mas depois de se retractar, murmura o matemático: «Eppur si muove», que significa, no vernáculo, «Ainda assim, se move». E discreteia, desta sorte, o bíblico Livro da Sabedoria, 11: 20: «Mas tudo dispuseste com medida, número e peso.»  Mas controversa, e fictícia, é a paragem do Sol no Livro de Josué, 10: 12, 15. A talho de foice, ciências como a agricultura, a arquitectura, o comércio, a metalurgia e a gastronomia não são Artes Liberais, elas são, isso sim, as Artes mecânicas ou servis. E se as Artes Liberais são próprias de homens livres, já envolve, a mecânica, os servos ou escravos: a «escola», para os avitos, é recreio ou tempo livre. E se as artes mecânicas requerem o negócio ( «nec-otium» ), anelam, as Artes Liberais, a cultura e o «otium». Ou melhor: se são, as primeiras, artes de produzir, são, as segundas, as artes de saber. Simbolizando, as primeiras, a vida activa, e assinalando, as segundas, a vida contemplativa. No Evangelho lucano, a primeira quididade é de Marta, pertence, a segunda, a Maria. Anota, na cita, o nitente Nazareno: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada.» ( Lc 10: 41, 42 ). Quanto, agora, ao consulente: tanto no nome natal, como no artístico nome, a primeira consoante ela é decerto o P. E P, portanto, igual a 7. 7 o número, estudioso, da expansão da consciência. Do desenvolvimento, sagaz, do potencial humano. Simbolizado por Neptuno, o P apela à mente, à expressão, e ao feraz criacionismo. É de quem se alcandora, de feito, no espiritual, no caminho intelectual. Neptuno representa a Utopia, o misticismo, as faculdades paranormais. Meditativo e mediúnico, é a fusão do indivíduo no Todo universal. Para a ordem pitagórica tinha, o número 7, seu tópico e típico na deusa Minerva. E quanto, agora, à primeira vogal, ela é decerto o A. Ela indica independência, curiosidade e coragem, um gosto, liberal, por a novidade e a mudança. E um poder, estreme e extremo, de preste iniciativa. E unindo a Numerologia à ciência onomástica, nós temos, de boamente: Paulo Samuel, Paulo Coelho, Paula Moura Pinheiro, Paulo Cid e Paulo Borges, e, no estrangeiro, Paul Éluard, Paul Verlaine, Paul Tillich e Paul Simon, todos eles regidos, ou dirigidos, por o número 7. E, no mundo da canção, Paul Anka, o caroável. E mencionemos, ainda, Paul Claudel, Paul Gauguin e Paulo Portas, alembremos, levemente, Paulo Freire, o pedagogo, e Paulo Renato, o Actor. Não leixando, no oblívio, Paul Valéry, Paul Celan, Paul Lafargue e Paul McCartney. E Paulo, por isso, de Tarso, o Apóstolo dos Gentios. Atentemos, mais de perto, em Paulo Borges e Paulo Freire, pessoas bem gradas, pessoas mui dadas à especulação. Paulo Alexandre Esteves Borges, grande nome da nossa geração, foi nado em Lisboa, deveras, a 05/ 10/ 1959: ora 5 + 1 + 1 + 9 + 5 + 9 = 6 + 10 + 14 = 16 + 14 = 30. É o número de quem nasceu pra fazer, de feito, uma Obra grandiosa: pois que segue, Paulo Borges, a Via do Buda, desde 1983, é Professor de Meditação e Filosofia Budista desde 1999. Que o «opus magnum»  paulino, ele é, quanto a mim, o «Pensamento Atlântico» ( 2002 ). Quanto ao mais, Paulo Reglus Neves Freire nasceu no Recife, a 19/ 09/ 1921, e expirou, estrenuamente, em São Paulo, a 2 de Maio de 1997. Ora 1 + 9 + 9 + 1 + 9 + 2 + 1 = 20 + 12 = 32. É o mesmo Caminho de Vida de António Cândido Franco ( Lisboa, 13/ 07/ 1956 ) e, ademais, invertendo os dígitos, de António Salvado ( Castelo Branco, 20/ 02/ 1936 ): 2 + 2 + 1 + 9 + 3 + 6 = 5 + 18 = 23. Re-apresentando, o 32, o Caminho da Luz. Que Autor da «Pedagogia do Oprimido»  (1968), Paulo Freire é filósofo e pedagogo, é o patrono da educação brasileira. Reincidindo, agora, na Filosofia: o tópico e típico, do Doutor e Autor, ele é plantar, plasmar, elaborar a doutrina. E essa doutrina, mais que terapeuta, ela é PsicoTaropêutica. À guisa de Paulo Urban ( São Paulo, 10/ 02/ 1965 ), ela é feeria, ela é Terapia do Encantamento. E sendo a Psicologia uma pesquisa espiritual (mormente com o Jung, o Viktor Frankl e também com o Karl Jaspers), é o Homem, dessarte, em busca do «Self». E do princípio, solerte, de individuação. Ou melhor: de uma paixão pela qual valha a pena viver, a pena valha morrer. Falemos, sem falácia, de Karl Jaspers (Oldemburgo, 23/ 02/ 1883 – Basileia, Suíça, 26/ 02/ 1969), que foi discípulo, caroal, de Max Weber (Erfurt, 21/ 04/ 1864 – Munique, 14/ 06/ 1920). Karl Theodor Jaspers, em jornada, ele é feitor, e Autor, de «Psicopatologia Geral» (1913), e eis um clássico da moderna, hodierna, Psicoterapia. Ao qual no ádito aditamos: «Psicologia das Concepções do Mundo» ( 1919 ), a primeira lavra, ou livro, de Filosofia existencialista. É que «Sein und Zeit», ou melhor, o «Ser e Tempo», de Heidegger ( Messkirch, 26/ 09/ 1889 – Friburgo em Brisgóvia, 26/ 05/ 1976 ) só veio a lume em 1927. E não olvidemos, na leva, ainda do Jaspers, «Iniciação Filosófica» ( 1953 ); no período pós-Abril, fazia parte, esta lavra, do programa liceal de Filosofia. Cousa rara, e preclara, ele é Autor, outrossim, de «Os Mestres da Humanidade: Sócrates, Buda, Confúcio, Jesus» (1957): são quatro figuras, figuras-fulgor, da espiritualidade. Ou melhor, ou melhor: são luminares, e lustrações, da Filosofia de Vida. Que não devem, na lida, ser explicados, eles carecem, no lance, de ser compreendidos. E vividos, no Verbo, até ao acme e acume. Que eles moldem, modelem, modulem, no lais, a nossa jornada. Queremos dizer: através dos símbolos, metáforas e cifras, a «fé filosófica» é o aclaramento, o esclarecimento, da nossa existência, pois com o nosso Akh, ela clareia, abertamente, na clareira do Ser. E sendo, essa cifra, a ponte, a porta ou medianeira, entre o inconsciente pessoal e, nos Arquétipos, o inconsciente colectivo. Por vocábulos outros, a cifra faz mediação entre a existência, solene, e a transcendência perene. Que a transcendência, para Jaspers, ela abarca, e abraça, aquilo que existe além do tempo e do espaço. E é sinónimo, esse transcendente, da não-objectividade, ou melhor, do não-cousismo de Leonardo Coimbra ( Lixa, 30/ 12/ 1883 – Porto, 02/ 01/ 1936 ). E nisto se assemelha, o Karl Jaspers, e nisto ele se assemelha ao sápido Jung (kesswil, Suíça, 26/ 07/ 1875 – Kusnacht, 06/ 06/ 1961). O pensador subjectivo, pra Kierkegaard (Copenhaga, 05/ 05/ 1813 – Copenhaga, 11/ 11/ 1855), está mais próximo da Verdade do que o Hegel (Estugarda, 27/ 08/ 1770 – Berlim, 14/ 11/ 1835) e o Cartesius ( La Haye en Touraine, 31/ 03/ 1596 – Estocolmo, 11/ 02/ 1650 ). Aqui se versa, na doutrina de Jaspers, a unicidade, a excepcionalidade, da pessoa humana. O mesmo se observando, sagazmente, em Martin Buber (Viena, 08/ 02/ 1878 – Jerusalém, 13/ 06/ 1965) e Max Scheler ( Munique, 22/ 08/ 1874 – Frankfurt, 19/ 05/ 1928 ). Scheler que é, no razoar, temerário, de Ortega y Gasset (Madrid, 09/ 05/ 1883 – Madrid, 18/ 10/ 1955), «o primeiro homem do paraíso filosófico.» Ou não fosse ele marcado, outrossim, por o dia 22. Enquanto ser em situação, o homem é deveras aquilo que ele escolhe ser. A talho de foice, em 1901, Karl Jaspers estuda, o Direito, em Heidelberga e Munique. Pra esquadrinhar a Medicina, a partir de 1902, em Gotinga, Berlim e Heidelberg. Se doutorando, na ciência de Esculápio, em 1909, com a tese «Nostalgia e Criminalidade». A sua estreia laboral foi no hospital psiquiátrico da Universidade de Heidelberg, que fora, uns anos antes, o local de trabalho do grado Emil Kraepelin (Neustrelitz, 15/ 02/ 1856 – Munique, 07/ 10/ 1926). Foi Kraepelin quem forjou o conceito de «Dementia Praecox», que seria baptizada, em 24 de Abril de 1908, por Eugen Bleuler (Zollikon, 30/ 04/ 1857 – Zollikon, 15/ 07/ 1939), como «esquizofrenia», numa palestra em Berlim, na Associação Psiquiátrica Alemã. Que em 1911 surde e surge, em livro, «Dementia Praecox ou o Grupo das Esquizofrenias», o Bleuler, de facto, seu fautor e Autor. E já antes de Bleuler havia dado a lume, o sápido Jung, «Sobre a Psicologia da «Dementia Praecox»: um Ensaio» ( 1907 ). E quanto a Karl Jaspers: ensinando Psiquiatria em Heidelberg, em Heidelberg ele aceita, em 1921, a cátedra, curial, de Filosofia. A filosófica «veritas» não é uma verdade objectiva como a da ciência, que é anónima e aceite por todos, a verdade filosófica ela é, veramente, existencial. Sendo, o homem individual, o tema único e régio da Filosofia. Por refusar e rejeitar a prepotência nazi, por ser, a sua esposa, Gertrud Mayer Jaspers ( Prenzlau, Brandenburg, 26/ 02/ 1879 – Basileia, Suíça, 29/ 05/ 1974 ), de origem judaica, ele é, em 1937, ele é, roazmente, expulso do ensino. Sendo, de boamente, readmitido, em 1945. E a partir de 1948 ele doutrina, ele ensina, em Basileia perene, só se reformando, geronte, em 1961. E adoptando, em 1967, a nacionalidade suíça. Dos galardões, e das láureas recebidos, salientamos, em 1947, o Prémio Goethe, e, em 1959, o Prémio Erasmo. E dêmos, agora, a voz e a vez ao nosso querido Jaspers: «Se a religião não fosse a vida da humanidade, também não haveria filosofia.» E sendo o Tarólogo, ou o Psicoterapeuta, uma sorte, uma espécie, de Crítico Literário. Queremos mentar: aquele que decifra o criptograma cordial. Ora reza a Tradição: os Astros inclinam, mas não forçam. Ou na chama e chamada do Shakespeare divino (Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1564 – Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1616): «O destino baralha as cartas, mas somos nós que as jogamos.» Assim acerta, e disserta, Arthur Schopenhauer ( Danzig, 22/ 02/ 1788 – Frankfurt, 21/ 09/ 1860 ), o acérrimo inimigo do Hegel professor ( Estugarda, 27/ 08/ 1770 – Berlim, 14/ 11/ 1831 ). Mas por mais atro, e soez, que seja o nosso Karma, aquele que acende, nas trevas, uma luz, é sempre o primeiro a dela, e com ela, se beneficiar. Pois tanto para o bem, como para o mal, o homem é quem cria, solerte, o seu destino, o homem é fruto, e o produto, das suas obras e feitos. Ao contrário do que pensa o lauto Lutero  (Eisleben, 10/ 11/ 1483 – Eisleben, 18/ 02/ 1546), meditemos, biblicamente, com Tiago, 2: 26: «Assim como o corpo sem alma é morto, assim também a fé sem obras é morta.» Ou como luz, e aduz, o sápido Goethe (Frankfurt am Main, 28/ 08/ 1749 – Weimar, 22/ 03/ 1832):  «No princípio era a acção.» E alembramos, aqui, Filosofia da Acção, seu feitor e Autor o Maurice Blondel ( Dijon, 02/ 11/ 1861 – Aix-en-Provence, 04/ 06/ 1949 ). Pois ao invés do que pensam materialistas, nem o passado, nem a raça, nem o meio, são decisivos, terminantes, na existência e na vida do bípede implume; e citando Victor Hugo ( Besançon, 26/ 02/ 1802 – Paris, 22/ 05/ 1885 ), «é que a Palavra é o Verbo e o Verbo Deus é». Em lugar do pretérito, vejamos o futuro, em lugar da etiologia, firmemos, afirmemos uma teleologia. Ou melhor: não somente o porquê, mas de facto, e de feito, o para quê. Que Paul Akh (Lisboa, 09/ 12/ 1966), ademais, ele concorda, afinal, com Rimbaud  (Charleville, 20/ 10/ 1854 – Marselha, 10/ 11/ 1891): mais do que pensarmos à maneira do «cogito», nós somos, em vez disso, bem pesados e pensados por o nosso inconsciente. Quanto ao mais, este livro de Paul Akh ( Lisboa, 09/ 12/ 1966 ) é concorde, no lance, com Santo Atanásio de Alexandria ( Alexandria, Egipto, c. 296 – Alexandria, 02/ 05/ 373 ): é que «Deus se fez homem para que o homem se torne Deus». «Também eu sou da raça dos deuses»: assim sidera, e assevera, a escola de Orfeu. Em seu discurso no Areópago, de Atenas, o Apóstolo dos Gentios cita «Cretica», de Epiménides ( «É n’Ele, realmente, que vivemos, nos movemos e existimos» ), ele cita, outrossim, os «Fenómenos», de Arato de Solos («Pois nós somos também da Sua estirpe»), e isto esquadrinhamos em Act 17: 28. E é que é uno, o Tarot, com a Santa Kabbalah, e é que os números, os sons, as cores e as letras são o principal legado do Hermes Trismegisto. E é que o Nume é cardeal, é que as imagens e magias elas forjam, e formam, a Música das Esferas.  No razoar e no dizer de Francisco Gomes Teixeira ( São Cosmado, Armamar, 28/ 01/ 1851 – Porto, 08/ 02/ 1933 ), se «a Matemática», nas artes, «é o esqueleto da Poesia», o Tarot, por isso mesmo, é Poesia pintada. O Tarot tradicional (sendo o mais popular o Tarot de Marselha), é composto, cordialmente, por 78 cartas: são trunfos 21, o Mate ou o Louco, e 4 conjuntos de naipes com 14 cartas cada, compreendendo, cada conjunto, 10 cartas numeradas e 4 figuras correspondentes, como os naipes, aos 4 elementos (Rei, Rainha, Cavaleiro e Valete). Ora 22 + ( 4 x 14 ) = 22 + 56 = 78. E ora muito, muito bem: pra nosso pasmo, e assombro, 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 + 10 + 11 + 12 = 10 + 18 + 27 + 23 = 28 + 50 = 78. E invertendo, agora, os dígitos de 12, ficamos com 21, e é o Louco que vai, destemidamente, até ao fim da jornada. E é que o Mundo é chamado, simbolicamente, a Coroa dos Magos. Mas precisemos, agora, os nossos temas e lemas. Quem recorre, sibilino, aos cartomantes, não vai às consultas para aprender («mathein»), mas pra sofrer, patético, emoções, para ter a simpatia («pathein»). Ou nas palavras do Professor, e Doutor, Eudoro de Sousa ( Lisboa, 1911 – Brasília, 14/ 09/ 1987 ): «O mistério da catarse podia consistir, simplesmente, na sua original afinidade com a catarse dos Mistérios.» Foi só adunando Aristóteles (Estagira, 384 a. C. – Atenas, 322 a. C.)  a Freud (Freiberg in Mahren, 06/ 05/ 1856 – Londres, 23/ 09/ 1939)  que forjou, Jacob Levy Moreno   (Bucareste, Roménia, 18/ 05/ 1889 – Beacon, Nova Iorque, 14/ 05/ 1974), o preste Psicodrama. Que o astro é pois o estro, e imitação, lilialmente, é o mimo e a «mimesis», é o Mito e a mentira postos em acção. Ou melhor: morrendo, como histrião, renasce, o Poeta, como Mago ou Saltimbanco, o dono e o senhor dos jogos malabares. Ensina, desse modo, o Peripatético: se apela, a História, para o particular, anela, a Poesia, o Mito universal, quer dizer: do inconsciente pessoal se passa, preste e pronto, para o colectivo, oblativo inconsciente. É assim que podemos compreender a paixão, o apalavrar, o parecer de Kierkegaard (Copenhaga, 05/ 05/ 1813 – Copenhaga, 11/ 11/ 1855): quanto mais individual, tanto mais existente, quanto mais subjectivo, tanto mais universal. E por isso diremos ora: Paul Akh (Lisboa, 09/ 12/ 1966), desta sorte, ele é exótico e ex-cêntrico. À força de contemplar o protótipo, isto é, o Astro ou Arquétipo, nem dá por o filisteu, por o banal e prosaico da vida quotidiana. Que ele é um pouco, o Paul Akh ( Lisboa, 09/ 12/ 1966 ), como o Tales de Mileto ( Mileto, c. 624 a. C. – Mileto, c. 546 a. C. ): esquadrinhando, e templando, os páramos do Céu, nem dá por os poços que se abrem a seus pés. A isso chamam, os Gregos, «Theoría». A isso chamava, o Schopenhauer ( Danzig, 22/ 02/ 1788 – Frankfurt, 21/ 09/ 1860 ), a especulação, o templar, da Ideia Platónica. Queremos dizer, o con-siderar, o esquadrinhar, o sidéreo, com a ajuda de um espelho. A talho de foice, o sábio de Mileto predisse, deveras, um eclipse do Sol, provavelmente o de 28 de Maio de 585 a. C. E não é que o Espinosa (Amesterdão, 24/ 11/ 1632 – Haia, 21/ 02/ 1677) era, de facto, um polidor de lentes??? De origem judaico-portuguesa, ou seja, sefardita, o nome próprio do Filósofo, «Baruch», ele significa, em hebraico: «bendito, beatificado, abençoado». Por ironia das Letras, não obstante, a Sinagoga Portuguesa de Amesterdão, a 27 de Julho de 1656, por manifesta, ou preste, heterodoxia, excomunga, cruelmente, o Filaleteu, e a pena de excomunhão foi lavrada, leviana, em Língua Portuguesa: isso está contra a Bondade, a Beleza e a Verdade.  Pois sobre o Espinosa, asserta, desta sorte, o sápido Hegel: «O facto é que Espinosa se tornou um ponto de teste na filosofia moderna, de modo que realmente se pode dizer: ‘Ou você é um espinosista ou nem mesmo é um filósofo.’»  E não é que, para Schelling ( Leonberg, 27/ 01/ 1775 – Bad Ragaz, 20/ 08/ 1854 ) e pra Hegel (Estugarda, 27/ 08/ 1770 – Berlim, 14/ 11/ 1831), os dous idealistas, os dous colegas em Tubingen, era, a Beleza, a Ideia arquetipal tornada sensível??? Quanto a nós, perfilhamos a ideia de que é, o Tarot, uma ciência milenar, nascida, quiçá, no Egipto das Pirâmides. E seguindo e segundo Court de Gébelin  (Nimes, 07/ 01/ 1725 – Paris, 10/ 05/ 1784), no avito idioma egípcio o vocábulo «Tarot» é a junção de «Tar» (caminho, rota), com «Rho» (Rei, Real); ele é, pois, o Caminho do Rei ou Caminho verdadeiro. Ou melhor: aquilo que está escrito nos Akáshicos Arquivos. E chegamos, emocionado e movido, à Logoterapia; ela é, por definição, «uma psicoterapia que fala do espiritual». Seu criador e promotor foi, de facto, Viktor Frankl ( Viena, 26/ 03/ 1905 – Viena, 02/ 09/ 1997 ). Na sequência de Freud ( Freiberg in Mahren, 06/ 05/ 1856 – Londres, 23/ 09/ 1939 ), primeiro, e do Adler (Rudolfsheim, 07/ 02/ 1870 – Aberdeen, Escócia, 28/ 05/ 1937 ), depois, é a tércia, ou terceira, escola vienense de Psicoterapia. Cunhado, em 1926, o termo «Logoterapia», para o solerte Viktor Frankl a neurose não vem só do recalcamento das pulsões, ela é, acima de tudo, espiritualidade recalcada, e preste aperreada. E como é que Viktor chegou a essa conclusão??? Foi, antes de mais nada, por a experiência, tormentosa, dos campos de concentração. Foi a Geena, desse modo, vivida na terra, e nela perdeu, o Psiquiatra, seus Pais, sua mulher, e seu irmão outrossim. E foi o lance lancinante, e foi a raiva e o desdouro, mas foi, o Averno, totalmente ultrapassado: em 1946, em 9 dias consecutivos, o esculápio regista e escreve, ele grafa e ele grava, supimpa, «A Psychologist Experiences the Concentration Camp», «Em Busca de Sentido: um Psicólogo no Campo de Concentração». Um pouco por todo o mundo, esse livro vendeu 12 milhões de exemplares. E o holocausto, por isso, nazi, foi o que sucedeu, igualmente, com outro vienense, com o Bruno Bettelheim  (Viena, 28/ 08/ 1903 – Silver Spring, Maryland, 13/ 03/ 1990).  Bettelheim o Autor, acareado, da «Psicanálise dos Contos de Fadas» ( 1976 ), Bettelheim o feitor de «A Viena de Freud e Outros Ensaios» ( 1990 ).   Revertendo agora a Viktor: quem é senhor do próprio caos ele só se livra, e amelhora, criando, na cruzada, um novo Cosmos. «Análise existencial»: eis uma expressão forjada, por o Frankl, em 1939. Quanto ao mais, Viktor Frankl concorda, caroal, com Álvaro Ribeiro (Porto, 01/ 03/ 1905 – Lisboa, 09/ 10/ 1981): a Arte ela é expressão do inconsciente, o inconsciente ele é expressão do preternatural. E não será de mais dizê-lo: o inconsciente se revela através das imagens, quero eu dizer: dos Arcanos do Tarot. E eis aqui de Viktor a tese de doutoramento em Filosofia: se trata, e correlata, «O Deus Inconsciente» (1948). E é, precisamente, a dimensão noológica, que exalça, no homem, já não a «vontade de poder», mas, sempre e sim, a «vontade de sentido». «A Respeito do Sentido da Vida»: eis a prima colação de Viktor Frankl, em 1921. Sendo, a neurose, uma falta de norte, um vazio, desse modo, existencial. E mencionemos, por mor do Númen, «Psicoterapia e Existencialismo» (1967). E memoremos, nós ora, com a vénia devida; para Carl Gustav Jung ( Kesswil, Turgóvia, 26/ 07/ 1875 – Kusnacht, Zurique, 06/ 06/ 1961 ) é como segue: para os doentes e dolentes na segunda metade da vida, a neurose é qual recusa, o enfraquecer, da espiritualidade. Por vocábulos outros, religião é qual catarse para o sápido Jung, religião sempre é sistema da Psicoterapia. Sendo Jung um relevante, um praticante do Tarot. E alembramos, no lance, Françoise Dolto ( Paris, 06/ 11/ 1908 – Paris, 25/ 08/ 1988 ), com «Os Evangelhos à Luz da Psicanálise» ( 1977 ). Que a existência, desse modo, para Viktor, é a resposta que nós damos ao Deus que nos apela. E estamos longe, mui longe de Freud para quem era, a religião, uma neurose obsessiva infantil. Mas mesmo para Freud não é, a religião, contraproducente, ouçamos o que ele escreve em «O Futuro de Uma Ilusão» (1927): «É certo também que o crente se encontra protegido, em elevado grau, contra o perigo de certos distúrbios neuróticos. A aceitação de uma neurose universal subtrai-o à hipótese de formação de uma neurose pessoal». A respeito, ainda, da Logoterapia, ouçamos o «sage», na vis, que é Viktor Frankl: «Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim, transforme-a. Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se.» Ou melhor: quem quiser mudar o mundo começará, na monda, por mudar-se a si próprio: o que está no alto, está na base, e o que é fora, dentro está. E antes, na freima, de findarmos: o Paulo nasceu na cidade lisboesa, a 09/ 12/ 1966. Quem nasce a 9, é movido, destarte, por a celeste Boa Nova. Ele é humanitário, missionário, ele serve os outros para a concretização do Reino de Deus – e é dele o caminho da «Philadelphia», filantropia, ou Filosofia; poderá ser, o nono, afecto, e afeito, a doutrinas esotéricas. É o 9 a universalidade, a doação, o Amor curial e incondicional. Sendo o número das Musas, é o número, manifesto, da tripla trindade, sua precípua missão é provocar a evolução nas outras criaturas. Pois segundo o Pseudo-Dionísio Areopagita ( finais do século V – começos do século VI ), são hierarquizados, os Anjos, em 9 coros ou 3 trindades. E em sentido altaneiro, o 9, selectamente, o 9 é o símbolo da Iniciação, e daí, ó ledor, a importância das novenas. O Arcano 9 representa o Eremita, é o sábio que se retira do mundo pra procurar, presto e pronto, a Sabedoria. É o silêncio, retiro, meditação e unção. Sendo embora solitário, ele é um norte, um exemplo, um modelo para os demais. Mas sendo, outrossim, solidário, ele dedica-se aos outros por o serviço, caroal, à comunidade. E eis, aqui, o esquadrinhar e o templar; de características saturnianas, são favorecidos o ensino, a solidão, e os estudos esotéricos. O Ermita é, outrossim, o Alquimista, é o homem que parte em busca do Self. Que admite, «verbi gratia», a Fé Bahá’í, 9 Profetas para a unificação: Krishna, Abraão, Moisés, Zaratustra, Buda, Jesus, Maomé, Báb, e, alfim, Bahá’u’lláh. Que a mesma Fé Bahá’í foi fundada em Shiraz, na Pérsia, por Báb ( Shiraz, 20/ 10/ 1819 – Tabriz, 09/ 07/ 1850 ), em 23 de Maio de 1844. Significando «Báb», em Árabe, «o Portão» ou «a Porta». De seu nome no mundo Siyyid ‘Alí-Muhammad, esse Báb era um comerciante de Shiraz em Qajar, Irão, que, aos 25 anos, em 1844, se dizia, deveras, um Mensageiro de Deus. Seguindo e segundo Bahá’u’lláh, que sucedeu, no carme, a Báb, o Profeta, as diversas religiões são frutos de uma só árvore, são, no florecer, as folhas do mesmo ramo. É tempo, agora, de averbá-lo: Bahá’u’lláh, em Árabe ( o seu nome de nascimento era Mirzá Husayn-Alí ), significa, literalmente, «A Glória de Deus». Ou melhor: Bahá’u’lláh foi preste, preste, o grande educador, o grande Pedagogo anunciado por Báb. Seguindo instruções do governo e do clero dominantes e mandantes, o Báb foi morto, a 9 de Julho de 1850, por um pelotão de fuzilamento. Citemos, levemente, Lucas 4: 24: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido em sua terra.» Por aqui vemos nós: como asserta, certeira, a Sociedade Teosófica (Nova Iorque, 17/ 11/ 1875), todas as religiões têm, de facto, um fundamento comum. «All religions are One», «Todas as Religiões são uma só»: eis um título, de 1788, do sagrado e selecto William Blake  (Londres, 28/ 11/ 1757 – Londres, 12/ 08/ 1827). E vem aqui, a talho de foice, do Rigveda uma cita: «O Eterno é um só, mas é conhecido por muitos nomes.» Pois sendo, a Fé Bahá’í, monoteísta, o único Deus é cultuado, deveras, com nomes diferentes. Ou como diria, adrede, o Pinharanda Gomes ( Quadrazais, Riba-Côa, 16/ 07/ 1939 – Loures, 27/ 07/ 2019 ), «Deus é só um, os cultos são tantos quantas as culturas.» E revertendo, os nados a dia 9 eles são também pessoas que amam as artes, eles poderão campear em trabalhos caroais, e portanto criativos. Ora isso envolve música, pintura, teatro ou literatura; o Papa João Paulo II, que era Poeta, que tinha como nome, no mundo, Karol Wojtyla, nasceu em Wadowice, a 18 de Maio de 1920; Paul McCartney, o «Beatle», foi nado em Liverpoool, a 18 de Junho de 1942 – e 1 + 8 = 9. Mas há mais, ainda mais: o criador do Psicodrama, Jacob Levy Moreno, foi nado em Bucareste, a 18 de Maio de 1889, com a mesma vibração, deveras, do Vigário de Cristo. Mencionemos, ainda, Omar Caiame; o matemático, filósofo e Poeta foi nado, em Nixapur, na Pérsia, a 18 de Maio de 1048; e, mais próximo de nós outros, Bertrand Russell, Prémio Nobel da Literatura em 1950, nasceu em Trelleck, País de Gales, a 18 de Maio de 1872. E quanto, agora, a Bertrand Russell: da sua vasta e basta Obra, sublinhamos e alçamos: «The Conquest of Happiness» ( 1930 ), ou seja, «A Conquista da Felicidade»; em 1946, «History of Western Philosophy», «História da Filosofia Ocidental» e; em 1957, «Why I Am Not a Christian», «Porque não sou Cristão».  Que além de Matemático e historiador, com estro, da Filosofia, Russell foi, selectamente, um Pacifista de prol: se manifestando, mavioso, contra as armas nucleares, ajudou a criar, em 1967, o Tribunal Internacional para os Crimes de Guerra. E em 1955 ele redige, com o apoio de Einstein ( Ulm, Alemanha, 14/ 03/ 1879 – Princeton, Estados Unidos, 18/ 04/ 1955 ), o Manifesto Russell-Einstein, em que alerta contra os perigos das armas nucleares. E remembremos que, em 1918, por seu estreme Pacifismo, recebe o sábio uma sentença de seis meses de prisão. E versemos, agora, uma grande, grande luz, e averbemos, deveras, a Escritora Lídia Jorge. De seu nome completo Lídia Guerreiro Jorge, foi nada em Loulé, Boliqueime, a 18 de Junho de 1946. A Autora de «O Dia dos Prodígios» (1980) de «O Cais das Merendas» ( 1982 ) e de «A Costa dos Murmúrios» (1988) , a feitora de «A Última Dona» (1992) e de «O Jardim sem Limites» (1995)  ganhou, entre outros galardões, o Prémio Eduardo Lourenço ( 2023 ) e, no mesmo ano, o Prémio de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues.  E averbemos, ainda, com «adresse»: a 17 de Dezembro do ano 2004, a Câmara Municipal de Albufeira inaugurou, em sua menagem, a Biblioteca Lídia Jorge. E em 9 de Março do ano 2005, o Presidente da República, Jorge Sampaio (Lisboa, 18/ 09/ 1939 – Oeiras, Carnaxide e Queijas, 10/ 09/ 2021), condecorou-a, do cor, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. E ela foi distinguida, em 2025, com o Prémio Pessoa, sendo a primeira mulher Escritora a receber o galardão. Mencionemos, ainda, Friedrich Hegel; ele foi nado em Estugarda, a 27 de Agosto de 1770, e 2 + 7, novamente, igual a 9. Quanto a Friedrich Schelling, o Amigo do Hegel, ele foi nado em Leonberg, a 27 de Janeiro de 1775. Tanto em Schelling como em Hegel, o 27 = 3 x 3 x 3, o 3 elevado ao acme e acume. Caso curioso, preciso, e deveras precioso: Soren Kierkegaard (Copenhaga, 05/ 05/ 1813 – Copenhaga, 11/ 11/ 1855), Friedrich Engels (Barmen, 28/ 11/ 1820 – Londres, 05/ 08/ 1895) e Mikhail Bakunine  (Premukhimo, Império Russo, 30/ 05/ 1814 – Berna, 01/ 07/ 1876) frequentaram, de feito, as aulas de Schelling em Berlim. Kierkegaard que teve, bastante peso, no Existencialismo, caroal, do vigésimo século. E quanto, agora, a Bakunine: 3 + 5 + 1 + 8 + 1 + 4 = 9 + 9 + 4 = 18 + 4 = 22, e eis, de novo, a letra Tau.  E eis a prova probante de que é, o Pitagorismo, bem recto e escorreito: o supimpa John Lennon nasceu em Liverpool, a 9 de Outubro de 1940. E a 9 de Março de 1907, em Bucareste, foi nado, meigamente, Mircea Eliade. E não olvidemos, na leiva: John Milton nasceu em Bread Street, Londres, a 9 de Dezembro de 1608. O seu «opus magnum» é «Paradise Lost»  («Paraíso Perdido»), cuja primeira edição viu a luz, levemente, em 1667. Se trata de um poema épico, em verso livre, que abarca, e compreende, 10 livros, e tendo, ao todo, mais de 10000 versos. Sublinhemos e alcemos, ainda, «Areopagitica»  (1644), uma digna defesa da liberdade de expressão e, outrossim, da liberdade de imprensa. E firmemos, finalmente e alfim: o Autor de «Paradise Lost» ( 1667 ) e de «Paradise Regained» (1671) é considerado, por os doutos, o maior Poeta britânico, logo, logo a seguir a Shakespeare ( Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1564 – Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1616 ). E não leixemos, aqui, no oblívio: o Actor, Poeta, Jornalista e Pintor António Pedro foi nado em Cabo Verde, Santiago, na Cidade da Praia, a 9 de Dezembro de 1909. Se debuta, em 1926, com «Os Meus 7 Pecados Capitais». De 1934 a 1935, enquanto aluno, em Paris, da bela Sorbonne, foi feitor, e Autor, do «Manifesto Dimensionista». E em Paris ele dá a lume, em 1935, «15 Poèmes au Hasard». Por finais da década de 30 ele introduz, o Surrealismo, na Pintura Portuguesa. Entre 1944 e 1945, ele vive, levemente, na cidade londrina, onde trabalha, de feito, na «British Broadcasting Corporation» ( BBC ), fazendo parte, desse modo, do Grupo Surrealista de Londres. E em 1947, juntamente com Cândido Costa Pinto ( Figueira da Foz, 20/ 05/ 1911 – São Paulo, Brasil, 28/ 03/ 1976 ), Marcelino Vespeira (Samouco, Alcochete, 09/ 09/ 1925 – Lisboa, 22/ 02/ 2002), Fernando Azevedo  (Vila Nova de Gaia, 1923 – Lisboa, 2002) e Mário Cesariny (Lisboa, 09/ 08/ 1923 – Lisboa, 26/ 11/ 2006),  foi membro fundador do Grupo Surrealista de Lisboa. Participando na cidade lisboesa, em 1949, na I Exposição Surrealista. Se realce e releve, em sua Poesia, «Protopoema da Serra de Arga» ( 1949 ), e, em prosa a ficção «Apenas uma Narrativa» (1942). Que António Pedro foi «Maçon», ele foi, ademais, curial antifascista.  Sublinhemos e alcemos, mais uma vez: se Mário Cesariny de Vasconcelos, Poeta e Pintor, foi nado a 9 de Agosto de 1923, nasceu, o Artista Plástico Marcelino Vespeira,  a 9 de Setembro de 1925. E uma nótula, agora, de Cultura Comparada: no dia 9 de Dezembro de 1992, isto é, no 26.º aniversário do graciano Paul Akh, John Major, o então primeiro-ministro britânico, anunciou, perante a Câmara dos Comuns, a separação oficial de Carlos e Diana. E agora, revertendo, e qual é a Missão do nosso Paul Akh??? Somando o dia com o mês chegamos à resposta: 9 + 12 = 21, sendo 1 + 2 = 3. Ora se 1 é o homem, e o 2 é a mulher, 1 + 2 = 3, que é o número do filho: é a Obra a ser feita, esta é portanto a via da criatividade. Que o 21, para as Letras, é um número supimpa: Jean-Paul Sartre, o Autor de «L’Existentialisme est un Humanisme» ( 1946 ) foi, de feito, nado em Paris, em 21 de Junho de 1905. Quanto a Voltaire, o fautor e o feitor do «Dictionnaire Philosophique» ( 1764 ) nasceu em Paris, a 21 de Novembro de 1694. E Pedro de Amorim Viana, o feitor e Autor de «Defesa do Racionalismo ou Análise da Fé» ( 1866 ), foi nado, dessarte, na cidade lisboesa, a 21 de Dezembro de 1822. Professor da Academia Politécnica do Porto, e «teólogo laico», é considerado, lautamente, o fundador, de feito, da Escola Portuense de Filosofia. Caso curioso, preciso e deveras precioso, Amorim Viana faleceu num dia de Natal, exactamente, ó ledor, em Lisboa, em 25 de Dezembro de 1901.  Falando, agora, de Maria Estela Guedes, que escreveu «Herberto Helder, Poeta Obscuro» (1979), foi nada ela em Britiande, a 21 de Maio de 1947. E arquivemos, aqui, Alphonse de Lamartine, ele foi nado, francês, em Mâcon, em 21 de Outubro de 1790. E prosseguindo, na freima, o nosso Ágape, agora: o Paulo nasceu a Dezembro (12)  e 1 + 2 = 3. Como profissão, recreio, ou como «hobby», é a Arte qual a via do beletrista ou publicista. E vamos nós ora ao ano de nascimento: em 1966, 1 + 9 + 6 + 6 = 22: é um ano de conseguimentos pragmáticos e práticos. Grandes Obras, desse modo, grandes Obras são feitas com esta vibração. Em selecto Pitagorismo, o 22, em Paul Akh, é o Terceiro Ciclo, ou Ciclo da Colheita, é o tempo compreendido entre os 57 anos e o fim da vida feraz. E quanto, agora, ao Número de Destino, ou Número de Vida, somemos, do Paul, somemos os dígitos da data natal: 9 + 1 + 2 + 1 + 9 + 6 + 6 = 12 + 22 = 34, e 3 + 4 = 7. O 34 significa: liderança, criatividade, a busca e a demanda da independência. O 3 se manifestando através do concreto, do caroável e palpável. Ou melhor: o Paulo é um Psicólogo de livros e de livres, ele procura, e ele professa, as Artes Liberais. Até ao cume e à crisálida. Até ao Karma, à credência, até à força da crença…………

 

PARALIPÓMENOS

Ainda quanto ao 9, averbemos, aqui, o manifesto global do escol e da escola neoplatónica: se trata das «Enéadas», de Plotino ( Licópolis, Egipto, c. 205 – Licópolis, Egipto, 270 ). São 54 pequenos tratados que correspondem ao produto de 6 por 9, isto é, são 6 livros contendo, cada um, 9 capítulos. Esses escritos foram recompilados e coligidos por Porfírio (Tiro, actual Líbano, c. 234 – Roma, c. 305 ), que foi, na verve, um discípulo de Plotino. Ele foi seu aluno, ele foi, de feito, seu biógrafo, e biógrafo, de facto, de Pitágoras, o Áugure Pítico (Samos, c. 570 a. C. – Metaponto, c. 495 a. C. ). Ora Plotino, ele mesmo, se desloca, em 232, a Alexandria, com o escopo de se dedicar, sem reservas, à Filosofia – e aí encontra, deveras, Ammonius, que o fascinou, na faina, e de facto e de feito. E ele permanece, seu pupilo, durante os anos 11. Ora o nosso Ammonius Saccas ( Alexandria, c. 175 – Alexandria, 240/ 242 ), ele foi, na safra, o fundador, da Escola Neoplatónica de Alexandria. O seu saber era tão magno, e tamanho, que lhe chamavam, na flama, o «Theodidaktos», ou seja, o «instruído por Deus». Juntamente com Plotino, fulguravam, como alunos de Ammonius, Orígenes (Alexandria, Egipto, c. 185 – Cesareia, 253) e Longino ( Homs, 213 – Palmira, 273 ) – e foi essa a escola dos Filaleteus, quero eu dizer, dos Teosofistas, dessarte, ou Amigos da Verdade. Elucidemos, então, dilucidemos o ledor: o neoplatonismo é um movimento filosófico de língua helena, que vai desde a primeira metade do século III até ao decreto pelo qual Justiniano ( 01/ 04/ 527 – 14/ 11/ 565 ) encerra, em 529, a Escola de Atenas. Falemos, então, de Orígenes Adamantius, quer dizer, «homem de aço ou de diamante». O nosso Orígenes ( não confundir com o Orígenes Pagão ), aprendeu com Clemente de Alexandria (Atenas, c. 150 – Palestina, 215), foi liado, levemente, à Escola Catequética de Alexandria. A essa Escola, fundada por São Panteno, se deu o nome de «Didascálio»  («Didascalium» ou «Didaskaleion»), «concernente, ou atinente, ao género didáctico». Pois que era, o «Didascaleion», um foco, ou um centro, de Ensino Superior – e Ensino Superior é ensino soberano. O «Didascalium» ele foi, de facto, o primeiro esboço do que será, mais tarde, a Universidade medieva. Tornando, agora, ao Teólogo: em 202, o Pai de Orígenes, Leónidas, morre mártir, e sob a perseguição de Sétimo Severo – e sua fortuna foi confiscada por as autoridades, roazes, ao serviço do império. Pra ajudar, economicamente, sua Mãe, deveras, e seus irmãos mais novos, Orígenes se emprega, com afã, qual Professor e Magíster gramatical. Em 203, com 18 anos, a convite, caroal, do Bispo Demétrio, ele substitui Clemente na direcção, com «adresse», dessa Escola Catequética, onde se manteve, preste e pronto, até 231. O seu zelo por a Escritura era tamanho, e tão grande, que, por volta de 202, fazendo jus a Mateus, 19: 12, ele castra-se a si próprio. Ouçamos, então, ouçamos Mateus: «Há eunucos que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela interferência dos homens, e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos por amor do Reino dos Céus.» E é que, em 230, na Palestina, os Bispos Alexandre de Jerusalém ( 213 – 249/ 251 ) e Teoctisto de Cesareia ( ca. 217 – ca. 258 ) o ordenam, de facto, qual sagrado Sacerdote. E como fosse, essa ordenação, sem a permissão do Bispo Demétrio (189 – 232),  este último o rechaça, o rejeita e o excomunga, o condena, crucial, ao exótico exílio. E é que em 231, o discípulo de Clemente, ele abre uma escola em Cesareia selecta. E continua, cautamente, a ensinar, até que, em 250, sob a perseguição de Décio, Orígenes foi preso, sofreu, em Tiro, as tormentas cruéis, e ele veio a falecer 4 anos depós. Seguindo e segundo São Jerónimo (Estridão, c. 347 – Belém, 30/ 09/ 420), em sua «Epístola 33», escreveu, o alexandrino, 310 homilias e, além disso, 320 livros. Da sua basta, vasta Obra salientamos «De Principiis», «Hexapla» e «Contra Celsum». E, ainda, «Tratado sobre a Oração», «Comentário ao Evangelho de Mateus» e «Comentário ao Evangelho de João». Discípulo pois de Ammonius Saccas e de Clemente de Alexandria, Orígenes é, quiçá, o maior Génio, doutrinal, do Cristianismo primitivo. Seguindo e segundo J. Quasten, ele é, na verve, «o maior erudito da Igreja antiga.» Sendo, outrossim, o Autor cristão mais fecundo dos três primeiros séculos. Sendo, a sua Obra, e sendo, a sua oblata, o primeiro grande sistema de filosofia cristiana. Abarcando e abraçando, mais do que a fé, a solerte e a selecta, a simpática Gnose. Suas doutrinas, por isso, foram condenadas como heréticas, em 553, por o II Concílio, Ecuménico, de Constantinopla – mas é um erro da História considerar, o Orígenes, como inferior, na freima, a Santo Agostinho ( Tagaste, 13/ 11/ 354 – Hipona, 28/ 08/ 430 ). E além disso, em 543, o Imperador Justiniano ( 01/ 04/ 527 – 14/ 11/ 565 ) publica um édito contra o teólogo. Tanto em Orígenes, como em Clemente, Deus é comparado a um médico, ou pedagogo, Ele inflige penas e males pra sarar ou pra curar. Mas há mais, ainda mais: com o nome de Apocatástase, Orígenes designa a restauração final de todalas cousas na sua unidade, primeva, com Deus. Se trata da salvação e redenção final de todolos seres, não esquecendo os que habitam o inferno – inclusive os condenados e o próprio Diabo. Ou seja, depós o desencarne, purificados, alfim, das suas culpas, voltam, os seres humanos, ao contubérnio, cordial, com o Cristo Pantocrator. E é que Platão, nas suas «Leis», ele disserta dessarte: «Deus é o pedagogo do mundo inteiro.» Sendo, o mundo visível, a queda e involução do mundo inteligível. E quanto, agora, às Escrituras: o seu triplo significado é somático, psíquico e espiritual, os estados estão, entre si, como as três partes do Homem: o corpo, a alma e o espírito esperto. Ou melhor: ao significado corpóreo ou literal, antepõe, o teólogo, o significado alegórico, mais alto, e espiritual. E acima do Evangelho histórico, qual complemento ou suplemento das verdades nele ensinadas, insiste, ou ex-siste, um Evangelho Eterno: ele é o «Liber Mundi» de que falámos mais atrás. Eliminados, deste modo, o mal absoluto e a danação eterna, cada nova encarnação no palco do mundo deve ser considerada como a escala, ou como a escola, onde aprendem, os humanos, a Lei do Amor. O fraterno, Eterno Evangelho, ele será, pra Joaquim de Flore, a plenitude dos  tempos, a Idade, curial, do Espírito Paracleto. E em demanda, caroal, da eterna Boa Nova, é o livro, e a lavra, do acareado Paul Akh ( Lisboa, 09/ 12/ 1966 ). A esse milenarismo se refere, com ardor, o joanino Apocalipse, 14: 6: «Vi depois outro Anjo que voava no meio do céu, com um evangelho eterno para anunciar aos habitantes da terra, a toda a nação, tribo, língua e povo.» Cogitemos, então: se o reino do Pai é o Antigo Testamento, isto é, o Império da Lei, o reino do Filho é o Novo Testamento, isto é, o Império da Igreja; será, o tércio estado, o Espírito Santo, a Idade da Graça. E se a ordem dos cônjuges pertence ao Pai, pertence, ao Filho, a ordem dos predicadores; a ordem dos monges abarca, e abraça, o Espírito Paracleto. Se no primeiro estado reina a servidão, reina, no segundo, a servidão filial; e dá origem, o terceiro estado, à Liberdade liberal. Pertence, o primeiro estado, à flagelação, decorre, no segundo, a acção, campeia, o terceiro, na contemplação. Se vive, o primeiro, no temor e no tremor, se alça, o segundo, na Fé, e viverá, o tércio, na verdade lilial. E o nosso Joaquim de Fiore, ele tem que se lhe diga. Nado em 1135 em Dorfe Ceico, perto de Cozença, faleceu, em Calábria, em 30 de Março de 1202, no Sábado de Aleluia daquele ano, deveras. Fundou, em 1191, o Convento de S. João em Fiore; essa Ordem de Fiore foi aprovada, por Celestino III ( 14/ 04/ 1191 – 08/ 01/ 1198 ), em 25 de Agosto de 1196. Tendo um grande peso, o joaquimismo, no culto e na cultura da Ordem Franciscana. E este é o Verbo, a Verdade e a Vida. E esta, ó escoliasta, esta é a escola, a escala, a perene didascália……………….

 

NOTA BENE

I

Já dissemos que para o linguista, clérigo e ocultista Antoine Court de Gébelin ( Nimes, 07/ 01/ 1725 – Paris, 10/ 05/ 1784 ), os 22 Arcanos Maiores correspondem, caroalmente, a um avito livro egípcio ou, talvez, a um conjunto de tábuas provindas, na verve, do Livro de Thot. Que essas tábuas foram trazidas para a Europa, no início da Idade Média, por nómadas «magi», ou seja, seguidores, selectamente, da religião de Zoroastro. Ora o nosso Gébelin, que era Mação, encetou, em 1773, a publicação da enciclopédia «Le Monde Primitif, Analysé et Comparé Avec le Monde Moderne», de que saíram, até 1784, uns nove lautos, e lindos volumes. O tomo oitavo dessa oblata incluía, no carme, um capítulo, deveras, sobre o Tarot – e se fazia acompanhar por 78 desenhos; era uma antiga ciência adoptada, no escol, ao mundo moderno. As primeiras cartas que nós conhecemos foram pintadas à mão em 1451, por Bonifacio Bembo ( Bréscia, 1420 – Milão, 1480 ) e foram desenhadas, para o Duque de Milão Francesco I Sforza ( San Miniato, 23/ 07/ 1401 – Milão, 08/ 03/ 1466 ), pra memorar, meigamente,  o décimo aniversário do seu casamento; elas são, na «Rota», as cartas «tarocchi» dos Visconti-Sforza. Mas avancemos mais um pouco: no século XIX, o cabalista e filósofo Éliphas Lévi ( Paris, 08/ 02/ 1810 – Paris, 31/ 05/ 1875 ) pensava que a origem do Tarot tinha raízes no alfabeto de Henoc, no sagrado alfabeto dos hebraicos avitos. Que Éliphas Lévi ( cujo nome, no mundo, era Alphonse Louis Constant ), foi letrado, foi magista, e ademais artista plástico. E, também, cançonetista. Usando, amiúde, a prosa poética. Filho de um modesto sapateiro, Jean Joseph Constant, e de Jeanne-Agnès Beaucourt, dona, dessarte, de domésticos afazeres, ele foi nado em Paris, na Rua des Fossés-Saint-Germain-des-Près, ao número 5. Tinha, o pequeno, uma irmã, Paulina-Louise, 4 anos mais velha do que ele. E ele entra, aos 10 anos de idade, no presbitério da Igreja de Saint-Louis em L’île, onde aprende o catecismo com o Abade J. B. Hubault Malmaison. Ingressa, em Outubro de 1825, no Seminário de Saint-Nicolas du Chardonnet, pra encetar os estudos preparatórios para a carreira, sacral, de Sacerdote. Era dirigido, o seminário, por o Abade Frère-Colonna, que orienta, de feito, as leituras do pupilo. E aos 18 anos ele lia, ciente e sage, a Bíblia Sagrada na versão original. Do Seminário de Saint-Nicolas ele passa, em 1830, para o  Seminário de Issy, pra esquadrinhar Filosofia. E nesse mesmo ano, desencarna seu Pai. E ele escreve, em Issy, «Nemrod», um bíblico drama. E passando, em 1832, para o Seminário de Saint-Sulpice, onde estuda, alfim, Teologia. E onde ele escreve, dessarte, os seus primeiros poemas. Sendo, solenemente, ordenado Diácono – e foi o dia, com «adresse», 19 de Dezembro de 1835. Não sendo, contudo, ordenado Sacerdote, em Maio de 1836, porque se apaixona, então, por uma educanda, Adèle Allenbach, mas ela acaba, alfim, por o leixar. A jovem Adèle, em Saint-Sulpice, era uma das moças a quem ele ensinava, ministrava, doutrinava o catecismo. Lhe fora confiada, Adèle, por sua Mãe, com a missão de «protegê-la muito especialmente e de instruí-la particularmente como se ela fosse a filha de um príncipe». É que a menina pareceu, a Lévi, ser a «imago», ou imagem, da Virgem Maria, e ele amou-a, ternamente, como se fora, ela, uma diva, deveras. Ou melhor, ou melhor: Nossa Senhora transmudada em carme e carnal. E por causa do «affaire» leixa Éliphas o seminário, e foi em Junho, juvenil, de 1836. Ao saber da deserção do seu filho Poeta, a Mãe do publicista se suicida umas semanas depós, por asfixia de gases do aquecedor a carvão. E reincidindo,  e prosseguindo, de 1839 data, deveras, «A Roseira de Maio», sua estreia, dessarte, na república das Letras. Em 1839, ainda, no mês de Julho, ele ingressa, de boamente, no Convento de Solesmes, que, regido e dirigido por um Abade rebelde, era dono de uma Biblioteca de 20. 000 volumes. Ele escruta, estuda, e esquadrinha deveras, mas acaba por abandonar a Abadia devido a uma zanga com o Abade bibliófilo. Mas pra seu gozo e seu gáudio, em Solesmes ele lê a Obra de Madame Guyon (Orléanais, 13/ 04/ 1648 – Blois, 09/ 06/ 1717). Lê os Padres da Igreja, os Gnósticos ocultistas, os livros, dessarte, ocultos e cultos. E ele escreve, em Solesmes, «La Bible de la Liberté». Em 1838 ele torna-se Amigo, e amável, de Flora Tristan ( Paris, 07/ 04/ 1803 – Bordeaux, 14/ 11/ 1844 ), feminista e socialista de água primeira, e que foi de feito avó de Paul Gauguin ( Paris, 07/ 06/ 1848 – Ilhas Marquesas, 08/ 05/ 1903 ), o Pintor. E com Flora ele tem, deveras, ligação ardente e quente. Como ela falecesse prematuramente, o Abade Constant dá à estampa, em 1846, uma colecção de suas notas, intitulada, deveras: «L’Émancipation de la Femme ou le Testament de la Paria». Por este tempo colabora, Lévi, com Alphonse Esquiros ( Paris, 23/ 05/ 1812 – Versalhes, 12/ 05/ 1876 ), na revista «As Belas Mulheres de Paris», na qual ele amostra os seus dotes, deveras, de desenhador, sendo Esquiros, com «adresse», o seu redactor. Frequentando, então, os salões, em casa de Madame de Girardin ele aperta, em sua mão, a mão, amigável, de Honoré de Balzac (Tours, 20/ 05/ 1799 – Paris, 18/ 08/ 1850). E a 13 de Fevereiro de 1841, é lançada, de boamente, «A Bíblia da Liberdade» – uma hora depois de ser posta à venda é apreendida, em Versalhes, por a polícia, ela alinhava, ou vinha nas sequelas, do lauto Lamennais  (Saint-Malo, 19/ 06/ 1782 – Paris, 27/ 02/ 1854). O Abade Lamennais cujo livro mais célebre é «Palavras de um Crente», «Paroles d’un Croyant» (Abril de1834). E foi, essa lavra, condenada, preste, preste, por o Papa Gregório XVI (1831 – 1846 ), em sua encíclica, solerte, «Singulari nos» ( 25/ 06/ 1834 ). No vexame, ou no exame, a Bíblia libertária foi considerada, de má-fé, «como um ataque à propriedade e à moral pública e religiosa.» E a 11 de Maio de 1841 Lévi é julgado, e condenado, de feito, a 8 meses de prisão, em Saint-Pélagie, acrescida, a pena, de 300 francos de multa; por não ter, de seu, 5 francos sequer, ele só alcança a liberdade em Abril, abracadabra, de 1842. Mas é em Saint-Pélagie que ele descobre, leve e ledo, a Obra de Swedenborg ( Estocolmo, 29/ 01/ 1688 – Londres, 29/ 03/ 1772 ). E porfiando numa Arte Magna, por esta altura ilustra ele, com gabo e galhardia, duas Obras de Alexandre Dumas Pai ( Villers-Cotterêts,  24/ 07/ 1802 – Puys, 05/ 12/ 1870 ): «Luís XIV e o seu Século» (1844) e  «O Conde de Monte Cristo» ( 1844 – 1846 ). No Outono, dessarte, de 1844, ele abandona, beletrista, as vestes clericais. Dando a lume, em 1845, o «Livro das Lágrimas ou o Cristo Consolador», é esta a lavra primeira na qual ele desenvolve esotéricos informes. Em 1845, esoterista e publicista, ele funda, com Charles Fauvety ( Uzès, 09/ 08/ 1813 – Asnières-sur-Seine, 11/ 02/ 1894 ), um jornal mensal, «A Verdade sobre todas as coisas», que só se publicará durante meses quatro. E tomado, novamente, por o erótico ardor, a 13 de Julho de 1846 ele se consorcia, caroalmente, com Marie-Noémi Cadiot (Paris, 12/ 12/ 1832 – Saint-Jean-Cap-Ferrat, 10/ 04/ 1888), que o havia conhecido na Instituição Chandeau, um internato feminino onde ela era pensionista. E companhada era, Cadiot (passeavam, os três, na calmaria dos domingos), por Eugénie Chenevier, Subdirectora da mesma instituição. Ao cabo de alguns meses de idílio e romance, Chenevier se apaixona, loucamente, por o egrégio catequista, e no lance cupidíneo, aceita ser sua mulher diante de Deus-Pai. Marie-Noémi, entrementes, depois de uma facunda, e fecunda correspondência com o ministro da Palavra, ela foge, de feito, da casa dos Pais, e vai ter, no sobressalto, com o nosso Lévi. Seu Pai, então, como oficial do governo foi forte e terminante: se o Abade, dessarte, com ela não se casasse, era julgado, no tribunal, por desvio de menores. E por isso, como já vimos, se consorciam, caroalmente, a 13 de Julho de 1846. Quanto ao mais, Cadiot foi escultora, jornalista e Escritora francesa. Nos primeiros anos da década de 50 ela deixa, adrede, o Alphonse, pra se ligar, levianamente, ao Marquês Alexandre de Montferrier, Marquês esse que era cunhado, figadal, de Józef Maria Hoené-Wronski ( Wolsztyn, 23/ 08/ 1776 – Neuilly-sur-Seine, 09/ 08/ 1853 ), matemático e filósofo franco-polonês. Por levar a Noémi uma vida de devassa, em 1865 foi anulado o seu casamento. No concernente a Hoené Wronski: ele foi o introdutor, de Éliphas Lévi, na senda iniciática. E quanto, agora, a Chenevier, foram fortes e férteis oaristos acareados – e o fruto foi alfim Xavier Henri Alphonse Chenevier, que viu a luz em 29 de Setembro de 1846. Cadiot admira, caroalmente, o marido, ela o incita a prosseguir na política carreira. Dando a lume, em 1846, «La Voix de la Famine», «A Voz da Fome», o resultado não se fez esperar: por incitamento à luta de classes, a 3 de Fevereiro de 1847 ele é condenado a um ano de prisão, acrescido, deveras, de mil francos de multa. Noémi, que estava grávida, ela recorre, de feito, às autoridades, e a pena é reduzida para 6 meses tão-só. Em Setembro, alfim, de 1847, Madame Constant dá à luz a pequena Marie; pra grande raiva, e revés, ela falece, em 1854, com 7 anos tão-só. De novo em liça, ou na luta, em 1848 ele funda o jornal «La Tribune du Peuple»; de 16 a 30 de Março de 1848, publicaram-se quatro números. Em 1848 ele dá a lume «O Testamento da Liberdade», uma súmula, dessarte, de suas políticas ideias. Em 1848, no ano do Manifesto do Partido Comunista (Londres, 21/ 02/ 1848), Lévi funda, juntamente com Le Gallois e Alphonse Esquiros, o Clube da Montanha; essa organização, jacobina, era composta, sobretudo, por operários, dessarte, e trabalhadores. Sendo Éliphas Presidente, Noémi Secretária e, Esquiros, um dos Vice-Presidentes, era destinado, o grupo, a fins eleitorais. E o facto é que, em 13 de Maio de 1849, Esquiros é eleito, deputado, para a Assembleia Nacional. Em 1850, a Boa Nova no lance: o Abade Migne, fundador e director da livraria eclesial de Montrouge, o invita à escritura do «Dicionário de Literatura Cristã»; Eliphas, de feito, ele aceita a encomenda e o livro é dado a lume em 1851. Na Primavera de 1854 ele desloca-se a Londres, onde conhece e fica Amigo do Rosacruz Bulwer-Lytton (Londres, 25/ 05/ 1803 – Torquay, 18/ 01/ 1873), os dous evocam, magicamente, Apolónio de Tiana. Entre outras Obras, gloriosas, Edward Bulwer-Lytton foi Autor de «Zanoni, o Mestre Rosacruz» ( 1842 ) e de «Os Últimos Dias de Pompeia» ( 1834 ). Bulwer-Lytton, ou seja, o Membro Honorário, ou Grande Patrono, da «Societas Rosacruciana in Anglia» ( 1871 – 1873 ). Em 1855, com Lemonnier e Charles Fauvety, Lévi funda e dá a lume a «Revue Philosophique et Religieuse»; o magazine, mensal, durou deveras anos três, e teve, entre outros colaboradores, publicistas e Escritores como Michelet (Paris, 21/ 08/ 1798 – Paris, 09/ 02/ 1874) e Littré (Paris, 01/ 02/ 1801 – Paris, 02/ 06/ 1881). Por esta altura o Abade compôs uma canção, na qual compara, satiricamente, Napoleão III ao Calígula fatal – e Alphonse, de feito, é de novo aprisionado. Compondo, veramente, uma nova melodia, em que ele se desdiz, é perdoado, o Abade, por Napoleão III.  Do grande Éliphas Lévi nós sabemos, ainda, o sagrado e o seguinte: movido e comovido por Caubet e Fauvety, a 14 de Março de 1861 ele é iniciado na Maçonaria, mais concretamente na Loja intitulada Rosa do Perfeito Silêncio, e sendo, o Caubet, seu Venerável, deveras. Pra receber, o grau de Mestre, ou Magíster, a 21 de Agosto de 1861. Revolucionário, dessarte, e livre-pensador,  Eliphas foi facundo, foi figadal, foi um homem da Renascença. Lévi foi também o fautor, e o feitor, de «Dogme et rituel de la haute magie» (1854), ele deu a lume, outrossim, «La Clef des Grands Mystères» ( 1859 ), e, selectamente, «Histoire de la Magie» ( 1859 ). Esta última lavra, a «História da Magia», rendeu-lhe, inusitadamente, um numerário de 1000 francos. Por Maio de 1861 ele se desloca, novamente, à cidade londrina; na companhia de Alexandre Branicki ( Byla Tserkva, Ucrânia, 1821 – Nice, 20/ 10/ 1877 ) ele tem um encontro, encontro acrisolado, com Sir Edward Bulwer-Lytton ( Londres, 25/ 05/ 1803 – Torquay, 18/ 01/ 1873 ), afiliado, metaforicamente, na Sociedade Rosacruz de Inglaterra. No concernente, agora, a Eliphas: em Julho de1861, o Barão Nicolas-Joseph  Spedalieri, leitor, lesto e lauto, de Louis Claude de Saint-Martin (Amboise, Tourraine, 18/ 01/ 1743 – Aulnay-la-Rivière, 13/ 10/ 1803) e  do «Dogma e Ritual da Alta Magia» ( ele mercara, o tratado, num livreiro marselhês ), entra em contacto com Lévi e se torna, deveras, seu discípulo ou discente; inicia-se, então, longa e leve correspondência, que durou de 24/ 10/ 1861 até 14/ 02/ 1874, abarcando, de boamente, mais de mil missivas. As epístolas de Spedalieri, elas eram companhadas duma certa maquia, porque «o que trabalha é digno do seu salário». ( 1 Tim 5: 18 ). A 29 de Agosto de 1862, vêm a lume, do mago, as «Fábulas e Símbolos», onde ele explana, espertamente, Pitágoras, o Talmude, e, outrossim, os Evangelhos Apócrifos. E é que em Novembro, leve e breve, de 1873, Judith Mendès ( Paris, 25/ 08/ 1845 – Dinard, 26/ 12/ 1917 ), a filha, figadal, de Théophile Gautier (Tarbes, 31/ 08/ 1811 – Paris, 23/ 10/ 1872),  tem várias entrevistas com o Mago, a fim de coligir, para um livro, leal, da sua Autoria, esotéricos informes sobre a Ciência Kabbalah. E se o marido de Judith, Catulle Mendès  (Bordeaux, 22/ 05/ 1841 – Saint-Germain-en-Laye, 08/ 02/ 1909 ), apresentou, Lévi, a Victor Hugo (Besançon, 26/ 02/ 1802 – Paris, 22/ 05/ 1885), tal foi o cor e cordial, foi uma mão que se apertou na quentura doutra mão. Ratificando, rectificando e concluindo: este grande rebelde, este grande revel, é considerado, por muitos, o maior Ocultista do século XIX, ele é o Pai, figadal, do Ocultismo moderno. Ele fez de facto, e de feito, a hermenêutica Rosacruz da Santa Kabbalah. Se na primeira parte da sua vida ele abraça, de boamente, o socialismo radical, já na segunda ele abarca, beletrista, a «Kabbalah Denudata», tal como havia já feito o Knorr de Rosenroth  (Alt-Raudten, 15/ 07/ 1636 – Sulzbach-Rosenberg, 04/ 05/ 1689). MacGregor Mathers, de que adiante falaremos, para o inglês ele verteu esta grada e grande Obra no ano, terminante, de 1887. E quanto a Lévi, ele acaba, deveras, por desencarnar em Paris, a 31 de Maio de 1875, no n.º 155 da Rua de Sèvres. Não sem antes findar, em Janeiro, o seu último manuscrito, «O Catecismo da Paz». E concordamos, do cor, com André Nataf: insiste e ex-siste, em Éliphas Lévi, a demanda do surrealismo através da Magia, como existe, lauta e livre, a social revolução. Quer dizer: em Lévi, lestamente, a metapolítica se alia, liberal, à metapoética. E ora muito, muito bem, foi longa e leve seara lauta. No ano, nitente, de 1909, o Dr. Edward Waite (Brooklyn, 02/ 10/ 1857 – Londres, 19/ 05/ 1942) ele forjou e concebeu o seu próprio, inconfundível, baralho de Tarot; com a ajuda da artista Pamela Colman Smith ( Pimlico, 16/ 02/ 1878 – Bude, 18/ 09/ 1951 ), foi essa a lis, e a láurea, da Ordem Hermética da Aurora Dourada (The Hermetic Order of the Golden Dawn), fundada, em 1888, por William Wynn Westcott  (Landsdown Crescent, Leamington, 17/ 12/ 1848 – Durban, 30/ 07/ 1925) e, também, por William Robert Woodman (Inglaterra, 1828 – Londres, 20/ 12/ 1891 ) e Samuel Liddell MacGregor Mathers ( Londres, 08/ 01/ 1854 – Paris, 05/ 11/ 1918 ), os três atinentes, os três pertencentes à Maçonaria. A Obra de Waite e de Pamela é nominada, deveras, o Tarot de Rider-Waite. Considerava-se, a Aurora Dourada, herdeira veraz, e feraz, dos princípios herméticos de Christian Rosenkreutz. Da «Golden Dawn» fez parte, com denodo, William Butler Yeats (Dublin, 13/ 06/ 1865 – Menton, França, 28/ 01/ 1939), Prémio Nobel da Literatura em 1923. E vem, aqui mesmo, a talho de foice: se Yeats nasceu em Dublin, a 13 de Junho de 1865, foi nado, Fernando Pessoa, na cidade lisboesa, a 13 de Junho de 1888. Da «Golden Dawn» fez parte, outrossim, Aleister Crowley (Royal Leamington Spa, 12/ 10/ 1875 – Hastings, 01/ 12/ 1947),  iniciado, no lance, em 18 de Novembro de 1898, mas quanto a este homem, ele era, de feito, doudo varrido. Varrido, de facto, e perverso. Mas deveras, inda assim, Aleister Crowley foi o Mestre do ocultista e Escritor Paulo Coelho ( Rio de Janeiro, 24/ 08/ 1947 ). E o mesmo diremos nós do guitarrista Jimmy Page (Heston, Hounslow, 09/ 01/ 1944), da banda, beletrista, «Led Zeppelin».  E quanto, agora, ao baralho que eu prefiro, o Tarot de Rider-Waite é chamada essa Rota. Que é, também, o Ator. Que é, também, a Torá. No Livro de Thot a Roda da Fortuna; no Budismo, sem dolo, a Roda do Dharma, e seu Psicodrama. Mas o baralho, quiçá, de  nomeada maior é o Tarot de Marselha. Surdiu ele em França no século XVI e, no ano de 1751, foi depois desenvolvido, e acurado,  por Claude Burdel (1727 – 1799).  Mencionemos, ainda, o baralho dado a lume por Oswald Wirth (Brienz, Suíça, 05/ 08/ 1860 – 09/ 03/ 1943),  juntamente com uma lavra experta e perita: «Le Tarot des Imagiers du Moyen Âge». Martinista, mação e membro da Sociedade dos Filaleteus, Oswald Wirth, suíço de nascimento, era Amigo e secretário de Stanislas de Guaita (Alteville Castle, 06/ 04/ 1861 – Paris, 19/ 12/ 1897), a quem presta tributo no começo do livro. Que Oswald, em colaboração com Guaita, desenhou o baralho intitulado, deveras, Tarot de Wirth. Poeta, publicista e esoterista, foi Stanislas de Guaita quem fundou, em 1888, a Ordem Cabalística da Rosacruz, Universidade, curial, das Ciências do Culto e Ciências Ocultas. Na mesma barca do oculto estavam, com ele, Papus ( Corunha, Espanha, 13/ 07/ 1865 – Paris, 25/ 10/ 1916 ), dessarte, e Joséphin Péladan  (Lyon, 29/ 03/ 1858 – Neuilly-sur-Seine, 27/ 06/ 1918).  Papus que fundou em 1887, em parceria com Augustin Chaboseau ( Versalhes, 17/ 06/ 1868 – Paris, 02/ 01/ 1946 ), a Ordem Martinista. Assim chamada por se basear nos ensinamentos de Louis-Claude de Saint-Martin, (Amboise, 18/ 01/ 1743 – Aulnay-la-Rivière, 13/ 10/ 1803), nominado, no Esoterismo, «o Filósofo Desconhecido», e, sem joio nem jaça, de Martinès de Pasqually (Grenoble, 1727 – Santo Domingo, 20/ 09/ 1774). Sendo, o Martinès, o Mestre, preclaro, de Saint-Martin. Cuja lavra mais conhecida é, em 1790, «L’Homme de Désir», «O Homem do Desejo». Se a escola de Pasqually se atém à Teurgia (prática operativa), a escola de Saint-Martin se estende, meigamente, à via mística ou cardíaca. E é que é, o Martinismo, um escol de esoterismo judaico-cristão. E Papus, caroal, ele tem que se lhe diga. Nascido em Corunha, na Galiza de Espanha, foi o filho de um médico francês e de Mãe espanhola. Sendo, o mesmo Papus, o pseudónimo de Gérard Anaclet Vincent Encausse, Doutor em Medicina em 1894. Em 1869, ele e os Pais rumam a Paris. Em livros, almanaques, revistas e artigos, ele grafou, ou gravou, cerca de 160 títulos, o que lhe valeu o apelido de «Balzac do Ocultismo». Foi iniciado Papus, em 1882, por Henri Delaage ( Paris, 28/ 06/ 1825 – Paris, 15/ 07/ 1882 ), na Sociedade dos Filósofos Desconhecidos, fundada, no século XVIII, por Louis Claude de Saint Martin. Difundindo e defendendo, o esculápio, em 1889, o Grupo Independente de Estudos Esotéricos, mais tarde apelidado de Escola Hermética. Uma nótula, agora, para o estreme estudioso: Papus deu a lume, em 1889, «O Tarot dos Boémios». Seguindo e segundo a sua lição, o Tarot chegou à Europa com os Ciganos provenientes da Ásia Central. Daí o termo «gitano», que em castelhano revela, como o inglês «gipsy», a sua, na gesta, origem egípcia. E editado em 1984, nos maravilhemos, meigamente, com o Tarot, integral, de Salvador Dalí ( Figueres, 11/ 05/ 1904 – Figueres, 23/ 01/ 1989 ). Que é preciso, cada vez mais, o Verbo e a verve. É preciso, pra ser Génio, digerir a diegese.

 

ADENDA

I

Da lavra de Orígenes, averbemos, na verve, o livro «Hexapla», o mais relevante estudo crítico do Livro Sagrado, na Antiguidade Clássica. Significando «Hexapla», em Grego, a «Bíblia Sêxtupla». Constava do texto do Antigo Testamento colocado em 6 colunas, uma ao lado da outra. Se a primeira versava o texto hebreu em caracteres hebraicos, versava, a segunda, o texto hebraico transliterado em gregos caracteres. Se a tércia coluna averbava a tradução, para grego, de Áquila de Sinope, averbava, a quarta, a helénica versão de Símaco, o Ebionita. Forjando a quinta, em figura-fulgor, a versão dos LXX – e apresentando, a sexta, a tradução, para grego, de Teodocião. Duas palavrinhas sobre os tradutores averbados por Orígenes. Em primo lugar, era, Áquila, um prosélito judeu, e a sua tradução efectivada foi cerca de 130 d. C. Sendo ele discípulo, ou discente, de Rabbi Akiva. E quanto, agora, a Símaco: segundo a autoridade de Santo Epifânio ( Eleuterópolis, ca. 310 – 320 – Naufrágio a caminho de Salamina, 403 ), ele floresceu na época do Imperador Severus ( 193 – 211 ). O trabalho de Símaco, o Ebionita, foi uma das fontes consultadas por Jerónimo  (Estridão, ca. 340-2 – Belém, 30/ 09/ 420) para compor, deveras,  a sua Vulgata. Quanto a Teodocião, académico greco-judeu que vivia, provavelmente, em Éfeso, ele trasladou, para grego, o Antigo Testamento, cerca de 150 d. C. A talho de foice, arquivemos aqui: Dionísio de Alexandria ( Fim do séc. II ou início do séc. III – Alexandria??? ca. 264-265 ), Gregório Taumaturgo (Neocesareia, ca. 213 – Ponto, ca. 270) e Eusébio de Cesareia ( C. 265 – Cesareia Marítima, 30/ 05/ 339 ) foram, veramente, discípulos ou discentes do Orígenes «orago». Tendo sido, Eusébio de Cesareia, o biógrafo do Mestre. E tendo lavrado, o mesmo Eusébio, uma Obra, de feito, providencial: se trata, aqui, da «História Eclesiástica», relato cronológico dos alvores e do início da Igreja católica entre o século I e o século IV. E tendo grafado, o Gregório excelente, «Oratio Panegyrica», em honra, outrossim, de Orígenes, o Mestre. Quanto ao livro que nos ocupa, começou a ser escrito, o «Hexapla», cerca do ano 212 e findou, de feito, antes da epístola de Orígenes a Julius Africanus ( ca. 240 ). Apaixonado que era, Orígenes, por o Santo Evangelho, o original de «Hexapla» continha, levita, mais de 6.500 laudas. Desta bíblica Obra restam, hoje, fragmentos, tão-só. De tal modo que diremos: em grega língua, é, Orígenes, o maior génio, generoso, da Igreja Cristiana. Se ela é frol, e se é franquia, Paul Akh, a tua safra começa mesmo agora……

II

A propósito, ainda, de Max Scheler ( Munique, 22/ 08/ 1874 – Frankfurt, 19/ 05/ 1928 ): Karol Wojtyla ( Wadowice, 18/ 05/ 1920 – Vaticano, 02/ 04/ 2005 ), nome de nascimento de Sua Santidade João Paulo II ( 1978 – 2005 ), ele apresentou, na Universidade Católica de Lublin, em 1954, o seu doutoramento em Filosofia. Ora a tese tinha por título: «Uma avaliação da possibilidade de construir uma Ética Cristã baseada no sistema de Max Scheler». Mas atenção: por intervenção, adrede, das autoridades comunistas, ele só recebe, com gosto, o seu grau, em 1957. Álvaro Ribeiro ( Miragaia, Porto, 01/ 03/ 1905 – São Domingos de Benfica, Lisboa, 09/ 10/ 1981 ) tinha toda a razão: se não há Teologia sem Filosofia, toda a Filosofia anela, e apela, a uma lauta Teologia… Ou melhor: ao estudo do Ser enquanto Ser. Sendo Pedro de Amorim Viana ( Lisboa, 21/ 12/ 1822 – Lisboa, 25/ 12/ 1901 ), para Sant’Anna Dionísio ( Porto, 23/ 02/ 1902 – Porto, 05/ 05/ 1991 ), um «teólogo laico». E sendo a Teologia, para o lauto Lutero ( Eisleben, 10/ 11/ 1483 – Eisleben, 18/ 02/ 1546 ) «a gramática», ou ática, «do Espírito Santo».

III

O termo «Bíblia» é um plural neutro grego que significa, selectamente, «livros». Foi S. Clemente, apostólico Padre, o primeiro a designar a colecção de livros sacros por «Tá bíblia». Originalmente, a palavra «Bíblia» provém de «Byblos», cidade fenícia que mercava, dessarte, o papiro do Egipto, matéria-prima para a escrita desses dias, para o pergaminho e a cerâmica. E é assim que nasce, nitentemente, a palavra «biblion», «livro». «Temo o homem de um só livro», afiançava, de feito, São Tomás de Aquino ( Roccasecca, 1225 – Fossanova, 07/ 03/ 1274 ), o Autor, alteado, da «Suma Teológica». Nos entendamos: o Latim da Baixa Idade Média faz deste neutro plural grego um feminino singular latino, e daí o termo «bíblia». No cânone das Igrejas Católica e Ortodoxa, ela é composta por 73 livros, 46 do Antigo Testamento (AT) e 27 do Novo Testamento ( NT ). E seguindo e segundo os cânones judaico e protestante, o AT compreende, deveras, 39 livrinhos. Hermeneutas há, porém, que em vez de mencionarem o AT e o NT falam, de feito, do Primeiro Testamento e Segundo Testamento, quer dizer, Escrituras Hebraicas e Escrituras Gregas. O termo «testamento», «testamentum» em Latim, traduz o grego «diatheke» e o «berith» hebraico, significando o facto, caroal, da salvação, a antiga Aliança do Sinai e a Nova Aliança de Cristo Jesus.  Quanto à judaica classificação do Antigo Testamento, ele é composto por três partes: a Torah, a Lei ou Pentateuco, que compreende cinco rolos;  os Profetas ou Nevi’im; e, finalmente, os Escritos ou Ketuv’im. Com as três primeiras letras de «Torah», «Nevi’im» e «Ketuv’im», ( T – N – K ), ficamos com «TaNaK»: é o termo com que os judeus designam, dessarte, as suas Escrituras. Quanto, agora, ao Novo Testamento, ele não se dirige a um povo, mas a todo e qualquer filho do homem, ele é composto como segue: Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), Actos dos Apóstolos, Cartas e, no apotegma, o divino Apocalipse. São Paulo, nas «Cartas», São Paulo é Autor dumas treze missivas. Falemos, agora, do cânone alexandrino. Ele começa com a tradução do Pentateuco ( que quer dizer «cinco livros» ) para a «communio» dos judeus da diáspora egípcia, cuja língua era o grego. A história, dessarte, arquiva o seguinte, e segundo uma missiva do Pseudo Aristeu a Filócrates, seu irmão estremecido: Ptolomeu II Filadelfo (283 – 246), o Rei do Egipto, ele queria, do coração, uma tradução sagrada dos livros judaicos na biblioteca que, adrede, ele fundara em Alexandria. A sugestão lhe foi dada por Demétrio de Faleros, erudito e director da famosa Biblioteca. Ptolomeu escreveu então ao Sumo Sacerdote Eleazar de Jerusalém, e este mandou vir, de Salém, 72 eruditos judeus, 6 por cada uma das tribos israelitas, sendo feito, o traslado, de hebraico para heleno, na ilha de Pharos, em 72 dias. Por isso mesmo tem o nome, a tradução, de Setenta ou Septuaginta  (LXX). Este Rei egípcio foi chamado «Filadelfo» ( «amante da irmã» ), por ter casado com Arsínoe, filha de Lisímaco e sua própria Sóror. Mas o tempo, na verve, vai passando. E em 382 o Papa Dâmaso quis ter, para instrumento de estudo, uma «vulgata editio», «vulgata versio» ou «vulgata lectio», respectivamente «edição», «versão» ou «leitura» de divulgação popular. Ela é, portanto, uma «versão popular» ou de «divulgação». Encarregando, então, S. Jerónimo, de polir e acurar as versões latinas do Novo Testamento. E por isso S. Jerónimo se mudou para Belém, para escrutar e estudar o hebraico linguajar. São Jerónimo, decerto, um dos quatro Doutores da Igreja Latina dos primeiros séculos, onde ao lado figura de Santo Agostinho, Santo Ambrósio, de feito, e São Gregório Magno. Foi Roger Bacon quem começou a empregar, rectamente, o termo «Vulgata» para a Bíblia Latina. E «Vulgata» quer dizer, deste modo, a Bíblia Sagrada, cujo precípuo tradutor foi, de feito, S. Jerónimo. O trasladar, para Latim, o Livro Sagrado, ocupou o nosso Santo durante 23 anos, isto é, de 382 até 405. Muito tempo depós, o Concílio de Trento (1545 – 1563), na sua quarta sessão  (08/ 04/ 1546), confirmou e afirmou a Vulgata Latina como a versão autêntica e oficial da Bíblia para a Igreja Católica, Apostólica e Romana. Foi só após o Concílio Vaticano II que a Igreja permitiu versões católicas baseadas, directamente, nos textos grego e hebraico, e não dependendo, estritamente, da Vulgata do Lácio. A talho de foice, foi Santo Inácio de Antioquia, no início do século II ( cerca de 110 d. C. ), quem usou, por a prima vez, a expressão «Igreja Católica», querendo dizer, com isto, que era, a mesma «ecclesia», universal. Dando alor, e cumprimento, à bíblica Palavra: «Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus»  (Gal 3: 28). Que o mesmo é dizer: durante muitos séculos, as traduções católicas da Bíblia para as línguas modernas, elas eram, taxativamente, insufladas, baseadas, na Vulgata Latina. Era estritamente proibido, até aos finais do século XVIII (e, a partir de 1537, punível no Santo Ofício ), ler a Bíblia em qualquer língua que não fosse, deveras, a língua de Roma. E a talho de foice, em 8 de Setembro de 1713, o Papa Clemente XI (1700 – 1721), em sua bula «Unigenitus», estabeleceu como errónea a ideia de que todos os cristãos têm proveito em ler o Livro Sagrado, explicitando, ademais, que o acesso à leitura da Bíblia não devia ser dado a pessoa qualquer.  Que a Igreja Católica se firmava, e afirmava, como sociedade secreta, usando o Latim como língua, dessarte, internacional. E grande revolução, ou grande evolução, ela foi, a 30 de Setembro de 1943, a encíclica do Papa Pio XII (1939 – 1958), intitulada «Divino Afflante Spiritu», «Inspirado pelo Espírito Divino». Nessa Carta, demandava, o Vigário de Cristo, novas traduções da Bíblia para línguas vernáculas, usando, como fonte, os idiomas originais, e em vez, deveras, da Vulgata Latina. Ficou a lucrar, com isso, a Cristandade: o estudioso bíblico católico Raymond Edward Brown (Nova Iorque, 22/ 05/ 1928 – Menlo Park, Califórnia, 08/ 08/ 1998), ele descreve essa encíclica como a «magna carta para o progresso bíblico». Em boa hora veio, no Verbo, esse documento: ele comemorava, na festa de S. Jerónimo, os 50 anos da carta «Providentissimus Deus», de 18 de Novembro de 1893, por S. Leão XIII (1878 – 1903),  o Bispo de Roma. E ora muito, muito bem. Assinalemos, aqui, a Bíblia de Gutenberg, também conhecida como a Bíblia de Mazari ou Bíblia, deveras, de 42 linhas, vinda a lume, leve e lesta, a 30 de Setembro de 1452.  Esse incunábulo, expresso ou professo na língua latina, foi impresso por Johannes Gutenberg (Mainz, Alemanha, – 1468, Mainz, Alemanha), em Magúncia, na Alemanha, na Mainz coeva, e contemporânea. Usando uma prensa de tipos  móveis, a  produção dessa Bíblia se enceta em 1450, para findar, presta e pronta, em 1452. Figura de vulto, figura de prol, ela é, deveras, Erasmo de Roterdão (Roterdão, c. 1469 – Basileia, Suíça, 12/ 07/1536):  foi ele quem apresentou, em 1516, o Novo Testamento em língua helena. Ele era filósofo e teólogo, pugnando por uma Reforma, mas adentro, deveras, da Igreja Católica. Ou como quem diz: «Erasmo pôs o ovo, mas foi Lutero, deveras, quem o chocou»: dessarte asserta, certeiro, Percy Stafford Allen (Twickenham, Middlesex, 07/ 07/ 1869 – Oxford,16/ 06/ 1933).  Ou melhor: de nada servem os dogmas se não tivermos construído, primeiro, o Reino do Céu, o Reino de Deus em nosso coração. Nos achegando, agora, ao Protestantismo, ouçamos, na cita, Karl Marx, na Introdução da «Crítica à Filosofia do Direito de Hegel» (1844). Segundo ele, Lutero «acabou com a fé na autoridade porque restaurou a autoridade da fé. Converteu sacerdotes em leigos porque tinha convertido leigos em sacerdotes.» Se o Sacerdócio dos Crentes é universal, ele firma e afirma que «todos somos sacerdotes, cada um com a sua Bíblia». Ou melhor: se todos os cristãos são iguais perante Deus, Jesus Cristo é o único mediador entre o crente e Deus Pai. Que afiança, com fé, o agostinho monge: «Eu não me submeto a leis ao interpretar a Palavra de Deus». Pois, na práxis, profere o Martinho: «É totalmente insuportável que numa igreja cristã um queira ser superior aos outros.» A Escritura e a Fé, como já vimos, são as supernas, supremas autoridades. Ou melhor: à hierarquia do passado antepõe, o Martinho, a comunidade, a «communio» do futuro.  Quer dizer: se a lei dos homens contradiz, desta sorte, a lei de Deus, não deve, o cristiano, submeter-se ao pecado. E ora vamos à História: Martinho Lutero (Eisleben, 10/ 11/ 1483 – Eisleben, 18/ 02 / 1546) foi um Autor, um Padre, um Teólogo, Compositor de salmos, Professor e um Frade, de feito, agostiniano. E ele foi, ademais, um Poeta perene. Foi o fruto figadal de Hans Luther, mineiro de profissão, e de Margarethe Luther, ou, então, Margarethe Lindemann. Ele foi, como sabem, a figura-fulgor da Reforma Protestante. O Pai da nação alemã seguindo e segundo o Wilhelm Dilthey ( Wiesbaden, 19/ 11/ 1833 – Siusi allo Sciliar, Castelrotto, 01/ 10/ 1911 ). Ele foi, digamos ora, o último dos místicos medievais e o primeiro dos místicos renascentistas. Em criança o nosso monge conheceu a pobreza. E como era, o estudo, dispendioso, ele cantava no coral da missa e em casas de comerciantes para ganhar algum dinheiro. Precoce e ferace, ingressa, em 1501, na Universidade de Erfurt. No ano seguinte ele recebe, radiante, o grau de bacharel. Sendo, no mês  de Fevereiro de 1505, Mestre em Artes («Magister Artium»), por a mesma Universidade. E é que a 2 de Julho de 1505, quando o estudante de Direito acabava de sair da casa paterna dirigindo-se a Erfurt, rebenta virulenta, violenta tempestade. A 5 quilómetros de Erfurt, na vizinhança de Stotterheim, eis que cai, perto dele, um raio radical. E como fosse, Sant’Ana, a padroeira dos mineiros, o rapaz cai de joelhos e brada, biblista: «Querida Sant’Ana, se me salvares a vida, eu me farei um monge!!!» O resultado não se fez esperar: a 17 de Julho de 1505, dá entrada, Lutero, no Convento dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt. Ao finalizar o ano de noviciado pronuncia então os votos ( 1506 ). Ordenado Sacerdote a 4 de Abril de 1507, ele enjeitou, ou rejeitou, a práxis das indulgências e a autoridade papal. Celebrando, a primeira missa, em Erfurt, a 2 de Maio de 1507. E é então que João de Staupitz, pai espiritual de Lutero no mosteiro de Erfurt e vigário-geral dos monges agostinhos, ele que era Professor na Universidade de Wittenberg, aponta, em 1508, o Mestre Lutero, à mesma Universidade, para ensinar, e doutrinar, a Filosofia, como seu herdeiro, dessarte, ou estrénuo sucessor. No início, dessarte, de sua vida no convento, o jovem Lutero ele confessa, a Staupitz, a sua tristeza, turvação e ansiedade. Lhe redargue, valoroso, o vigário geral: «Não sabes, Martinho, o quanto te são úteis e necessárias estas tentações. Verás na verdade que Deus não te experimenta em vão, mas sim porque quer servir-se de ti para grandes coisas.» E assim foi na realidade. De Novembro de 1510 a Março de 1511 está Martinho  em Roma, para tratar, de feito, de assuntos da Ordem, ficando chocado com o fausto e a vida peca dum Cristianismo sem Cristãos. Alcançando, em 19 de Outubro de 1512, por a Universidade de Wittenberg, o grau, ou degrau, de Doutor em Teologia, sendo recebido no Senado da Faculdade Teológica com o título de «Doutor em Bíblia» a 21 de Outubro de 1512. Um evento, deveras, relevante e orante: é que foi, a Universidade wittenbergiana, fundada, de feito, por Frederico o Sábio, em 18 de Outubro de 1502. E é que, em 1517, Johannes Tetzel, um inquisidor e monge dominicano, surdiu, de feito, nos arredores de Wittenberg; em sua companhia vinham agentes, e representantes, do banqueiro Fugger. O lema e emblema de Tetzel ele era, dessarte, o seguinte: «Assim que a moeda tilintar na caixinha, uma alma salta para o Paraíso.» Vale a pena citar o dístico inglês: «As soon as the coin in the coffer rings, / The Soul from purgatory springs». É que era mister, para o Papa, financiar a construção da Basílica de São Pedro. Mas é que vem, a salvação, por a Fé e a Graça de Deus, e não e nunca e nanja devido a Mamon. Que a Fé, no fundo, é qual fiança, ou confiança, por a qual o homem crê que os pecados lhe são remidos, graciosamente, por  Cristo Jesus. Que o ponto de partida da lavra luterana se encontra em São Paulo, na Carta aos Romanos, 1: 17: «O justo viverá pela fé.» E, outrossim, Lutero foi insuflado, ou inspirado, por Guilherme de Ockham ( Ockham, 1287 – Munique, 10/ 04/ 1347 ) e Santo Agostinho (Tagaste, 13/ 11/ 354 – Hipona, 28/ 08/ 430). E, ademais, o monge teve, como precursores, John Wycliffe  (Hipswell, Reino Unido, c. 1328 – Lutterworth, Reino Unido, 31/ 12/ 1384) e Jan Huss  (Husinec, Checoslováquia, 1369 – Constança, Alemanha, 06/ 07/ 1415). Ordenado em 1400, Jan Huss, por a sua rebeldia, foi condenado, soezmente, à fogueira, a 6 de Julho de 1415, e morreu cantando, entoando, deveras, o versículo seguinte: «Jesus filho de David, tem misericórdia de mim!»  (Mc, 10: 47 e Lc 18: 38). Depois de estudos teoréticos na Universidade de Praga, em 1401 o Jan foi nomeado Deão da Faculdade de Filosofia nesta mesma Universidade. Da qual será, lidimamente, Reitor, em 1402, ano em que é chamado para ser o Capelão da Capela de Belém. Aproveitando, ferazmente, o seu modernismo, pra fazer os sermões em checoslovaco. Na sequência de uma Bula emitida, em 20 de Dezembro de 1409, por o Antipapa Alexandre V, Jan Huss foi, de feito, excomungado. Pregava, o boémio, o sacerdócio universal de todos os crentes: seguindo, dessarte, e segundo o filósofo, qualquer pessoa se pode comunicar com Deus Pai, sem mediação sacramental, magistral, ou tampouco eclesial. Quanto a Wycliffe, a estrela matutina da Reforma, além de contestar a autoridade do Papa, além de refusar a transubstanciação, ele trasladou,  a partir, dessarte, da Vulgata latina, a Bíblia primeira para a língua de Shakespeare ( Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1564 – Stratford-upon-avon, 23/ 04/ 1616 ), com a ajuda, de feito, de John Purvey e Nicolas Hereford. Foi a primeira tradução do Livro Sagrado, não só para o Inglês, como também para uma língua europeia moderna. Da qual se fez uma primeira edição em 1382, e a segunda, sagrada, em 1385. Antecipando, em muito e muito, o Lutero, acreditava, John Wycliffe, que a Bíblia Sagrada deveria estar disponível pra toda e toda a gente, e escrita, por isso, em língua vernácula. Registemos, da lavra de Wycliffe, a «Summa Theologiae», em 10 e 10 volumes fortes e férteis, e é, essa Obra, a base teológica para a Reforma da Igreja no século XVI. Pois concluindo em Oxford, em 1363, o bacharelato em Teologia, recebe o grau de Doutor em 1372. Foi condenado, como herético, tanto pelo Concílio de Roma ( 1412 ), como, também, por o Concílio de Constança (05/ 05/ 1415). E averbemos aqui deveras: a 16 de Julho de 1410, o Arcebispo de Praga, Sbinco von Hasenburg, mandou queimar, selvaticamente, todos os livros de Wycliffe. Fiquemos, por ora, com um pensamento seu: «Qualquer propriedade na mão do clero é basicamente pecaminosa». Para Wycliffe, alfim, apenas uma igreja institucionalmente pobre é conforme, e caroal, à doutrina e ensino de Jesus, o Messias. E averbemos aqui, a talho de foice: o comércio de indulgências foi verrinado e verberado no «Elogio da Loucura» (Junho de 1511), de Erasmo de Roterdão (Roterdão, 28/ 10/ 1466  – Basileia, Suíça, 12/ 07/ 1536). Que as indulgências foram instituídas por o papado e a Igreja, e não e nanja, dessarte, por Cristo Jesus. Pois, para os Reformadores, o cabeça dos eleitos, ou dos justos, ele é Cristo, e não o Papa. Ouçamos a profecia do Livro de Mórmon, 8: 32: «Sim, acontecerá num dia em que haverá igrejas estabelecidas, que dirão: Vinde a mim e pelo vosso dinheiro sereis perdoados de vossos pecados.» «Quando se trata de dinheiro», assertava o Voltaire, «todos professam a mesma religião». E é que São Basílio Magno  (Cesareia, 330 d. C. – Cesareia, 01/ 01/ 379 d. C.), citado por o Papa Francisco (Flores, Buenos Aires, 17/ 12/ 1936 – Casa de Santa Marta, Vaticano, 21/ 04/ 2025), o afiança, figadal: «O dinheiro é o esterco do demónio.» E é que o próprio Frederico o Sábio, na Igreja de Todos os Santos do Castelo de Wittenberg, ele tinha, acumulada, uma cópia de relíquias: um dente de São Jerónimo, um espinho da coroa de Cristo e 33 pedaços da cruz, cabelos e gotas de leite da Virgem, palha do presepe e milhares de ossos de santos, patriarcas, evangelistas e profetas. Compulsemos, selectamente, o Livro Sagrado, em 1 Timóteo, 6: 10: «Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males». E cotejemos, portanto, com Santo Agostinho: «Nenhum cristão deve ser mercador.» E prossigamos, alfim: é então que a 31 de Outubro de 1517 o monge afixa, na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, as suas 95 Teses, também chamadas «Disputa sobre o poder e a eficácia das indulgências». E 31 de Outubro é, de boamente e à boa-fé, o dia, figadal, da Reforma Protestante. Ele antecipa a data de 1 de Novembro, que é o Dia, deveras, de Todos os Santos. Entendamo-nos, pois: inicialmente, mais do que desafiar a hierarquia da Igreja e a autoridade do Papa, anelava pois Lutero erradicar, da «ecclesia», políticas e práxis que estavam contra a Bíblia. Ouçamos, «verbi gratia», Mateus, 21: 13: «A minha casa há-de chamar-se casa de oração; mas vós fazeis dela um covil de ladrões». Esta passagem de Mateus é a única, em toda a Boa Nova, em que o Messias, de feito, se encolerizou. Pois sendo a religião romana, para ele, uma traição, deformação, da bíblica mensagem, urgia, pra Lutero, fazer uma Reforma. Uma Renascença, de facto, um retorno, fiel, aos «Actos dos Apóstolos». «Actos dos Apóstolos» nos quais é verberada, literalmente, a preste simonia (Act 8: 9, 24). Como resposta às luteranas 95 Teses, emitiu, o Papa Leão X ( 1513 – 1521 ), em 15 de Junho de 1520, uma bula intitulada «Exsurge Domine», cujas primeiras palavras eram «Levanta-te, Senhor, e julga a Tua causa, um javali invadiu a Tua Vinha». O desígnio de Leão X era ameaçar, Lutero, de excomunhão, caso ele não se retractasse nem se corrigisse no prazo, crucial, de 60 dias. Ademais, eram precitos, ou interditos, 41 artigos da sua doutrina. A bula chegou a Lutero no dia 10 de Outubro e, a 10 de Dezembro, findos os 60 dias, ele queima de feito a carta, publicamente, diante do portão de Elster, na praça de Wittenberg, e atirando também ao fogo os Decretos de Clemente VI e vários livros, dessarte, da autoria, ou feitura, de Johann Maier von Eck ( Egg an der Gunz, 13/ 11/ 1486 – Ingolstadt, 13/ 02/ 1543 ).  E ele escreve o libelo, em estado de transe, «Contra a Execrável Bula do Anticristo». Ouçamos, de facto, a confissão de Martinho: «Eu grito: Evangelho! Evangelho!, e eles respondem em uníssono: Tradição, Tradição! É impossível chegar a acordo.» O caso e a causa é portanto a seguinte: a 14 de Abril de 1519, Erasmo, aficionado e afecto às 95 Teses, as dá a conhecer ao seu Amigo Thomas More ( Milk Street, Londres, 07/ 02/ 1478 – Londres, 06/ 07/ 1535 ), e ele escreve, a Frederico o Sábio (Torgau, Alemanha, 17/ 01/ 1463 – Annaburg, Alemanha, 05/ 05/ 1525), uma epístola em que toma a defesa de Lutero. Demanda, então, o Sábio Frederico: «Que pecado cometeu Lutero?». «Dois», redargue Erasmo: «Fez estremecer a tiara do Papa e as barrigas dos monges». Prosseguindo na safra, ele redige, em 1520, três documentos primaciais: «À Nobreza Cristã da Nação Alemã» ( 18/ 08/ 1520 ), «O Cativeiro Babilónico da Igreja» ( 06/ 10/ 1520 ) e, ademais, «A Liberdade do Cristão» ( 20 de Novembro de 1520 ). E foi o lance lancinante, e volta à carga, dessarte, o Bispo de Roma. O Papa Leão X emite, a 3 de Janeiro de 1521, a bula «Decet Romanum Pontificem», «Convém ao Pontífice Romano», em que excomunga, roaz, Martinho Lutero e os seus seguidores. Ou seja: soezmente e vilmente, Lutero era banido da Igreja Católica. Ou como asserta, decerto, Ralph Waldo Emerson (Boston, 25/ 05/ 1803 – Concord, Massachusetts, 27/ 04/ 1882): «Aqueles que distribuem o pão da vida são, quase sempre, recompensados com pedradas.» E averbemos, em séculos diferentes, em diferentes confissões, George Fox ( Fenny Drayton, Reino Unido, Julho de 1624 – Gracechurch Street, Londres, 13/ 01/ 1691 ) e Joseph Smith Jr. ( Sharon, Vermont, 23/ 12/ 1805 – Carthage, Illinois, 27/ 06/ 1844 ). No decorrer, dessarte, de 1521, isto é, entre 28 de Janeiro e 26 de Maio, foi a causa instruída por a Dieta de Worms, imperial assembleia convocada por o Imperador Carlos V, que assistiu, solertemente, ao concílio. Em «aprilis» 16 entra em Worms o monge; cem cavalos escoltando o seu carro, o seguiram, duas mil pessoas, até ao seu domicílio. E ele é levado, no dia 17, à presença do Imperador. O oficial de Trèves, então, lhe fez quesitos dois: se ele era Autor de todalas obras publicadas com o seu nome e, afinal, se ele se retractava, então, das erróneas, ou falsas, afirmações. Redarguindo, Martinho, que não renegava nenhum dos seus livros. Quanto à segunda questão, demanda, o Escritor, tempo para pensar – e concedem-lhe, então, vinte e quatro horas. E chega preste o dia 18 de Abril de 1521, era uma quinta-feira, eram, deveras, seis horas da tarde. E disserta, com «adresse», o revolucionário: «A menos que me convençam por testemunhos relativos à Sagrada Escritura ou por uma razão evidente (porque não creio no Papa nem nos concílios apenas: é verdade que erraram muitas vezes e que a eles próprios se contradisseram), estou ligado aos textos que escrevi; a minha consciência está presa nas palavras de Deus. Anular o que quer que seja, não o posso, nem o quero. Porque actuar contra a consciência, é, além de perigoso, desonesto. Que Deus me ajude. Ámen!» E é então que, a 26 de Maio de 1521, o Édito de Worms, escrito com a ajuda do núncio papal na Dieta, Girolamo Aleandro, declarou criminosos todos os que, «seja por actos ou palavras, defendessem, sustentassem ou favorecessem o que foi dito por Martinho Lutero». Aditava ainda o Édito: o professor devia ser preso e levado até ao Imperador pra ser punido como herege, contumaz e fora da lei. Oferendava-se, ainda, um enorme numerário a quem o capturasse; a culpada, aqui, era a Palavra, e chegava ao seu acume o sacrifício do Génio. Provém, a palavra «sacrifício», do Latim «sacrum facere»; nomeando, então, o sagrado, o Poeta, ou Profeta, se oblata a Deus Pai. «Sangue de mártires é semente de cristãos»: assim assertava, de feito, o sagaz Tertuliano (Cartago, c. 160 – Cartago, c. 220).  Tertuliano, o primeiro cristão a produzir, de feito, um «corpus» em Latim. E a propósito do protesto, tem a voz, e tem a vez, o Nicolas Boileau (Paris, 01/ 11/ 1636 – Paris, 13/ 03/ 1711):  «Et, sans être approuvé par le clergé romain, / Tout protestant fut pape, une Bible à la main.» Ou, dessarte, em lusíada linguagem: «E, sem ser autorizado pelo clero romano, / Todo o protestante foi papa, com uma Bíblia na mão.» E ora vamos ovante avante: para proteger, o monge, da marginalidade ou da prisão, o Príncipe Frederico, Eleitor da Saxónia, simulou dessarte um rapto quando ia, Lutero, a caminho de Wittenberg; ele o captura e o esconde, escorreito, no Castelo de Wartburg. Disfarçado, então, de «Junker Jorg», quer dizer, de «cavaleiro Jorge», de espada à cinta, fato de nobre e colar d’ouro ao pescoço, aí se finca ou se firma, Lutero, entre 4 de Maio de 1521 e 1 de Março de 1522. E nesse castelo, apesar de apedrejado, Lutero verte Luz: e se amparando, ou escorando, na segunda edição da Boa Nova de Erasmo, em língua helena, o monge traslada, para o vernáculo germano, o nominado, ou nunciado, Novo Testamento. Que vai para as bancas, cordial, a 21 de Setembro de 1522, e com desenhos, e ilustrações, de Lucas Cranach  (Kronach, 04/ 10/ 1472 – Weimar, 16/ 10/ 1553). E foi o trunfo e o triunfo: em apenas dois meses, cerca de 5000 exemplares foram vendidos. E em 1534, quando surdiu, dessarte, a Bíblia completa, já tinha vendido, o Novo Testamento, 250. 000 exemplares. Em parentética, aqui, em parentética nota: o texto Grego, de Erasmo, viria a ser conhecido como «Textus Receptus». Que até 1546, ano da morte de Martinho, foram publicadas, em Wittenberg, 22 edições da Santa Escritura. Pois entre os Protestantes, a Nova Aliança é chamada, na chama, o Testamento de Setembro. Com a ajuda, incondicional, de Philipp Melanchthon ( Bretten, 16/ 02/ 1497 – Wittenberg, 19/ 04/ 1560 ), o «Vetus Testamentum» foi vertido em 12, 12 anos – e em 1534 havia, alfim, uma Bíblia, lícita, em alemão. E em três décadas, graças à Cruz, essa Bíblia vendeu meio milhão de exemplares. Ela teve um impacto forte, e bem fundo, no desenvolvimento da língua alemã. Os doutos e doutores são unânimes num ponto: Martinho foi, para a língua germana, aquilo que William Shakespeare ( Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1564 – Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1616 ) e a Bíblia King James ( 1611 ) foram, dessarte, para a língua britânica. Pois tinha, assim, o povo germano, acesso directo à Palavra de Deus. Muito embora se tivesse servido, o monge, da Vulgata latina, a principal base de tradução da Bíblia para tudesco foram os textos originais em grego e hebraico.  Passando à História como «Preceptor da Germânia», foi Melanchthon quem redigiu, preste e pronto, a «Confissão de Augsburgo» ( 1530 ), foi ele o caudilho, após a morte de Lutero, da Reforma Protestante. Pois é que foi, essa «Confissão» a primeira exposição oficial dos princípios do luteranismo. Mas a Bíblia do agostinho não foi, dessarte, a primeira em germano, havia, anteriormente a Lutero, 14 versões em Alto Alemão e 3 em Baixo Alemão, da denominada Bíblia Vulgata. O caso é que, desde 1350, há traduções, do Livro Sagrado, para Alemão. A Bíblia de Mentelin, a primeira Bíblia a ser impressa, em vernáculo, na plaga europeia, foi trasladada a partir da Vulgata e apareceu, na pátria de Goethe, em 1465 ou 1466. Sob pena de excomunhão e pagamento de multas, em 22 de Março de 1485, o Arcebispo Bertoldo de Mogúncia proibia, terminantemente, a publicidade da Bíblia em língua germana. Revertendo a Lutero, em 2 de Outubro de 1524 ele larga, livremente, o hábito de monge, de místico e de monge agostiniano. Quanto ao ano seguinte, foi crucial e curial na vida de Lutero: a 13 de Junho de 1525, terça-feira, no avito mosteiro dos monges de Agostinho, se consorcia Martinho, caroalmente, com Katharina von Bora ( Lippendorf, 29/ 01/ 1499 – Torgau, 20/ 12/ 1552 ), egressa freira católica e cisterciense. Que foi a bênção pra Lutero, e que lhe deu, deveras, filhos seis, como sejam: Hans, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul e Margareth. Tendo sido noviça em 1514, a 08/ 10/ 1515 se torna ela sóror. Como freira, passou um tempo no Mosteiro de Brehna e, posteriormente, no Convento de Nimbschen, donde se evade, em 1523, nas vésperas, pascais, da Primavera prima, na primeira Primavera do Espírito Paracleto. E num retorno, radical, aos «Actos dos Apóstolos»: sem a jactância, dessarte, nem a pompa, os luteranos admitem, tão-somente, dous sacramentos: o Baptismo, dessarte, e a Ceia do Senhor. E ora vamos forte em frente: abarca e abraça, a doutrina de Lutero, os chamados cinco «Solas»: «Sola Scriptura», «Solus Christus», «Sola Gratia», «Sola Fide» e, finalmente, «Soli Deo Gloria». Ora atentemos, decerto, em luterana doutrina. «Somente a Escritura»: «Toda a Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, para convencer, para corrigir, para instruir na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e apto para toda a boa obra» ( 2 Tim 3: 16, 17 ). Escólio: nós temos, aqui, a Bíblia como Luz, como Luz e direcção. É a única regra da fé e da práxis. A Igreja e a tradição se devem submeter, de feito, à Palavra de Deus. Que atentemos, com tento, em São Jerónimo (Estridão, c. 347 – Belém, 30/ 09/ 420): «Ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo». E «Cristo, tão-somente»: «E não há salvação em nenhum outro, pois não há debaixo do céu qualquer outro nome dado aos homens que nos possa salvar». ( Act 4: 12 ). Ou seja, Cristo é o único mediador entre Deus e os homens. Nenhum santo, sacerdote ou «ecclesia» podem substituir o sacrifício do Cristo. Ele é, feraz, o centro da Fé, Ele é suficiente para a nossa salvação. «Somente a Graça»: «Porque é pela Graça que fostes salvos, mediante a fé. E isto não é a vós que se deve; é dom de Deus; não vem das obras, para ninguém se poder gloriar» ( Ef 2: 8, 9 ). Quer dizer: a Graça é gratuita, a Graça é o coração de todo o Evangelho. Nos ela transforma, nos acalenta e sustenta. Assim sendo, nenhum ser humano se pode salvar a si mesmo, é Deus, sempre e sempre, quem toma a iniciativa. E não recompensa, a Graça, por boas obras, Deus nos ama, de facto, não porque somos bons, mas somente porque Ele é bom. «Apenas a Fé»: «Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo» ( Rom 5: 1 ). «Lectio»: A Fé é o instrumento de toda a salvação. E somos salvos, não pelas obras, mas por a confiança, infinita, no cor, no culto, na cruz de Cristo. Que a Fé não é, propriamente, passividade, ela é entrega, quem crê, veramente, ele vive aquilo que crê. E a Fé nos libera, a Fé nos coloca em protecção divina. Meditemos com Mateus, 9: 29: «Seja-vos feito segundo a vossa fé.» E quem crê, deveras, no Verbo ou na Verdade, ele vive em descanso, mansuetude, em perfeita segurança. «A Glória a Deus somente». «Porque da parte d’Ele, por meio d’Ele e para Ele são todalas cousas. Glória a Ele pelos séculos. Amen» ( Rom 11: 36 ). Hermenêutica: Nada vem do homem, tudo vem, desta feita, do Todo Poderoso: glória  e eternidade pra Ele somente. E tudo o que fizermos, que seja, doravante, para a glória do Altíssimo, ou melhor, em língua latina, «ad majorem Dei gloriam». A família, o ministério, a oração e lustração, tudo deve convergir para Cristo, o Pantocrator. Na Igreja, o culto, a pregação, o serviço e a Palavra só têm sentido quando exalçam, de feito, ao Pai Celestial; a força motriz, a matriz do cristão não é ser reconhecido, é tornar conhecido o nome de Deus e o Santo Evangelho, e foi isso, de feito, que fez Lutero, o Eleutério. Em suma: se a Igreja Católica do século XVI se ancorava, e escorava, no amor do poder, se finca e se firma, Martinho Lutero, no poder do Amor. Para os luteranos, então, a salvação não é da Igreja, a salvação é uma questão, pessoal, entre Deus e cada homem. Seguindo e segundo John Wycliffe ( Hipswell, c. 1328 – Lutterworth, 31/ 12/ 1384 ) a única missão do sacerdote é propagar, e propalar, o Santo Evangelho, e sendo, o sacerdócio, universal, todo o cristiano é chamado, na chama, a reformar a «ecclesia»; a hierarquia, para a Reforma, não tem razão de ser. E para Jan Huss, ademais, um ministro em pecado mortal não é sacerdote, e os sacramentos que ele administra não têm valor, nem verdade, nem tão-pouco validade. Lutero não anela os gabinetes separados, ele enseja, e ele deseja, o livre acesso dos fiéis aos livros sagrados. O Amor de Deus dá luz suficiente a cada homem para interpretar, e comentar, o Santo Evangelho, a Palavra de Deus se dirige, se adereça a toda a gente. O caso e a causa é que expira, Lutero, em 1546, isto é, um ano depós a abertura do Concílio de Trento. Nos seja lícita, aqui, a linguística nota: em 1517, Lutero alterou o seu apelido de «Luder» para «Luther», para o ligar, simbolicamente, ao grego «leutheros» (libertador, livre). Livre como o foi, pacificamente, o evangélico, e verboso, Martin Luther King ( Atlanta, Geórgia, 15/ 01/ 1929 – Memphis, Tennessee, 04/ 04/ 1968 ), Prémio Nobel da Paz a 14 de Outubro de 1964. Ou melhor: para Lutero um remendão faz parte do corpo espiritual da Igreja tanto, deveras, como um Bispo. E ora muito e muito bem: estamos quase, ó ledor, estamos quase a findar. Não sem antes averbarmos, na verve: o primeiro livro impresso com caracteres móveis, em Portugal, ele foi, deveras, um Pentateuco em hebraico, e foi forjado em Faro, na oficina de Samuel Gacon, a 30 de Junho de 1487: trata-se, portanto, de um incunábulo preste. E ora vamos ovante avante. Ocupar-nos-emos, agora, das principais Bíblias, ou extractos da Bíblia, publicados, publicitados, em língua e linguagem portugalaica. E vamos, então, aos primórdios: entre 1279 e 1325, os monges de Alcobaça trasladaram, para o vernáculo português, os «Actos dos Apóstolos» e compuseram, belamente, uma história abreviada do Antigo Testamento. Por essa altura, também, El-Rei D. Dinis ( 1279 – 1325 ), trasladando a partir da Vulgata Latina, ele produziu, no século XIII, uma versão parcial dos 20 primeiros capítulos do Génesis; a esse extracto se chama a Bíblia de D. Dinis. Que não foi, seguramente, o Rei-Poeta primeiro, pois cabe, essa láurea, a D. Sancho I ( 1185 – 1211 ), mas foi ele, figadal, quem criou, em Lisboa, em 1290, a Universidade de Portugal. E como fizera Alfonso X ( 1252 – 1284 ), o Sábio, seu avô, com a língua castelhana, inaugurou, o dionisino, o uso do português como língua escrita em documentos oficiais. Prosseguindo, dessarte, e continuando, o caso e a causa é portanto a seguinte: em 1681, em Amesterdão, por João Ferreira Annes d’Almeida é dada a lume, em Português, a primeira edição do Novo Testamento, na tipografia da viúva J. V. Someren – mas essa edição é um pavor, decerto, de erros tipográficos; foram registadas, mestamente, mais de 1000 gralhas. De João Ferreira de Almeida, decerto, se sabe o seguinte: ele foi nado em Torre de Tavares, Mangualde, em 1628 – e expirou, em Batávia, em 1691. Tal era o seu denodo, e seu carisma, que os correligionários lhe chamavam «defensor da verdade».  Órfão, deveras, de Pai e Mãe, ele veio, inda menino, para casa de um tio clérigo residente em Lisboa. Por motivos desconhecidos, ele emigra, com 14 anos, para a Holanda, de Holanda parte pra Malaca, conquistada pelos holandeses em 1641, e onde reside vários anos. Em 1642, ao velejar, ou viajar, de Batávia para Malaca, ele tem, no desvelo, uma revelação: é o panfleto, em língua castelhana, «Las Diferencias de la Cristandad», «Differença da Christandade», cuja leitura é crucial: depois de lê-lo, se converte, o João, ao credo calvinista, se ajuntando, ao chegar a Málaca, à Igreja Reformada Holandesa. Encetando, em 1644, com 16 anos tão-só, a tradução da Bíblia para a língua de Camões. E quanto, agora, a Cupido, o deus menino: no Ceilão, no actual Sri Lanka, ele se casa, ou consorcia, com Lucretia Valcoa de Lemmes, filha, de feito, de um pastor holandês, que lhe deu, graciosa, dous filhos, um menino e uma menina. Que em 1648, é, Visitador de Doentes, o seu sápido mester, sendo o grau mais baixo na jerarquia calvinista. Em Janeiro de 1649, aqui o temos como Diácono e membro, mavioso, do clero de Malaca. E depois de ter trasladado o «Catecismo de Heidelberg» e a «Liturgia Reformada», ele traduz, de boamente, o panfleto referido, a «Differença da Christandade». Demitindo-se de Diácono, ele passa, então, para Batávia – e coa imposição das mãos, ele é, meigamente, ordenado ministro – e foi o dia, fulgor e alor, 16 de Outubro de 1656. De 1656 a 1663, como Ministro pregador ele parte, em missão, para o Ceilão e Sul da Índia, mas por a sua cidadania é rejeitado e enjeitado por o povo holandês, sendo até proibido de pregar, com acribia, em língua lusitana. Chegam mesmo a queimar, publicamente, a instâncias da Inquisição, o seu retrato em Goa. Com 35 anos, em 1663, ele regressa, dessarte, à Batávia. E como lídimo letrado, traduz as «Fábulas» de Esopo, labora os Salmos, cautamente, pra serem cantados no culto. Terminando em 1676, a partir do Grego, a tradução, leve e livre, do Novo Testamento. Com o auxílio de versões em espanhol, italiano e francês, a fontana principal para a celeste Boa Nova foi a latina versão de Teodoro de Beza (Vézelay, França, 24/ 06/ 1519 – Genebra, Suíça, 13/ 10/ 1605). E traduzindo, depós, de feito e com afã, o Antigo Testamento. Não partindo, desta sorte, do hebraico, mas da  espanhola versão de Cipriano de Valera ( Fregenal de la Sierra, 1532 – Londres, 1602 ), chamada a Bíblia del Cántaro, de 1602. A par desta lavra, fonte primacial terá sido, egregiamente, a versão holandesa do Sínodo Protestante de Drodeck ( 1618 ). Em parentética apostilha, foi, Valera, discípulo de Calvino (Noyon, França, 10/ 07/ 1509 – Genebra, Suíça, 27/ 05/ 1564), foi seu aluno, discente e deveras tradutor. Mas não viveu, Ferreira de Almeida, o suficiente, para findar o seu trabalho, trasladando, desta sorte, até Ezequiel, 48: 21. Os restantes 10% do convénio avito, eles foram traduzidos por um seu adjuvante, de nome Jacobus op den Akker (1647 – 1731), que deu, em 1694, a sua faina por finda. O primeiro tomo do Antigo Testamento veio a lume em Batávia, em 1748, e veio a lume, o segundo, em 1753. Ademais, em Batávia, dá à estampa, João, em 1668, a apologia, forte e firme, da Igreja Calvinista, ou seja, a «Diferença da cristandade em que claramente se manifesta a grande desconformidade entre a verdadeira e antiga doutrina de Deus e a falsa doutrina dos homens.» Dessa lavra, uma segunda, ou sagrada edição, acontece, em 1726, em Tranquebar, na Oficina da Real Missão Dinamarquesa. Salientemos e alcemos, do seu labor, em 1673, o «Apêndice à Diferença da Cristandade». E ademais, em 1680, o «Diálogo Rústico e Pastoril». Se em 1681, como dissemos, foi publicitada, licitamente, a primeira edição do Novo Testamento, sai, em 1693, a selecta e a segunda, na Batávia. E sai a expensas dos holandeses da Ásia para uso da igreja portuguesa naquela cidade. Em 1819, para os biblistas, a solerte Boa Nova: a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira dá à estampa em Londres, Inglaterra, na gráfica de R. e A. Taylor, a versão de Almeida num único volume, em português vernáculo. O passamento de Almeida se deu na Indonésia, na ilha de Java, aos 6 de Agosto de 1691. Ele é, na avalizada opinião de Herculano Alves, Franciscano Capuchinho, o Autor de Língua Portuguesa que mais vendeu. E quanto, agora, a nós outros: o maior defeito da tradução de Almeida é a omissão, no Antigo Testamento, dos Deuterocanónicos. E, já no século XVIII, averbemos, deveras, arquivemos, aqui, o Padre António Pereira de Figueiredo  (Mação, 14/ 02/ 1725 – Lisboa, 14/ 08/ 1797). Historicamente, foi o primeiro sacerdote católico a traduzir a Bíblia para o vernáculo lusitano. Ele foi Filólogo, Historiador, Latinista, Canonista, de feito, e Teólogo preste. Filho de gente humilde (era, o Padre, António Pereira e era, a Madre, D. Maria de Figueiredo), aprendeu a ler graças à ajuda de uma tia sua, empregada e criada de um convento de freiras em Abrantes. Iniciou os seus estudos no Colégio Ducal de Vila Viçosa, onde entra a 01/ 04/ 1736, e onde aprende, preclaro, Música e Latim. Esse Colégio Ducal calipolense era regido, e dirigido, por os Padres Jesuítas. Cerca de um ano depós, transitou, decerto, para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde foi, de facto, organista e compositor. E em 16/ 09/ 1744, ele dá ingresso na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório de S. Filipe Néri, onde se inscreve nos cursos de Filosofia e Teologia. Aí ensinará, mais tarde, Latim, Retórica e uma lauta Teologia. Em sua campanha foi um estrénuo defensor da política pombalina, combatendo os Jesuítas e verberando os desmandos da cúria romana. E batalhou, activa e vivamente, por a implantação duma igreja nacional. Politicamente foi regalista, isto é, preconizava a submissão da Igreja ao Estado e limitando, deveras, a autonomia clerical; nesse regalismo, o monarca tem controlo directo sobre os assuntos da Igreja no país de que ele é Rei. Historicamente, o Padre Figueiredo foi um Teólogo ao serviço do Marquês de Pombal… Vale a pena citar, do Latim: «Cujus regio, ejus religio», «de quem é o reino, é sua a religião», ou melhor: seguem, os súbditos, a religião, real, do seu governante. Que em 1761, aquando do conflito diplomático entre Portugal e a Santa Sé, Figueiredo toma a defesa, estrenuamente, do governo português. Em 5 de Abril de 1768, é nomeado deputado da Real Mesa Censória, nesse múnus se mantendo durante os reinados de D. José I ( 1750 – 1777 ) e D. Maria I  (1777 – 1816). Quando a Mesa foi extinta, em 1787, transitou para a Real Mesa da Comissão Geral do Exame e Censura dos Livros, criada, cordial, por D. Maria I, em 21 de Junho de 1787. O caso é que, em 1769, ele despe o hábito de Oratoriano e se torna, com «adresse», presbítero secular. Só tornaria, transigente, à sua Ordem, no ocaso da vida sua. E expira, a sua verve, em Lisboa, na Casa de Nossa Senhora das Necessidades, onde vivia, protegido como hóspede, desde 1785: foi o dia, gravoso para as Musas, 14 de Agosto de 1797. Que o Padre António Pereira de Figueiredo, como vemos, foi o segundo tradutor da Bíblia Sagrada para a língua do Luso. Foi feito, o traslado, com base e a partir da Vulgata Latina. O Novo Testamento, inicialmente, foi dado a lume em 6 volumes, entre 1778 e 1781. E entre 1782 e 1790, coube a voz e a vez ao Antigo Testamento, e dele se publicaram volumes 17, o que perfaz, para a Bíblia completa, 23 volumes bem leves e lindos. E 12 anos, 12 anos, de lauto labor. Em 1819, em sete tomos, foi propalado, o Livro Sagrado, numa versão mais reduzida, essa versão é considerada modelo e padrão. Até que surde, em 1821, a Bíblia completa num único volume, e foi impressa na oficina de B. Bensley, em Bolt-Coult, Fleet-Street, na cidade londrina. Em relevância e valor, logo, logo a seguir à Bíblia Sagrada, o trabalho mais importante do Padre Figueiredo foi, em 1753, o «Novo Methodo da Grammatica Latina», adoptado, com «adresse», no reino, de 1759 a 1834. Que provocou, e causou, celeuma grande, uma vez que criticava, e punha em causa, a Gramática anterior do Padre Manuel Álvares ( Ribeira Brava, Ilha da Madeira, 1526 – Évora, 30/ 12/ 1583 ), generoso e Jesuíta de água primeira. O livro do servo da Companhia de Jesus tinha por título «De Institutione Grammatica Libri Tres» ( 1572 ) e foi manual adoptado como texto obrigatório na «Ratio Studiorum»; ele validou, maravilhou, até à expulsão dos Jesuítas por o Marquês de Pombal ( Sernancelhe, 13/ 05/ 1699 – Pombal, 08/ 05/ 1782 ), em 1759. Ou melhor: por alvará de 28 de Junho de 1759, se torna defeso, ou interdito, o uso desse livro. Por sua ingente, lídima cultura, em 1769 foi nomeado, o Padre Figueiredo, Oficial Maior de Línguas na Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Em seu sabor e o saber, foi sócio, selectamente, da Academia Real das Ciências de Lisboa, na qual ingressou, egregiamente, em 1779. Ele foi, seguramente, em Portugal, a par do preclaro Teodoro de Almeida ( Lisboa, 07/ 01/ 1722 – Lisboa, 18/ 04/ 1804 ), um dos maiores eruditos do século XVIII. Mas teve, não obstante, duas obras no Índex: «De Suprema Regum», por decreto de 16/ 06/ 1766, e, ainda, «Análise da Profissão de Fé de S. P. Pio IV», por decreto de 20/ 01/ 1795. Uma apostilha breve e leve: nos principais países europeus, onde a sua obra foi traduzida em várias línguas, o Padre Figueiredo ficou conhecido com o pseudónimo de «Febrónio português». Da lavra deste Padre, são, ainda, dignas de menção: a «Tentativa Teológica» (1766) e a «Demonstração Teológica, Canónica e Histórica do Direito dos Metropolitanos de Portugal» ( 1769 ). Continuemos, então: um novo actor no tablado é o Padre Matos Soares. Manuel de Matos e Silva Soares de Almeida, de seu nome completo, foi um Sacerdote católico português. Prefeito e professor do Seminário de Nossa Senhora da Conceição (Seminário Maior ou da Sé), foi Reitor da Capela de Fradelos e Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição da diocese e cidade do Porto. Seu trabalho precípuo foi, em 1932, a tradução, comentada, da Bíblia Sagrada para o português vernáculo, feita a partir da Vulgata e com a ajuda, generosa, do Padre Luiz Gonzaga da Fonseca ( 1878 – 1963 ), Professor, proficiente, no Instituto Bíblico de Roma. As edições subsequentes foram publicadas nos anos de 1934, 1940, 1946 e 1952. Em 1956, um pouco antes do seu transe, o Padre Matos Soares traduziu directamente dos manuscritos bíblicos em grego e hebraico disponíveis na altura, e a esse traslado se deu o nome, numinoso, de «Versão dos originais». As bíblicas edições deste Padre receberam o «imprimatur» de Dom António Barbosa Leão, Bispo do Porto ( Parada de Todeia, Paredes, 17/ 10/ 1860 – Porto, 21/ 06/ 1929 ), e muitos encómios, caroais, da Santa Sé, vindos do Papa Pio XI ( 1922 – 1939 ), cuja mensagem de estima do Cardeal Pacelli, futuro Papa Pio XII ( 1939 – 1958 ), se encontra, preste, preste, logo, logo no início do Livro Sagrado. E chegamos, agora, à última tradução da Sagrada Escritura para o vernáculo lusitano, encetada no ano 2016. Seu promotor e feitor, ele é, deveras, o Professor Doutor Frederico Lourenço. E ora vamos, então. Frederico Maria Bio Lourenço foi nado em Lisboa, a 8 de Maio de 1963. Licenciado, em 1988, em Línguas e Literaturas Clássicas por a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Desde 2024, é Professor Catedrático na Universidade de Coimbra. É estudioso, Escritor e deveras tradutor. Em 1999, doutorou-se em Literatura Grega por a Universidade de Lisboa, onde leccionou de 1988 ao ano 2009. Sendo docente, desde 2009, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Como tradutor, destaca-se na versão, para Português, da «Ilíada» e «Odisseia» de Homero; seu trasladar dos quatro Evangelhos a partir da Septuaginta valeu-lhe, em 9 de Dezembro de 2016, o Prémio Pessoa. Se em 2021 ele dá a lume as «Bucólicas» de Virgílio, na língua lusitana, ele publica, em 2023, a versão portugalaica da Obra completa de Horácio. Antes disso, em 2003, Frederico recebeu o Prémio D. Diniz da Casa de Mateus por sua notória tradução da «Odisseia» de Homero. Suas primícias, em 2002, elas foram, de feito, premiadas, outrossim – e referimo-nos, tempestivo, à trilogia de romances «Pode um Desejo Imenso» «O Curso das Estrelas» e «À Beira do Mundo». De salientar, ainda, e louvar, a sua tradução dos Evangelhos Apócrifos, em edição Grego / Português e Latim / Português. E para o Luso ele trasladou, de Eurípides, «Hipólito» e «Íon». No atinente e concernente às Letras, aqui, portugalaicas, alteamos, lautamente, «Camões, uma Antologia»  (2024). À guisa de epílogo, é Frederico, no afã, ficcionista, ensaísta, e, preclaramente, um Poeta caroável. Sua tradução da Bíblia para a língua lusitana, durante 10 anos, teve, deveras, o seguinte corolário: é que ele se assume, depós a faina, como Católico relevante, e deveras praticante. Ele sente-se, na Igreja universal, como «em casa do Pai». Acrisolando, e acurando, o aticismo, e não comum. A Primavera, primorosa, do século XXI.

 

NOTA BENE

I

A 25 de Junho de 1530, na Dieta de Augsburgo, a «Confissão de Augsburgo», por Philippe Melanchton ( Bretten, Alemanha, 16/ 02/ 1497 – Wittenberg, Alemanha, 19/ 04/ 1560 ), foi apresentada originalmente, em Alemão e em Latim, na presença do Imperador Carlos V. Ora foi, essa Dieta, a confissão de fé dos príncipes alemães partidários da Reforma de Martinho Lutero. 25/ 06/ 1530 é pois data marcante, marcante e relevante, para a História, curial, do Protestantismo. O termo «protestante» deriva, deveras, da carta de protesto desses príncipes alemães, em 1529, contra um édito da Dieta de Speyer que condenava Lutero como apóstata, herético e fora da lei. Depós a morte de Martinho, foi Melanchton o principal líder da Igreja Protestante; tornou-se conhecido como o «Praeceptor Germaniae», o «educador da Alemanha», por organizar e reformar as escolas alemãs.

II

Na História de Portugal, a primeira citação bíblica que nós conhecemos foi feita, de feito, por D. Tareja ( c. 1080 – Mosteiro de Montederramo, 11/ 11/ 1130 ), que, numa oferenda a um convento do Minho, alembra, levemente, Lucas 6: 38: «Dai e dar-se-vos-á: Uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante, será lançada no vosso regaço. A medida que empregardes com os outros será usada convosco.» Documento preciso, e precioso, para a lusitana nação: a 23 de Maio de 1179, a Bula «Manifestis Probatum», de Alexandre III ( 1159 – 1181 ), reconhece, oficialmente, Afonso Henriques ( 1128 – 1185 ) como Rei ( «Rex Portucalensis» ) e não somente como «Dux» (Duque, Chefe Militar). E essa Bula validou a soberania portuguesa face, de facto, ao reino de Leão. Ou seja: em vez e a voz de Alexandre III, estava «manifestamente provado» que D. Afonso Henriques era um Príncipe Católico que prestara inumeráveis, ingentes serviços à Igreja de Cristo. À Igreja de Cristo, à Igreja universal. O documento original se encontra guardado, religiosamente, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

III

Bem fazia, o velho Voltaire, em lutar, e labutar, contra o fanatismo. Olhai, «verbi gratia», olhai o que sucedeu a João Ferreira de Almeida. Na plaga de Goa, em 1661, ele foi, por heresia, condenado à morte, por o nefasto, infausto, Tribunal da Inquisição. E só escapou da execução porque o governador-geral holandês, na Batávia, o convocou, deveras, de volta, mas, desta feita, com carácter definitivo. E, na Ágora da Palavra, chegamos, agora, a William Tyndale ( Gloucestershire, c. 1484 – Vilvoorde, perto de Bruxelas, 06/ 10/ 1536 ). Na pátria de Shakespeare, foi ele movido, ou influenciado, por as Obras de Martinho Lutero e Erasmo de Roterdão. Com o apoio, em Londres, de abastados mercantes, em 1524 ele vai para a Alemanha, onde encontra, em Wittenberg, Martinho Lutero. E na Alemanha completa, em 1525, a tradução, curial, do Novo Testamento. Que é publicado, na íntegra, em 1526, em Worms, na língua de Marlowe. E ele deu a lume, na língua do anglo, em 1530, em Antuérpia, o Pentateuco preste. Esta bíblica versão, ela tem que se lhe diga: ela foi, de feito, a primeira Bíblia em inglês a trasladar directamente de textos gregos e hebraicos; foi a primeira tradução em inglês a ser impressa em prensa móvel; foi a Bíblia primeira, em inglês, afecta à Reforma; foi a prima tradução, em inglês, a usar «Jeová» como o nome de Deus. Essa Obra genial foi considerada, então, como um ataque directo à Igreja Católica e, ademais, às leis de Inglaterra. E foi o lance lancinante, foi vexame e vitupério. Que as sequelas, sanguíneas, elas foram as seguintes: em 1535, o Autor foi detido e aprisionado no castelo de Vilvoorde, e, em 1536, condenado, brutalmente, por heresia, e executado, o biblista, por estrangulamento. Sendo o seu corpo, depós, queimado na fogueira, no dia, feral e fero, 6 de Outubro de 1536. Em filológica adenda: em 1611, após 7 anos de labor, os 47 sábios que produziram, bondosos, a Bíblia do Rei Jaime, se basearam, beletristas, no trabalho de Tyndale. E vem aqui à baila, biblista, João Calvino, o Autor, acareado, de «Instituição da Religião Cristã» ( 1536 ), dedicada, com «adresse», a Francisco I. Fundador da Reforma em França, ele fez de Genebra o pólo intelectual e político do Protestantismo. Ora foi em Champel, nos arredores de Genebra, que ele condenou à morte Michel Servet  (Vilanova de Sixena, Lérida – 29/ 09/ 1511 – Champel, 27/ 10/ 1553), teólogo e médico de origem espanhola. Muito cedo o Servet leu uma Bíblia não expurgada, produção do judeu, espanhol, Cipriano de Valera, e cedo muito ele manducou, de Melanchthon, os «Loci Communes Rerum Theologicarum» ( 1521 ). Estudando, em Paris, o esculápio mester, ele adquiriu, como médico, enorme nomeada – e um século antes de Harvey, foi ele quem descobriu a circulação pulmonar, ou seja, a pequena circulação. Ele fez, em 1535, a correcção, revisão e anotação da «Geografia», de Ptolomeu. E foi, o seu labor, tão magnificente, que ele é considerado, por Reclus, o fundador, e pioneiro, da Etnografia e Geografia Comparadas.  Sendo, o seu «opus magnum», «Christianismi Restitutio» ( 1553 ), ou seja, a «Restauração do Cristianismo». Atacando, a um tempo, o calvinismo e o catolicismo (ele negava, «verbi gratia», o dogma da Trindade e, outrossim, o da Encarnação), ele foi aperreado, aporretado, por a política da «polis»; indo ouvir, dissimulado, indo ouvir o Calvino na Catedral de São Pedro, ele foi, em 13/ 08/ 1553, capturado por denúncia. Já tinha sido preso, em Vienne, a 4 de Abril de 1553, por as autoridades eclesiásticas gaulesas, escapando-se, muito embora, três dias depós. E é que é, o génio lauto, um atentado contra a ordem. E é que a 27 de Outubro de 1553, ele foi, em Champel, de má-fé, queimado vivo e cativo. Mas a Luz, universal, mas a Luz não morre nunca. E a Palavra do Messias ela é terna e sempiterna ( Mt 24: 35 ).

IV

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em língua do Anglo «Church of Jesus Christ of Latter-Day Saints», foi fundada, de feito, em La Fayette, no Estado de Nova Iorque, por Joseph Smith, Jr. (Sharon, Vermont, 23/ 12/ 1805 – Carthage, Illinois, 27/ 06/ 1844), a 6 de Abril de 1830. A par da Bíblia Sagrada, ela se rege, preclara, por o Livro de Mórmon, cujos primeiros exemplares foram postos à venda na Livraria E. B. Grandin, em 26 de Março de 1830. Seguindo e segundo o fundador da Igreja, o vocábulo «Mórmon» decompõe-se em «more» ( «mais» em Inglês ) e «mon» ( «bom» no egípcio ), significando, essa palavra, o bem elevado ao acme e acume. O facto mais marcante, o feito mais relevante do Livro de Mórmon é o ministério pessoal de Nosso Senhor Jesus Cristo entre os avitos habitantes das Américas, logo após Sua ressurreição. Os capítulos 11 a 28 do Livro de 3 Néfi, «liber» escrito por Néfi, filho de Néfi, no Livro de Mórmon, arquivam, caroais, a visita de Cristo às Américas, sensivelmente em 34 d. C. Em egípcio reformado, as palavras desse livro foram escritas em placas de ouro, compiladas por Mórmon, o Profeta, e enterradas, ocultamente, no Monte Cumora, aproximadamente no ano 421 d. C. Depós quatro anos de preparação, em 22 de Setembro de 1827 o Anjo Moróni, filho de Mórmon, entregou, a Joseph Smith Jr., as placas douradas, e encarregando-o, preste, preste, da sua tradução. Com o auxílio, zeloso, de Oliver Cowdery ( Wells, Vermont, 03/ 10/ 1806 – Richmond, Missouri, 03/ 03/ 1850 ), ocorreu, essa trasladação, entre 7 de Abril e fins de Junho de 1829. Pra efectivar, de feito, essa tarefa ingente, ou seja, pra traduzir os caracteres das placas douradas, se serviu, Joseph Smith, Jr., do Urim e do Tumim; na língua hebraica «Luz e Perfeição», são instrumentos providenciados por Deus pra ajudar o pastor a obter revelação e a trasladar línguas deveras, eles são, as mais das vezes, instrumentos oraculares. Consistem, o Urim e o Tumim, em duas pedras colocadas em aros de prata e presas no peitoral do Sumo Sacerdote ( Ex 28: 30 e Lv 8: 8 ). À data em que eu escrevo estas linhas, o Livro de Mórmon foi já traduzido para mais, seguramente, de 110 idiomas. Não se trata duma seita: têm, os Santos dos Últimos Dias, mais de 17 milhões de membros espalhados por todo o mundo. Para os membros da Igreja, contém, o Livro de Mórmon, a plenitude, e a verdade, do Evangelho Eterno. A Vara de Efraim ou Vara de José ( Livro de Mórmon ) se tornará uma só com a Vara de Judá ( Bíblia Sagrada ), as duas Varas, na Graça, crescerão juntamente, e conjuntamente ( 2 Né 3: 12 e Ez 37: 15, 19 ). Quanto a Joseph Smith Jr., a quem muito foi dado, muito será, também, exigido ( Lc 12: 48 ), – e eis aqui, a prova probante da veracidade do versículo: se ninguém é profeta na sua terra ( Lc 4: 24 ), eis, aqui, a histórica verdade: foi baleado, Joseph Smith Jr., na Cadeia de Carthage, a 27 de Junho de 1844, conjuntamente com Hyrum, seu irmão. Quanto ao seu sucessor, Brigham Young (Whitingham, Vermont, 01/ 06/ 1801 – Salt Lake City, Utah, 29/ 08/ 1877 ), ele foi chamado, na flama, de «o Moisés norte-americano»: é que ele conduziu, em 1847, os Santos americanos, de Nauvoo, Illinois, para o estado de Utah. Ou melhor: foi ele quem fundou Salt Lake City, chegando ao Lago Salgado a 24 de Julho desse ano jucundo. Umas palavras, breves e leves, sobre o belo Brigham Young. De sua profissão carpinteiro, marceneiro, pintor e vidraceiro, depós conhecer o jovem Joseph Smith Jr. ele foi, de feito, baptizado na senda – e foi o dia, ditoso deveras, 14 de Abril de 1832. Depós o transe do Profeta, numa reunião tida por os membros da «ecclesia», ele foi eleito Presidente, numa terça-feira, a 8 de Agosto de 1844. E como Presidente ele fez um grande feito cultual e cultural: em Provo, Utah, em 16 de Outubro de 1875, ele merca um edifício duma antiga escola – e é lá que ele instala, de boamente, a Academia Brigham Young. E depois da dissolução dessa Academia, em 1903, ela se transforma, egregiamente, na Universidade Brigham Young ( BYU ). Que foi criada, caroalmente, em 23 / 24 de Outubro desse ano forte e fértil. Sediada em Provo, no Estado de Utah, essa casa de cultura é propriedade da Igreja – e ela se trata, teologicamente, da maior Universidade religiosa da América, ela é, nos Estados Unidos, a segunda maior Universidade privada. E cerca de 98% dos 37. 000 alunos são membros, maviosos, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é lá que estudam, estrenuamente, os meigos missionários. Que são, selectamente, mais de 72. 000. A corporação tem um lema, deveras, de alento e acalanto: «Entre para aprender, saia para servir.» Que em estese e no estudo, eu nunca vi, como eu vi nessa «ecclesia», tamanho respeito por a palavra impressa, e tanta ciência no Novo Testamento. E só por isso a nossa Fé. Por isso ora, tu ora e labora, prepara tu a messe para a vinda do Messias!!!


Tomar, 25 de Abril de 2026

DEUS, LUZ E LIBERDADE

DAT ROSA MEL APIBUS

PAULO JORGE BRITO E ABREU