PAULO JORGE BRITO E ABREU
JOÃO DA CHELA CHAMADO POR CARLOS D’ABREU
«Os livros tornam livre quem os quer.»
Vicente Espinel
( à Cultura Angolana dos séculos XX e XXI )
INTRÓITO
Angola é da escola. A escola é o escopo. A Língua, do «Logos», é aquilo que liga. E Carlos d’Abreu ( Maçores, 15/ 09/ 1961 ), como inteligente, ou legente, ele é «intus legere», e ele lê, desta sorte, no coração do ledor. E ele é colega na Língua, ele trilha o caminho da compreensão. E comecemos, nós ora. Quer Trás-os-Montes, quer Angola, têm, neste livro, uma figura-fulgor: e chamamos, então, João da Chela ( Lousa, 26/ 02/ 1896 – Lubango, 29/ 08/ 1968 ). E sendo, João da Chela, pseudónimo, literário, de Manuel de Jesus Pinto. A 6 de Junho de 1896 ele foi baptizado, abençoado, na Igreja de São Lourenço da Lousa do Douro, concelho de Moncorvo, diocese de Bragança. E ora vamos, então, e ora vamos agora à História: a Torre de Moncorvo recebeu, em 1285, o foral de D. Dinis ( 1279 – 1325 ). No concelho nasceram, notórios e nitentes, Constantino José Marques de Sampaio e Melo, o «Rei dos Floristas» ( Torre de Moncorvo, 16/ 08/ 1802 – 14/ 12/ 1873 ), e, ademais, o feitor e Escritor Abílio Adriano de Campos Monteiro (Torre de Moncorvo, 07/ 03/ 1876 – São Mamede de Infesta, 04/ 12/ 1933), que foi esculápio, dessarte, e o preste publicista. Foi o «Rei dos Floristas», de feito, aquele que deu o nome ao jardim Constantino, vergel lisboês da freguesia de Arroios. E quanto, agora, a Campos Monteiro: na Invicta Cidade, ele fundou e dirigiu, com Ferreira de Castro (Ossela, Oliveira de Azeméis, 24/ 05/ 1898 – Porto, 29/ 06/ 1974), a revista «Civilização, Grande Magazine Mensal» (1928 – 1937), na qual Florbela Espanca ( Vila Viçosa, 08/ 12/ 1894 – Matosinhos, 08/ 12/ 1930 ), Adolfo Casais Monteiro (Porto, 04/ 07/ 1908 – S. Paulo, Brasil, 24/ 07/ 1972), Unamuno (Bilbau, Espanha, 29/ 09/ 1864 – Salamanca, 31/ 12/ 1936) e Pascoaes (Gatão, 02/ 11/ 1877 – Amarante, 14/ 12/ 1952) tiveram, dessarte, a voz e a vez. Como romancista, Campos Monteiro fulgiu, ou flamejou, com «Miss Esfinge» ( 1920 ), «Camilo Alcoforado» (1925) e, ainda, «As Duas Paixões de Sabino Arruda» ( 1929 ). A talho de foice, era, Ferreira de Castro, afecto e afeito aos anarquistas ideais, ele foi, na verdade, o Autor de «A Selva» (1930) e «Terra Fria» ( 1934 ). E em Torre de Moncorvo, outrossim, foi nado o arqueólogo José Henriques Pinheiro ( Torre de Moncorvo, 20/ 02/ 1835 – Porto, 07/ 10/ 1904 ), arqueólogo, desta feita, qual o Carlos d’Abreu (Maçores, 15/ 09/ 1961), ou melhor, arqueólogo pioneiro no distrito de Bragança. Ter a paixão da Arqueologia, como a tem o nosso Carlos, é ser clássico e de classe, é laborar, arcaicamente, nos arquétipos-arcanos. E revertendo agora ao tema: quem baptizou o menino, de boamente, foi o Abade Manoel Ignacio de Moraes Fortuna, Arcipreste, presto e pronto, de Moncorvo. E foi nado, o Publicista, à uma hora da manhã. Ele foi o filho, legítimo, de Joaquim Augusto Pinto, carpinteiro, e de Maria da Anunciação, dona, dessarte, de domésticos afazeres. A 30 de Março de 1921, contrai matrimónio, o nosso transmontano, com Maria Adelaide Guedes, natural de S. Mamede de Riba Tua, Concelho de Alijó, «de quem teve um filho, uma filha e pelo menos dois netos, por parte do filho.» Para Angola embarcando, em 15 de Outubro de 1924, no vapor chamado «Beira». E torremoncorvense ele é, outrossim, Francisco Botelho. E quanto, agora, à Numerologia: em 26/ 02/ 1564 é nado, nitente, Christopher Marlowe; a 26/ 02/ 1802, o vidente Victor Hugo, o Autor de «Os Miseráveis»; em 26/ 02/ 1857, o Psicólogo Émile Coué, da escola de Nancy; em 26/ 02/ 1929, Fernando Echevarría, o Poeta-Filósofo; em 26/ 02/ 1947, a cantora Sandie Shaw; e, em 26/ 02/ 1955, a Escritora Rita Ferro. Todos eles abençoados. E todos, todos, todos eles, filhos da terra e das constelações.
ESTROFE
Aqui chegado, razoemos: João da Chela, literariamente, foi Poeta e romancista, ele foi, de facto, cronista e articulista. E «para se dar a ler», adoptou um topónimo do Sul de Angola preste: referimo-nos, aqui, à Serra da Chela. «Fácil de perceber», diz Carlos d’Abreu (Maçores, 15/ 09/ 1961): «Um nado e criado no alto duma serra fica sempre preso a horizontes infindos.» Com «África Redentora» ( Lubango, 1939 ), «verbi gratia», hemos nós «um livro muito africano no amor e muitíssimo português na alma», nós temos, alfim, uma «Alma Nova», jornal do qual foi director, com «adresse», e co-fundador. O seu nome completo era «Alma Nova: jornal dos novos: literatura, charadismo e desporto». E como charadista assinando, no levante, qual o forte Judeu Errante. Publicitado em Espinho, propriedade, deveras, da empresa «Alma Nova», o quinzenário contou com 81 edições, entre 18 de Maio de 1919 e 20 de Agosto de 1922. Seu Editor, J. Marques de Carvalho; seu administrador, deveras, Domingos Moreira da Costa. Para citarmos, caroável, o Carlos d’Abreu, aos 23 anos o publicista «já sabia que o exercício da escrita seria doravante o seu fado». Ou nas palavras, irisadas, do articulista: «Desde os mais rudimentares princípios da ciência e da arte, a literatura foi o primeiro facho de luz e de esplendor inigualável que seduziu e despertou o espírito do homem ( … ). A literatura é a deusa consumada no campo das letras, e envolve, sumariamente, toda a alma sonhadora no seu despertar heróico de todos os sonhos, na culminância da invenção.» Pois «Poíesis», no grego, significa, primacialmente, «fazer, criar, produzir ou compor», é o acto de trazer, à existência, uma obra de arte, um objecto ou um conhecimento, é o impulso do espírito para criar, a «imago», através dos sentimentos. Que são, também, os alimentos. A talho de foice, «Alma Nova», em 1874, é o título de um livro de Guilherme de Azevedo (Santarém, 30/ 11/ 1839 – Paris, França, 06/ 04/ 1882 ), jornalista e Poeta portugalaico; mais do que plágio, nós temos, aqui, intertextualidade. Que o livro, afinal, é um animal vivo, assim asserta, disserta, o esperto Estagirita ( Estagira, Grécia, 384 a. C. – Cálcis, Grécia, 322 a. C. ). Que além dos liceus e das Universidades, havia, avitamente, três focos, ou centros, de alta cultura: as tertúlias, os jornais e, também, as tipografias – e alembremos, no lance, Proudhon ( Besançon, 15/ 01/ 1809 – Passy, 19/ 01/ 1865 ), de feito, e Antero de Quental ( Ponta Delgada, 18/ 04/ 1842 – Ponta Delgada, 11/ 09/ 1891 ). E, outrossim, o solerte, e o selecto, Eça de Queiroz ( Póvoa de Varzim, 25/ 11/ 1845 – Neuilly, França, 16/ 08/ 1900 ). Que o papel do Poeta, na verve, é concluir a criação, que Deus somente iniciara, chicotear a escuridão com golpes de Luz santa. «Ad augusta per angusta», «a resultados sublimes por veredas estreitas»: com 14 anos, em 1910, o Poeta leixa a aldeia a caminho, dessarte, da vila de Espinho, aí seria, na sorte, marçano, aí seria, mais tarde, caixeiro, desta feita, e providencial. No autobiografismo, então, de «Caminho Eterno» ( 1967 ), o primeiro trabalho de João da Chela (Lousa, 26/ 02/ 1896 – Lubango, 29/ 08/ 1968) foi o de marçano, mavioso, e numa padaria. Distribuindo, por a vila, o pábulo e parábola, o Pão da vida preste. Ou seja: qual Mercúrio «mercator», distribuindo mercearia de porta em porta. E ele fez, depós, um curso de «guarda-livros», «como se designavam os contabilistas de então.» E por isso, só por isso, ele tem, deveras, a nossa mercê, ele merece, marçano, a sua merenda. Pra citarmos, proeminente, o Padre Manuel Bernardes (Lisboa, 20/ 08/ 1644 – Lisboa, 17/ 08/ 1710 ), isto é «o Pão», dessarte, «partido em pequeninos», isto é cenáculo e campanha do companheirismo. E se o dever do homem, do cultor, é cultivar a nossa terra, ouçamos, em parabém, esta quadra selecta: «Tão verde, tão lindo o chão! / Ondula, cheia de vida, / A espiga farta e crescida / Que somente foi um grão.» Quero eu dizer, eubioticamente: «Spes messis in semine», a palavra é seminal, «a esperança da colheita reside na semente».
ANTÍSTROFE
Ora ânimo, sus, e mais Alma para a viagem. Segundo o Autor de «Sertão Florido», a crítica literária vinda a lume em «O Comércio» de Luanda ( 15/ 08/ 1936 ) é siderada, por ele, como «uma novela muito africana e muitíssimo portuguesa». Sendo o seu «topos», afinal, uma «África Lusíada (crónicas angolanas)», de 1956. Se o natal, por isso, é nativo, e a nação qual nascituro, atentemos, arguto, em Carlos d’Abreu ( Maçores, 15/ 09/ 1961 ): «A leitura antropocêntrica do europeu, relativamente aos africanos. O preto, o bom-selvagem, à espera do evangelho e da civilização que aquele tinha obrigação de lhe transmitir…» Que acatando, e respeitando, a diferença do Outro, exalça, Carlos d’Abreu, a humana pessoa, independentemente da sua raça, classe ou religião, independentemente do seu género, colégio ou político partido. E trazemos, aqui, à colação: Martin Luther King ( Atlanta, 15/ 01/ 1929 – Memphis, 04/ 04/ 1968 ), Evangélico Baptista e estado-unidense, ele trouxe, ele trouxe ao mundo, as armas, cariciosas, do Pão e da Paz. Prémio Nobel da Paz em 1964. Liberdade, portanto, para o labor, liberdade para todo, e qualquer, filho do homem, pois nós hemos, em Carlos d’Abreu ( Maçores, 15/ 09/ 1961 ), um liberal ou liberto, um livre-pensador, o libar, o lisar e o liberalizar. Ou melhor: um homem que persiste em o livro e a lavra. Quer dizer: «entre a África Negra e uma Ibérica Península», eis o típico e tópico em Carlos d’Abreu ( Maçores, 15/ 09/ 1961 ). Que a par do estrangeirado, e duma alegoria, nós temos, em seu livro, uma alofilia. E mais do que imitar, e mais do que mentir, o Carlos sabe e ele sente, ele fala de outra cousa. Em forte e fértil poema, intitulado «Da Génesis», ouçamos, por isso, João da Chela (Lousa, 26/ 02/ 1896 – Lubango, 29/ 08/ 1968): «Terra da Huíla! Ó «Terra de Ninguém», / Já o bem do solo teu ao ao céu se evola; / Terra da Huíla, ó terra feita mãe, / A gente portuguesa fez-te alguém, / Terra mais lusa que há em toda a Angola!». E, mais à frente: «O pão, tão trabalhoso, hão-de comê-lo / Só seis meses depois de ser semente; / Há-de primeiro dar canseira e zelo: / Pelas manhãs de Junho, sobre o gelo, / Nas tardes de Dezembro, ao sol ardente. // «Lá volta o Ti’Alfredo de jornada: / Como de um filho, cuida do renovo. / O Laranja e o Góis lá vão de enxada / A abrir os novos regos da levada / Para matar a sede ao trigo novo.» ( … ) «É a luz da vida o sol da nova Terra, / Bênção de Deus beijando a terra em flor. / Por esse imenso mato, além da serra, / Por onde em tempos houve sons de guerra, / As frautas gemem hoje a voz do amor.» O tema e poema me alembra, fortemente, Miguel Torga ( São Martinho de Anta, 12/ 08/ 1907 – Coimbra, 17/ 01/ 1995 ). Me remembra, levemente, o Livro de Isaías: «Ele julgará as nações e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, nem aprenderão mais a guerrear.» ( 1 Is 2: 4 ). Que a Palavra é qual o prândio e o prândio, preâmbulo, parábola é. Que a propósito do Chela, aluz, levemente, o Carlos d’Abreu (Maçores, 15/ 09/ 1961): «é fácil de perceber: / um nado e criado / no alto de uma Montanha / fatalmente se tornará refém / de infindos horizontes». Ouçamos, então, ouçamos dous quartetos da «Canção do Pastor»: «Também eu andei no ensino, / E aprendi o A – B – C; / Mas, – vejam bem o destino! – / Já me alcunhavam de «Mé»! // Um desses meus companheiros / Que me falava em voz d’anho, / É hoje um senhor Doutor, / E eu pastor do seu rebanho!» E uma vez aqui chegado, que me releve, o ledor, uma nota enciclopédica: a sudoeste de Atenas, em tempos avitos, havia um templo dedicado a Apolo Lício, também chamado Liceano; foi mercado, o ginásio, por Aristóteles o almo, o discípulo de Platão; ele aí construiu, leve e ledo, sua universalidade, que ficou conhecida, cabalmente, como o «Liceu». Ora «Liceu», em grego, quer dizer: «o que mata, afugenta ou protege dos lobos». E eis, aqui, o litoral e a letra, e é o que se faz na cidade salamanquense. Que a Universidade de Salamanca foi de feito uma «Alma Mater», a «Mater Matuta» do Carlos d’Abreu ( Maçores, 15/ 09/ 1961 ). E eis Apolo o Bom Pastor, o que protege, os alunos, dos lobos da estultícia. E toda a História da Filosofia Ocidental reside na diferença, ou no diferendo, entre Aristóteles ( Estagira, 384 – Cálcis, 322 a. C. ) e Platão (Atenas, 428/ 427 – Atenas, 348 / 347 a. C.). Sendo o Ser, e não o Nada. Sendo o Homem, segundo Heidegger (Messkirch, 26/ 09/ 1889 – Friburgo em Brisgóvia, 26/ 05/ 1976), o Pastor do próprio Ser. Sendo o Belo uma Verdade. E sendo, uma «Alethêia», o antonímico do Letes. Tornemos, então, e revertamos: o jornalismo, pra João da Chela (Lousa, 26/ 02/ 1896 – Lubango, 29/ 08/ 1968), foi ginásio e colégio, foi grado Liceu. Liceu, acrisolado, da Língua Portuguesa. Ou como, sideral, em Afonso Duarte ( Ereira, Verride, Montemor-o-Velho, 01/ 01/ 1884 – Verride, Montemor-o-Velho, 05/ 03/ 1958 ), a ginástica visão, o colégio de quem lega o Pão e as Rosas. E, na legenda, a lavar e a ligar a vela e a lição, que é o Pão da Vida preste. Ou melhor: aqui alamos, e alteamos, o edule e a Acidália, uma «Oração à Luz» ( 1904 ) de Guerra Junqueiro ( Freixo de Espada à Cinta, 15/ 09/ 1850 – Lisboa, 07/ 07/ 1923 ). Dobrada, e alumbrada, de uma «Oração ao Pão» ( 1902 ). E não alembras, do Poeta, e não alembras, do simples, «A Escola Portuguesa»??? Que em Mário Beirão ( Beja, 01/ 05/ 1890 – Lisboa, 19/ 02/ 1965 ) e em João da Chela ( Lousa, 26/ 02/ 1896 – Lubango, 29/ 08/ 1968 ) é como, divisamos, em Teixeira de Pascoaes ( Gatão, Amarante, 02/ 11/ 1877 – Gatão, Amarante, 14/ 12/ 1952 ): os seus poemas relevam, e revelam, a «Mater» qual matriz e a Natura como nau, isto é, um «transcendentalismo panteísta». Sendo esse «transcendentalismo», uma escola fundada por Ralph Waldo Emerson (Boston, Massachusetts, 25/ 05/ 1803 – Concord, Massachusetts, 27/ 04/ 1882), a fundação, e firmamento, de Henry David Thoreau (Concord, 12/ 07/ 1817 – Concord, 06/ 05/ 1862 ). Encarando, e activando, a «Luna» como vela e a Gaia como Geia, é que a Terra, Geologia, é ser vivo e activo. E Ecologia, por isso, é qual «école», e a criação é a casa do Verbo criador. E alteamos aqui, mais uma vez, Amanda Eznab ( Barcelona, 11/ 04/ 1993 ). Que a lição de João da Chela, nas Maias, é só uma: criar, erigir, e não e nanja destruir. E assim no entende a bruma e a verdade, a unidade e a missão da universalidade. Que o tema e poema de João da Chela ( Lousa, 26/ 02/ 1896 – Lubango, 29/ 08/ 1968 ) é como o lema, e emblema, de Carlos d’Abreu ( Maçores, 15/ 09/ 1961 ): e aqui se fala do Único, do sagaz, da ex-centricidade da Poesia Portuguesa, quero eu dizer, da bela Finisterra. Ou melhor: da unicidade, unitária, da humana pessoa. Desse Único, caroal, não no sentido de Max Stirner (Bayreuth, 25/ 10/ 1806 – Berlim, 25/ 06/ 1856), mas no de Mounier ( Grenoble, França, 1/ 04/ 1905 – Châtenay-Malabri, França, 22/ 03/ 1950 ), de Kierkegaard (Copenhaga, 05/ 05/ 1813 – Copenhaga, 11/ 11/ 1855), de Max Scheler ( Munique, 22/ 08/ 1874 – Frankfurt, 19/ 05/ 1928 ), afinal. É que na corrida, dessarte, todos correm, mas só um ganha o prémio – e por isso, mavioso, o menestrel, e por isso é João da Chela o campeão de apalavrar ( Lousa, 26/ 02/ 1896 – Lubango, 29/ 08/ 1968 ). E só alcança o magistério quem professa, à boa-fé, o ministério, quem saúda e serve o Génio com todo o coração, com toda a mente sua e todo o seu entendimento: e isso, desta sorte, é multiplicar-se, a isso se chama, na flama, ser Escritor. Génio pois é aquele que gera, independentemente dos órgãos e dos genes que a Madre Natureza destinou à geração – e por isso o ateneu, por isso nasceu, Atena, do crânio de Zeus. E o que será, a Carava Ibérica, senão o Sol e o candor, uma feraz Academia???
EPODO
E ora vamos forte em frente. E dêmos a palavra ao Carlos d’Abreu (Maçores, 15/ 09/ 1961): «A fundação da colónia de Sá da Bandeira, por parte de madeirenses desembarcados em Moçâmedes em 18/ 11/ 1884 e chegados ao Lubango em Janeiro do ano seguinte, após as dificuldades na travessia do deserto e da escalada da serra da Chela. Foram as primeiras duzentas e onze almas aí chegadas, abrigadas em quatro barracões nas margens do rio Caculovar. A 19 desse mês assistiram ao acto de instalação oficial da referida colónia.» Alembremos, na lavra, o ledor. Três anos depós o seu matrimónio, em 15 de Outubro de 1924, embarca João da Chela para Angola, no vapor chamado «Beira». Se instalando, então, no Lubango, depois nominado como Sá da Bandeira, com lida laboral de comércio, dessarte, e contabilidade. Mercúrio «mercator», uma vez mais. A serpente mercurial, o cifrão comercial. Não obstante, no Lubango, ele ora e labora, se aprimora, e enflora, como autodidacta. O primo livro que ele dá a lume com o nome de João da Chela, ele é, de facto, «África Lusíada» ( 1956 ). E ele viveu, deveras, 44 anos em terras angolanas. Que ele aceitou, e acatou, o aviso de sua avó: «Nesta aldeia pobre e nestas fragas tristes onde o teu futuro só pode estar na enxada e no arado.» E somos quase, ó ledor, estamos prestes a findar. Mais uma volta, e libamos João da Chela ( Lousa, 26/ 02/ 1896 – Lubango, 29/ 08/ 1968 ), mais uma vez, e alembramos Luther King ( Atlanta, Geórgia, 15/ 01/ 1929 – Memphis, Tennessee, 04/ 04/ 1968 ). Segundo Armando Cortes-Rodrigues ( Vila Franca do Campo, S. Miguel, 28/ 02/ 1891 – Ponta Delgada, 14/ 10/ 1971 ), que era membro do «Orpheu» (1915), o que mais importa, aqui, é ler Poesia, escrever Poesia, é viver, para sempre, em Poesia!!!!!!!!!!!
NOTA BENE
Este livro é uma Obra de Arte. A Palavra, aqui, é pau da lavra. E afirmar, neste livro, é firme tornar. Horácio ( Venúsia, 08/ 12/ 65 a. C. – Roma, 27/ 11/ 8 a. C. ), o grão Poeta, ele tem, de boamente, este belo pensamento: «As palavras, uma vez pronunciadas, jamais voltam atrás.» No País das Descobertas, mais do que armas de arremesso, as palavras são as naus. As palavras são as naus com as quais sulcando vamos o oceano da matéria. Que a Palavra é qual a vela. Que a Palavra é como Pão e a Palavra é como leite, é pois alento e alimento em sápido e deleite……………………………
Tomar, Cidade Templária, 31/ 12/ 2025
DAT ROSA MEL APIBUS
PAULO JORGE BRITO E ABREU

