NICOLAU SAIÃO

FUI  AO NORTE VIM AO NORTE...

 ... lá do Sul que longe fica.
 Fiquei mais perto de Espanha
 mais pertinho da Galiza.
 E num recanto da Serra
 lá na curva duma estrada
 vi uma aldeia no fundo
 para ser fotografada

 Ficou aqui a presença
 - a presença e a figura -
dum lugar de muito enlevo
e de muita formosura

Aldeia que tens na serra
no vale onde cresce a urze
tuas casas teu perfil
que ninguém de ti abuse

Que nunca o mal te destrua
- nem a água nem as chamas -
que sejas sempre gentil
mesmo pobre e quase nua
mesmo sem riqueza ou famas

Estava sol fazia sol
para seres fotografada
numa curva do caminho

mesmo à beirinha da estrada.

Nicolau Sai�o – Monforte do Alentejo (Portalegre) 1946. � poeta, publicista, actor-declamador e artista pl�stico.

  Participou em mostras de Arte Postal em pa�ses como Espanha, Fran�a, It�lia, Pol�nia, Brasil, Canad�, Estados Unidos e Austr�lia, al�m de ter exposto individual e colectivamente em lugares como Lisboa, Paris, Porto, Badajoz, C�ceres, Estremoz, Figueira da Foz, Almada, Tiblissi, Sevilha, etc. 

   Em 1992 a Associa��o Portuguesa de Escritores atribuiu o pr�mio Revela��o/Poesia ao seu livro “Os objectos inquietantes”. Autor ainda de “Assembleia geral” (1990), “Passagem de n�vel”, teatro (1992), “Flauta de Pan” (1998), “Os olhares perdidos” (2001), “O desejo dan�a na poeira do tempo”, “Escrita e o seu contr�rio” (a sair).  

  No Brasil foi editada em finais de 2006 uma antologia da sua obra po�tica e pl�stica (“Olhares perdidos”) organizada por Floriano Martins para a Ed. Escrituras. Pela m�o de Ant�nio Cabrita saiu em Mo�ambique (2008), “O arm�rio de Midas”, estando para sair “Poemas dos quatro cantos”(antologia).     

  Fez para a “Black Sun Editores” a primeira tradu��o mundial integral de “Os fungos de Yuggoth” de H.P.Lovecraft (2002), que anotou, prefaciou e ilustrou, o mesmo se dando com o livro do poeta brasileiro Renato Suttana “Bichos” (2005).

  Organizou, coordenou e prefaciou a antologia internacional “Poetas na surrealidade em Estremoz” (2007) e co-organizou/prefaciou ”Na Liberdade – poemas sobre o 25 de Abril”.

  Tem colaborado em  espa�os culturais de v�rios pa�ses: “DiVersos” (Bruxelas/Porto), “Albatroz” (Paris), “Os arquivos de Renato Suttana”, “Agulha”, Cron�pios, “Jornal de Poesia”, “Ant�nio Miranda” (Brasil), Mele (Honolulu), “Bicicleta”, “Espacio/Espa�o Escrito (Badajoz),  “B�blia”, “Saudade”, “Callipolle”, “La Lupe”(Argentina) “A cidade”, “Petr�nea”, “S�lex”, “Col�quio Letras”, “Velocip�dica Funda��o”, “Jornal de Poetas e Trovadores”, “A Xanela” (Betanzos), “Revista 365”, “Laborat�rio de po�ticas”(Brasil)...

 Prefaciou os livros “Fora de portas” de Carlos Garcia de Castro, “Mans�es abandonadas” de Jos� do Carmo Francisco (Editorial Escrituras) e “Estravag�rios” de Nuno Rebocho (Apenas Livros Editora).

   Nos anos 90 orientou e dirigiu o suplemento liter�rio “Miradouro”, sa�do no “Not�cias de Elvas”. Com Jo�o Gar��o e Ruy Ventura coordenou “Fanal”, suplemento cultural publicado mensalmente no seman�rio alentejano ”O Distrito de Portalegre”, de Mar�o de 2000 a Julho de 2003.

  Organizou, com M�rio Cesariny e C. Martins, a exposi��o “O Fant�stico e o Maravilhoso” (1984) e, com Jo�o Gar��o, a mostra de mail art “O futebol” (1995).

   Concebeu, realizou e apresentou o programa radiof�nico “Mapa de Viagens”, na R�dio Portalegre (36 emiss�es) e est� representado em antologias de poesia e pintura. O cantor espanhol Miguel Naharro incluiu-o no �lbum “Canciones lusitanas”.

  At� se aposentar em 2005, foi durante 14 anos o respons�vel pelo Centro de Estudos Jos� R�gio, na depend�ncia do munic�pio de Portalegre.

     � membro honor�rio da Confraria dos Vinhos de Felgueiras. Em 1992 o munic�pio da sua terra natal atribuiu-lhe o galard�o de Cidad�o Honor�rio e, em 2001, a cidade de Portalegre comemorou os seus 30 anos de actividade c�vica e cultural outorgando-lhe a medalha de prata de M�rito Municipal.