NUNO GONÇALVES RODRIGUES


PORTO, 22 JANEIRO 1818: MANUEL FERNANDES TOMÁS FUNDA O SINÉDRIO


Manuel Fernandes Tomás é descrito, tal como podemos ler na página online do Parlamento, como o “patriarca da liberdade portuguesa” e consta que, por tanto se dedicar à causa pública sem nada receber, morreu de fome com apenas 51 anos. Os seus amigos quando deram conta da sua débil saúde ainda se juntaram para comprar umas galinhas e fazer-lhe uma canja, mas era tarde demais.

Nascido na Figueira da Foz a 7 de Agosto de 1770 (outras fontes relatam 30 de Junho de 1771).

Juiz desembargador no Tribunal da Relação do Porto e considerado por muitos estudiosos o político mais importante do proto-liberalismo, foi eleito pelo círculo da Beira em 1820 para as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, ou o Soberano Congresso, ou Cortes Constituintes Vintistas, mas que ficaram para a história como Cortes Constituintes de 1820, ou seja, basicamente o primeiro parlamento português.

Morreu em Lisboa a 19 de Novembro de 1922, poucos dias antes da aprovação da Carta Constitucional de que fora um dos principais mentores.

Mas voltando à frase em epígrafe, o Sinédrio está na génese da Revolução Liberal ocorrida no Porto a 24 de Agosto de 1820, perpetrada por um grupo de personalidades portuenses; em consequência desta, estabeleceu-se o regime liberal no nosso país.

O Sinédrio inicialmente foi constituído pelo já referido Manuel Fernandes Tomás e também por José Ferreira Borges (1876-1838) e José da Silva Carvalho (1782-1856), todos eles homens da lei, e pelo comerciante João Ferreira Viana.

Não tardariam a juntar-se-lhes militares (muito importantes, dado que as suas chefias eram inglesas), comerciantes, juízes, et al.

A Maçonaria tinha grande importância no Sinédrio, cujo objetivo era o de implantar em Portugal um liberalismo parecido com o de Espanha;  aqueles homens faziam campanhas contra os ingleses que ficaram a dominar o país após a partida da família real para o Brasil em 1807, fugida da primeira invasão napoleónica. Reuniam-se em segredo a 22 de cada mês, mas tudo o que era por eles urdido era sempre feito com fidelidade à Casa Real de Bragança.

Depois de consumada a Revolução de 1820, o Sinédrio acaba a 15 de Setembro desse ano com os seus objetivos alcançados – o regresso do rei D. João VI (1767-1826), a implantação do liberalismo e os ingleses fora do poder – e algo muito importante, com a eleição de vários membros do Sinédrio, que também eram maçons, para o governo liberal.

A imagem que podemos apreciar é de autoria do emblemático pintor Veloso Salgado (1864-1945), um galego de nascimento que se naturalizou português, na qual vemos Manuel Tomás a discursar nas Cortes Constituintes. Esta obra encontra-se na Assembleia da República, onde deveria inspirar mais os nossos atuais políticos a dedicarem-se, pelo seu exemplo, à res publica.

Fontes digitais:
Infopédia
Parlamento
Roinesxxi blog
imagem: wikipédia

Nuno Gonçalves Rodrigues (2023)