PAULO JORGE BRITO E ABREU

MARÍA ÁNGELES PÉREZ LÓPEZ, ENTRE A LUZ E A LIRA


«Sou mais Eu quando Tu és a síntese de Nós.»
João Belo

 

( dedico o meu labor à Paz planetária )

( e dedico este Ensaio, de feito, a Figueres, a terra natal de Salvador Dalí )

 

I, LIMIAR

A propósito, aqui, de María Ángeles Pérez López, eis um comento, ou um carisma, do Karl Jaspers astral (Oldemburgo, Alemanha, 23/ 02/ 1883 – Basileia, Suíça, 26/ 02/ 1969 ): à ordem do dia se contrapõe, caroal, a paixão pela Noite – e hemos «Liber Pater», e temos alfim a Musa como o mundo às avessas. Ora isso é crer e pois querer. Crer é criar, criar, na benquerença, criar é crescer. Intenta ser, este esquisso, uma hermética hermenêutica de «Jardin( e )s Excedidos» (Fevereiro de 2018), por María Ángeles Pérez López ( Valladolid, 22/ 06/ 1967). Edição bilingue, em Português e Espanhol, com tradução, e oblação, de Carlos d’Abreu (Maçores, 15/ 09/ 1961). Carlos d’Abreu, levemente, o «traduttore», não e nanja o «traditore». Que esta Poesia é uma canção, são os tópicos e tropos da mundificação  – e é esse, portanto, o «Dasein», é esse o estar-no-mundo da Poeta Pérez López. E dessarte asserto eu: quando o caso María Ángeles Pérez López for um caso particular ele não interessa a ninguém!!! Todo o caso de um grão, de um grado Poeta é sempre uma causa cardeal, caroal, veramente universal. É, prementemente, o inconsciente colectivo de Carl Gustav Jung (Kesswil, Suíça, 26/ 07/ 1875 – Kusnacht, 06/ 06/ 1961). Que eu diviso, neste livro, a poética verdade como «Alêtheia», na verve, e desvelamento. De tal modo que eu demando: não será, esta lavra, «A Metáfora do Coração» (1950) de que fala, sem falácia, María Zambrano (Vélez-Málaga, Espanha, 22/ 04/ 1904 – Madrid, Espanha, 06/ 02/ 1991) ??? Entre 1924 e 1927, na Universidade Central de Madrid, Zambrano foi discípula, e aluna, de Ortega e Gasset (Madrid, 09/ 05/ 1883 – Madrid, 18/ 10/ 1955), o feitor, e o fautor, do raciovitalismo. Ortega, deveras, o Autor, amativo, de «Meditações do Quixote» (1914). E, com donaire e denodo, de «A Rebelião das Massas» (1929), também. Que, em Zambrano, a «razão vital» de Ortega y Gasset cede a sua voz, ou cede a sua vez, à «razão poética» da ensaísta sagaz. Em 1988, María foi, na senectude, a primeira mulher a ser agraciada com o Prémio Miguel de Cervantes (Alcalá de Henares, 29/ 09/ 1547 – Madrid, 22/ 04/ 1616). Revertendo, agora, à angélica jornada: a tese e a estesia, autêntica Poesia à mesa da Palavra. E vida, comovida, no Verbo e alimento, eis o «topos» e tipo da Palingenesia. O cenáculo, o banquete. A adiafa e o prândio. O viático, a vianda, da Filologia. À mesa do simpósio, o Pão é qual Palavra e a Palavra é qual o Pão, e sejamos, nós outros, os Companheiros de Emaús (Lc 24: 13, 35). Pois é, afinal, a «Oração ao Pão» (1903), de Guerra Junqueiro (Freixo de Espada à Cinta, 15/ 09/ 1850 – Lisboa, 07/ 07/ 1923). Ou melhor: no esquadrinhar e no estudo, é o «Pão Partido em Pequeninos» (Lisboa, 1696) de que fala, sem jaça, o Padre Manuel Bernardes (Lisboa, 20/ 08/ 1644 – Lisboa, 07/ 08/ 1710). É pois Fracção do Pão, e é perene Eucaristia. Pois profere, María Ángeles (Valladolid, 22/ 06/ 1967), a sua profecia, e professa, a angélica, o professorado. Ou melhor: ela derrama bem o «Logos» nas nossas entranhas. Nesta leve, leve lavra, uma letra a mais, ou uma letra a menos, pode ser, de feito, o fim dum império, pode ser alfim o fim de uma multinacional. E ao compulsarmos este livro de María Ángeles, o fazemos, dessarte, com amor. É que as palavras são seres vivos, «o livro», para o Estagirita (Estagira, Grécia, 384 – Cálcis, Grécia, 322 a. C.) «é um animal vivo». No escrutar e esquadrinhar, María Ángeles, por isso, é Profetisa. É aquela que, professando, ensina com ciência, consciência e proficiência. Que o provérbio é provecto, e é provado o provençal, provada, a profecia, através da provação. Ángeles é, por isso, pedagoga, ela guia os jovens a caminho da escola. Ou Ángeles é o Anjo que vive o Evangelho, e que traz, nubente, a Boa Nova radical. Para mensageiros humanos e divinos, «anjo» é tradução do grego «aggelos» e do hebraico «mal’ak», sendo o «angelus», do Latim, «mensageiro divino». Sendo o anjo, afinal, um ser medianeiro entre os homens, dessarte, e o mundo divinal. Pois é o «aggelos», na cultura pagã, um ente plasmado por o génio de Mercúrio. Sendo, para os helenos, «euaggelion», ou «euaggelos», em lusitano «Evangelho», o portar, no tento, a Boa Notícia. Dizer isto é aduzir: em María Ángeles Pérez López (Valladolid, 22/ 06/ 1967), o que é mister, aqui, é o som, o mistério da Palavra é ministério menestrel. De tal modo que aduziremos: quando um Poeta dorme, ou quando um Poeta sonha, os Anjos sobem e descem por a escada de Jacob ( Gn 28 ). E, se «nomina numina», a tese é a estese, a Poesia de Pérez López é o nome, é o Nume e é o lume. Que as palavras são signos, os livros, para ela, são signas e sinais de civilização. Que a parábola é de Unamuno (Bilbau, 29/ 09/ 1864 – Salamanca, 31/ 12/ 1936),  porque, logo após o pão, é pois, a cultura, a premência primeira do filho do homem.  Quer dizer: nascida e nada em Valladolid, professa, a Autora de «Jardin ( e )s Excedidos», Literatura Hispano-Americana na Universidade de Salamanca. Que em Salamanca, no acalanto, se ilumina, se afugenta a escuridade com golpes de Luz santa. Aqui é, como diria Sampaio Bruno  (Porto, 30/ 11/ 1857 – Porto, 11/ 11/ 1915), a santa cruzada da Luz contra as trevas. Ou melhor: o trabalho da leitura, da muita leitura, levou, María Ángeles, à escola e à escritura. E como na geração da «Presença» lusitana ( 1927 – 1940 ),  a Letradura, em Ángeles, não é só livresca, se trata, aqui, da Literatura viva. Letradura diva, premente e activa. E firme fundamento do frumento extraordinário, eis a lavra e eis a leiva, eis o «Logos» e lei da lucubração. Se apreendemos, nós outros, o «prazer da leitura», se as Letras, aqui, são Ciências da Vida, estudar um Autor é de oração e comunhão, é Querigma, ou questão, de vida ou de morte. Pois seguindo e segundo Vergílio Ferreira (Melo, Serra da Estrela, 28/ 01/ 1916 – Lisboa, 01/ 03/ 1996), o Autor, acarinhado, da «Aparição» (1959), escrever, no lance, é como rezar. E não será, esta Poesia, a barca e o berço da universalidade? Não será que, comunicando, atingimos, aqui, uma preste comunhão??? Tal é o símbolo e o simpósio, e em poema número 10, escutemos, então, a Poetisa, é dela, dessarte, a voz e a vez: «Para o negro sudário do benzeno / que agarra as gaivotas e as lança / contra a areia triste, rarefeita / do tempo e esforço alcatroados, / a mulher eleva-se nos pés / e solta o coração como uma rola.» Quer dizer: se ecologia, aqui, é qual «école», eis no carme, em Pérez López, o estado metafísico duma Ontologia, e pois a seiva, e a leiva, dos jardins jornadeados. Dito doutro modo: se o prândio é Palavra, e se o Ágape é agora, os «Jardin (e)s Excedidos» ( Fevereiro de 2018 ) são qual a frol, e a fronde, da celeste Agricultura. Ou melhor: na Lira de López há ligação,  indissolubilidade, entre significante e significado, entre sujeito e objecto do conhecimento. Laborando e pois orando, lavorando, por isso, em lavaredas. E o que é que anela, o que é que busca esta Poesia??? Miguel de Unamuno ( Bilbau, 29/ 09/ 1864 – Salamanca, 31/ 12/ 1936 ), novamente, nos dá a resposta: «Nada menos que todo um homem», um homem, lilial, e da cabeça até aos pés. «Procuro apenas um homem!!!», assertava, decerto, Diógenes o Cínico ( Sinope, 400 – Corinto, 323 a. C. ), percorrendo, com uma lanterna, durante o dia, as ruas de Atenas. Uma nótula, aqui, de História das Ideias: com Unamuno, de boamente, e António Machado ( Sevilha, 26/ 07/ 1875 – Collioure, 22/ 02/ 1939 ), o Existencialismo adquire, em Hespanha, os foros, florais, de cidadania. Mas revertendo, na jornada, a María Ángeles  (Valladolid, 22/ 06/ 1967): se autoridade, aqui, é do Autor, este livro é do holismo, e não e nanja Véu de Maya. É que «indivíduo», em Pérez López  (Valladolid, 22/ 06/ 1967), é aquele, ou aquela, que não se divide. E pessoa, pra Boécio (Roma, ca. 480 – Pavia, 524 ou 525), de boamente, é uma «substância individual de natureza racional.» E alteemos e louvemos, de Alfred Adler (Rudolfsheim-Funfhaus, Viena, 07/ 02/ 1870 – Aberdeen, Escócia, 28/ 05/ 1937), dissidente de Freud, a Psicologia Individual Comparada. E, sendo assim, se anela, em Salamanca, a ciência da cultura, o tópico e típico da universalidade. Que é o mundo da canção e a beatificação, que é música, o Museu e o Templo das Musas. Dizer isto é matutar que «A mulher leva um pássaro na boca. / Atalhou o suor, o lanho, / a perseguição e as penas revoltosas. / Com enorme cuidado deposita / o pássaro – esse menino – sobre o chão / e espera sem falar a sua recompensa. / Não há piedade nem sequer adrenalina, / e nos seus sonhos não dói a cor vermelha.» E eis aqui o «trobar clus», eis, no Desperto, o hermético, oculto e Encoberto; nessa jorna maioral, eis a maga magistral, a máscara, malabar, diante da cara. E pra citarmos um lema de Sebastião da Gama ( Vila Nogueira de Azeitão, 10/ 04/ 1924 – Lisboa, 07/ 02/ 1952 ), o tema é poema, «Pelo sonho é que vamos» ( 1953 ), e é a «Pedra Filosofal» de António Gedeão  (Lisboa, 24/ 11/ 1906 – Lisboa, 19/ 02/ 1997). Ou, na esperta Hespanha, «A Vida é Sonho», deveras, em Calderón de la Barca ( Madrid, 17/ 01/ 1600 – Madrid, 25/ 05/ 1681 ). Ou como diria Schopenhauer  (Gdansk, 22/ 02/ 1788 – Frankfurt, 21/ 09/ 1860), a vida e os sonhos são laudas e folhas de um mesmo, dessarte, e único livro. Ouçamos, em «The Tempest», n’«A Tempestade», ouçamos, «verbi gratia», William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1564 – Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1616 ), o beletrista, ou o bardo, da loura Albion: «Somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos, e a nossa curta vida está cercada por um sono.» Porfiando na minúcia, a primeira encenação de «A Tempestade» teve lugar a 1 de Novembro de 1611, no Palácio Whitehall, em Londres. «The Tempest» é considerada, por os estudiosos, como a última peça escrita por Shakespeare.  E estudando, e esquadrinhando, prosseguimos, então: com toda a justeza, e com toda a justiça, María Ángeles morre, todalas noutes, para voltar a nascer no dia seguinte. Que o «songe» é «mensonge», o sonho é mentira que alimentada e alentada, se transmuda, deveras, na verdade promissora. Ou melhor: imaginar, na feeria, é como fazer. Se o sonho é um Mito particular, não será pois o Mito um sonho colectivo??? Mas mais do que mentir, para Fernando José da Costa Grade  (Estoril, 01/ 04/ 1943 – Nova Oeiras, 08/ 06/ 2024 ), os Poetas falam, de feito, de outra cousa, eles praticam, na práxis, a alegoria. E por isso uma asserção: numa «Alêtheia» de Alumbrado nós inferimos, exigimos, uma estésica hermenêutica da Poeta Pérez López (Valladolid, 22/ 06/ 1967) – e seja o Pão e a Palavra, e seja Música o frumento e o preste Firmamento. Se, num certo sentido, o Artista é aquele que sonha acordado, a Poetisa transporta, para a vida vígil, o entusiasmo e a magia que são próprios da Noite: essa a colação e a sua lição. E não leixemos, aqui, no oblívio, «A Interpretação dos Sonhos» (04/ 11/ 1899), do solerte Sigmund Freud ( Freiberg in Mahren, Morávia, 06/ 05/ 1856 – Londres, 23/ 09/ 1939 ) – e eis no carme, e no canto, o sonho do século. E sejamos, «verbi gratia», supra-realista: é chegada alfim a hora dos filósofos dormentes. Se o irónico, portanto, é onírico, os Antigos acreditavam que o sonho é comunicação entre os deuses e os homens. E claro e preclaro, nos já o dissemos: quando um Poeta dorme, ou quando um Poeta sonha, os Anjos sobem e descem pela escada de Jacob ( Gn 28: 10, 19 ) – e não alembras, aqui, a «Noite Escura» e pura, do São João da Cruz ( Fontiveros, Espanha, 24/ 06/ 1542 – Úbeda, Espanha, 14/ 12/ 1591 )??? O São João da Cruz que, no astro e no estro, averbaremos adiante. Que a letradura, pra Pérez López (Valladolid, 22/ 06/ 1967), é premente alegoria, é uma forma de se outrar. Ela é, altruísta, é quando vai o Eu a caminho do Outro. Sendo o Outro o alter-Ego, sendo o Outro o liberal no poético banquete. E sendo, a nossa Autora, não egotista, mas alocentrista. Ou sendo o Outro, deveras, uma «adresse» de Adonai. Literatura é, sem alcalóides nem drogas, um meio para o desenvolvimento do potencial humano. Quero eu dizer, é uma expansão da consciência. Ou em escólio breve e leve: é, no jardim, augusta lavra. E é, este livro, o coro e caroal, o coração do mundo. E com Deus agora a sós, ademais diremos nós: que a Palavra fortifica, ou frutifica, a cem por um. E no caso e na causa da «Alêtheia» veraz, María Ángeles insiste, ou ex-siste, no sentido do Ser, ela habita, selectamente, na Verdade do Ser……………………………………………………………………………………………………………………….        

 

II, ESTÉTICA NAÇÃO, POÉTICA MANSÃO

Predestinada, na campanha, para as Camenas, María Ángeles escreve Poesia desde os 13 ou 14 anos de idade, e são, desta feita, nove lustros, no astro e no estro. Nós hemos visto, no vicejo: na Poesia de Pérez López, caminha-se, em parabém, para um  poético Pentecostes. Que a Poesia de Ángeles é caroal e apolínea, ela clareia, abertamente, na clareira do Ser. A propósito, então, de María Ángeles Pérez López (Valladolid, 22/ 06/ 1967): se a biblioteca é um vergel, a criação é a casa do Verbo criador, com palavras faz, Pérez López, a sua habitação. Seguindo e segundo o Heidegger, agora,  (Messkirch, 26/ 09/ 1889 –  Freiburg, 26/ 05/ 1976), os Poetas estão à porta, os Poetas e Filósofos são os guardas, guardiães, dessa habitação. Vem a propósito, aqui, uma cita, magistral, de Jorge Luis Borges ( Buenos Aires, 24/ 08/ 1899 – Genebra, 14/ 06/ 1986 ), argentino de gema e, portanto, da América espanhola: «Sempre imaginei o Paraíso como uma espécie de biblioteca.» Aduzia, dessarte, o valente Voltaire (Paris, 21/ 11/ 1694 – Paris, 30/ 05/ 1778), no fim do seu «Cândido» ( 1759 ): «Eu também sei que é preciso cultivar o nosso jardim», é que a terra só existe pra ser lavrada, lembrada, cultivada pelo homem. Quero eu dizer: o homem está na terra para preste a cultivar. E «spes messis in semine», ou seja, «a esperança da colheita reside na semente» – e eis aqui a messe, e eis, no carme, a lei do Karma. Quanto ao nosso tema, o digamos, aqui, a talho de foice: este livro bilingue só foi possível, e plausível, com o engenho, a generosidade, do Poeta e Arqueólogo Carlos d’Abreu (Maçores, 15/ 09/ 1961), que laborou a tradução do espanhol para o lusitano. Como ela professa, e confessa, «Sou uma menina e pinto a cores / o tronco sepulcral dos desenhos» (…) «Quero ser uma menina e voltar até ao ventre / da água e seu silêncio do início, / o fluxo do sangue que me leva / e faz infância este tempo insuportável, / mas vejo o mar como a soma / de capas de alumínio e de desejo, / o peso na cabeça de metal, / a entranha solitária e inquisitiva / atenta a esse rumor que não se sente.» Que o ventre da água são, aqui, as águas da matriz. Como em Tales de Mileto (Mileto, c. 624 a. C. – Mileto, c. 546 a. C.),  a água que é o mar, a água que é a Madre de todalas cousas. Sendo pois «mer» e «mère», em gaulês, palavras homófonas. Que a Poesia, na angélica, ela é, dessarte, regresso à infância. E sendo a criança, para William Wordsworth (Cockermouth, 07/ 04/ 1770 – Rydal Mount and Gardens, 23/ 04/ 1850), «father of the Man», o antepassado do homem. Que a filogénese reflecte-se, e repete-se, em ontológica ontogénese. Pois sinala, esta Poesia, a monda, e o mundo, mágico-simbólico, esse o coração e portanto a unção. Quero eu dizer: essa a mansão com as portas sempre abertas à juventa, lilial, e aos ventos siderais. Voltamos, decerto, a assertá-lo: enquanto, na tecnocracia, o sujeito manda, manipula, e se serve do objecto, o que há, nas ciências humanas, é sinergia, simbiose ou simpatia, entre o sujeito e objecto do conhecimento. Ora eis, no carme, o «rapport», o trovar e o «transfert», a «participação mística» do Carl Gustav Jung (Kesswil, Suíça, 26/ 07/ 1875 – Kusnacht, Suíça, 06/ 06/ 1961).  Em Platão (Atenas, 428 / 427 – Atenas, 348/ 347 a. C. ) como em nós, se torna similar, aquele que ama, ao divo e objecto da contemplação. E eis, aqui, o magno e «Mahatma», a natura do símbolo. Nunca é demais citar Camões ( Lisboa? c. 1524 – Lisboa, 10/ 06/ 1580 ): «Transforma-se o amador na cousa amada / Por virtude do muito imaginar.» Intertextualidade, aqui, com Petrarca (Arezzo, Itália, 20/ 07/ 1304 – Arquà Petrarca, 19/ 07/ 1374): «L’amante nel amato si transforma». E germinal que nós somos, ouçamos o Génesis, 2: 24: «E os dois serão uma só carne.» Quer dizer a Torah: no convénio-casal, 1 + 1 = 1. Que o vitalismo é animismo. Se as belas-letras, aqui, são ciências da vida, o segredo das biografias é pois o seguinte: é que aprender, em parte, é imitar, é que a vida imita a Arte e a Arte imita a vida, sendo pois, a obra de Arte, a fantasia ou feeria, o mundo imaginal. Sendo pois, o imitar, medicação, meditação, o Mito e a Magia postos em acção. Ler os Evangelhos, por exemplo, é ser movido por metáforas, é ser contemporâneo de Cristo Jesus. Que a 10 de Julho de 1814, emocionado e comovido, escreveu, Victor Hugo (Besançon, 26/ 02/ 1802 – Paris, 22/ 05/ 1885), no seu diário: «Je veux être Chateaubriand ou rien», «Eu quero ser Chateaubriand, ou nada serei». E a aprendizagem foi lauta, também aqui, o discípulo, o Mestre ultrapassou. E sendo, María Ángelez, magíster e modelo, a Madre, acareada, dos seus alunos mais dilectos. E sendo, acalentado, o coração do ledor, e sendo, o aluno, o álacre e almo, o preste alimentado. É que a Poesia é o Pão da Vida, o educar, deveras, é dar a manducar. Ou sendo, o Bom Pastor, o norte, e bom modelo, do Mestre ou Professor. Dizer isto é alembrar: nos casos e nas causas mais adiantados, repete-se, no discípulo, a biografia do magíster. E alçamos, no ensino, toda a lis e todo o lais, o alvo e alvacento dos Estudos Gerais. E quem doutrina, ou quem ensina, ele fá-lo através dos signos linguísticos, aos signos linguísticos apõe o seu sinal. Dizer isto é remembrar: por cifras, por safras e esferas, a angélica defende, em santo-e-senha, a liga e a língua no coração de Hespanha. Metáfora, ou Metafísica, desse mesmo coração, Ángeles, portanto, é promotora e criadora, colabora pois com Deus no projecto criacionista ( 1 Cor 3: 9 ). E quem cria cria sempre à sua imagem, semelhança, e deveras confiança. Ora isso é querer e crer deveras, é a Cruz acatar, é criar e é crescer com a força da crença.  Se aprender, então, é com-preender, afiança, Pérez López, forte e fértil: «Aprendizagem lenta e insubornável. / Não há quem dê mais por menos, / nem maneira / de assumir esta flor que fere a água.» Sabendo que o título desta quadra é «Conheço a minha culpa», está então desvendada a chave do enigma: angélica e no gene, é López liberal e a livre-pensadora – e lavorando em lavaredas, é leal o «Liber Mundi», e são os livros, entanto, que a fazem libertária. Um pouco mais de Sol, um pouco mais de Azul… E cruamente assassinado, em 18 de Agosto de 1936, à laia vil e porca, uma Rosa vermelha para o grão García Lorca (Fuente Vaqueros, 05/ 06/ 1898 – Alcafar, 19/ 08/1936)!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!  

               

III, NO CAMINHO DA LUZ

Aprisionaram Camões ( Lisboa? c. 1524 – Lisboa, 10/ 06/ 1580 ), aprisionaram Cervantes (Alcalá de Henares, 29 / 09/ 1547 – Madrid, 22/ 04/ 1616), aprisionaram Bocage ( Setúbal, 15/ 09/ 1765 – Lisboa, 21/ 12/ 1805 ). E, também, o grande Mahatma Gandhi ( Porbandar, Índia, 02/ 10/ 1869 – Gandhi Smriti, Nova Delhi, Índia, 30/ 01/ 1948 ). E, outrossim, o verídico e a freima, o Verlaine figadal ( Metz, 30/ 03/ 1844 – Paris, 08/ 01/ 1896 ). Encarceraram, dessarte, Agostinho da Silva ( Porto, Bonfim, 13/ 02/ 1906 – Lisboa, São Francisco Xavier,  03/ 04/ 1994 ), maniataram Annie Besant ( Londres, 01/ 10/ 1847 – Adyar, Madras, Índia, 30/ 09/ 1933 ). E o feitor, e Actor, Camilo Castelo Branco ( Lisboa, 16/ 03/ 1825 – S. Miguel de Ceide, 01/ 06/ 1890 ). E alembremos, levemente, Bertrand Russell, o revel, sua Obra reverbera nas Ciências Humanas. Foi nado, Russell, em Trellech, País de Gales, a 18 de Maio de 1872, e faleceu em Penrhyndeudraeth, em sua casa, aos 2 de Fevereiro de 1970. Prémio Nobel da Literatura em 10 de Dezembro de 1950, matemático, activista e filósofo deveras, ele foi manietado por ser Pacifista. É que a fome da Luz é fome de Pão. O Génio se paga, de feito, muito caro. E a quem muito foi dado, muito, também, lhe será exigido ( Lc 12: 48 ). «Ad augusta per angusta», «a resultados sublimes por veredas estreitas». Ou, então, «ad astra per aspera», «por caminhos ásperos até às estrelas». Que a privação é provação, que o Inferno, ou soterrâneo, é raiz, e é matriz, de toda a criação: quanto mais fundo mergulharem as raízes da árvore, mais se alçam, seus ramos, aos páramos do Céu. Mas é como dizia, no lance, Ralph Waldo Emerson ( Boston, Massachusetts, 25/ 05/ 1803 – Concord, Massachusetts, 27/ 04/ 1882 ), o estado-unidense: «Aqueles que distribuem o pão da vida são, quase sempre, recompensados com pedradas.» María Ángeles, por isso, uma alumbrada, e ressumbra, muita Luz, esta Poesia. Cotejemos, no estro, com Arthur Schopenhauer (Gdansk, Polónia, 22/ 02/ 1788 – Frankfurt, Alemanha, 21/ 09/ 1860): «Um génio, pelo simples facto de existir, trabalha para toda a humanidade.» María Ángeles, por isso, qual o Nume e luminária, um soldado, liberal, no Exército do Verbo. Nesse Exército, porém, não se luta com as armas, labora-se, isso sim, com as dinâmicas almas. O verso camoniano «Se a tanto me ajudar o engenho e Arte» ( in «Os Lusíadas», Canto I, estrofe 2, v. 8 ), selectamente significa: se o engenho, ou o gene, é inato e é natal, a Arte se atinge com esforço, com estudo, e com muita disciplina, pois pra citar, solerte, o Somerset Maugham ( Paris, 25/ 01/ 1874 – Nice, 16/ 12/ 1965 ), é crucial o acrobata, a Arte é um combate em «O Fio da Navalha» ( 1944 ): e eis o estado, e o estudo, da especulação. O caso é relevante. Relevante e aflante. Aduzimos, deveras, na língua do Lácio: «Nascuntur poetae, fiunt oratores», quer dizer: «Nascem os Poetas, mas fazem-se oradores». Em escólio breve e leve, e no edule do grado Edison ( Milan, Ohio, 11/ 02/ 1847 – West Orange, New Jersey, 18/ 10/ 1931 ), há, por um lado, inspiração – mas há, por o outro, muita transpiração. Há «schola», que é lazer, mas também há «tripalium». E há também, a par disso, o entusiasmo, o «élan», uma lídima paixão, só com as paixões se fazem, decerto, as grandes obras. Elas são passividade, mas elas inflam, de feito, as velas do navio. E eis, aqui, a pacifista e a premente: «Lançar contra a luz todos os peixes / e evitar que as redes os apanhem, / que os morda o anzol com a sua boca / curvada na violência de morrer. / Desatar a asfixia, travessão, / baforada de anidrido e espinhas / em que se fundem a angústia e os tacões / quando na quinta-feira se fecha, acalorado, / sobre a sua própria lista de impossíveis.» Tal como Píndaro ( Cinoscéfalos, Beócia, c. 518 a. C. – Argos, Peloponeso, c. 438 a. C. ), o grego, anela, Pérez López (Valladolid, 22/ 06/ 1967), ampliar e alargar os limites do possível, essa, portanto, a sua paixão. Alargada, de feito, com a sua Poesia, a paixão e o Sol do professorado. E dessarte asserto eu: enquanto Poetisa, sem joio nem jaça, está, María Ángeles, em estado de Graça. Dizer isto é relevar, e portanto razoar: Poesia, para López, não é «hobby», passatempo ou tampouco entretém, Poesia, nela, é missão, é questão, isso sim, de vida ou de morte, Poesia, nela, é sacerdócio perene. Ela sendo, outrossim, o sacramento. Como aduzem, dessarte, alquimistas (e a Poesia, para Rimbaud ( Charleville, 20/ 10/ 1854 – Marselha, 10/ 11/ 1891),  é Alquimia do Verbo ), a Grande Obra é da esfera do êxtase e sagrado, ela exige, de feito, o pronto sacrifício. O sacrifício, o sacerdócio, o sacramental. E na génese é Ángeles aquela que gera, e eis que joga, a jogralesa, com as palavras e os sons: a Grande Obra, uterina, ela é trabalho de mulher e brincadeira de criança, sendo a Ludoterapia ela é Logoterapia. A tertúlia, por isso mesmo, o três vezes Túlio, o Marco Túlio Cícero ( Arpino, Itália, 03/ 01/ 106 a. C. – Fórmias, 07/ 12/ 43 a. C. ), terapia que fala do espiritual; e não será, a sala de aula, o almo, o altar, e o solene Psicodrama??? Pois dessarte asserto eu: se «o inconsciente», para Antonio Quinet, «é estruturado como um teatro», o estar-no-mundo, para os Poetas, é um drama e entremez, é uma peça teatral.  Louvemos, aqui, um engenheiro das Almas, o Jacob Levy Moreno  (Bucareste, Roménia, 18/ 05/ 1889  – Beacon, Nova Iorque, 14/ 05/ 1974), e alcemos, na Autora, o trovar, a «Theoria», o Teatro do Ser. Sendo aqui, o heleno «Theoria», similar, o sinónimo, da «contemplação». É, na sorte, o conhecimento especulativo, é espectáculo desinteressado e por isso especular – e falamos, aqui, do estupendo e assombro, dos «Jardin ( e )s Excedidos» (Fevereiro de 2018). Ou melhor: excedidos, ultrapassados, na estupefacção. E cedidos, desta sorte, à península de Hespanha, aos homens e mulheres da Grande Recusa, e aos entes, liliais, da boa vontade.  Queremos dizer: se refusa, María Ángeles ( Valladolid, 22/ 06/ 1967 ), acima de tudo, a ser subjugada, a ser hipnotizada, a ser massificada por os vorazes «mass media». As imagens desse «media» não são benevolentes, são falazes, na falácia, e estupefacientes. Ou como quem asserta, disserta e acerta: se «indivíduo», ao contrário do esquizofrénico, é aquele que não se divide, a multidão só existe para ser manipulada, e eis o turbar, e a traição, da humana condição. Ou melhor: ao contrário do «símbolo», «diábolos», em grego, é «aquele que divide». Em Cabala fonética o trovar, afinal, é como o estorvar, da «pólis» a polícia é política, outrossim, e por isso a polidez, e por isso a cidade é civilização. Afiança pois a López a Lira e a leva, aformoseia, frisante, o portugalaico. Meditemos, por isso, manduquemos, na monda, seu mundo imaginal: «A mulher é um belo, implacável animal / que pinta com neve o coração./ Um ursinho que hiberna longamente / mas pare as suas crias no frio, / um animal feroz, superado / pela sua própria paixão, temperatura / que derrete a geada e os desaires.» E mais à frente, no mesmo poema: «Então recolhe neve e aquece / o coração branquíssimo e ardendo / na sua gélida gruta silenciosa.» Retenhamos, na flama, a frol e a freima: «um animal feroz, superado / pela sua própria paixão, temperatura / que derrete a geada e os desaires.» Quer ela dizer: só a quente fraternidade entre os homens porá termo, cabalmente, ao dislate, alfim, ao desvairo e ao desaire. Pois dizer ela quer: misericórdia, aqui, é cor e coração para o mísero, miserável, prò deveras imparável. E citemos, lautamente, levemente, e com todas as veras, «Les Misérables» ( 31/ 03/ 1862 ), adrede, de Victor Hugo (Besançon, 26/ 02/ 1802 – Paris, 22/ 05/ 1885). E o patético anela, o patético requer, acima de tudo, a nossa compaixão. Apetece citar, aqui, Oseias, 6: 6: «Porque eu quero misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.» Ou como em Carl Rogers ( Oak Park, Illinois, 08/ 01/ 1902 – La Jolla, Califórnia, 04/ 02/ 1987 ), na missão, qual enfática, empática, compreensão.     

           

IV, O CAMINHO DA SAGRAÇÃO

Temos visto e hemos dito: à mesa da Palavra, bem-vindos sejam pois os fanais e comensais. Poesia, portanto, é simpósio, Poesia, de feito, é qual Teofania. E neste lai, ou neste lance, nós não nos olvidemos: Poetas como María Ángeles Pérez López ( Valladolid, 22/ 06/ 1967 ) são qual a prova, probante, da existência de Deus. Garantia, outrossim, que Deus existe e persiste, é a «Nona Sinfonia» (Viena, 07/ 05/ 1824), do preste Beethoven (Bonn, Alemanha, 16/ 12/ 1770 – Viena, Áustria, 26/ 03/ 1827). E «O Messias» (1741), dessarte, do lídimo Handel (Halle, Saale, Alemanha, 05/ 03/ 1685 – Westminster, Londres, Reino Unido, 14/ 04/ 1759). E, por que não, os «Jardin ( e )s Excedidos» ( 2018 ), por María Ángeles Pérez López ( Valladolid, 22/ 06/ 1967 ). Que aplica-se, a esta Poesia, a cita, salutar, de São João da Cruz (Fontiveros, 24/ 06/ 1542 – Úbeda, 14/ 12/ 1591): «O Amor não cansa nem se cansa». Que a inteligência, e adentro dela a Poesia, ela é sempre, e sempre, um dom de Deus. Ouçamos, então, o angélico trovar, ouçamos, dessarte, a raiz e a matriz: «A vertigem, a elipse do poema / arranca uma luz rota de si mesmo / e comparece absurdo, imprescindível / quando o beijo se torna insuficiente / e vem o coração com a sua tormenta / trazer as alimárias da noite / que arrancam e devoram as oliveiras, / o carmim em que reside o nosso fogo, / aquele como o da torre de temão.» Dança-leme, dança leal, à beira de um vulcão. Com esta Poesia somos prestes a dizer: mais do que pensar nós somos plasmados, pesados e pensados por o nosso inconsciente – e alembramos, levemente, o Jean-Arthur Rimbaud  (Charleville, 20/ 10/ 1854 – Marselha, 10/ 11/ 1891). Sendo, o pensar, o aplicar ou pôr o penso. Em rigorosa, viçosa, e funda acribia, não é María Ángeles (Valladolid, 22/ 06/ 1967) quem faz os poemas, os poemas, no carme, é que fazem seu Fado. E é que são, seus lemas e emblemas, são fruto e a frol do subconsciente. São, alfim, o múnus e Nume, os campos magnéticos da munificente. Nesta Autora se repete o lance, a galeota, do feraz Garcia Lorca ( Fuente Vaqueros, 05/ 06/ 1898 – Alcafar, 19/ 08/ 1936 ): quanto mais popular, tanto mais nacional, quanto mais subjectivo, tanto mais universal. E ora vamos nós avante, e ora vamos forte em frente. Em termos, novamente, camonianos, da particular beleza Ángeles passa, genesicamente, para a Beleza geral. Ou melhor: do seu inconsciente, meramente pessoal, ela passa, presta e pronta, para o lectivo, colectivo inconsciente. Ou melhor: em Pérez López nós lidamos com protótipos, com tipos, com a logia, sideral, dos arquétipos arcanos. Em Demanda, todo este livro, duma santa trilogia, da Bondade, da Beleza e da Verdade. Ou em termos, caroais, do solerte Auguste Comte  (Montpellier, 19/ 01/ 1798 – Paris, 05/ 09/ 1857): «O amor como princípio, a ordem como base, o progresso como fim.» E se o Belo, por isso, provoca prazer, a Poesia é qual o sonho, a Poesia é qual o tipo do fantástico «homo ludens». E da «schola», lilial, em sentido etimológico. É o jogo e a jogralesa, a jucunda e uma certa jocosidade. E se o verso é pois in-verso ( é o Verbo do arado em terra fértil e fecunda ), entendemos, então, que o irónico é onírico, e que é, o provençal, uma certa saturnal. E se o Sol, pra Teixeira de Pascoaes (Gatão, Amarante, 02/ 11/ 1877 – Gatão, Amarante, 14/ 12/ 1952), e se «o Sol é o esplendor da vulgaridade», a Poesia, dessarte, vai contra o patrão, a Poesia é deveras o mundo às avessas, e o verso é inverso na mundificação. E pra citarmos um título de Fernando Botto Semedo ( Lisboa, 18/ 06/ 1955 ), o «Carnaval de Espelhos» ( 1994 ) ele é, de feito, o «carrus navalis», ele é, decerto, a versão e subversão. E arquivamos, aqui, bem a talho de foice, «Selenographia in Cynthia» ( 2003 ), por Jorge Telles de Menezes, «Lua Cisterna» (1984), por Alexandre Vargas e, finalmente, os «Hinos à Noite» ( 1800 ), por o Novalis nitente (Wiederstedt, Harz, 02/ 05/ 1772 – Weissenfels, 25/ 03/ 1801). E, ademais, as «Loas à Lua» (1996), do Autor destas linhas. E averbemos, ainda, o pré-romântico Edward Young (Upham, Reino Unido, 03/ 07/ 1683 – Welwyn, Hertfordshire, 05/ 04/ 1765) com seus «Night Thoughts» (1742 – 1745), «Pensamentos Nocturnos». E se a paixão pois do sonho  vai contra a ordem do dia, todos os Poetas se alimentam, ou lactam, no úbere e nos peitos da  Noite universal. E por isso grafou, William Blake ( Soho, Londres, 28/ 11/ 1757 – Londres, 12/ 08/ 1827 ), que os Poetas tomam, revéis, o partido dos demónios. E por isso escreveu, Rabelais ( Seuilly, 1483 / 1494 – Paris, 09/ 04/ 1553 ), o «faz o que tu quiseres»: eis o lema, e emblema, da Abadia de Thélème. Parafraseia, no canho, o culto Aleister Crowley  (Leamington Spa, Reino Unido, 12/ 10/ 1875 – Hastings, Reino Unido, 01/ 12/ 1947): «Faz o que quiseres, há-de ser tudo da Lei.» Mas corrige, decerto, o Santo Agostinho ( Tagaste, 13/ 11/ 354 – Hipona, 28/ 08/ 430 ): «Ama e faz o que quiseres.» E sejamos, por isso, franco na franquia: só com o «ama e faz o que quiseres» se alcança, no lance, a autonomia da lei moral. E uma nótula, aqui, de História Literária: o Escritor Paulo Coelho ( Rio de Janeiro, 24/ 08/ 1947 ), do Brasil, ele foi, na juventa, discípulo, confesso, do Autor Aleister Crowley. E por isso a nossa Actriz é singular e luminar, é curial e crucial na amada Finisterra. E onde a terra se acaba,  começa o amar. Alicerçado, então, em María Ángeles Pérez López (Valladolid, 22/ 06/ 1967),  em Miguel de Unamuno (Bilbau, 29/ 09/ 1864 – Salamanca, 31/ 12/ 1936), e em María Zambrano ( Vélez-Málaga, 22/ 04/ 1904 – Madrid, 06/ 02/ 1991 ), amparado e escorado, desta vez, em Olvido García Valdés (Pravia, Asturias, 02/ 12/ 1950), o que eu pretendo, com este livro, é intercâmbio cultural, é uma ínsula plantar no coração de Hespanha. Mas o meu destinatário ele é, outrossim, a universalidade, quero eu dizer, a Universidade salamantina. Ela tem, deveras, ela tem que se lhe diga. Fundada em 1218, por o Rei Afonso IX, de Leão (1188 – 1230), é a instituição de ensino superior mais avita de Hespanha; e é a quarta fundada na Europa, posterior somente às Universidades de Bolonha, e de Oxford e Paris. Actualmente com mais de 35. 000 alunos, a abrilhantaram os Portugueses Pedro Nunes  (Alcácer do Sal, 1502 – Coimbra, 11/ 08/ 1578), Amato Lusitano ( Castelo Branco, 1511 – Tessalónica, 1568 ) Gaspar Frutuoso (Ponta Delgada, c. 1522 – Ribeira Grande, 24/ 08/ 1591), e, caroalmente, o Carlos d’Abreu ( Maçores, 15/ 09/ 1961 ). E alunos espanhóis, no astro e no estro, da Universidade de Salamanca: S. João da Cruz, Góngora, Calderón de la Barca e, ademais, Abraão Zacuto. Fray Luís de León ( Belmonte, 1527 ou 1528 – Madrigal de las Altas Torres, 23/ 08/ 1591 ),  ele teve outrossim, como «alma mater», a Universidade de Salamanca, na Universidade salamantina ele foi, também, o Magíster amado. E Fray Luís de León que foi Professor, professo, de São João da Cruz. E quanto, agora, a Miguel de Unamuno y Jugo (Bilbau, 29/ 09/ 1864 – Salamanca, 31/ 12/ 1936): o Pai lhe faltando a 14 de Julho de 1870, foi ele o terceiro filho e o primeiro varão do consórcio havido entre o comerciante Félix María de Unamuno Larraza e sua sobrinha carnal, María Salomé Crispina Jugo Unamuno, 17 anos mais nova que o marido. Foi nado, ou nascido, «no número 16 de la calle Ronda de Bilbao, en el barrio de las Siete Calles»,   ou seja, «no número 16 da Rua Ronda de Bilbau, no Bairro das Sete Ruas.» Em 17 de Agosto de 1880, era ele um «teenager», obtém o bacharelato por a Universidade de Valladolid. Valladolid na qual nasceu a nossa Autora e Professora. Matriculando-se, o Miguel, a 28 de Setembro de 1880, na Universidade Central de Madrid, onde, estudando Filosofia e Letras, faz exame de Licenciatura em 21 de Junho de 1883. Doutorando-se, com denodo e «adresse», a 20 de Junho de 1884, com uma tese sobre a língua vasca, «Crítica do problema sobre a origem e pré-história da raça vasca.» Que, em 1891, ele obtém, em Salamanca, a Cátedra de Língua e Literatura Gregas, tomando posse desse múnus a 13 de Julho, dessarte, desse ano forte e fértil. Pois além de Professor, ele foi Reitor, deveras, da Universidade salamantina, de  30 de Outubro de 1900 a 20 de Agosto de 1914 e, ademais, de 18 de Abril de 1931 a 22 de Agosto, agora, de 1936.  Com quem estava enamorado desde adolescente, se consorcia, em 31 de Janeiro de 1891, em Guernica, com Concepción Lizárraga Ecenarro ( Guernica, 25/ 07/ 1864 – Salamanca, 15/ 05/ 1934 ), que lhe dará, deveras, filhos nove. E romântico, dessarte, romântico manchego, se inscreve, em 11 de Outubro de 1894, na Agrupação Socialista de Bilbau, colaborando no semanário «La Lucha de Clases», da mesma cidade. Para o «cavaleiro da louca Fé» que era, de feito, o Unamuno, o socialismo era nova, ou novel, «religião do povo». Que o Escritor dá a lume, em Outubro de 1920, um poema religioso deveras supimpa: falamos, sem falácia, de «El Cristo de Vélazquez». Em 1924  foi desterrado, para Fuerteventura, nas Canárias, por a ditadura de Primo de Rivera (Jerez, Espanha, 08/ 01/ 1870 – Paris, França, 16/ 03/ 1930). De Fuerteventura se evadiu num veleiro francês, vivendo no exílio, primeiro em Paris, depois em Hendaia, bem perto, dessarte, da fronteira espanhola. Depós a queda, crucial, de Primo de Rivera ( 28/ 01/ 1930 ), em 1931 ele volveu, ou voltou, à Universidade de Salamanca, a cátedra ministrando, meigamente, de História da Língua Espanhola. Se jubilando, generosamente, em 1934. A 1 de Setembro de 1936 ele volta ao cargo, mas apenas até 12 de Outubro; por desentendimentos com o General Franco  (Ferrol, 04/ 12/ 1892 – Madrid, 20/ 11/ 1975), ele foi, novamente, exonerado. Pois depós uma querela com o General Millán-Astray  (Corunha, 05/ 07/ 1879 – Madrid, 01/ 01/ 1954), eis que disse, Unamuno, perante os militares: «Vencereis, mas não me convencereis.» Que Millán-Astray, nessa sessão, presidindo à cerimónia em nome do Estado, ele clamou, estridentemente: «Abajo la inteligencia! Viva la muerte!» E no sórdido, e soez, palavras duras e cruéis. É que foi, Millán-Astray, o fundador, de feito, da Legião Espanhola; a 20 de Setembro de 1920 ocorre o alistamento do primeiro soldado. Pois trazemos, aqui, à colação: as últimas semanas da vida de Unamuno ele as passou, deveras, em prisão, adrede, domiciliária. Da geração de 98, Unamuno foi de facto uma figura-fulgor. Ele foi, no início do século XX, leitor, no original dinamarquês, de Soren Kierkegaard (Copenhaga, 05/ 05/ 1813 – Copenhaga, 11/ 11/ 1855), que começa a esquadrinhar, de boamente, em 1901, e a quem chama, deveras, «hermano». E ora vamos, atento, à História: fundados pois, os Estudos Gerais, por El-Rei Afonso IX, em 1218, eles foram confirmados, como Universidade, por Carta Magna de Afonso X, o Sábio ( Toledo, 23/ 11/ 1221 – Sevilha, 04/ 04/ 1284 ), em 1254, e reconhecidos, em 1255, por o Papa Alexandre IV ( 1254 – 1261 ). Que Afonso X, o Astrólogo e o Sábio, ele escreveu, em galaico-português, as «Cantigas de Santa Maria». Elas eram, ao todo, 420 canções monódicas em honra, notória, de Nossa Senhora. O consenso é unânime: as «Cantigas de Santa Maria» são um dos textos mais relevantes da língua, levemente, galaico-portuguesa. Avô materno de D. Dinis (1279 – 1325), se deve, ao castelhano, uma lídima e legítima renovação da hispânica cultura na segunda metade do século XIII. Indo agora ao pormenor, D. Dinis era filho de D. Afonso III e da Infanta D. Beatriz de Castela, filha, por sua vez, de El-Rei Afonso X. E uma vez aqui chegado, que me releve, o legente, a metáfora-Minerva: é que forjava, o Rei-Trovador, um surto, ou uma sorte, de Agricultura Celeste. E quanto, agora, à profissão de fé da Poeta Pérez López: se o papel do aluno é ser alimentado, o papel do Doutor é pois criar, elaborar, a-presentar a doutrina. E averbemos, aqui mesmo, o Poeta e Professor António Salvado (Castelo Branco, 20/ 02/ 1936 – Castelo Branco, 05/ 03/ 2023): se ele recebeu, em 1986, a Medalha de Mérito da Universidade Pontifícia de Salamanca, a ele foi doada, em 2021, a Medalha Fray Luis de Leão de Poesia Ibero-Americana. Pois quer a Ángeles docente, quer o discente, serão alados e almados, serão fortes e férteis em escala-didascália. Apetece, aqui, citar, novamente, Pitágoras, na Ágora, o Áugure pítico: «Quem fala, semeia, quem escuta, colhe.» E se vive, o homem moderno, no esquecimento do Ser, qual o escopo, e a escola, do Ensino Superior??? E a resposta é muito simples: é criar dessarte o escol, é forjar, e é formar, o homem autêntico, a caminho da acribia. Ela é página e Paideia, é a «Tinta que deseja transformar-se em oxigénio». Seja ela o berço e o banquete. Seja linde e seja linda em coração do ledor.     


   

NOTA BENE

 

«Ser génio quer dizer reproduzir-se igual a si próprio.»
José de Almada Negreiros

 

O nosso legente, agora, já sabe: os números são nomes e os nomes são os Numes. Já o dissemos, noutro passo, não é demais reiterá-lo: seguindo e segundo Galileu Galilei ( Pisa, Itália, 15/ 02/ 1564 – Arcetri, Itália, 08/ 01/ 1642 ), «a Matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o Universo.» Exarado, portanto, aqui já ficou: foi nada, María Ángeles, em Valladolid, em 22 de Junho de 1967. Os exemplos não faltam duma grande, grande Luz: se Wilhelm von Humboldt nasceu a 22 de Junho de 1767, foi nado, Henry Rider Haggard, a 22 de Junho de 1856. Se nasceu, Erich Maria Remarque, a 22 de Junho de 1898, foi nada, a 22 de Junho de 1949, a maviosa Meryl Streep. E, finalmente, a 22 de Junho de 1964, vê a luz do dia o denodado Dan Brown. Ou seja, o feitor, figadal, de «O Código da Vinci» ( 2003 ). Sem esquecermos, aqui, da Autoria de Shakespeare ( Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1564 – Stratford-upon-Avon, 23/ 04/ 1616 ),  «A Midsummer Night’s Dream», «O Sonho», deveras, «de uma Noite de S. João».  E a talho de foice, aqui, o primeiro tradutor dessa peça para a língua de Camões ele foi, em 1847, o Escritor e Pedagogo António Feliciano de Castilho (Lisboa, 28/ 01/ 1800 – Lisboa, 18/ 11/ 1875). Foi ele o Autor, primacial, de «A Primavera» (1822). Da Primavera, digamos, primordial. E foi nado, em Lisboa, a 22 de Outubro de 1976, o Poeta e Professor António Carlos Cortez. Professor, concretamente, no Colégio Moderno, em Lisboa, ele é pós-graduado em Estudos Camonianos, doutorado em Ciências da Literatura por a Universidade do Minho e Investigador do Centro de Estudos Humanísticos ( CEHUM ) na mesma Instituição. Com mais de 20 livros publicados, estreou-se, em 1 de Janeiro de 1999, na Universitária Editora, com o livro de Poesia «Ritos de Passagem», prefaciado e escrutado por António Manuel Couto Viana ( Viana do Castelo, 24/ 01/ 1923 – Lisboa, 08/ 06/ 2010 ). Pra calcularmos, então, pra calcularmos o Destino do seu labor de publicista: 1 + 1 + 1 + 9 + 9 + 9 = 3 + 27 = 30. O 3 é a soma de 1 (que representa o masculino),  com o 2 ( que representa o feminino ), o tércio, portanto, é o filho figadal. O 3 é o número das Artes, da Grande Obra a ser feita, ele é terra forte e fértil. Quer por escrito, quer oralmente, são favorecidas a comunicação, a escritura, a criatividade. Funcionando em Cortez, a cifra do 0, como a lente de aumentar, o 30 é pois um 3 acarinhado, acrisolado, lautamente dilatado. Para calcularmos a Missão do feitor de à «Flor da Pele» ( 2008 ), somemos o dia com o mês: 22 + 1 + 0 = 23, e 2 + 3 = 5. A sua via é a senda do conhecimento. Aficionado, apaixonado por o saber, ou será ele Professor, ou será criacionista. Ou melhor: ele difunde, e ele defende, a Língua de Camões. E para a altura aquilatar de António Carlos Cortez: a 22 de Outubro nasceram, quer Franz Liszt ( Doborján, 22/ 10/ 1811 ), quer, no carme, a Catherine Deneuve (Paris, 22/ 10/ 1943). Pra calcularmos o Destino, caroal, de António Carlos Cortez: 2 + 2 + 1 + 1 + 9 + 7 + 6 = 5 + 10 + 13 = 15 + 13 = 28, sendo 2 + 8 = 10, e 1 + 0 = 1, e eis a Mónada, portanto. Seu Destino é o mesmo que Natália Correia, Martinho Lutero e Maria Leonor Machado de Sousa. O mesmo que Claudel, Tolstoi e Emily Bronte. E o grande, o incomparável, o afável Walt Disney. Seu número indica, ou indicia, inovação, independência, coragem, uma forte, forte e fértil originalidade. Sendo arauto, e arteiro, ele é activo e criativo, ele encarna a figura da autoridade. Ele é, por isso, pioneiro, ele desbrava caminhos que são muito seus. O Sol que existe nele é contagioso, é dele o êxito, o sucesso, material e cultural. Ou melhor: emissário do progresso, e da independência, o António é lirista, ele é firme, figadal, como o preste Firmamento. E ora muito, muito bem. E não leixemos no oblívio: acareemos, aqui, uma mulher de coturno, uma Senhora portuguesa das letras e artes. A «persona» Fátima Murta foi nada em Faro, em Alcoutim, a 22 de Junho de 1958. Frequentou, na Faculdade de Letras, o curso de Filosofia, não chegando, todavia, a findá-lo. Tem, a Fátima, um currículo invejável: sendo Actriz, Declamadora, Música e Escritora, dedica-se, outrossim, às Artes Plásticas. Como publicista, escreve contos, Poesia, letradura pra crianças. Como Actriz, participou em «Manhã Submersa» ( 1980 ), «Um Crime de Luxo»  (1991) e «Lusitana Paixão» ( 2003 ). Nas Artes Plásticas, labora em Pintura, Tapeçaria, Desenho e «Cartoon». Lançado em Junho de 2006, parabenteemos, na Literatura infantil, «Agostinho da Silva – o Português dos 3 M». Em Poesia, ou profecia, se destaca, em 1983, com «Sobre a Terra»; em 1987, com «Coisa Talvez Amada» e, em 2024, ela figura, fulgor, com «Sede de Paz: Poemas a Azul e Amarelo».   Enaltecendo, e alteando, o Poeta António Vera, artístico nome de José António Vera de Azevedo, a sua data natal ela é, nitentemente, 22 de Junho de 1923. Colaborando na «Seara Nova» e, outrossim, na «Távola Redonda» (1950 – 1954), em 1951/ 1952 foi convocado, solertemente, para prestar declarações na PIDE – DGS. E é que, profissionalmente, foi representante do Governo Português para os Assuntos da Emigração. No dia 26 de Abril de 1974 torna-se sócio da Sociedade Portuguesa de Autores com o número 4824. A instâncias de sua filha, Maria José Vera (Lisboa, 05/ 06/ 1959), ele dá a lume, em 1998, na Universitária Editora, o seu primeiro livro, «Cursivo Menor». Ao qual se seguem, prementemente, «Palavras com Rosto» (2000) e, selectamente, «As Pestanas de Afrodite» (2001). Aplicam-se a António Vera, como se aplicam, também, a Ulisses Duarte (Matosinhos, 11/ 03/ 1923 – Lisboa, 15/ 01/ 2008), as palavras, radicais, de Friedrich Hegel (Stuttgart, Alemanha, 27/ 08/ 1770 – Berlim, Alemanha, 14/ 11/ 1831): «A coruja de Minerva só enceta o seu voo à hora do crepúsculo.» E ora vamos, então. Em lauto e alto pitagorismo, o número 22 é chamado um Número Mestre. São 22 as letras do alfabeto hebraico, são 22 os capítulos do feraz Apocalipse, e, no Tarot, dessarte, ou Livro de Thoth, 22 é o número dos Arcanos Maiores. Que a Avestá, de Zoroastro, é composta de livros em 22 capítulos. E é que, não raro, o 22 é o Místico, é o Caminho da difusão da Luz sobre a Terra. O número dos escolhidos, o Nume dos eleitos. Ou dito doutro modo, é o número de quem labora para toda a Humanidade, de quem é, de boa-fé, um Construtor das Catedrais. A 22.ª letra do alfabeto hebraico ela é, tempestiva, a letra Tau, que é, juntamente com o Ankh ou «Crux Ansata», a antepassada da cruz cristã. Essa letra era usada, no seu hábito, por os Cónegos Regulares de Santo Antão. E São Francisco de Assis ( Assis, Itália, 1181 ou 1182 –  Assis, Itália, 03/ 10/ 1226 ), outrossim, adoptou o Tau como o símbolo, selecto, da sua congregação. Talvez por ser, o Tau, a última letra, a letra, desse modo, dos Frades Menores. Ouçamos, com unção, Ezequiel, 9: 4: «Percorre a cidade, a saber, Jerusalém, e assinala com um Tau a testa dos homens que gemem e choram por causa de todas as abominações que se fazem no meio dela.» E por isso María Ángeles tem pontos de vista universalistas, Immanuel Kant, «verbi gratia», foi nado em Konigsberg, a 22/ 04/ 1724. Quanto a Jorge Telles de Menezes, o celebérrimo Autor de «Poemas do Lar» (2019): ele foi nado no Porto, Invicta Cidade, a 22/ 08/ 1951 – e 1951 + 30 = 1981, sendo 10 + 9 = 19 – e é a Luz, o fulgor, o brilhantismo do Sol. E os 22, deveras, desenvolvendo trabalho junto do público, poderão dar-se bem no mundo dos negócios, e tem, o 22, ele tem pressentimentos que normalmente estão certos. Mas há mais, ainda mais: somando o número do dia com o número do mês nós chegamos, nitentes, ao número da Missão: falando angélico da Ángeles, 22 + 6 = 28, sendo 2 + 8 = 10, e 1 + 0 = 1. Sua via é a vida de um caminho «sui generis», por vezes solitário, mas essa soledade ela é utilizada em prol das Letras e das Artes, isto é, na construção da Grande Obra. As palavras-chave elas são: independência de ideias, automotivação, autonomia, auto-suficiência, muita força de vontade. E sendo, o 22, um número feminino, manifesta interesse e cuidado por o próximo, por a humanidade, por a comunidade, por a Paz no planeta. É, como em Gandhi  (Porbandar, Índia, 02/ 10/ 1869 – Gandhi Smriti, Nova Delhi, Índia, 30/ 01/ 1948), o «Satyagraha», a força da verdade e da não-violência. Entre muitos nitentes, e portentos, de facto, cinco exemplos, tão-só: o grande Lord Byron, o criador de «A Peregrinação de Childe Harold» (1812 – 1818), no original o «Childe Harold’s Pilgrimage»,  foi nado em Londres, a 22 de Janeiro de 1788. Pasmai agora, meus senhores: a 22 de Janeiro de 1561 é nado, em Londres, Francis Bacon ( não confundir com Roger Bacon ), lorde chanceler e 1.º Visconde de Saint Alban. Foi filósofo, cientista, ensaísta, foi político e polímato. «Imperator» e líder Rosacruciano, foi um dos fundadores da moderna ciência. Suas Obras filosóficas mais relevantes: «Novum Organum» (1620) e, deveras, «Instauratio Magna» (1620). E prossigamos, agora: O Autor de «O Mundo como Vontade e Representação» (1818), Arthur Schopenhauer, nasceu em Gdansk, na Polónia, a 22 de Fevereiro de 1788. E, finalmente, Max Scheler, maviosamente, foi nado em Munique, na Alemanha, a 22 de Agosto de 1874. Este último sendo, para Ortega y Gasset  (Madrid, 09/ 05/ 1883 – Madrid, 18/ 10/ 1955), «o primeiro homem do paraíso filosófico». E, ademais, Filippo Tommaso Marinetti. Poeta e activista, foi ele o criador do movimento futurista. Sendo nado em Alexandria, a 22 de Dezembro de 1876, foi ele um dos precípuos feitores do fascismo na Itália. E ora vamos forte em frente. No capítulo da música, nasceu, Kris Kristofferson, a 22 de Junho de 1936. Sendo nado, Sir Henry  Rider Haggard, a 22 de Junho de 1856, Rider Haggard o Autor, avalizado, de «As Minas do Rei Salomão» (1885), «King Solomon’s Mines», traduzido, preste e pronto, por Eça de Queiroz  (Póvoa de Varzim, 25/ 11/ 1845 – Neuilly, arred. de Paris, 16/ 08/ 1900). E a versão lusitana veio a lume, levemente, em 1891. E quanto, agora, ao Anjo mavioso: de Gary Goldschneider e Joost Elffers, no lance, respigamos o seguinte: 22 de Junho é, deveras, «o dia», decerto, «da exaltação romântica», que o rimance é romance e o romanço é qual a rima. Que o 22, ademais, ele é regido por Úrano: é o planeta dos erráticos, excêntricos e da vanguarda, da raiva, da revolta e da neurose criadora. Fortemente original, o 22 é, não raro, o número do Génio, do gerador, germinal e da generosidade. E Úrano é o símbolo, nitente, da capacidade intelectual, dos talentos variados e da abertura ao progresso, e a Poesia de Ángeles, dessarte, é suflada ou inspirada. A par do Úrano, é, Pérez López, movida por a Lua, a Lua é o Astro que rege o Caranguejo. A Lua que é senhora da noite, do subconsciente, do pensamento, na mente, mágico-simbólico. E que rege, também, a popularidade. E é, a «Luna», o apanágio do «naif», daquele em quem vive, ou sobrevive, o anjo da infância. E vamos, nós outros, a outro capítulo. Pois somando, em aticismo, somando os dígitos, deveras, da data natal: ela é 22/ 06/ 1967. Ora 2 + 2 + 6 + 1 + 9 + 6 + 7 = 4 + 16 + 13 = 20 + 13 = 33, e bem-vinda seja pois a idade do Cristo. Que o legente, agora, não fique estupefacto: foi nado em Ulm, Einstein, a 14 / 03/ 1879: ora 1 + 4 + 3 + 1 + 8 + 7 + 9 = 8 + 9 + 16 = 17 + 16 = 33. Outrossim Maria Azenha, Poetisa de prol, foi nada em Coimbra, cidade doutora, a 29/ 12/ 1945. Ora 2 + 9 + 1 + 2 + 1 + 9 + 4 + 5  = 11 + 4 + 18 = 15 + 18 = 33. Averbando, então, María Ángeles, 33 é o Número Kármico, ou de vida, da nossa Poetisa. Ele possui, duplicada, a força do 3, o triângulo dos «maçons», que simboliza a criação. A «Poiesis», a expressão, a colheita ou cornucópia. O 33 é, acima de tudo, uma angélica bondade, um mensageiro de Beleza, de Amor e de Harmonia. De generosidade, de serviço e de solidariedade. É o símbolo, como já disse, duma oblata, de alguém que vive, belamente, para o bem da Humanidade. Pois dados os informes, não admira que Ángeles exerça o magistério: ela é plasmada, ou marcada, por dois Números Mestres, como sejam, «verbi gratia», o 22 e o 33. É que podem contar, com a angélica Ángeles, para a cultura e instrução, e não e nanja, nunca, jamais, para a fatal destruição. Pois plasma, o 33, dous nomes universais: D. H. Lawrence e, finalmente, o Fred Astaire. David Herbert Lawrence, o Autor, acareado, de «Lady Chatterley’s Lover» ( 1928 ), «O Amante de Lady Chatterley», foi nado em Nottingham, Reino Unido, a 11/ 09/ 1885, sendo 2 + 9 + 1 + 8 + 8 + 5 = 11 + 9 + 13 = 20 + 13 = 33. E vamos, agora, ao formidando Fred Astaire. Nasceu em Omaha, Nebraska, a 10/ 05/ 1899, sendo 6 + 1 + 8 + 18 = 15 + 18 = 33. Revertendo, agora, à feitora e Professora: em demanda, agora e sempre, do Amor e da harmonia, a Arte nela é uma graça, a Arte nela é sinónimo de Luz e protecção, e ela se giza, ou simboliza, na esfera do sagrado. Que o legente, agora, me releve: um tudo nada, na jorna, de Astrologia. Os nascidos entre 19 e 24 de Junho pertencem à Cúspide Gémeos-Câncer, ou melhor: equilibrando a lógica com a emoção, eles adunam a inteligência comunicativa de Gémeos com a sensibilidade emocional de Caranguejo, criando «personae» mágicas, magísteres, magnificentes. São conhecidos, por isso mesmo, como a «cúspide da magia e da sensibilidade», e combinam, no seu estro, o Mercúrio com a Lua. Em linguagem simbólica, o Anjo das pessoas nascidas entre 21 e 25 de Junho se chama, na chamada, «o Amável», e é regida, a nativa, por Júpiter, por Vénus, por a Lua do lai. No jeito e no jogo de afinidades electivas: se foi nada, María Ángeles, em 22 de Junho de 1967, nasceu, Jean-Paul Sartre, na cidade parisina, a 21 de Junho de 1905; quer num caso, quer no outro, Mercúrio, ou Thoth, o deus da Magia. Três publicistas há, de água primeira, que nasceram, outrossim, a 21 de Junho: Machado de Assis, a 21/ 06/ 1839; Françoise Sagan, a 21/ 06/ 1935 e, ademais, Fernando Savater, a 21/ 06/ 1947, que foi Catedrático de Ética na Universidade do País Basco. E da Casa Real Inglesa, saudemos, selectamente, Guilherme, o Príncipe de Gales ( 21/ 06/ 1982 ). E na verve, ainda, ainda: por duas etapas, da vida de Ángeles, nós jornadeemos. O primeiro ciclo, ou ciclo da partida, é regido por o 1, e ele decorre desde o nascimento até aos anos 30. O quarto ciclo, ou ciclo da colheita, é sinalado por o 2, e se desenrola a partir, dessarte, dos 48 anos. Ora o 1 é um número de coragem, firmeza, autonomia e ambição, ele rege o sucesso, o domínio, uma farta e uma forte originalidade. Foi, de feito, um período activo, positivo, e pleno de mudanças. Dos 48 anos até à hora do seu transe, é pois, o 2, um novo actor, deveras, na távola redonda. Ele simboliza a colaboração, a cooperação e a diplomacia, a tolerância, a paciência, o trabalho em equipa. Os grémios, as tertúlias, as campanhas culturais. Mas tem de aceitar, a consulente, que os outros ajam e pensem de forma diferente. É seu o caminho do coração, da associação, do amor e harmonia com os entes que a rodeiam. Ou melhor: é o álacre e a «Alêtheia», uma ek-stática insistência na Verdade do Ser. Nada a Poeta Pérez López em mês de Junho, jovial, tem uma forte ligação à família, ao lar e à comunidade, sofrendo muito, se for caso disso, com as rupturas familiares. E ora vamos, de feito, ao ano. 1 + 9 + 6 + 7 = 10 + 13 = 23, e 2 + 3 = 5. Diviso, aqui, alguma agitação, insatisfação, desassossego: se, por um lado, eles provocam sofrimento, eles são, por o outro, relevantes e aflantes para o poético mister.  E guardamos, para o fim, bondosa Boa Nova. 22 são, decerto, os Caminhos de Vida de António Manuel Couto Viana, Sigmund Freud, Pierre Janet e, alfim, Tenzin Gyatso, o actual Dalai Lama. E não olvidando, no carme, Annie Besant. António Manuel Couto Viana, Poeta, «diseur» e Tradutor,  Professor, de feito, e lídimo Actor, foi nado em Viana do Castelo, a 24/ 01/ 1923. Ora 2 + 4 + 1 + 1 + 9 + 2 + 3 = 7 + 10 + 5 = 22. Estreando-se, poeticamente, em 1948, com o «O Avestruz Lírico», ele teve, de feito, dous Prémios Antero de Quental: um, em 1949, com «No Sossego da Hora», e outro, em 1959, com «Mancha Solar». Figura central no Teatro português do vigésimo século, ele foi Actor, Encenador, Dramaturgo e Empresário, ele actuou, «verbi gratia», no Teatro da Mocidade e no Teatro da Trindade. Através da mão amiga de David Mourão-Ferreira, se debutou, em 1946, qual cultor e Actor, no Teatro Estúdio do Salitre, em Lisboa. Sendo, outrossim, empresário e director do Teatro do Gerifalto. Membro da Academia de Ciências de Lisboa, foi ele um dos responsáveis, juntamente com Luís de Macedo (Lisboa, 28/ 09/ 1901 – Lisboa, 13/ 11/ 1971), Ruy Cinatti ( Londres, 08/ 03/ 1915 – Lisboa, 12/ 10/ 1986 ) e David Mourão-Ferreira (Lisboa, 24/ 02/ 1927 – Lisboa, 16/ 06/ 1996), por as Folhas de Poesia Távola Redonda (1950 – 1954). Esse projecto literário durou 4 anos, de 15 de Janeiro de 1950 a 15 de Julho de 1954; vieram a lume, deveras, 20 fascículos. E qual regente e legente ele dirigiu, com «adresse», a revista «Camarada» ( 1949 – 1951 ), e, entre 1950 e 1954, a «Graal», revista de cultura. Em parentética apostilha: na História da Cultura, a Amizade que havia entre Karl Marx  (Tréveris, 05/ 05/ 1818 – Londres, 14/ 03/ 1883) e Friedrich Engels (Barmen, 28/ 11/ 1820 – Londres, 05/ 08/ 1895) só se pode comparar à Amizade que nutria, David Mourão-Ferreira (Lisboa, 24/ 02/ 1927 – Lisboa, 16/ 06/ 1996)  por António Manuel Couto Viana. O mesmo acontecendo entre São João da Cruz (Fontiveros, 24/ 06/ 1542 – Úbeda, Espanha, 14/ 12/ 1591) e, selectamente, Santa Teresa de Ávila (Gotarrendura, Hespanha, 28/ 03/ 1515 – Alba de Tormes, Hespanha, 04/ 10/ 1582). Em súmula e em suma:  até ao ano 2000, deu a lume, Couto Viana, mais de uma centena de livros, sendo, de Poesia, lavras 29. E chegamos a Sigmund Freud, o criador e promotor de uma nova antropologia. Não foi ele quem descobriu o inconsciente, mas foi ele quem lhe deu um tratamento científico. No tempo de Freud, o inconsciente não era novo na história da Cultura, o inconsciente foi manipulado, em todo o mundo, sob o signo da Magia. Desse mesmo inconsciente, os maiores descobridores foram os Filósofos e Poetas, eles foram, de feito, as crianças, os selvagens e os loucos. Referindo-se, adrede, aos Poetas e romancistas, opina Freud, de facto e de feito: «São, no conhecimento da alma, nossos mestres.» Como promotores, e precursores da Psicanálise, arquivemos, aqui, Arthur Schopenhauer (Gdansk, 22/ 02/ 1788 – Frankfurt, 21/ 09/ 1860), Friedrich Nietzsche (Rocken, Lutzen, 15/ 10/ 1844 – Weimar, 25/ 08/ 1900) e, alfim, Eduard von Hartmann (Berlim, 23/ 02/ 1842 – Gross-Lichterfelde, 05/ 06/ 1906), com a sua «Filosofia do Inconsciente»  (1869), Filosofia, deveras, figadal. E é que foi nado, o Sigmund Freud, em Freiberg, Morávia, a 06/ 05/ 1856. Ora 1856 + 11 = 1867 – e 1 + 8 + 6 + 7 = 9 + 13 = 22. Foi, a par de Nietzsche (Rocken, Lutzen, Alemanha, 15/ 10/ 1844 – Weimar, Alemanha, 25/ 08/ 1900) e de Marx (Tréveris, Alemanha, 05/ 05/ 1818 – Londres, Inglaterra, 14/ 03/ 1883), um dos magnos, maviosos, «Mestres da Suspeita», assim os apodou, prementemente, o Paul Ricoeur (Valence, França, 27/ 02/ 1913 – Châtenay-Malabry, França, 20/ 05/ 2005). Pois seguindo e segundo o Segismundo Freud, «a Psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor.» E averbemos, agora, Pierre Janet. Sobrinho do filósofo Paul Janet (Paris, 30/ 04/ 1823 – Paris, 04/ 10/ 1899), ele foi de facto, mesmo antes de Freud, pioneiro no estudo do subconsciente. Nado em Paris, providencialmente, a 30/ 05/ 1859. Fazendo as somas, então, seu Kármico número é 1859 + 8 = 1867, sendo 9 + 13 = 22. Só isso explica, em 1889, a benesse e a beleza da sua tese de doutoramento em Letras: «O Automatismo Psicológico: Ensaio de Psicologia Experimental sobre as Formas Inferiores da Actividade Humana». Como sejam, seguindo e segundo o preste parisino, a hipnose, o sonambulismo, a histeria e a sugestão. O mesmo nós dizendo da escrita automática, quer dos espíritas, quer, outrossim, dos surrealistas. A escrita automática forjada, ou estudada, por William James, o estado-unidense (Nova Iorque, 11/ 01/ 1842 – Chocorua, New Hampshire, 26/ 08/ 1910). Tudo fenómenos que escapam, figadais, ao controle da consciência. Sendo, Janet, o criador do termo «psicastenia», que significa, de facto, «fraqueza psicológica». E essa psicastenia, chamada, na flama, a «doença de Janet», ela é, deveras, a «perda da função do real.» E sendo a histeria, para o facultativo, «um estreitamento do campo da consciência». E é que, em 1903, o termo «psicastenia» foi forjado, sem jaça, por Pierre Janet, em seu «opus», magistral, «Les Obsessions et la Psychasthénie», «As Obsessões e a Psicastenia» no luso linguajar. Que em 1893, e defendida perante o insigne Charcot ( Paris, 29/ 11/ 1825 – Montsauche-les-Settons, Morvan, 16/ 08/ 1893 ), apresenta, Janet, sua tese de doutoramento em Medicina, «L’état mental des Hysteriques», ou seja, «O Estado Mental dos Histéricos». Também em 1893 ele é alçado, como adjunto de Charcot, a Director do Laboratório de Psicologia Patológica na Clínica, curial, da Salpêtrière. E é que em 1902 ele sucede, a Théodule Ribot ( Guingamp, 18/ 12/ 1839 – Paris, 09/ 12/ 1916 ), na Cátedra do Colégio de França, onde ensina, de boamente, até 1934, Psicologia Experimental e Comparada. Quanto ao mais, reiteramos: a catarse de Sigmund Freud ( Freiberg in Mahren, 06/ 05/ 1856 – Londres, 23/ 09/ 1939 ), e antes dele do Estagirita ( Estagira, Grécia, 384 – Cálcis, Grécia, 322 a. C. ), ela é, no fundo, a «desinfecção moral» do Pierre Janet ( Paris, 30/ 05/ 1859 – Paris, 24/ 02/ 1947 ). Que, em Paris, no século XIX, nós temos no cauto, no culto Janet, o reconhecimento académico, e oficial, do psiquismo inconsciente. E chegamos em vida, comovido, a Tenzin Gyatso, o actual Dalai Lama. Ele nasceu em Taktser, no Tibete, em 06/ 07/ 1935. Ora 1935 + 6 + 7 = 1935 + 13 = 1948, sendo 1 + 9 + 4 + 8 = 10 + 12 = 22. O mesmo 22 que lhe doou, deveras, o Prémio Nobel da Paz, a 10 de Dezembro de 1989. E nome grado e nome grande da Sociedade Teosófica, foi nada em Londres, Reino Unido, Annie Besant, Annie Wood Besant de seu nome completo, a 01/ 10/ 1847. Ora 1 + 1 + 1 + 8 + 4 + 7 = 3 + 12 + 7 = 15 + 7 = 22. Que Annie Besant foi teósofa, Escritora, erudita, «maçon», socialista e defensora, dessarte, dos direitos das mulheres, foi Presidente da Sociedade Teosófica de 1907 até à morte sua.  E alteamos, aqui, Óscar González-Quevedo Bruzón, mais conhecido como o Padre Quevedo. Ele foi nado, em Madrid, a 15/ 12/ 1930 – e 1 + 5 + 1 + 2 + 1 + 9 + 3 = 6 + 3 + 13 = 9 + 13 = 22. Autor e promotor de «A Face Oculta da Mente» (13/ 11/ 1964), possuindo, sem dolo, cinco licenciaturas, o Jesuíta é, sem jaça, o expoente maior da Parapsicologia. Este homem, que era Nume e que era lume da cidade madrilena, recitava, de cor, a Bíblia em Latim. Que além do Português e Espanhol, ele lia e falava, fluentemente, Latim, Grego e Hebraico, o Francês, o Inglês, o Italiano e Aramaico. Ele fundou, a 11 de Maio de 1970, em São Paulo, no Brasil, o Centro Latino-Americano de Parapsicologia ( CLAP ). E relevamos, no lance, agora mesmo, George Agostinho Baptista da Silva, Agostinho da Silva de seu artístico nome. É que o Autor de «Vida Conversável» (1994),   ele foi nado no Porto, a 13/ 02/ 1906 – e 1 + 3 + 2 + 1 + 9 + 6 = 7 + 15 = 22. O digamos, agora, cultualmente: em 1928, com 22 anos apenas, termina, Agostinho, a licenciatura em Filologia Clássica por a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, obtendo, no carme, a classificação máxima de «summa cum laude» ( 20 valores ).   E ora vamos ovante avante: 22 é também o Kármico número, quer de Frank Sinatra, quer, também, de Margaret Thatcher. Frank Sinatra, conhecido internacionalmente, foi nado em Hoboken, New Jersey, a 12/ 12/ 1915 – e 3 + 3 + 10 + 6 = 16 + 6 = 22. Quanto a Margaret Thatcher, que foi, do Reino Unido, Primeira-Ministra, ela nasceu, notavelmente, em Grantham, a 13/ 10/ 1925 – e 4 + 1 + 1 + 9 + 2 + 5 = 6 + 11 + 5 = 17 + 5 = 22. E remembremos, averbando o Dalai Lama, que Allen Ginsberg (Newark, New Jersey, 03/ 06/ 1926 – East Village, Nova Iorque, 05/ 04/ 1997),  Poeta e activista estado-unidense, foi promotor e praticante da Via do Buda, ele inspirou-se, no Buda, pra transmudar o mundo imundo. Bem afecto e afeito a Chogyam Trungpa Rinpoche ( Came, 05/ 03/ 1939 – Halifax, Canadá, 04/ 04/ 1987 ), pronunciou, Ginsberg, os votos budistas, em 6 de Maio de 1972. Em 1956, Allen foi feitor, e Autor, de «Howl and Other Poems», «Uivo e Outros Poemas», publicitado, em 1 de Novembro, em San Francisco, por a Editora City Lights, de Lawrence Ferlinghetti  (Bronxville, Nova Iorque, 24/ 03/ 1919 – San Francisco, California, 22/ 02/ 2021). Que o 22, deveras, tem três significados: ele é o signo dos génios, dos loucos, ou então dos ditadores. Averbemos, «verbi gratia», António de Oliveira Salazar: é que ele foi nado em Vimieiro, a 28/ 04/ 1889, sendo, pois, 28 + 4 = 32, e 3 + 2 = 5. Ora 1889 + 5 = 1894, e 1 + 8 + 9 + 4 = 9 + 13 = 22.  Revertendo ao nosso tema, lema ou emblema,  a partir de  25 de Julho de 2016 María Ángeles é membro, mavioso, da Academia Norte-Americana de Língua Espanhola. E desde 14 de Dezembro de 2016, ela faz parte, ou participa, da Academia de Juglares de Fontiveros, sendo, essa mesma Fontiveros, o sítio natal de São João da Cruz (Fontiveros, 24/ 06/ 1542 – Úbeda, 14/ 12/ 1591), patrono dos Poetas de língua espanhola. Que o vocábulo «juglar», em Espanhol, significa «jogral», «menestrel» ou «trovador». As primeiras menções do nome «juglar», em Hespanha, são de 1116 e 1136, os jograis aparecendo em Sahagún e, também, na corte de Leão. E a presença dos jograis era assídua, selectamente, na corte de D. Sancho I ( 1185 – 1211 ), o segundo, e o sagrado, Rei de Portugal. D. Sancho I, digamos, o primeiro monarca trovador com Obra conhecida, o Autor, em 1199, da mais avita, ou antiga, Cantiga de Amigo, de que se pode enaltecer a lusitana Lísia. Meditemos na cita, certeira, de Ramón Menéndez Pidal: «Jograis eram todos os que ganhavam a vida actuando perante um público, para o recrear com a música, ou com a literatura, ou com charlatanismo, ou com jogos de mãos, de acrobacia, de mímica, etcétera.» É o signo do «Bateleur», de que fala António Telmo (Almeida, 02/ 05/ 1927 – Évora, 21/ 08/ 2010). O «Bateleur» ou o Saltimbanco, a lâmina prima do Tarot de Marselha. Que o mesmo é dizer, levemente, do Livro de Thoth. Quero eu dizer: no mester do trovador, o princípio da realidade, ele é negado, e apartado, por o princípio do prazer. E eis, aqui, o «divertissement», de que fala Pascal ( Clermont-Ferrand, 19/ 06/ 1623 – Paris, 19/ 08/ 1662). Ser trovador, prementemente, é dissertar segundo os tropos, quero eu dizer, por metáforas, metonímias e lautas litotes. Que reluz e aduz, em sua «Suma Teológica», o teólogo Aquinate (Castelo de Roccasecca, Itália, c. 1225 – Abadia de Fossanova, Itália, 07/ 03/ 1274): «O brincar é necessário para a vida humana.» Ou não fosse, o homem, «homo ludens». E no cais, e ademais, María Ángeles, deveras, ela imana e se irmana em jardim de Academus. Sendo o jogral aquele que joga, pertinente, com as palavras e os sons – e é o ócio do lazer, e é o jogo, do jocoso, qual adverso e contra o jugo. Quero eu dizer: por o fulgor da sua Obra, é, María, filha adoptiva, feraz, da Fontiveros forte e firme. E chegamos então ao fim. E foi, de feito, duma Alumbrada, duma Poeta que eu falei: que rompam, deveras, as águas da matriz…………………………………………………………………………………………………………………..

 

PARALIPÓMENOS

 

«O homem vive de razão e sobrevive de sonhos.»
Miguel de Unamuno

 

Letradura, de acordo com Breton (Tinchebray, 19/ 02/ 1896 – Paris, 28/ 09/ 1966 ), são «Os Vasos Comunicantes» ( 1932 ). São, no razoar de Goethe ( Frankfurt am Main, 28/ 08/ 1749 – Weimar, 22/ 03/ 1832 ), «As Afinidades Electivas» ( 1809 ). E como já averbámos a propósito de João Belo ( Cebolais de Cima, 25/ 06/ 1959 ), o Filósofo e o Poeta, María Ángeles é, deveras, Pastora do Ser, ela escruta, e está à escuta, das vozes recônditas que vêm do Ser. Sejamos então o arquitecto, e a História aqui se arquive. Se debutando, em 1997, com «Tratado sobre la geografía del desastre», outros títulos, ou livros, de água primeira: «La Sola Materia», ( Prémio de Poesia «Tardor», 1998 ), «Carnalidad del frío»  (Prémio de Poesia «Ciudad de Badajoz», 2000), e, ademais, «Atavío y Puñal» ( 2012 ). O seu «liber» de 2016, «Fiebre y Compasión de los Metales», foi finalista, figadal, do «Premio Nacional de la Crítica». Em 8 de Março de 1996, há 30 anos, portanto, María Ángeles Pérez López defende, na Universidade de Salamanca, sua tese, tempestiva, de Doutoramento: «Narrativa y modernidad en Vicente Huidobro ( 1929 – 1942 ). Claves para un acercamiento». Sendo essa prova dirigida, com «adresse», por a Dra. Carmen Ruiz Barrionuevo. No estado e no estudo da especulação, obteve, a tese e a estese, o Prémio Extraordinário de Doutoramento. E as obras da Luz elas chamam a Luz: em 24 de Setembro de 2024, María Ángeles recebe, da Fundação Iberoamericana para as Artes e da Fundação Vicente Huidobro, a Medalha, magistral, Vicente Huidobro. Ademais, na Universidade salamanquina a Poeta coordena, sagazmente, a Cátedra Chile: Chile o país, proveito e provecto, onde se aduna, Vicente, a Pablo Neruda ( Parral, 12/ 07/ 1904 – Santiago, 23/ 09/ 1973 ), Pablo de Rokha ( Licantén, 17/ 10/ 1894 – Santiago, 10/ 09/ 1968 ) e Gabriela Mistral ( Vicuña, 07/ 04/ 1889 – Hempstead, 10/ 01/ 1957 ). Tendo sido, a mesma Mistral, Prémio Nobel da Literatura em 10 de Dezembro de 1945. E Neruda outrossim, a talho de foice, em 10 de Dezembro de 1971. De sublinhar e alçar: o chileno recebeu, essa láurea, das mãos do Rei Gustavo Adolfo VI, da Suécia. E ora vamos, então, à faina feraz. Vicente García-Huidobro Fernandéz, de seu nome completo, nasceu em Santiago do Chile, a 10 de Janeiro de 1893, e faleceu, de feito, em Cartagena, em 2 de Janeiro de 1948. Oriundo duma avita aristocracia, se debuta, em 1911, com «Ecos del Alma». Em juventa jovial, estudou no Colégio de Santo Inácio, regido e dirigido por os Padres Jesuítas. Jesuítas que educaram, em Portugal, o Poeta e Pintor Almada-Negreiros (Fazenda Saudade, Ilha de S. Tomé, 07/ 04/ 1893 – Lisboa, 15/ 06/ 1970),  Jesuítas que educaram, outrossim, o valente Voltaire ( Paris, 21/ 11/ 1694 – Paris, 30/ 05/ 1778 ), no Colégio Louis-le-Grand ( 1704 – 1711 ), em Paris. A talho de foice, em Puerto de Santa María, Juan Rámon Jiménez ( Moguer, Andaluzia, 23/ 12/ 1881 – San Juan, 29/ 05/ 1958 ), Prémio Nobel da Literatura em 1956, também estudou, estreme e extremo, com os Padres Jesuítas. Mas há mais, ainda mais: Denis Diderot  (Langres, 05/ 10/ 1713 – Paris, 31/ 07/ 1784), que chegou a receber a tonsura, ele foi aluno, em Langres, dum colégio, caroal, da Companhia de Jesus. E quanto, agora, a Ortega y Gasset (Madrid, 09/ 05/ 1883 – Madrid, 18/ 10/ 1955), ensaísta e Filósofo de água primeira: ele foi aluno, entre 1891 e 1897, do Colégio Jesuíta de Miraflores, em Málaga ( El Palo ), e foi ali, de boamente, e foi ali que ele aprendeu as Humanidades magnas. E averbemos aqui, com todas as veras, Teilhard de Chardin (Orcines, França, 01/ 05/ 1881 – Nova Iorque, 10/ 04/ 1955). Foi Jesuíta, teólogo, cientista, filósofo, deveras, e paleontólogo. E influenciado, de feito, por o misticismo cristão e «A Evolução Criadora» ( 1907 ), de Henri Bergson ( Paris, 18/ 10/ 1859 – Paris, 04/ 01/ 1941 ). Mas o Génio, na génese, é inato: em 1957, um decreto do Santo Ofício determinou que fossem, os seus livros, retirados das bibliotecas dos seminários e institutos religiosos, não comercializados nas livrarias católicas e não traduzidos para língua nenhuma. Foram, no entanto, as suas doutrinas, acatadas e aceites por os Papas João Paulo II ( 16/ 10/ 1978 – 02/ 04/ 2005 ), Bento XVI ( 19/ 04/ 2005 – 28/ 02/ 2013 ) e, feericamente, o Papa Francisco ( 13/ 03/ 2013 – 21/ 04/ 2025 ). Suas Obras, aqui, mais relevantes e aflantes: «O Fenómeno Humano» ( 1955 ) e «O Meio Divino» ( 1957 ), concebido nas trincheiras, afinal, da I Guerra Mundial. Em jeito de apostilha, em 1910 Ortega sucede, a Nicolás Salmerón (Alhama de Almeria, 10 / 04/ 1838 – Pau, França, 20/ 09/ 1908), na Cátedra de Metafísica da Universidade Central de Madrid. E quanto, agora, a Huidobro, o vicentino manifesto «Non Serviam», de 1914, em lusa língua «Não servirei», é considerado, por os historiadores latino-americanos, como o marco inicial das dianteiras, vanguardas, na América Espanhola. Ele fez, em 1916, uma viagem a Paris, donde passou, depois, para a cidade madrilena. Em Paris trava Amizade com Guillaume Apollinaire, (Roma, Itália, 26/ 08/ 1880 – Boulevard Saint-Germain, Paris, 09/ 11/ 1918), Juan Gris (Madrid, 23/ 03/ 1887 – Boulogne-Billancourt, França, 11/ 05/ 1927)  e Pablo Picasso (Málaga, Espanha, 25/ 10/ 1881 – Mougins, França, 08/ 04/ 1973), participando, presto e pronto, na revista «Nord-Sud», fundada, em 1917, por Pierre Reverdy ( Narbona, França, 13/ 09/ 1889 – Solesmes, França, 17/ 06/ 1960 ), nome de prol e de peso em movimento supra-real. Cerca de 1920, eram afectos, e afeitos, ao movimento criacionista: Juan Larrea, Gerardo Diego e, ademais, o peruano, presto e pronto, César Vallejo ( Santiago de Chuco, 16/ 03/ 1892 – Paris, França, 15/ 04/ 1938 ). Em Madrid colabora no «Ultra» magazine, publicação que deu o nome à escola do «ultraísmo»: é que a Hora, para o «Ultra», era a Hora estreme e extrema. O Ultraísmo adaptava, à espanhola nação, as correntes cubista, futurista, dadaísta e outras similares. O Ultraísmo, ou seja, o movimento literário mais relevante da Letradura espanhola de vanguarda entre 1918 e 1925. Que o Ultraísmo como escola, foi fundado, de feito, por Rafael Cansinos Assens (Sevilha, 24/ 11/ 1882 – Madrid, 06/ 07/ 1964). Do «Ultra» vieram, a lume, 24 números, entre 27 de Janeiro de 1921 e 15 de Março de 1922. Começando por se publicar de 10 em 10 dias, ele passa, depois, a ser quinzenal. De relevo e realce, entre os seus colaboradores: Gerardo Diego, Guillermo de Torre e Jorge Luis Borges (Buenos Aires, Argentina, 24/ 08/ 1899 – Genebra, Suíça, 14/ 06/ 1986). Em 1925, já no Chile, Huidobro apresenta, caso raro num Poeta, sua candidatura, curial, à Presidência da República. Mas Vicente fica na História por ter teorizado, no lance, o escol e a escola do «Creacionismo». Ele difunde, e ele defende, o sagrado e o seguinte: mais do que imitar a natureza, através da «mimesis», o Poeta cria, com a palavra, uma supra-realidade. Ele faz, alfim, um poema, como faz, a Natureza, uma árvore. Sendo, para Marcel Proust (Paris, 10/ 07/ 1871 – Paris, 18/ 11/ 1922 ), a literatura, a única vida realmente vivida. Para Huidobro, com «adresse», «a Poesia não é mais que o resultado de uma aspiração à realidade absoluta». Em «Arte Poética», da lavra «El Espejo de Agua», «O Espelho de Água», em 1916, demanda o chileno: «Por que cantais a rosa, ó poetas? / Fazei-a florescer no poema!» Ou, meladamente, no Espanhol original: «Por qué cantáis la rosa, oh poetas! / Hacedla florecer en el poema.» E é como aduzem, os doutos, em escala-didascália: na Poesia de Vicente, o significante vale mais do que o significado, e é siderado, o Poeta, como «um pequeno deus», um deus criador à escala do Cosmos. Que o poema é para o chileno realidade autónoma, o poema é deveras um animal vivo. Para Vicente, afinal, a criação é do Poeta a vis premente e patente. Haja em vista, de Vicente, três livros, ou lavras, de água primeira: em castelhano, «Temblor  de Cielo» ( 1931 ), o ensaio biográfico, beletrista, «Mío Cid Campeador, Hazaña» ( 1929 ) e, finalmente, em francês, «Tout à Coup» ( 1925 ). Ora se passa, entre Pierre Reverdy (Narbona, França, 13/ 09/ 1889 – Abadia São Pedro de Solesmes, 17/ 06/ 1960)  e Vicente Huidobro, o mesmo que se passa entre Pierre Janet (Paris, 30/ 05/ 1859 – Paris, 24/ 02/ 1947) e, deveras, Sigmund Freud (Freiberg, Morávia, 06/ 05/ 1856 – Londres, 23/ 09/ 1939): se Janet reinvindicava, perante o vienense, a descoberta do inconsciente e também da catarse, reinvindicava, Reverdy, perante Huidobro, a descoberta do conceito de «creacionismo». Janet acusa os psicanalistas: eles chamaram de psico-análise àquilo a que chamara, o gaulês, de análise psicológica. Chamaram «complexus» àquilo a que ele chamara sistema psicológico, e cunharam, com o nome de «catarse», aquilo a que nominara, Janet, «desinfecção moral». E é como em Leonardo Coimbra ( Borba de Godim, 30/ 12/ 1883 – Porto, 02/ 01/ 1936 ) e em Teixeira de Pascoaes (Gatão, 02/ 11/ 1877 – Amarante, 14/ 12/ 1952), o Poeta, coa Palavra, ele conclui a criação, que Deus somente iniciara. Sendo pois, a criação, superna e superiora à procriação. Cotejemos, agora, o razoar de Vicente com o pensar, e mentar, de Miguel de Unamuno  (Bilbau, 29/ 09/ 1864 – Salamanca, 31/ 12/ 1936). Aduz e diz, dessarte, o director e Reitor: «A fé cria, de certo modo, o seu objecto. E a fé em Deus consiste em criar Deus.» Fazendo um paralelo com o Professor, e professo, Agostinho da Silva ( Porto, 13/ 02/ 1906 – Lisboa, 03/ 04/ 1994 ), «o homem não nasceu para trabalhar, mas sim para criar», a isso chama, o Agostinho, o ser «Poeta à solta». Pois segundo o Peripatético (Estagira, 384 – Cálcis, 322 a. C.), o homem, além de ser da «polis», é um animado, ou animal, provido de «Logos», a ele cabe, deveras, o transmudar o mundo com a força da Palavra… Foi com palavras que fundou, Allen Ginsberg ( Newark, New Jersey, 03/ 06/ 1926 – Manhattan, New York, 05/ 04/ 1997 ), o movimento «hippie», foi com palavras que fez, Martinho Lutero (Eisleben, Alemanha, 10/ 11/ 1483 – Eisleben, Alemanha, 18/ 02/ 1546), a Reforma Protestante. É com palavras que laboram, belamente, o facultativo, o Poeta e o Psicoterapeuta. E, outrossim, o Profeta ou Professor. Sendo a Psicanálise, para Anna O., uma «talking cure», isto é, uma «cura por a Palavra». E como já dissemos: quem doutrina, ou quem assina, ele ensina através dos signos linguísticos. Sendo María Ángeles (Valladolid, 22/ 06/ 1967), afinal, o crisma e o carisma, a Pastora do Ser e a missionária de palavras. Missionária, ou emissária, de comunicação e de solidariedade. E averbemos, aqui, de Henri Bergson ( Paris,18/ 10/ 1859 – Paris, 04/ 01/ 1941 ), «L’Évolution Créatrice» (1907), «A Evolução Criadora»; esta Obra, caroal e supimpa, foi de prol e de peso para o Espiritualismo. Como foi terminante, para Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 05/ 06/ 1898 – Granada, 18/ 08/ 1936), o trovar, tempestivo, de Vicente Huidobro (Santiago do Chile, 10/ 01/ 1893 – Cartagena, 02/ 01/ 1948). Vamos pois, com María Ángeles ( Valladolid, 22/ 06/ 1967 ), nós vamos pois todos, ao Ser e ao Tempo, ao Tempo e o Modo. Agora vamos, então. Ou vamos ora, simplesmente, aprender a dançar……………………………………………..

 

NOTA BENE

I

Após a leitura de «Jardin(e)s Excedidos» ( Fevereiro de 2018 ), foi-nos dado, desta feita, inferir e aferir: aplicando a Psicologia de Carl Rogers ( Oak Park, Illinois, 08/ 01/ 1902 – La Jolla, San Diego, Califórnia, 04/ 02/ 1987 ) ao ensino da Literatura, a didáctica da Autora é cordial e não-directiva, ela é centrada, preste, preste, na pessoa do aluno. Como sucedia, também, com Emmanuel Mounier ( Grenoble, França, 01/ 04/ 1905 – Châtenay-Malabry, França, 22/ 03/ 1950 ) e, outrossim, com Max Scheler (Munique, Alemanha, 22/ 08/ 1874 – Frankfurt, Alemanha, 19/ 05/ 1928), a pessoa humana está sempre e sempre e sempre – no seu campo de acção. Sendo, aqui, a humana «persona», o móbil, a moção, do «Ordo Amoris» ( 1933 ). E pra citarmos Carl Rogers (Oak Park, Illinois, 08/ 01/ 1902 – La Jolla, San Diego, Califórnia, 04/ 02/ 1987), o que é preciso, sobremaneira, é «Tornar-se Pessoa» (1961). Que, acima de tudo, a escala de María Ángeles ( Valladolid, 22/ 06/ 1967 ) é curial e heterodoxa, ela é um escol, e uma escola, da Santa Liberdade!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

II

Dilucidemos, de feito: «O génio supremo é o santo» seguindo e segundo o Guerra Junqueiro ( Freixo de Espada à Cinta, 15/ 09/ 1850 – Lisboa, 07/ 07/ 1923 ). São João da Cruz (Fontiveros, 24/ 06/ 1542 – Úbeda, 14/ 12/ 1591), que era Frade, foi carmelita, sacerdote e Poeta espanhol. Conhecido, na «ecclesia», e por antonomásia, como o Doutor Místico, sua festa litúrgica ela é, de feito, a 14 de Dezembro. E sendo, no século, Juan de Yepes y Álvarez, foram, seus progenitores, Gonzalo de Yepes, um pobre tecelão, e Catalina Álvarez. Entre filhos, que eram três, ele foi decerto o benjamim. E muito cedo perde o Pai, perde o Pai, decerto, na infância floreal. O perde, deveras, em data desconhecida, mas compreendida, de feito, entre 1543 e 1545. Começando, aos 6 anos, a ganhar sua vida como estreme aprendiz. Com 9 anos se transferiu, com a Mãe e o irmão Francisco, para Medina del Campo, bem perto, bem próximo, de Valladolid. E lá ingressando em 1551, em Medina ele estuda, durante quatro anos,  no Colégio da Doutrina, instituição de caridade e orfanato para filhos sem Pais, ou para filhos, de feito, de gente húmile ou humilde.  Entre 1559 e 1563, protegido, no paládio, por Don Alonso Alvarez de Toledo, ele escruta Humanidades com os Padres Jesuítas. Como Escritor nos leixou, deveras e adrede: «Noite Escura da Alma», «Subida do Monte Carmelo», «Chama Viva de Amor» e «Cântico Espiritual». Sentindo, selecto, o chamamento, ele começa, em Medina del Campo, por dar assistência aos indigentes e miseráveis internados no hospital, pra quem esmolava, dessarte, nas ruas da cidade, e a quem ele acalentava qual enfermeiro auxiliar. Em 1563, aos 21 anos, ele ingressa, egregiamente, na Ordem Carmelita, adoptando dessarte o nome de Frei João de São Matias. Recebendo o hábito, belamente, a 24/ 02/ 1563, em Medina del Campo. Professando, proficiente, em 1564. De 1564 a 1568, estuda Artes e Teologia na Universidade salamanquina. Sendo, em 8 de Setembro de1567, ordenado Sacerdote; em 1567, celebra, em Medina, a Missa Nova. Conjuntamente com Teresa de Ávila ( Ávila, Espanha, 28/ 03/ 1515 – Alba de Tormes, Espanha, 04/ 10/ 1582 ), que ele conheceu em Medina, em Setembro de 1567, reformou a Ordem do Carmo, e fundando, de feito, os Carmelitas Descalços. Teresa de Ávila, no culto, é também conhecida como Santa Teresa de Jesus, ela era, no mundo, Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada. E por favor não confundir com Santa Teresinha do Menino Jesus (Alençon, França, 02/ 01/ 1873 – Lisieux, França, 30/ 09/ 1897)… Quanto a João, ele foi, de facto, uma figura-fulgor da Contra-Reforma. Com a ajuda de Santa Teresa, de quem era, de feito, Mestre e confessor, a abertura da primeira casa de Carmelitas Descalços ocorreu em Duruelo, lugar de Ávila, em 28 de Novembro de 1568, primeiro Domingo do Advento. Em Duruelo se instala, com «adresse», com Frei António de Jesus ( António de Herédia ) e Frei José de Cristo ( José de Salazar ); pra sinalar, ou celebrar, a vida nova, ele muda pois o nome para Fray Juan de la Cruz. Mas surde deveras um litígio entre Carmelitas Calçados e, de facto, os Carmelitas Descalços, Reformados radicalmente. Na noute de 3 de Dezembro de 1577, por estultícia e por inveja, ele foi raptado do Convento da Encarnação de Ávila e encarcerado, por os Calçados, no Convento de Toledo. E fica meses 8 num quarto sem luz, submetido a vexames e a maus-tratos corporais; o calabouço era um buraco com dez pés de comprimento e seis de largura. E eis que a 15 de Agosto de 1578, visiona ele a Virgem a anunciar-lhe, deveras, a próxima evasão. Ao que ele se escapa, do aljube, em 16/ 17 de Agosto de 1578. E exorcizando o diabril, ele escreve, na prisão, o «Cântico Espiritual»; das 39 estrofes ele compõe, no segredo, as 30 primeiras. Que o exprimir, literariamente, é dejectar e espremer o pus e o fel da ferida narcísica; pois seguindo e segundo o Tertuliano ( Cartago, c. 160 – Cartago, c. 220 ), «sangue dos mártires é semente de cristãos». E temos, em São João, o purgante ou a purga, letradura como a forma de evacuação. Que em Freud, de facto, e no estrénuo Estagirita, nós temos, caroal, o termo «Catarse». Deriva, essa palavra, do grego «Katha», «fora, para fora», e «reco», «correr», e do espremer, para o exprimir, a distância não é muita. Que Pierre Janet ( Paris, 30/ 05/ 1859 – Paris, 24/ 02/ 1947), Josef Breuer ( Viena, 15/ 01/ 1842 – Viena, 20/ 06/ 1925 ) e Sigmund Freud ( Freiberg, Morávia, 06/ 05/ 1856 – Londres, 23/ 09/ 1939 ) descobriram, curiais, uma pronta catarse, quer dizer: sob influência hipnótica, verbalizando, dessarte, o mundo inconsciente, desaparecem, do dolente, os sintomas nervais. Revertendo, no carme, a São João da Cruz: em 1572, invitado por Teresa de Jesus, assumiu o múnus de confessor e vigário do Mosteiro da Encarnação, em Ávila, onde era, Santa Teresa, Prioresa. E, esperto e experto, ele lá laborou durante cinco anos. E eis as últimas palavras do nosso Santo querido, um pouco antes da meia-noite de 14 de Dezembro de 1591, no Convento Carmelita de Úbeda: «Hoje vou cantar o Ofício no Céu». E indo, agora, forte em frente: em ano sagrado e selecto de 2026, celebram-se, beletristas, os 300 anos da sua canonização, por o Papa Bento XIII  (1724 – 1730), a 27 de Dezembro de 1726. E comemora-se, outrossim, o centenário da sua proclamação, providencial, como Doutor da Igreja, por o Papa Pio XI (1922 – 1939), através da Carta Apostólica «Die Vicesima», «Vigésimo Dia» em Português, a 24 de Agosto de 1926. Que o espanhol foi beatificado, belamente, por o Papa Clemente X ( 1670 – 1676 ), no dia 25 de Janeiro de 1675.  Notícia fasta e feliz: a 21 de Março de 1952 ele foi proclamado, por o Ministério Nacional de Educação, Patrono dos Poetas de língua Espanhola, a ele não podia, María Ángeles (Valladolid, 22/ 06/ 1967), no modo e na mente, ficar indiferente. Corroborando essa láurea, o Santo Padre João Paulo II, em 8 de Março de 1993, através do Breve Apostólico «Inter Praeclaros Poetas» ( «Entre os Poetas Ilustres» ), denominou, o nosso Santo, advogado dos Poetas da plaga de Unamuno. De notar, aqui, que João Paulo II, ele, também, era Poeta. E que tinha, na juventa, uma queda para o Teatro. De notar que é Poeta, de prol, o Cardeal José Tolentino Mendonça ( Machico, Madeira, 15/ 12/ 1965 ). De sublinhar aqui também: para o Padre Lereno Sebastião Dias (Ramalhal, Torres Vedras, 25/ 06/ 1930 – Lisboa, 08/ 06/ 2025), foi, Jesus Cristo, o major, maior Poeta de todos os tempos. E referindo-se, aqui, ao castelhano, citemos, desta sorte, Marcelino Menéndez Pelayo (Santander, 03/ 11/ 1856 – Santander, 19/ 05/ 1912): «Os seus versos são superiores a todos os da língua espanhola.»  E louvamos, em São João, a «Alêtheia», dessarte, selecta e mariana. O major, maior Poeta, da língua castelhana……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

III

No período da Grande Guerra, em selecto Modernismo, a vanguarda é deveras em todo o mundo culto. Actuando ao mesmo tempo que Vicente Huidobro, surde e surge, em Portugal, o Movimento Modernista. Seus precípuos actores eles foram, de feito, Fernando Pessoa ( Lisboa, 13/ 06/ 1888 – Lisboa, 30/ 11/ 1935 ), Mário de Sá-Carneiro ( Lisboa, 19/ 05/ 1890 – Paris, 26/ 04/ 1916 ) e José de Almada-Negreiros ( S. Tomé, 07/ 04/ 1893 – Lisboa, 15/ 06/ 1970 ). Consubstanciado, o Movimento, em 1915, nos dous números de «Orpheu, Revista Trimestral de Literatura». Ou melhor: «Orpheu I» foi dado a lume em 24 de Março de 1915 e, solerte e selecto, vai para as bancas, o «Orpheu II», em 28 de Junho desse mesmo amado ano. Se o primo «Orpheu» tinha, como Directores, Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho, no «Orpheu II» brilhavam, como responsáveis, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Pois para o Mestre Almada simbolizava, a geração do «Orpheu», «o encontro das letras e da pintura». E precisamente por ser, ainda, menor, o Poeta António Ferro (Santa Justa, Lisboa, 17/ 08/ 1895 – Socorro, Lisboa, 11/ 11/ 1956), ex-condiscípulo de Sá-Carneiro no Liceu Camões, foi invitado, por este último, pra ser Director dessa edénica revista. E vindo na sequência das escolas, pessoanas, do paulismo, do sensacionismo e, ademais, do interseccionismo, eis que surdem, aqui, os Numes e os nomes de Alfredo Guisado, Ângelo de Lima, Raul Leal e, lusitano e açoriano, o Armando Côrtes-Rodrigues. Que, em 14 de Maio de 1915, Almada escreveu, ainda, «A Cena do Ódio», um dos poemas mais fortes do século XX lusitano. E precursor, solertemente, do Surrealismo. Da Autoria de Almada, em 1916, um texto, depois disso, de água primeira, ele foi, de feito, o Manifesto Anti-Dantas. O Manifesto foi a reacção, do Mestre Almada, à estreia da peça «Sóror Mariana», de Júlio Dantas, a 21/ 10/ 1915, no Teatro Ginásio, em Lisboa. Mas o caso e a causa é portanto a seguinte: no número de 19/ 04/ 1915 da «Ilustração Portuguesa», dá a lume, Júlio Dantas (Lagos, 19/ 05/ 1876 – Lisboa, 25/ 05/ 1962), uma crónica sobre os Poetas de «Orpheu», intitulada, deveras, «Poetas Paranóicos». E alembrando, aqui, o ledor: em 1900, a tese do Dantas de licenciatura em Medicina se chamava, com dolo, «Pintores e Poetas de Rilhafoles». E vem a ser como «POETA D’ORPHEU / FUTURISTA/ E / TUDO» que assina, Almada, o seu texto: bela sedição pra quem quer começar. Revertendo ao belo «Orpheu», se esgota o número 1 e vende, o segundo, 600 exemplares. A revista dos «engraçadinhos» do Chiado é recebida, nos jornais, com risota, dichotes e dicacidade. Referindo-se à «literatura de manicómio», aduz e diz, a imprensa, que «Os bardos de Orpheu são doidos com juízo». Que a talho de foice, acerta e disserta, no «Fedro», o perene Platão ( Atenas, 428 / 427 – Atenas, 348/ 347 a. C. ): Poeta não tocado por a «divina loucura» ele não é, de feito, um Poeta de prol – e com Arístocles concorda, de facto, o estrénuo Estagirita ( Estagira, 384  – Cálcis, 322 a. C. ). Pois seguindo e segundo o Autor de «Metafísica», «nunca houve nenhum grande Génio sem uma veia de loucura.» Um reparo aqui porém: para o discípulo de Sócrates, essa amência não é clínica, mas ela é vinda, deveras, dos deuses. Que o Poeta, para Platão, ele recebe dos deuses, para aos homens dadivar, ele é medianeiro entre os homens e os Numes.  O n.º 3 do «Orpheu», no lance e no lai, não chegou a vir a lume, pois Carlos Augusto de Sá-Carneiro ( Lisboa, 26/ 05/ 1871 – Lisboa, 06/ 06/ 1952 ), o Pai, autoritário, do Autor de «Indícios de Oiro» (1937), se refusou a pagar, novamente, a conta, exorbitante, da tipografia. Mas, mesmo assim, Álvaro de Campos ( Tavira, 15/ 10/ 1890, 1935 ) viu, publicadas, duas Odes miraculosas: a «Ode Triunfal» ( 08/ 03/ 1914 ), no Orpheu I, e, munificente, a «Ode Marítima», no segundo Orpheu. Esta última considerada, por Adolfo Casais Monteiro  (Porto, 04/ 07/ 1908 – São Paulo, Brasil, Julho de 1972), «um dos mais geniais poemas de qualquer época da literatura universal.» Ratificando, Eduardo Lourenço ( São Pedro de Rio Seco, 23/ 05/ 1923 – Lisboa, 01/ 12/ 2020 ), ao dizer que ela é «um dos mais grandiosos e profundos poemas de que pode orgulhar-se a língua portuguesa». Como quer que seja, assertamos, aqui: 8 de Março de 1914 foi o «dia triunfal» para o Álvaro de Campos. E se encerra, o Movimento do porvir, em Novembro, nitente, de 1917, com o «Portugal Futurista» e providencial. Que abarcava, ou abraçava, os fanais, e os faróis, de Santa Rita Pintor, José de Almada-Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Apollinaire, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Raul Leal , Álvaro de Campos e Blaise Cendrars. E como não podia, pois, deixar de ser: pouco depois de ser posto à venda, o primeiro e único número do magazine ele foi, adrede, apreendido por a Polícia. Sendo dirigida, essa revista, por um aluno de Belas-Artes, Carlos Filipe Porfírio (Faro, 29/ 03/ 1895 – Faro, 25/ 11/ 1970),  que foi Poeta, cineasta, pintor e actor. Vale a pena aqui citar: o «Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX», da Autoria de Almada, ele termina como segue: «O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades.» Em prol, aqui, do nacionalismo cosmopolita surde e surge, na verve, o «Ultimatum», de Álvaro de Campos. E clama e exclama, em 1917, o «Manifesto Futurista da Luxúria», de Valentine de Saint-Point ( Lyon, 16/ 02/ 1875 – Cairo, 28/ 03/ 1953 ). Mas não leixemos no oblívio: a introdução oficial do Futurismo em Portugal, ela se deu, de feito, a 14 de Abril de 1917 – e ela foi, de facto, no antigo Teatro República, que é hoje, sem jaça, o Teatro Municipal de São Luiz. Organizada, a conferência, por Almada, e por a verve de Santa Rita, se leram textos, além doutros, ali, do Poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti ( Alexandria, 22/ 12/ 1876 – Bellagio, 02/ 12/ 1944 ), ele tinha lançado, no jornal francês «Le Figaro», seu «Manifesto Futurista», a 20 de Fevereiro de 1909. Pois vem, aqui, a talho de foice: na cidade albicastrense, a 20 de Fevereiro de 1936, foi nado, nitente, António Salvado. E ora sus, preste e pronto, e muita Alma para a viagem. No culto cristiano há dous significados para o termo «criacionismo», e deles tratemos, então. Significa, em primo lugar, que Deus criou o mundo «ex nihilo», que Deus, portanto, criou do nada e sem recurso a qualquer matéria preexistente; isso é o que figura no bíblico Génesis. Em segundo, e sagrado lugar, a Alma humana é criada imediatamente por Deus e infundida, genesicamente, no corpo; é que a Alma de cada pessoa é criada no momento, mavioso, em que esta é concebida. E essa doutrina, medieval, foi difundida, ou defendida, por S. Tomás de Aquino ( Roccasecca, 1225 – Fossanova, 07/ 03/ 1274 ), o Autor, acareado, da «Summa Theologiae». O terceiro significado do vocábulo «criacionismo» se entronca, forte e firme, na Cultura Portuguesa. O caso e a causa é portanto a seguinte: Leonardo Coimbra (Lixa, 30/ 12/ 1883 – Porto, 02/ 01/ 1936),  filósofo e Poeta, ele concorre, em 1912, ao lugar de Professor do grupo de Filosofia da Faculdade de Letras de Lisboa, apresentando «O Criacionismo ( Esboço de Um Sistema Filosófico )» como dissertação. Por manifesta incompatibilidade com o júri, foi submetido, o jovem Leonardo, ao vexame e ao exame, e seu projecto, portanto, foi gorado. O nome do professor que adrede o reprovou ele era, deveras, Joaquim António da Silva Cordeiro. É lógico, então, este lance: quando surde, um Génio, neste mundo, se conluiam, contra ele, os medíocres, o apodando de fácil, de inútil, ou de fútil, até. E é que em 1915, no ano mesmo da revista «Orpheu», Leonardo dá a lume, liberrimamente, «O Pensamento Criacionista». Como político, Leonardo foi eleito, por duas vezes, para o cargo de Ministro da Instrução Pública. Tendo sido fundada, em 27 de Agosto de 1919, a Faculdade de Letras do Porto, onde foi Professor, ou professou, de 1919 a 1931. E tendo como discípulos, entre outros, Agostinho da Silva, Delfim Santos, Sant’Anna Dionísio, José Marinho e, sem dolo,  o Álvaro Ribeiro. E, com «adresse», os didactas Augusto Saraiva, Ângelo Ribeiro e Eugénio Aresta. Os humanistas, também, António Salgado Júnior e o Padre, preclaro, António Dias de Magalhães. Ao lado de Jaime Cortesão e de Teixeira de Pascoaes, Leonardo foi, em 1912, um dos iniciadores do movimento da «Renascença Portuguesa», de que seria, «A Águia», o órgão promotor. Durando até Junho de 1932, o primeiro número da revista foi para as bancas em 1 de Dezembro, deveras, de 1910. E foi n’ «A Águia» que se estreou o filósofo e Poeta Fernando Pessoa (Lisboa, 13/ 06/ 1888 – Lisboa, 30/ 11/ 1935).  Mais concretamente, se debuta, o Autor da «Mensagem», em Abril de 1912, com um artigo intitulado «A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada». Finalmente e alfim, pra Leonardo, a filosofia, aqui, é o «órgão da liberdade», «o homem não é uma inutilidade num mundo feito, mas o obreiro de um mundo a fazer.» Ou melhor: criado à imagem de Deus Pai, o homem só será livre quando criar o mundo, ideal, à medida do seu sonho: ora isto mesmo pensavam Unamuno ( Bilbau, 29/ 09/ 1864 – Salamanca, 31/ 12/ 1936 ), no estro, e, nas artes, Agostinho da Silva (Porto, 13/ 02/ 1906 – Lisboa, 03/ 04/ 1994).  Fazendo parte, o Criacionismo, do chamado não-cousismo. O considerar o real como coisa ele é, de feito, uma antifilosofia, pois o real, em vez de coisa, ele é ser, premente, ele é vida senciente. Sendo Cristo, segundo Leonardo, o descousificador de todalas cousas, aquele que nos releva, afinal, enquanto pessoas. E se Cristo descousifica, o nosso culto pra com Ele será um «rapport» de pessoa pra pessoa. Para o rábido Rimbaud ( Charleville, 20/ 10/ 1854 – Marselha, 10/ 11/ 1891 ), o Eu, portanto, é um Outro. Ou seja: em demanda do Ser, o Eu, cá na terra, anela o Outro, que é Deus……………………….  

IV

O que nos move, nas letras humanas, é a sagrada Trindade: ela é Hespanha, Portugal e o Brasil, quer dizer, é a missão universal do galaico-português: nela a «arkhê» é a barca e a Índia, belamente, é brilho e fulgor. E ora vamos, selectamente, às três iniciais do nosso estar-no-mundo: e obtemos HPB. Ou seja, no lance, Helena Petrovna Blavatsky ( Dnipro, Ucrânia, 12/ 08/ 1831 – Londres, 08/ 05/ 1891 ). Instruída, por o Mestre Morya, no Budismo Tibetano, dele recebeu a seguinte injunção: o forjar, ou formar, um núcleo coeso de espiritualismo. E é o que ela faz, em 17 de Novembro de 1875, em Nova Iorque, conjuntamente com o Coronel Henry Steel Olcott ( Orange, New Jersey, 02/ 08/ 1832 – Adyar, Índia, 17/ 02/ 1907 ), e, ainda, William Quan Judge ( Dublin, Irlanda, 13/ 04/ 1851 – Nova Iorque, 21/ 03/ 1896 ). E tem, este escol, três propósitos ou escopos: o formar um núcleo da Fraternidade Universal em toda a humanidade, sem distinção de credo, raça, sexo, e casta ou cor; o fomentar, e alentar, o estudo comparado das Religiões, Filosofias e Ciências, e, finalmente, o escrutar, e esquadrinhar, as leis inexplicadas da natureza e os poderes latentes, e ocultos no Homem. E é o que ela tem feito, um pouco por todo o mundo. Arquivemos, caloroso, o seu lema e emblema: em sânscrito, vivalma ou no solar, «Satyan nasti paro dharmah», isto é, «não há religião superior à Verdade.»  

V

Ao fazermos este escorço, alembramos, levemente, a «Senhora da Noite» ( 1909 ), de Teixeira de Pascoaes ( Amarante, 02/ 11/ 1877 – Gatão, 14/ 12/ 1952 ). Arquivemos, aqui, a arqueologia do Ser: a primeira edição das obras completas de São João da Cruz ocorreu, cordialmente, em Alcalá, no ano selecto de 1618, e teve, como protagonista, Diego de Salablanca. Fronde e fruto, agora, do meu subconsciente, ou, então, Efeito-Tele: a 22 de Junho de 1580 o Papa Gregório XIII ( 1572 – 1585 ) assina um decreto intitulado «Pia Consideratione», e nele autoriza, os Carmelitas Descalços, a constituírem província autónoma, governada, cautamente, por um provincial da sua própria regra. E como ninguém é profeta em sua terra ( Lc, 4: 24 ), em 1618 as Obras do Santo foram denunciadas, debalde, ao Santo Ofício. Pois baseado num desenho do místico espanhol, depois e depós uma revelação, em 1951 pintou regiamente, o Salvador Dalí ( Figueres, 11/ 05/ 1904 – Figueres, 23/ 01/ 1989 ), o «Cristo de São João da Cruz». E ora muito e muito bem. Nos fiquemos, à guisa de epílogo, com um belo pensamento do Poeta maior: «Onde não há amor, põe tu amor, e tu amor encontrarás.» É Belo, é beletrista, ele é bondoso, deveras, e Paz, na terra, pra todos os homens………………………………………………………

VI

Afiança, de boa-fé, María Ángeles (Valladolid, 22/ 06/ 1967): «Vou pelas manhãs caçar o bisonte, / cubro-me com a primeira pele do meu mundo, / as flechas são do homem que acompanha / o seu sonho e o cadencia com o meu, / ele caminha pelo seu lado e vereda / para escrever a sua parte da história.» Muito, muito, muito bem. E eis, em consciência, o historial do renascer: a 22 de Junho, se celebra, na Igreja Católica, o Nume e o nome, a memória de Thomas More (Londres, 07/ 02/ 1478 – Tower Hill, Londres, 06/ 07/ 1535). Humanista, chanceler e mártir inglês, é Autor, acareado, da «Utopia» (Dezembro de 1516), que é a obra mais flamante, relevante e aflante, do britânico Humanismo. Esse «opus magnum», contudo, foi escrito, não em inglês, mas sim, ponderoso, em língua latina. Foi preciso esperar até 1551 pra que surdisse, essa lavra, em língua do Anglo; foi feita a tradução, afinal, por Ralph Robinson (1520 – 1577). Afiançam, de boa-fé, os eruditos e estudiosos: foi escrita, a «Utopia», na linha de «A República», de Platão (Atenas, 427 – Atenas, 347 a. C.) e de «A Cidade de Deus», «De Civitate Dei» (426 d. C. ) de Santo Agostinho (Tagaste, 13/ 11/ 354 – Hipona, 28/ 08/ 430). Sendo, a platónica «A República», redigida por volta de 380 a. C. Em casa de Thomas, em Julho de 1509, na cidade londrina, Erasmo (Roterdão, 28/ 10/ 1466,  Basileia, Suíça, 12/ 07/ 1536), de boamente, ele escreve, em sete dias, o «Moriae Encomium» ou «Laus Stultitiae», o «Elogio da Loucura», sendo «Morus», em Latim, sinónimo de «louco». Essa Obra é considerada, por os livres eruditos, um livro precursor da Reforma Protestante. E dando livre curso à sua sinergia, More e Erasmo trasladaram, do Grego para o Latim, livros e lavras de Luciano de Samósata (Samósata, Síria, c. 125 – Alexandria, Egipto, c. 181). Foi Erasmo apelidado, por Wilhelm Dilthey (Biebrich, Wiesbaden, Alemanha, 19/ 11/ 1833 – Seis am Schlern, Itália, 01/ 10/ 1911), de «génio voltairiano», e era de Erasmo, afinal, o regresso às fontes do Cristianismo. Pois seguindo e segundo Stefan Zweig (Viena, 28/ 11/ 1881 – Petrópolis, Rio de Janeiro, 22/ 02/ 1942), era, Desidério, como é facto e como é feito, «o pai espiritual» do sápido Voltaire (Paris, 21/ 11/ 1694 – Paris, 30/ 05/ 1778). Enorme contributo de Erasmo para as Letras Sagradas: em 1516, e dedicado ao Papa Leão X ( 1513 – 1521 ), ele deu a lume o «Novum Instrumentum omne», isto é, uma edição crítica do Novo Testamento Grego, vertido, veramente, pra Latim, e  com escólios, apostilhas e anotações. Esta lavra haveria de ser marcante, flamante e relevante, na luterana versão da Boa Nova pra Alemão (Wittenberg, 21 de Setembro de 1522). Revertendo, agora, a Thomas More: em 26 de Outubro de 1529 ele foi nomeado, notavelmente, Lorde chanceler do Rei Henrique VIII (1509 – 1547). Era um cargo equivalente ao de Primeiro-Ministro e, por a prima vez, exercido por um leigo. Mas quando o mesmo Rei abjura, deveras, do Catolicismo, Thomas More, em 16 de Maio de 1532, ele apresenta, adrede, a sua demissão. Em 1 de Junho de 1533, é coroada, deveras, Ana Bolena (Norfolk, c. 1501 –  Londres, 19/ 05/ 1536).  Acusada de traição, adultério e incesto, ela seria decapitada, na Torre de Londres, em 19 de Maio de 1536. No dia seguinte, a 20 de Maio de 1536, fica, Joana Seymour, fica noiva, novel, do Rei Henrique VIII. E a 30 de Maio de 1536, celebra, o casal, o seu consórcio, em Londres, no Palácio de Whitehall. A mesma Seymour faleceria, de febre puerperal, em 24 de Outubro de 1537, 12 dias depois de dar ao mundo o futuro Rei Eduardo VI (1547 – 1553). Em 13 de Abril de 1534, é convocado, More, para prestar juramento sobre o Acto de Supremacia, ao que ele refusa, de feito, porque isso implicaria a rejeição, expressa, da autoridade papal. E nesse juramento, o Rei seria proclamado como Chefe supremo da Igreja na Inglaterra. O corolário foi cru: a 17 de Abril de 1534, o chanceler é encerrado, à má-fé, na Torre de Londres, sendo julgado, a 1 de Julho de 1535, por alta traição. E decapitado, cruamente, em Tower Hill, no dia 6. Suas últimas palavras elas foram, de facto, as seguintes:  «Morro servidor fiel do Rei, mas de Deus em primeiro lugar.» Linguística apostilha concernente à «Utopia»: foi forjado, o vocábulo, por Thomas More, a partir do Grego «ou» ( do advérbio de negação ) + o Grego «tópos» ( lugar ), significando, solerte, «que não existe em lado nenhum». O facto de não existir, essa ilha, nos dias de hoje, não quer dizer que não exista, de feito, no longe, no longínquo amanhã. E fazendo, agora, um calembur, seria, a lavra de More, uma «Eutopia», quero eu dizer, um «bondoso lugar». A talho de foice, se encontra, o prefixo «eu», no Grego «Euangélion», «Evangelho» em lusitano, que significa, à letra, o «mensageiro da Boa Nova». E sendo «állos», em Grego, sinónimo de «outro, diferente», essa Eutopia é, outrossim, uma «Alotopia», um «topos» que se rege por regras diferentes. Averbemos, ainda, o vocábulo «Eubiose». Ela é, para o Professor Henrique José de Souza (Salvador, Bahia, 15/ 09/ 1883 – São Paulo, 09/ 09/ 1963), a «Ciência da Vida», a «Acção ou Processo de Bem Viver». Por a mão do Professor, a 10 de Agosto de 1924, em Niterói, são firmados os estatutos da Dhâranâ Sociedade Mental Espiritualista, e era o esperto e era o estudo, era a Esperança que luzia em território brasileiro. Ironia, agora, da História das Ideias: em 1521, com o auxílio de dois conselheiros, o Cardeal Thomas Wolsey (Ipswich, Suffolk, Março 1473 – Leicester, Leicestershire, 29/ 11/ 1530) e, ademais, o Thomas More,  grafa, Henrique VIII, contra a Reforma luterana, o «Assertio Septem Sacramentorum», a «Defesa dos Sete Sacramentos», e a dedica, com «adresse», ao Papa Leão X (1513 – 1521). O pontífice, em troca, em 11 de Outubro de 1521 lhe outorga o título de «Fidei Defensor», o «Defensor da Fé». Do que ele era defensor, sectário, aficionado, nos asserta, agora, a Numerologia: foi nado, o monarca, em Greenwich, nos arredores de Londres, em 28/ 06/ 1491 – e 2 + 8 = 10, sendo 1 + 0 = 1. Ora 1 + 6 = 7. E 7 + 1 + 4 + 9 + 1 = 8 + 13 + 1 = 21 + 1 = 22. Neste caso e nesta causa, é 22, aqui, o número do louco, ou melhor, do ditador, pois tem, este Rei, ele tem o mesmo Karma que Oliveira Salazar. E quanto, agora, à memória de Thomas More: o padroeiro dos governantes, dos juristas e políticos, foi beatificado, em 29 de  Dezembro de 1886, por o Papa Leão XIII (1878 – 1903), sendo canonizado, a 19 de Maio de 1935, por o Santo, Santo Padre Pio XI (1922 – 1939). A 22 de Junho, celebra outrossim, a «ecclesia» Católica, a memória de John Fisher, Bispo de Rochester e Chanceler da Universidade de Cambridge (Beverley, Yorkshire, c. 1469 – Tower Hill, Londres, 22/ 06/ 1535), ele foi o único Bispo inglês que se manteve fiel ao Papa e refusou, figadal, o divórcio do Rei com Catarina de Aragão. Sendo ele decapitado, ao pé da Torre de Londres, a 22 de Junho de 1535. Ou melhor: ele não se curvou perante o Acto, crucial, de Supremacia – ao que ele viveu forte e firme, e ele morreu, caroal, e de olhos postos no Céu……………………………………….               

VII

A tertúlia é relevante, falante e aflante para María Ángeles Pérez López (Valladolid, 22/ 06/ 1967). E ora muito e muito bem. E eis a raiz da palavra «tertúlia»: em Hespanha, no reinado, real, de Filipe IV ( 1621 – 1665 ), se reunia, a gente culta da corte, para ler, escrutar e esquadrinhar as Obras, tempestivas, de Tertuliano, o primeiro Autor da Igreja Católica a forjar, e a formar, um «corpus» em Latim. Ora Quinto Septímio Florente Tertuliano foi nado em Cartago, em 160, e em Cartago faleceu, no ano, deveras, 222. Se umas vezes lhe chamavam Tertuliano «tout court», chamavam-lhe, ainda, «três vezes Túlio», três vezes superior a «Marco Túlio Cícero». E daí o costume de se chamar «tertúlias» aos congressos, às culturas de encontro, que se agregavam, nas casas particulares, para ler, propagar e propalar, a obra, polida, do Apologeta. E fiquemos, alfim, e fiquemos, novamente, com uma cita do Teólogo: é que «sangue dos mártires é semente  de cristãos».

VIII

Carmelita, ou Carmelo, é um frade ou uma freira duma ordem mendicante, contemplativa, vinda de um grupo de eremitas que se instalaram, deveras, no monte Carmelo, Palestina, no século XII. Que a Ordem Carmelita e sua Regra de Vida, inicialmente formulada por Santo Alberto de Jerusalém (Castel Gualtieri, Itália, 1149 – São João de Acre, Israel, 14/ 09/ 1214), foi aprovada oficialmente por o Santo Padre Honório III (1216 – 1227), a 30 de Janeiro de 1226, através da Bula «Ut Vivendo Normam», que significa, em Português hodierno, «Como Norma de Vida». A tradição remonta ao Profeta Eliseu (Antigo Testamento), que viveu, deveras, no Monte Carmelo. A Ordem Carmelita celebrou, a 16 de Julho de 2026, o 775 º aniversário da entrega do Escapulário por Nossa Senhora a S. Simão Stock (Aylesford, c. 1165 – Bordéus, 16/ 05/ 1265), um carmelita inglês. Foi portanto o dia, glorioso para a Graça, de 16 de Julho de 1251. Depós o século XVI, distinguem-se os Carmelitas da Antiga Observância ( Ordem dos Grandes Carmelos, OC ),  da Ordem dos Carmelos e Carmelitas Descalços ( OCD ), sequazes da Reforma de S. João da Cruz e de Santa Teresa de Ávila. E eis que a Ordem do Carmo pertence, adrede, à História de Portugal: depós a morte de sua esposa, o Condestável Nuno Álvares Pereira, aliás Frei Nuno de Santa Maria (Cernache do Bonjardim, 24/ 06/ 1360 – Lisboa, 01/ 11/ 1431), ele entra, deveras, no Convento do Carmo, por ele mandado construir em cumprimento de um voto – e foi o dia, facundo para a Fé, 15 de Agosto de 1423. Nuno Álvares Pereira foi beatificado, por o Papa Bento XV, a 23 de Janeiro de 1918 – e foi canonizado, como São Nuno de Santa Maria, por o bendito Papa Bento XVI, a 26 de Abril do ano 2009. Quanto ao mais, já sabemos que foi nado, o Santo Condestável, em 24/ 06/ 1360 – e somando os dígitos, dessarte, 2 + 4 + 6 + 1 + 3 + 6 = 12 + 4 + 6 = 22, e estamos, desta sorte, conversados. Frei Nuno, notável, de Santa Maria, e se este Númen agiganta, é úbere, deveras, a Ibéria sacrossanta.

IX

Muito tempo antes da era cristã, os Egípcios dividiam o Zodíaco astrológico em 36 partes. Cada decanato, como é óbvio, tem 10 dias, cada signo, selectamente, tem 3 decanatos. María Ángeles pertencendo ao primeiro decanato de Caranguejo, eis, aqui, o oráculo: é uma jovem, mui guapa, com uma flor em sua mão. Simboliza a humanidade, a cortesia, a subtileza e a alegria. E é governada por Vénus, ou seja, por o planeta venusto. E Vénus não rege somente o Amor, ele dirige, outrossim, as Belas-Artes e Belas-Letras. E é por isso, María Ángeles, uma operária da Palavra. Uma arteira, artista, levemente publicista………………………………………………………………………………………………………………

X

Agora vamos, então, às palavrinhas. Como Universidade que é, a instituição salamantina ela busca, deveras, a universalidade dos conhecimentos. Sendo, aqui, a unicidade, sendo, aqui, o verso universal. Que «intelligere», para a língua do Lácio, é «inteligir», «entender» ou «compreender». E mana, esta palavra latina, de «intus» ( «dentro» ) + «legere» ( «ler» ), e é, em livre tradução, «ler no imo ou interior», «ler, dessarte, no coração do ledor». Nos oferendando, Pérez López (Valladolid, 22/ 06/ 1967), a sápida ciência, ela é perita, e experta, em saber e o sabor. Ou melhor: o «erudito», aqui, é o antónimo  de «rude». Ou seja, o «educar», etimologicamente, é sinal e sinónimo do «alimentar». E sendo, o «aluno», aquele que manja, dessarte, o edível e edule – a isso se chama, com «adresse», o edificar. O caso e a causa é portanto a seguinte: na Universidade de Salamanca, a 15 de Julho de 2026 se reuniu, na messe, a doutoral comissão, dando o título, a María Ángeles, de Professora Catedrática. O vocábulo «cathedraticus», em Latim, deriva de «cathedra», que significa, caroal, «cadeira» ou «assento». E referia-se ao Bispo que ocupava a «cátedra», ou «cadeira», episcopal. Quanto a «Catedral», ela mana do Latim eclesiástico «ecclesia cathedralis», que é, deveras, «a igreja onde um Bispo tem assento». Ou melhor: o culto, em Salamanca, irmão gémeo da cultura. E, nessa cultura, a unicidade, e hombridade, da humana pessoa. Quero eu dizer, na académica carreira, primeiro o ministério, depois, o magistério. Primeiro é servir o lente e o Génio, e depois, na majestade, ser a magna, a «magistra», a munificente. E que seja, o laurear, a lauda e a escola, o gabo, e a glória, da Lira espanhola…………………………………………………………………………………………………………….………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

XI

Averbámos, a seu tempo devido, Josef Breuer ( Viena, 15/ 01/ 1842 – Viena, 20/ 06/ 1925 ). Segundo Freud leixou escrito, foi ele, deveras, o fundador da Psicanálise. Prova disso são, dos dous Autores, em 1895, os «Estudos Sobre a Histeria». Como já referimos, Pierre Janet fez, independentemente de Freud, a descoberta da catarse. E em lauto e alto Pitagorismo, nós temos, então: 1 + 5 + 1 + 1 + 8 + 4 + 2 = 7 + 9 + 6 = 16 + 6 = 22. Mas seguindo e segundo Charcot ( Paris, 29/ 11/ 1825 – Nièvre, 16/ 08/ 1893 ), que passou o lema a Sigmund Freud, a histeria não é só patologia feminina; Fernando Pessoa ( Lisboa, 13/ 06/ 1888 – Lisboa, 30/ 11/ 1935 ), «verbi gratia», era histeroneurasténico. E mais, e mais ainda: seguindo, segundo Freud, a histeria não é mais que uma obra de  Arte deformada. E é que Louis Aragon e André Breton, a 15 de Março de 1928, no número 11 de «La Révolution Surréaliste», celebraram, selectamente, «o  cinquentenário da histeria», «a maior descoberta poética de fins do século XIX». Que a divisa dos surrealistas é alta, ela é, deveras, a «beleza convulsiva». De tal modo que eu afirmo, de tal modo que afianço: sê bem-vindo à nossa bênção, sê bem-vindo, Josef Breuer, aos Arquétipos Arcanos……………………………………………………………………………………………………………….……………………………………………………………………………………………………………………………

XII

A língua, aqui, é uma forma de liga. Dialéctica é diálogo do Eu com o Tu. E comunicar é pôr em comum, comunicação com Amor redunda em comunhão. Um reparo aqui porém: contrariamente ao que dizem os materialistas, a fala não é só fenómeno fisiológico, a língua, desse modo, tem origem divina. E ora muito, muito bem. Para o meu ledor dilucidar, aqui se averbam os significados de cinco vocábulos, liliais: «Paralipómenos», «carme»,  a «Brahma-Vidyâ», a lauta «Lísia» e, alfim, o «Querigma». Comecemos, então, com «Paralipómenos», estribado e esteado no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Segundo a Vulgata, são os livros de Crónicas que contêm o que fora omitido ou que fornecem um complemento aos Livros dos Reis. Vem do grego «Paraleipómena», que designa, na signa, «acontecimentos omitidos nos Livros dos Reis». O termo é, por extensão, qualquer suplemento a uma obra literária. Sendo sinónimo, então, de «epílogo», «posfácio» ou «conclusão». O termo deutério, aqui, é o vocábulo «carme». Oriundo de «carmen», em Latim, significa «canto, esconjuro, poema, fórmula mágica». E do «carmen» proveio, na língua do Galo, o vocábulo «charme». Que sinaliza, na Acidália, «encanto, fascínio, sedução». A tércia palavra, aqui, é «Brahma-Vidyâ». Seguindo e segundo a branda Blavatsky ( Dnipro, Ucrânia, 12/ 08/ 1831 – Londres, 08/ 05/ 1891 ), designa o conhecimento, ciência esotérica sobre Brahma, o deus dos Hindus. É, portanto, a sabedoria divina ou Teosofia, ela é, no sacral, a sápida ciência… E vamos, agora, à palavra «Lísia». Se trata de um arcaísmo que era usado, amiúde, por Poetas dos séculos XVIII e XIX, incluindo, até, o próprio Bocage. Sendo sinónimo, «Lísia», do preclaro «Portugal»… E quanto, agora, a «Querigma», que vem do grego «Kérygma». É uma palavra usada no Novo Testamento com o significado de «anúncio», «proclamação», «mensagem», «pregação». É, pois, o ser Arauto ou missionar, o plantar a semente em seminário floral……….

XIII

«Não há nenhum grande Génio sem um toque de loucura» é uma frase de Séneca, o Jovem, que a atribuiu, de feito, a Aristóteles, deveras. Para Platão, «verbi gratia», o génio poético é uma sorte de «daimon», uma ligação do humano ao divino, um dom doado, por os deuses, aos Poetas e rapsodos. E quanto, agora, ao Estagirita: em sua «Problemata», ele afiançou que todos os indivíduos excepcionais, seja na Filosofia, na Política, nas Artes ou na Poesia, eles são, de algum modo, melancólicos. E eis, aqui, os «Poemas Saturnianos» ( 1866 ), do verídico Verlaine. Concordando, de facto, com Demócrito, eis que avisa ou divisa, manifesto, Moreau de Tours: «O génio é uma neurose». Que é normal, ou natural, que apresentasse, Fernando Pessoa ( Lisboa, 13/ 06/ 1888 – Lisboa, 30/ 11/ 1935 ), tendências, no lance, para a esquizofrenia. Significando, o vocábulo, a «divisão da mente», eis aqui uma quadra do ortónimo Pessoa: «E como são estilhaços / Do ser, as coisas dispersas, / Quebro a alma em pedaços / E em pessoas diversas». E eis pois o retrato, revel e fiel, da dissociação, da demência precoce, da Clivagem do Ego. Não há Poeta, portanto, sem loucura. Em «Os Lusíadas», no primo verso da quinta estrofe, no Canto I, reza, destarte, o culminar camoniano: «Dai-me uma fúria grande e sonorosa», ou seja, Tu dá-me, Tágide, o poético furor. Mas eis que asserta, Pessoa, na «Mensagem»: «Minha loucura, outros que me a tomem / Com o que nela ia. / Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria?» Ou seja: a amência, muitas vezes, é o acme e acume, o ponto máximo da Obra. Ouçamos, então, José Régio ( Vila do Conde, 17/ 09/ 1901 – Vila do Conde, 22/ 12/ 1969 ), em seu premente, e excelente, «Cântico Negro»: «Eu tenho a minha loucura! / Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, / E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…» Em serena, e amena conversa com um Psicólogo português, ele na reza razoou: quer Sigmund Freud, quer Carl Gustav Jung, eles são lautos, lídimos exemplos, da neurose criadora. Da neurose criadora, criativa ou criacionista, é, María Ángeles  (Valladolid, 22/ 06/ 1967), um caso tópico e típico – e ela o é à guisa, lilial, de Vicente Huidobro ( Santiago, Chile, 10/ 01/ 1893 – Cartagena, Chile, 02/ 01/ 1948 ). E ora muito, muito bem. O caso e a causa é portanto a seguinte: é que Charles Binet-Sanglé, psicólogo, dessarte, e médico francês, em 1908 deu a lume, em quatro volumes, um vitupério livro: e chamava-se, esse lance, «La Folie de Jésus», «A Loucura de Jesus». Que esse médico era militar e era sequaz, soez, da escola positivista. É que génios são os loucos, loucos os heróis, e loucos são os Santos. Através da loucura divina nos chegam, segundo Platão, as benesses maiores para a nossa Humanidade. Que a apreensão do Absoluto, para Friedrich Hegel, se faz, ou se forja, através de três momentos: a Arte, a Religião, a figadal Filosofia. Ouçamos, então, Sigmund Freud (Freiberg, Morávia, 06/ 05/ 1856 – Londres, 23/ 09/ 1939 ), in «Totem e Tabu» ( 1913 ). «Quase poderia dizer-se que uma histeria é uma obra de arte deformada, uma neurose obsessiva é uma religião deformada, e um delírio paranóico, um sistema filosófico deformado.» Poeta sem loucura, então, não é Poeta. E era germinal, e era Poeta o Francisco de Assis ( Assis, 1181 ou 1182 – Assis, Úmbria, 03/ 10/ 1226 ). A propósito, então, dos suicídios de Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19/ 05/ 1890 – Paris, 26/ 04/ 1916), Camilo Castelo Branco ( Lisboa, 16/ 03/ 1825 – S. Miguel de Ceide, 01/ 06/ 1890 ) e Anthero de Quental ( Ponta Delgada, 18/ 04/ 1842 – Ponta Delgada, 11/ 09/ 1891 ), eis o que asserta, na verve, São João, 12: 24: «Se o grão de trigo, ao cair na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.» Sendo a morte, aqui, a desgraça, a tristura, a dolente soledade. Não há Poesia, portanto, sem provação. Não há criação sem uma vera, e crucial, descida aos infernos……………….   

 

             

ADENDA

Eis um bíblico versículo que se transformou num provérbio da Língua Portuguesa: «Mas tudo dispuseste com medida, número e peso» ( Sab 11: 21 ). Nos amparando, adrede, nos escorando, agora, em Pitágoras, na Ágora, o Áugure Pítico. E é esta pois a messe, são estes os comentos dum neopitagórico. E arquivemos, no carme, registemos, aqui, «personae», tais como a Ángeles, regidas, dirigidas, por os Números  Mestres, «verbi gratia», o 11, o 22 e também o 33. E comecemos, então, por María Zambrano (Vélez-Málaga, 22/ 04/ 1904 – Madrid, 06/ 02/ 1991). A Autora de «Filosofia e Poesia» ( 1939) e de «O Homem e o Divino» (1955) ela tem selo de Magíster, é duplamente marcada por o número 22. Senão, na faina, vejamos ora: 2 + 2 + 4 + 1 + 9 + 4 = 8 + 10 + 4 = 18 + 4 = 22. O mesmo se passa, adrede, com Immanuel Kant (Konigsberg, 22/ 04/ 1724 – Konigsberg, 12/ 02/ 1804), uma das maiores inteligências na história, lilial, da Filosofia. Seu Número de Destino é como segue: 2 + 2 + 4 + 1 + 7 + 2 + 4 = 8 + 8 + 6 = 16 + 6 = 22. Só isso poderia explicar a «Crítica da Razão Prática» (1788) e, outrossim, a «Crítica da Faculdade de Julgar» (1790). E averbemos, deveras, Fiódor Dostoiévski (Moscovo, 11/ 11/ 1821 – São Petersburgo, 09/ 02/ 1881), o famigerado Autor de «Crime e Castigo» (1866) e de «Os Irmãos Karamazov» (1879 – 1880). Regido por o 11, que é o número da Força, sua missão é, também, magistral: 11 + 11 = 22. E, agora, comovido, em Brahma Vidya: José Fernando Tavares (22/ 05/ 1965), nascido, dessarte, na cidade lisboesa, é um Escritor, ensaísta, dramaturgo, crítico literário e Professor, professo, de Literatura e Latim. Calculemos, aqui, sua Missão: 22 + 5 = 27, e 2 + 7 = 9. É um número ligado à difusão, e à defesa, de causas sociais e humanitárias. O seu caminho está ligado a escolhas altruístas, à entrega, aos outros, de cor e coração. E quanto, agora, ao seu Número de Vida??? A resposta é muito simples: 4 + 5 = 9. E 9 + 1 + 9 + 6 + 5 = 10 + 15 + 5 = 25 + 5 = 30. O Número Kármico de José Fernando Tavares é pois o 3. É o signo de quem ama a Arte, a Literatura e as Letras Sagradas, é o símbolo da fertilidade, é o dígito que indica a Grande Obra a ser feita. Obra essa ampliada, alteada, por a cifra do 0. É o número de quem propala, e propaga, formas variadas de auto-expressão. E como o dia natal é deveras relevante, registemos, na fronde, duas efemérides: um dos homens mais cultos do século XX lusitano ele foi, figadal, o Padre Manuel Antunes, Sociedade de Jesus – e ele foi nado na Sertã, em 03/ 11/ 1918. E o Poeta, estado-unidense, Allen Ginsberg, ele nasceu, nitentemente, em Newark, a 03/ 06/ 1926, e foi ele quem deu origem ao movimento «Beat». Áreas profissionais recomendadas para quem é marcado por o Númen do Trívio: arte, moda, literatura, engenharia, no gérmen, e, dessarte, a educação. Entre muitas outras Obras, salientamos, de José Fernando: «A Letra do Espírito, Estudos sobre a Experiência do Imaginário» (1996), «Fernando Pessoa e as Estratégias da Razão Política» (1998) e, ademais, «A Heresia Humanista» (2002).  E companhia fazendo a José Fernando Tavares, nós temos, então: Gérard de Nerval (Paris, 22/ 05/ 1808 – Paris, 26/ 01/ 1855), Richard Wagner (Lípsia, Alemanha, 22/ 05/ 1813 – Veneza, Itália, 13/ 02/ 1883), Arthur Conan Doyle (Edimburgo, Escócia, 22/ 05/ 1859 – Crowborough, 07/ 07/ 1930) e, finalmente, o Hergé (Etterbeek, Bélgica, 22/ 05/ 1907 – Woluwe-Saint-Lambert, 03/ 03/ 1983), que foi Escritor, artista, e promotor, e Autor, de Banda Desenhada. Germinal, bem jeitoso, e portanto generoso, foi ele quem forjou o personagem Tintim. Relevando e alçando Richard Wagner, 2 + 2 + 5 + 1 + 8 + 1 + 3 = 9 + 9 + 4 = 22 – e aqui eis, novamente, a letra Tau. Uma Senhora, agora, das loas e letras portugalaicas: Maria Estela Guedes (21/ 05/ 1947)  é dramaturga, poeta e ensaísta portuguesa. Autora, em 1979, de «Herberto Helder, Poeta Obscuro», e, em 1984, de «Crime no Museu de Philosophia Natural». E feitora, em 1998, de «O Mundo Ibero-Americano nas Grandes Exposições». No estilo de Estela Guedes, 2 + 1 + 5 + 1 + 9 + 4 + 7 = 8 + 10 + 11 = 18 + 11 = 29, sendo, aqui, 2 + 9 = 11. A Estela Guedes foi dada, relevante e aflante, uma grande inspiração. Ela sendo, veramente, visionária, é movida, e comovida, por o Espírito Paracleto. Sendo, fundamente, um obreiro do progresso, o Sopro que nela mora a leva, levemente, para a inovação. E eis, para o Número 11, as áreas profissionais mais afectas e dilectas: Ciências Ocultas, educação, tecnologias de ponta. Se o signo do dia, em Estela Guedes, é 21, 21, biblicamente, é o número, por excelência, da perfeição: e 3 x 7 = 21. 21, outrossim, é o dia de Voltaire (21/ 11/ 1694),  é o dia, jucundo, de Jean-Paul Sartre (21/ 06/ 1905), é o número, acareado, da Rainha Elizabeth II do Reino Unido (21/ 04/ 1926).  Se a 21/ 05/ 1471 nasceu Albrecht Durer, foi nado, Alexander Pope, a 21/ 05/ 1688, e veio à terra, preste, preste, o músico Hermes Aquino, a 21/ 05/ 1949. No concernente, agora, a Voltaire: se foi nado, Friedrich Schleiermacher, em 21/ 11/ 1768, nasceu, René Magritte, em 21/ 11/ 1898 – e viu a luz do mundo, Christopher Tolkien, em 21/ 11/ 1924. E, agora, novamente, uma grande, ingente Luz. Vivendo, em egrégora, com Maria Estela Guedes, a Poetisa Maria da Conceição da Silva Rodrigues Azenha foi nada em Coimbra, cidade Doutora, a 29 de Dezembro de 1945. O dia, feericamente, é formidando: 2 + 9 = 11 – e foram 11 os discípulos a Cristo fiéis. Mentaremos o mesmo que dissemos mais atrás: Azenha, pois, é supimpa, Azenha é insuflada por o Espírito Paracleto. O seu dever é insuflar, ou propalar, o gene e o Génio com que nasceu. E é o que se vê com «Folha Móvel» (1987), «De Amor Ardem os Bosques» (2010) e «Num Sapato de Dante» (2012). E na demanda da Luz, 2 + 9 + 1 + 2 + 1 + 9 + 4 + 5 = 11 + 3 + 10 + 9 = 14 + 19 = 33. Quer dizer: Poeta, Pintora, Esoterista e Artista, é que vive, Maria Azenha, para o bem da Humanidade. Rechaçando, e se apartando, do que é violento, e amando, «verbi gratia», o Amor e a harmonia. Como o 3 aqui é duplo, ela é arteira, artista, veramente publicista. Ela é, outrossim, Esoterista e Ocultista. Numa atitude de dádiva, é mensageira de Beleza, de Belas-Artes e alor, ela é apóstola, dessarte, da Santa Liberdade. Ou melhor: da comunicação e da solidariedade. E que mais, Amigo ledor??? Sabemos que Maria Azenha é licenciada, por a Universidade de Coimbra, em Ciências Matemáticas, e que os números professou em toda a vida sua. Averbemos então, com Alma, as datas concernentes a Albert Einstein (Ulm, Alemanha, 14/ 03/ 1879 – Princeton, New Jersey, 18/ 04/ 1955). Somando, desta sorte, os números natais, 1 + 4 + 3 + 1 + 8 + 7 + 9 = 8 + 1 + 8 + 7 + 9 = 9 + 15 + 9 = 29 + 4 = 33. E aqui eis a Pansofia, eis os prolegómenos, aqui, a toda a Matemática às Letras aplicada. E não leixemos, aqui, cair no oblívio: o Poeta português Filipe de Fiúza, ou melhor, o Poeta e Engenheiro Filipe de Fiúza, foi nado em São Pedro de Penaferrim, concelho de Sintra, a 14/ 07/ 1983. Somando os dígitos, então, 1+ 4 + 7 = 12. E 12 + 1 + 9 + 8 + 3 = 22 + 11 = 33. É o mesmo número de Maria Azenha, o mesmo número, outrossim, do feérico Einstein. Ainda, ainda, sobre o Filipe: com quase 20 livros publicados, «a sua religião é a Poesia, porque Deus é a imaginação». E é que «image» e «magie», na língua do Galo, são perfeitos anagramas… E está concorde, o Filipe, com o escol e a escola da Filosofia Portuguesa. Pois firma e confirma, «verbi gratia», o Álvaro Ribeiro (Miragaia, Porto, 01/ 03/ 1905 – São Domingos de Benfica, Lisboa, 09/ 10/ 1981): «Se a razão é, efectivamente, o que distingue e separa a humanidade da animalidade, a imaginação é o factor divinizante.» E averbamos agora, com a vénia devida, a Professora Doutora Maria Leonor Machado de Sousa, de seu nome completo Maria Leonor Ribeiro da Fonseca Calixto Machado de Sousa (Lisboa, 11/ 11/ 1932 – Lisboa, 16/ 09/ 2021). Similar, no Pitagorismo, a Dostoievski, veio ao mundo, esta mulher, pra ser figura-fulgor. Foi minha Mestra, de Literatura Inglesa, na Universidade Nova de Lisboa. Licenciada em Filologia Germânica, em 1954, por a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Se mudando, em Fevereiro de 1974, para a Universidade Nova, onde se doutorou, leve e leda, em Ciências Literárias, e criando o Departamento de Estudos Anglo-Portugueses. Na Universalidade onde fomos nós aluno, ela criou, em 1981, o centro de investigação em Estudos Anglo-Portugueses e forjando, outrossim, o Mestrado, em Estudos Anglo-Portugueses. Aí fundando a Revista de Estudos Anglo-Portugueses e a «English-Speaking Union» em Portugal, que veio preste a presidir. Foi Presidente, ademais, da Associação Portuguesa de Estudos Anglo-Americanos e vice-Presidente da «Byron Society» em terras, dessarte, de Anthero de Quental (Ponta Delgada, 18/ 04/ 1842 – Ponta Delgada, 11/ 09/ 1891). Foi, entre 1988 e 1990, Vice-Reitora da Universidade Aberta. Se alteando, entre 1990 e 1996, a Directora da Biblioteca Nacional de Portugal, tendo sido a primeira mulher a exercer esse múnus. E jubilou-se, da Universidade, no ano 2001. Era membro da Academia Portuguesa da História, da qual foi, entre 2002 e 2004, Vice-Presidente, ocupando a cadeira número 25 e sendo elevada a Académica de Mérito em 2014. E como lusitana, investigou os Mitos de D. Inês de Castro, de El-Rei D. Sebastião e de Luís de Camões nas Letras europeias, assim como a Literatura Gótica em Portugal e os Poetas modernistas portugalaicos. Era membro do Conselho Geral da Fundação Inês de Castro e era membro, outrossim, do Conselho Supremo da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Esta mulher nasceu para brilhar, ela brilhou até à morte. No ano mesmo em que expirou, a 5 de Janeiro de 2021, é agraciada, por a Rainha Elizabeth II (1952 – 2022), com a Excelentíssima Ordem do Império Britânico (em Inglês: BEM  – «Member of the Most Excellent Order of the British Empire»). Da sua vasta, basta Obra, salientamos, selecto, os títulos seguintes: «D. Inês e D. Sebastião na Literatura Inglesa» (1979); «Alcipe e a sua Época» ( 2003, com Marion Erhardt e José Esteves Pereira) e, ademais, «Inês de Castro: um Tema Português na Europa» ( 2005, reedição 2020 ). A Doutora Maria Leonor está duplamente marcada por o número 11, e 11 + 11 = 22. Sendo assim, o 22 é providencial, é o caminho da difusão da Luz sobre a Terra. E vamos em demanda do Kármico número de Machado de Sousa: 11 + 11 = 22. E 22 + 1932 = 1954, sendo 1 + 9 + 5 + 4 = 10 + 9 = 19. E sendo, o 19, o número do Sol, sendo 1 + 9 = 10 e 1 + 0 = 1. Devido ao 1, Maria Leonor foi inovadora, independente, fortemente original. Desbravava caminhos sendo líder, pioneira, fartamente padroeira. Não gostando de ser mandada, nem tampouco dominada, cabia, a ela, o papel da autoridade. Dirigindo, liderando e regendo, e fazendo, universal, o seu trilho de alor. Foi dela, alfim, o alçar, foi a Luz e luminar. Ou melhor: o gabo e a glória da linda vitória. Maria Leonor, portanto, era fanal, era sinal de «Sol Invictus». Como sucedeu, outrossim, com Jorge Telles de Menezes (Porto, 22/ 08/ 1951 – Hospital Pulido Valente, Lisboa, 27/ 08/ 2018), a Doutora Maria Leonor foi agraciada, por Deus, com o dom das línguas; e se existia, esse dom, é que ele era pois doado. E mais pessoas, ou «personae», nadas, no carme, em 11 de Novembro. E temos, em 11/ 11/ 1907, Raymond Abellio, o Autor, em 1947, de «Para um Novo Profetismo».  Alteamos, em 11/ 11/ 1941, o declamador e Editor Fernando Ribeiro de Mello, das Edições Afrodite. E louvamos, em 11/ 11/ 1959, essa Ágata, dessarte, na Gaia Ciência. Se em Fernando Ribeiro de Mello, 22 + 1941 = 1963, 1 + 9 + 6 + 3 = 19. Fundando, em 1965, as Edições Afrodite, Ribeiro de Mello era Amigo, e Amigo colaço, de Natália Correia (Fajã de Baixo, Açores, 13/ 09/ 1923 – Lisboa, 16/ 03/ 1993), Luiz Pacheco ( São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 07/ 05/ 1925 – Montijo, 05/ 01/ 2008 ) e Mário Cesariny  (Lisboa, 09/ 08/ 1923 – Lisboa, 26/ 11/ 2006). E três livros que ele publica, preste e pronto, eles andaram, beletristas, na berra: e eu trago, aqui, à colação, o «Kama-Sutra – Manual do Erotismo Hindu» ( 1965 ); da lavra natalina, «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica» ( 1965 ), e, em 1966, «A Filosofia na Alcova», do liberal Marquês de Sade (Paris, 02/ 06/ 1740 – Saint-Maurice, 02/ 12/ 1814).  Quanto à Ágata, agora, 11 + 11 = 22. E 22 + 1959 = 1981, sendo 1 + 9 + 8 + 1 = 10 + 9 = 19. Pois quer a Ágata, quer Fernando Ribeiro de Mello, eles vieram ao mundo para serem, dessarte, figuras-fulgor. E pra fulgirem, fulgurarem, na santa Cruzada da Luz contra as trevas. E ora muito e muito bem. Averbemos, agora, quatro personalidades cujo Número do Destino é deveras 22: Julio Iglesias, Marie Curie e Tenzin Gyatso, o actual Dalai Lama; versemos, outrossim, Josemaría Escrivá de Balaguer. Ora Julio Jose Iglesias de la Cueva, de seu nome completo, foi nado em Madrid, em 23/ 09/ 1943. E 2 + 3 + 9 = 14, sendo 1 + 4 = 5. Ora 1943 + 5 = 1948, sendo 1 + 9 + 4 + 8 = 10 + 12 = 22. Este homem era, deveras, um magnetizador de multidões. Este homem, modulando, teve o mundo a seus pés. Quanto a Marie Sklodowska-Curie, nascida com o nome de Maria Salomea Sklodowska, foi nada em Varsóvia, a 07/ 11/ 1867. Ora 7 + 1 + 1 = 9. E 1867 + 9 = 1876, sendo 1 + 8 + 7 + 6 = 9 + 13 = 22. Mais do que ninguém, ela laborou, lautamente, para toda a Humanidade. Foi uma Física e Química polaca naturalizada francesa. Atraída, dessarte, por sua estrela, chegou a Paris em 1891. Mais precisamente, se matricula, na Sorbonne, em 3 de Novembro de 1891. E cientista de prol, fulgurou ela de feito com as pesquisas, relevantes, sobre a radioactividade. Licenciada, em Ciências Físicas, em 1893, e, em 1894, formada, de feito, em Ciências Matemáticas, em 25 de Julho de 1895 se consorcia, caroalmente, com Pierre Curie. E dividindo, com ele, a sua faina, em Julho de 1898 descobre, na pecheblenda, o polónio, em Dezembro do mesmo ano comunica, à Academia das Ciências de Paris, a descoberta do rádio, em colaboração, cultural, com Gustave Bémont (Paris, 01/ 04/ 1857 – Paris, 28/ 10/ 1932). Em 10 de Dezembro de 1903, foi agraciada com o Prémio Nobel da Física; ganhou, em 10 de Dezembro de 1911, o Prémio Nobel da Química. Sendo o Nobel da Física, em 1903, dividido pelos esposos Curie e por Antoine Henri Becquerel (Paris, França, 15/ 12/ 1852 – Le Croisic, França, 25/ 08/ 1908). Sendo, historicamente, a primeira mulher a receber o Nobel, foi também a primeira pessoa e a única mulher a ganhá-lo duas vezes. E foi, começando em 1906, a primeira mulher a leccionar na Sorbonne. Pois como o seu marido, Pierre Curie, tivesse falecido em 19 de Abril de 1906, atropelado, brutalmente, por uma carruagem, a 13 de Maio desse mesmo ano o Conselho da Faculdade de Ciências decide, por unanimidade, entregar a Madame Curie a cátedra ocupada, na Sorbonne, por o seu companheiro. E o caso é que a 5 de Novembro de 1906, inaugura Marie, em plena Sorbonne, o seu múnus e arte professoral, leccionando, lautamente, Física Geral. E tal como havia acontecido com seus Pais, Irène Joliot-Curie (Paris, 12/ 09/ 1897 – Paris, 17/ 03/ 1956), a primeira filha de Pierre e de Marie, ela partilha, em 10 de Dezembro de 1935, com seu marido Frédéric Joliot-Curie (Paris, 19/ 03/ 1900 – Paris, 14/ 08/ 1958), o Prémio Nobel da Química. Pois seguindo e segundo o Albert Einstein, foi, a cientista polaca, «a única pessoa que a glória não corrompeu». Como química, que era, ela era, também, generosa ou genial: no tratamento contra o cancro, é marcante, e relevante, a radioterapia. Que, efectivamente, os raios radioactivos podem minorar, ou reduzir, as massas tumorais.  À guisa de Marie Curie, María Ángeles, também, ela abraça, e abrilhanta, o género feminino: é que faz parte, a Autora de «La Sola Materia» (1998), do Mapa de Escritoras de Castela e Leão, da associação, beletrista, «El Legado de las Mujeres», «O Legado das Mulheres» em luso linguajar. E participa, outrossim, na Associação Genealogias de Mulheres Poetas em Espanha. «Mulheres Poetas em Espanha»: e é o caso, e é a causa, de   Rosalía de Castro (Santiago de Compostela, 23/ 02/ 1837 – Padrão, 15/ 07/ 1885).  E mais uma vez, quanto a Tenzin Gyatso, o 14.º Dalai Lama: oriundo de uma família de camponeses, ele nasceu, em Taktser, no Nordeste Tibetano, a 06/ 07/ 1935, com o nome, numinoso, de Lhamo Thondup. Significa, «Dalai Lama», «oceano de Sabedoria». Foi reconhecido, aos 2 anos, como a reencarnação do seu predecessor, o abençoado, e o louvado, Thubten Gyatso.  Sua cerimónia de entronização foi realizada em Lhasa, aos 22 de Fevereiro de 1940. Após a anexação do Tibete pela República Popular da China, durante a revolta tibetana de 1959, fugiu o Lama para a Índia, onde vive, em Dharamshala, actualmente como exilado. Pela «resistência ao uso da violência contra o seu povo», foi contemplado, em 1989, com o Prémio Nobel da Paz.  A revista «Time» nomeou Sua Santidade um dos «filhos de Mahatma Gandhi», que ele o é, floreal, e de facto e de feito. Que o maior líder espiritual e ex-chefe de Estado do Tibete diz apenas de si próprio: «Sou um simples monge budista». Ou como diz, e aduz, o Pitagorismo: 6 + 7 = 13, e 1 + 3 = 4. Sendo 4 + 1935 = 1939, e 1 + 9 + 3 + 9 = 10 + 12 = 22. E preste reiterando, não leixemos, aqui, no olvido: simboliza, o 22, o caminho da difusão da Luz sobre a Terra. E quanto ao espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer, o fundador, figadal, do «Opus Dei» (Madrid, 02/ 10/ 1928),  ele foi nado em Barbastro, a 09/ 01/ 1902 – e 9 + 1 + 1 + 9 + 2 = 10 + 10 + 2 = 22. E vejamos, agora, um caso e uma causa de acaso objectivo. Sigmund Freud foi nado, a 06/ 05/ 1856, em Freiberg in Mahren, no avito império austríaco, e uma das suas discípulas, Maria José Vera ( nome literário de Maria José Martins de Azevedo ), nasceu, levemente, em Lisboa, em 05/ 06/ 1959. As pessoas nadas no dia 5 são pessoas plasmadas por o génio de Mercúrio. Alheias e avessas à disciplina, é, a Liberdade, o seu campo de acção. São entusiastas, imaginativas, oblativas, deveras. Se no fulgor de Sigmund Freud nós temos o 6, seguido do 5, invertamos então os dígitos e temos, em Maria José Vera, o 5, solertemente, seguido do 6. O Número de Missão é o mesmo nos dous casos: 5 + 6 = 11. Já o dissemos, com «adresse»: falante e aflante, o 11 é o número duma grande inspiração. Ela desperta nos outros, através da comunicação, os seus alteados, elevados ideais. E a mais justa menagem, homenagem, que se possa prestar a Maria José Vera, ela é, selectamente, a seguinte no requinte: Federico García Lorca foi nado, em Fuente Vaqueros, a 05/ 06/ 1898. Falando, figadal, de Maria José Vera, a sua visão do futuro, e sua «Weltanschauung», é laborar, lestamente, pra que o progresso aconteça. Ou melhor: como Psicóloga, ela ajuda, o dolente, a tornar-se pessoa. Ela firma, e afirma, o chamado «transfert». Como em Sampaio Bruno (Porto, 30/ 11/ 1857 – Porto, 11/ 11/ 1915), pois diremos nós de Vera: o fim da Escritora, neste mundo, é liberar-se então a si, liberando os outros seres. Mas há mais, ainda mais: 5 + 6 = 11. Os números 5 e 6 simbolizam o microcosmos e o macrocosmos, eles são a ligação da terra com o Céu. E o 11, em suma, para tudo dizer, é o número do Tao; leiamos, então, o capítulo 11 do Tao Te Ching. Nos amparando, agora, nos amparando e escorando no Pitagorismo: 5 + 6 + 1 + 9 + 5 + 9 = 11 + 10 + 14 = 21 + 14 = 35, e 3 + 5 = 8. A talho de foice, 8 era o Destino de Fernando Pessoa. Eram 8, outrossim, os Karmas de Chateaubriand, de Gérard de Nerval e também de Allan Kardec. Do já citado, na sorte, Sampaio Bruno. De Ludwig Van Beethoven, e, caroal, do Camilo Castelo Branco. De Mary Baker Eddy, da «Ciência Cristã». E, outrossim, de Bob Dylan, Barbra Streisand e Elizabeth Taylor. De Brigham Young, Buddy Holly e Timothy Leary. E generoso, e germinal, do George Bernard Shaw. E, por que não, da Célia Moura, a Poetisa (Lisboa, 02/ 06/ 1971). Com vários livros publicados, Célia Cristina Fernandes Moura, de seu nome completo, tem muito ainda a dar à Poesia Portuguesa. Começando a poetar com 12 anos apenas, se debuta, no ano 2000, com «Vestida de Silêncio». Que o 8 é o número, por excelência, da materialização. É o número dos poderosos, dos executivos e dos bem-sucedidos. É o signo de quem lida, diariamente, com a autoridade, o poder e o dinheiro. As palavras-chave, aqui, são a Força, a Justiça, a Materialidade. Pois tem, a Autora, sede de justeza, de justiça, e também de rectidão, ela busca, a seu modo, a verdade e hombridade. Remembremos, ainda, que a lemniscata, o sinal matemático do Infinito, é um 8 deitado, e que é, a Justiça, o Arcano número 8 do Tarot de Marselha. Ou melhor: o Arcano número 8 do Livro de Thoth.  Pois lidando, diariamente, com os Complexos, Maria José é Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta e Psicanalista, ela exerce, o ministério, há mais de lustros seis. Três perlas, ou três livros, da sua vasta, basta Obra, fecunda e facunda: «As Transgressões do Amor» (2016), «A Oficina do Psicanalista – Ensaios sobre a Experiência Psicanalítica» (2017) e, ademais, «O Complexo de Lúcifer» (2018). Não olvidando aqui deveras: pra calcularmos o número do Destino do solene Sigmund Freud, eis o cálculo, aqui: 6 + 5 = 11. E 1856 + 11 = 1867, sendo 1 + 8 + 6 + 7 = 9 + 6 + 7 = 15 + 7 = 22. E alembrando Couto Viana, e que mais, Amigo ledor??? Demais falámos nós. E «last», agora, «but not least»: D. Isabel de Herédia ou Isabel de Bragança, esposa, estremecida, de D. Duarte Pio, foi nada, levemente, em Lisboa, a 22 de Novembro de 1966. Aqui nós convenhamos: se consorciando, nos Jerónimos, a 13 de Maio de 1995, com D. Duarte Pio (Berna, Suíça, 15/ 05/ 1945), a estética é a estese, a Casa Real ela é causa ideal. Dona Isabel é o único, entre os nomes que eu estudei, a ser plasmado, ou modelado, por três Números Mestres: o 11, o 22, o perene 33. O 11, repetição da Mónada, re-apresenta, solene, as duas vezes Deus, ele é poder, portanto, espiritual. O 22, grande Luz. Número do Místico, tem pontos de vista universalistas, dá-se bem, deveras, no mundo dos negócios. E o 22 se repete no ano de nascimento: em 1966, de feito, 1 + 9 + 6 + 6 = 10 + 12 = 22. É que lidando com as pessoas de forma pragmática, eis que é, Dona Isabel, generosa, germinal e portanto solidária. E, quanto, agora, à sua Missão, 22 + 11 = 33. Aficionada e afecta às Belas-Artes e Belas-Letras, ela tem Luz, ela tem Fé, e coloca a sua vida ao serviço dos outros. Ou nas palavras, cardeais, de Clara de Almeida (Lisboa, 30/ 08/ 1951), é sua a «expressão artística pela sensibilidade em atitude de entrega.» A talho de foice, leiamos, levemente, em Provérbios, 19: 17: «Quem dá ao pobre empresta ao Senhor, e Ele lhe retribuirá o benefício.» E, ainda e sempre, em Actos dos Apóstolos, 20: 35: «A felicidade está mais em dar do que em receber.» E quanto ao Destino da Dona Isabel, sua data natal é como segue: 22/ 11/ 1966. Somando os dígitos, então, 2 + 2 + 1 + 1 + 1 + 9 + 6 + 6 = 4 + 2 + 10 + 12 = 6 + 10 + 12 = 16 + 12 = 28. Sendo 2 + 8 = 10 = 1. Re-apresenta, o 10, criatividade e confiança em si com dotes interiores. O 8 representa abundância e poder. Sinaliza, o 2, equilíbrio, dessarte, e cooperação. Ou seja, os 28 combinam o sucesso material com a energia criativa, ou melhor, criacionista, e é que orienta, a monarca, com civilidade, paixão e muita compaixão. Pois Deus, para o joanino, é a Luz do mundo (Jo 8: 12). Reincidimos, uma vez mais: aquele que acende, nas trevas, uma Luz, é sempre o primeiro a dela, e com ela, se beneficiar. Que Deus é fonte, figadal, de Luz e Liberdade. E falamos, então, da Grã-Mestra. Da Ordem da Rainha Santa Isabel. E muita láurea, portanto, e flores-de-lis. E terminamos, aqui, jornadeando em jardinagem, e findamos, qual «Homo Viator», o curso e excurso. Pois que seja, o meu encanto, o preste acalanto. E que seja, romântico, o rimance. E que seja aqui o lance, e que eu lavore, levemente, em lavaredas, e forte e fértil, e feraz, que eu infira, bem firme, em o preste Firmamento…  

Tomar, 28 / 08/ 2026

 

NAMASTÊ

DAT ROSA MEL APIBUS

DEUS, LUZ E LIBERDADE

PAULO JORGE BRITO E ABREU

MARÍA ÁNGELES PÉREZ LÓPEZ