ANTÓNIO BARROS
“No fundo, Portugal ainda não sabe quem é”:
entrevista à escritora Teolinda Gersão – Expresso.
Amiga Estela, espero encontrá-la bem.
Vem a Coimbra a Teolinda Gersão, pois a Feira do Livro de 2026, em Coimbra é-lhe dedicada.
Aqui um fabuloso elemento para “Um Passeio no Parque“, um dos meus programas no projecto educativo: OFF ENSINA. [Este jogo de espelhos que venho gerando com a Augusta Villalobos.]
Excelente entrevista, esta que mostro em anexo, e também no modo como é formulada. E vai do dizer o diSer, do fugir a tempo de Coimbra (e ir para o mar, podendo voAr dali para fora e voltar), até às “pessoas reais”, com o ver a mãe morrer duas vezes com Alzheimer. E a hermenêutica perante a (man)obra de Freud afirmando a grandeza da Mulher — do ser Mulher, ela vendo o lado feminino do Mundo, como “pessoa real”. A pessoa. Para além do género:
Sim! uma excelente entrevista. Esta.
Apr(e)endi com o meu Mestre e Amigo Alberto Carneiro, falecido, que as entrevistas geralmente não cumprem, mas esta à Teolinda, resulta.
O Carneiro mostrou-me um dia uma entrevista (publicada num catálogo de exposição dele), onde as perguntas e respostas foram geradas pelo próprio.
Um dia outro, de uma revista conhecida, mandaram-me um conjunto de perguntas para eu responder por escrito. Comecei a tentar responder, mas logo dei por mim a escrever um livro_livre: “Entre_as_Vistas | Como responder às perguntas que não me foram feitas?”
Da Teolinda, além da nossa comum relação com a Alemanha — pois trabalhei com Wolf Vostell, em Leverkusen na operação: Vostell Fluxus Zug, quando vivi em Wuppertal, e segui muito próximo a ULI-Universidade Livre Internacional, do Joseph Beuys (e até levei um livro-catálogo que fiz para o CAPC 1979-1980, ao atelier de Beuys em Dusseldorf).
Fiquei muito sensibilizado com a dor dos alemães gerada pelo nazismo. O que o Beuys chamava “a ferida”. Sei tão bem o que é a ferida aferida.
E o mar a bater na rocha, e os calhaus rolados do basalto, toda essa musicalidade que o Herberto Helder dita na sua poesia.
A Teolinda fugiu de Coimbra para o mar. Eu para o [a]mar. Aqui é uma outra navegAcção. Mas sinto — preSente, auSente, s(e)Ente, o Atlântico ao fundo. “… la mar” de António Machado no “…camino … al andar”. “HUELLAS”.
E também sei, tão bem, como é doloroso ver a mãe morrer duas vezes. Com Alzheimer.
Num arco temporal de 10 anos, vi a minha mãe, Marieta, morrer duas vezes e, deixar de me conhecer.
Desenhei-lhe um obGesto tumular — “Valsamar”. (Esteve no então Museu da Água, em Coimbra, e era para ficar na Universidade de Coimbra [por proposta do então reitor Seabra Santos] mas o director do Pólo II da UC não aceitou. Hoje “Valsamar” integra a coleção do MUDAS. Museu de Arte Contemporânea da Madeira). Val(e)s(e)Amar.
Mas é tão doloroso amAR Coimbra.
Ar. Um dia gerei em Coimbra um colectivo artístico: ARexploratóriodasartes. A turma foi obrigada a ir para o Luxemburgo … e Montreal… Só eu fiquei em Coimbra. Mas dizem-me que é como que nunca tivesse algum dia cá estado.
A Teolinda bem explica porquê.
ABraço,
AB

