
PEDRO ADÃO, Org.
Pedro Lopes Adão (n. 2001, Porto, Portugal) começou a sua carreira na escrita aos 15 anos de idade, principiando a sua jornada com a poesia que, mais tarde, se estendeu para a crítica literária. Tem colaborado com diversos meios de divulgação cultural, como a revista Devaneio, de que é membro da redação, a Comunidade Cultura & Arte, a Revista Kametsa, a Revista Mirada, o Ruído Manifesto, etc. Após ingressar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto foi convidado a participar na Revista Alegre e a integrar a antologia “110 Anos, 110 poetas” (org. Isabel Morujão). Entretanto já publicou: Palavra em Queda, ed. Glaciar (2022), Os Amorosos & Os Odiados, ed. Lema d’Origem (2023) e Ars Longa, Vita Brevis, ed. Glaciar (2023). Recentemente tem organizado antologias sobre as principais figuras culturais portuguesas, alcançando os repositórios das mais prestigiadas universidades mundiais.
Correspondência
FERNANDO ECHEVARRÍA
EIRA QUE TU VERGASTAS, MEU SENHOR
com pancada de cruz no gelo vivo.
Dorso que espalmas, malhas, sem motivo
além da violência do amor.
À pedra, rompe os dentes, com furor,
do meu agudo beijo o Teu esquivo.
Malhas, Senhor, meu beijo, sem motivo
além da violência do amor.
Espancas e vergastas o desejo
de a Ti me dar como Te dou um beijo.
Malhas, Senhor, e sabes que estou vivo
porque ofereço as minhas costas brancas
— beijo que espalmas e eira que Tu espancas —
somente por amor, sem mais motivo.
Revista Triplov
Janeiro de 2026
