Testemunhos sobre Fernando Echevarría

 

Fernando Echevarría

 

 

 

 

 

 


A intuição criadora e o fundo saber operativo, que é fruto da «virtude» do poeta artifex, fazem dele um clássico contemporâneo – como vaticinaram Jorge de Sena e Óscar Lopes nos fins dos anos cinquenta. Na 1.ª edição de Líricas Portuguesas (1958), Sena caracteriza de modo lapidar esta poesia, destacando o seu «barroquismo intenso e dominado» e considerando-a «como uma das mais sólidas do período», sem deixar de enaltecer as virtudes de uma técnica poética traduzida na «versificação rigorosa», nos «insólitos enjambements» ou nas «suspensões abruptas dos nexos lógicos»5. Por seu lado, numa crítica publicada no «Comércio do Porto» a Tréguas para o Amor, Óscar Lopes enaltece «o último apuro, verso a verso, palavra a palavra, de uma obra que se revisse, ao cabo da vida, com um frio e implacável juízo que desprezasse facilidades, senhas de acesso prosaico e confidências da oficina do verso»6

Reynaud, Maria João, in “Na rútila fulguração do ser: tópicos para uma leitura do poema «Os Pescadores» de Fernando Echevarría”

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FE: O caso de Maria Zambrano – o que dela conheço, pelo menos, é o de um filósofo que, não só frequenta a poesia mas, de certa maneira, a incorpora no seu discurso. De aí a asserção que destaca na sua pergunta, ao mentar a redução do real a uma “clarté” quase positivista e cartesiana. No que se refere a Descartes deveríamos ser, talvez, mais cuidadosos. Se se pensar no “Discurso do Método” poderia, acaso, ser-lhe a asserção aplicável. Não ao das “Meditações Metafísicas”, mormente a segunda. Voltando, porém, a Maria Zambrano, o facto de ela admitir as trevas como envolvente do real, aproxima-a já da fenomenologia, podendo os que a leram mais exaustivamnte do que eu, levar mais adiante a afirmação.

Pinho, Arnaldo de, in “Fernando Echevarría Entrevista a um poeta portuense”

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A poética de Echevarría é sacramental precisamente na medida em que radical‑ mente não procura, mas espera. Ela deliberadamente «incita à prática de um ócio» (p. 30), a uma suspensão paciente, a um silêncio acústico, mas reflecte essa expectativa como imitatio, pois são vigorosíssimas as ressonâncias cristológicas como as que vêm cartografa‑ das nos versos: «até só haver uma intensa // luz de invisibilidade / a oferecer­‑se à paterna. / Aí, tudo é vivo. Arde / afeito a uma luz eterna» (p. 159). Uma referência breve para outro corpus literário com o qual este livro de Echevarría estabelece uma afinidade: o Apocalipse de João. Não é a primeira vez que na poesia portuguesa se toma referencialmente esse texto.

Mendonça, José Tolentino “[Recensão crítica a ‘Lugar de Estudo’, de Fernando Echevarría]”

 


FERNANDO ECHEVARRÍA – ÍNDICE

Revista Triplov

Janeiro de 2026