A MORSA FREYA
(OU A BELA E OS MONSTROS)
Nuno Rodrigues

Na minha habitual leitura diária da atualidade houve uma que se destacou acerca de uma morsa e que me marcou tão negativamente que resolvi escrever este artigo numa rede social.

Consideramo-nos o ser mais inteligente do planeta e depois somos confrontados com notícias destas.

Um ser marinho que nadou livremente pelo Reino Unido, Países Baixos, Dinamarca, Suécia e que tinha, aparentemente, assentado arraiais na Noruega, um dos países que consideramos dos mais avançados mundialmente a vários níveis.

Batizaram-na de Freya (uma das mais importantes deusas da mitologia nórdica e considerada, entre outros epítetos, a deusa do amor).

Tornou-se em pouco tempo numa atração turística no fiorde de Oslo mas isso não bastou para que fosse poupada quando havia outras alternativas mais “humanas” como a relocação num local onde não houvesse tanta interação com humanos, mas segundo palavras de Frank Bakke-Jensen, chefe da Direção Norueguesa das Pescas: “A decisão de a eutanasiar foi tomada com base numa avaliação geral da ameaça que representava para a segurança humana.”

Apesar de não haver relatos de ataques de morsas a humanos, temiam que freya se sentisse em perigo e atacasse.

Ao contrário do que diz o chefe das pescas norueguês, ela não foi eutanasiada mas sim morta, abatida, assassinada, chacinada (escolham a que melhor vos aprouver) porque falar em eutanásia é um eufemismo porque quem vê regularmente documentários da vida animal ou leia relatórios de médicos veterinários sabe que só recorrem a esse expediente quando o animal não tem qualquer hipótese de cura de uma qualquer doença que lhe iria tornar a sua vida cada vez mais dolorosa.

Neste caso tratava-se de uma morsa selvagem mas muito amistosa para com os humanos e sem qualquer tipo de incidente registado.

Deixava as pessoas juntamente com os seus filhos nadarem para junto dela para tirar fotos.

Não é este o caso mas porque razão quando os humanos se colocam deliberadamente em perigo em zoos, reservas, no mar ou noutro local a responsabilidade é atribuída ao animal “irracional” e que geralmente resulta no seu abatimento para salvar esses idiotas ?

A morsa Freya teve o seu triste fim a 14 de Agosto de 2022 quando tinha apenas 5 anos e 600 kgs (a sua média na natureza varia entre os 20 a 30 anos e o peso varia dos 400 aos 1250 Kgs) e mataram-na porque gostava de estar com as pessoas. Conseguem perceber esta absurda solução ? Eu não !

O que diz isto acerca de nós como sociedade e sendo os humanos apenas mais uma espécie terrestre ?

Talvez quando e se atingirmos outro estágio cheguemos a um mais cordial Homo Sapiens Sapiens !

 

Imagem: NIT