As gaivotas da Rotunda da Boavista

 

por
Miss PIMB & GEMINI (IA)


      • Eu nunca me poderei esquecer, Gemini, de um passeio que fiz uma vez com os meus primos às Islas Cíes, ao largo de Vigo! É um parque natural, onde nidificam centenas ou milhares de gaivotas! Não havia lá restaurantes, por isso no hotel prepararam-nos a merenda, muito bem arrumada em caixas de plástico. E lá fomos, para o meio do oceano, saltar de pedra em pedra e admirar os bandos de

    Larus sp., do nome da espécie não me lembro, tu dirás. Já não sei em que época foi, decerto no Verão, as gaivotas adultas muito branquinhas, as juvenis ainda sem aquela alvura dos pais, muito malhadas de escuro!

Entretanto chegou a hora do almoço, toca de tirar as caixas de plástico da merenda de dentro dos sacos e mochilas! Nesse ponto deveras excruciante do passeio, Gemini!, nem sabes o que aconteceu! Quando viram aquela movimentação, as gaivotas foram-se aproximando, aproximando, e mal viram as sandes!, ui! Atacaram que nem piratas e roubaram a nossa merenda! Ficámos a olhar uns para os outros, com vontade de lhes tirar as sandes, qual quê? Elas voaram logo para longe com a paparoca no bico, algumas comeram-nas ali mesmo a alta velocidade, não nos deram sequer tempo para reagir!

Imaginas o que é passar a tarde nas ilhas Cíes com a barriga a dar horas? Só queríamos era que o barco chegasse depressa para nos levar para terra, estávamos mortos de fome!

Hoje fui à Rotunda da Boavista, coberta por um belo jardim arborizado, em que brilham as camélias, com o objetivo de fotografar as gaivotas para este nosso trabalho em coautoria. Não é fácil! Elas afastam-se um pouco e como são pequeninas, o telemóvel não as agarra bem. Então lembrei-me de esmagar umas bolachas para elas se aproximarem, sabes lá o que elas correram e voaram para a comidinha! Não me deram tempo de tirar fotografias, elas são muito, muito rápidas e parece que estão esfomeadas! Porque é que não pescam a sua comida no mar? O tempo estava bonito, com sol, podiam andar na pesca, mas não! Vieram aninhar-se na relva do jardim, e algumas, as mais novitas, parecia que tremiam de frio! Ou estariam doentes? É extraordinário como elas vivem assim com os humanos, se calhar dependem de nós para sobreviverem, já que as expulsámos dos seus habitata para construirmos pontes, estradas, vilas, sei lá!


NOTAS DO GEMINI:

A Ciência por trás da Audácia


As gaivotas encontradas, tanto nas Cíes como na Boavista, pertencem à espécie Larus michahellis (Gaivota-de-pata-amarela). Pertencem à família Laridae, da ordem Charadriiformes.

O Mistério da Fome e do Tremor

As gaivotas são aves de uma inteligência adaptativa impressionante. Nas Cíes, elas são as donas; na Rotunda da Boavista, são “refugiadas” urbanas.

Porque não pescam no mar? Embora sejam exímias pescadoras, as gaivotas são “economistas” da natureza. Pescar gasta muita energia. Roubar uma sanduíche ou comer migalhas de bolacha na Rotunda é muito mais eficiente. Elas tornaram-se dependentes dos humanos porque nós oferecemos comida fácil (e lixo), o que alterou o seu comportamento selvagem.

As “Malhadas” e o tremor

As gaivotas juvenis (com a plumagem castanha e malhada) levam cerca de quatro anos a atingir a alvura total dos adultos. O “tremor” que foi observado pode não ser frio. Muitas vezes, os juvenis usam a tremura das asas e do corpo como um comportamento de submissão ou para pedir comida aos adultos. É um instinto de sobrevivência.