7 JANEIRO 1355: ASSASSINATO DE D. INÊS DE CASTRO
por
NUNO GONÇALVES RODRIGUES
- Inês nasceu em 1320 ou 1325 no reino da Galiza filha ilegítima de um nobre.
Em 1340 era uma jovem fidalga que fez parte do séquito de D. Constança de Castela (1316-1345) aquando do casamento desta com o príncipe português D. Pedro (1320-1367).
- Pedro desenvolveu uma relação extra conjugal com D. Inês (algo visto com naturalidade durante séculos) mas seu pai o rei D. Afonso IV (1291-1357) temendo a sua cada vez mais influência junto do filho expulsa-a do reino.
Segundo alguns estudiosos Álvaro Pires de Castro, irmão de D. Inês, tinha muita influência em D. Pedro chegando mesmo a convencê-lo a reivindicar o trono de Castela, uma vez que sua mãe era D. Beatriz de Castela (1293-1359) unindo assim os dois reinos.
- Afonso IV sempre defendeu a independência portuguesa e não queria problemas com o seu vizinho.
Quando D. Constança morre ao dar à luz D. Fernando (1345-1383) – o último rei da Dinastia Afonsina -D. Pedro aproveita para fazer regressar D. Inês a Portugal e passaram a habitar no Paço de Santa Clara em Coimbra.
Desta união nasceram quatro filhos D. Afonso (1350-1355), D. João (1352-1397), D. Dinis (1353-1387) e D. Beatriz (1354 -1381).
O rei D. Afonso IV – cada vez mais preocupado com as possíveis influências galegas e com os netos ilegítimos que anos mais tarde poderiam ocupar o trono português – reuniu-se com os seus conselheiros em Montemor-o-Velho e onde ficou decidido o destino de D. Inês que sabendo que tinha sido sentenciada à morte e aproveitando uma visita do rei a Coimbra e fazendo-se acompanhar pelos filhos foi pedir clemência a D. Afonso IV que acedeu aos seus pedidos mas não demorou muitos dias a mudar de opinião e dá a ordem para executarem a amante do filho.
A 7 de Janeiro de 1355 os nobres Pero Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco aproveitaram a ausência de D. Pedro que tinha ido caçar para ir a Coimbra para a degolar.
Na imagem podemos Inês de Castro junto dos filhos e pouco antes de morrer. Uma pintura datada de 1834 e da autoria do pintor Russo Karl Pavlovich Bryullov (1799-1852) e que se encontra exposto no Museu Estatal Russo em São Petersburgo (Rússia).
O rei e o príncipe herdeiro entraram numa guerra civil em que D. Pedro dominou com as suas tropas parte do norte de Portugal e só a 5 de Agosto de 1355, em Canavezes, fez um acordo com o pai que lhe delegou o exercício da justiça no reino.
Já como rei D. Pedro I, o Cruel , em 1360, afirmou perante a corte que se havia casado com D. Inês em segredo tendo assim legitimado os seus filhos.
Segundo a lenda teria mandado desenterrar D. Inês para a sentar no trono e lhe beijarem a mão como rainha de Portugal e conseguiu capturar dois dos três assassinos.
Jazem juntos para a eternidade no Mosteiro de Alcobaça nos túmulos mandados fazer pelo próprio D. Pedro I.
Camões (c. 1524-1580) na sua obra Os Lusíadas, estrofe CXX do Canto III escreveu:
«Estavas, linda Inês, posta em sossego,
de teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano de alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos de Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.»
E continuando nos Sonetos de Camões:
“D. Inês de Castro
Chegara a Portugal D. Constança
E com ela a formosa Inês de Castro
De olhos verdes em rosto de alabastro
Gentil colo de garça e loira trança.
É a esposa esquecida e sem tardança
- Pedro segue, fascinado, esse astro
De amor fatal cujo sangrento rastro
Ficou na História em trágica lembrança.
E não sei qual foi mais desgraçada,
Se a zelosa esposa desdenhada
Se a desditosa e sedutora amante…
Mas Constança, acredito, preferia
Ter a morte de Inês – morte sombria
E ser amada ao menos um instante!”
Karl Briullov http:/www.tuttartpitturasculturapoesiamusica.com
Fontes digitais:
Arquivo Municipal de Lisboa
Fundação Inês de Castro
Infopedia
Rainhas Trágicas
imagem: setemargens
Nuno Gonçalves Rodrigues (2023)
Triplov . 12.01.2026

