E eu era a casa

 

 

 

 

 

 

 

 

MARIA DO CÉU COSTA
Vice-diretora do Triplov


“A fotografia é uma arte mais sombria do que a maioria das pessoas costuma suspeitar.
O fotógrafo visionário consegue encontrar a imagem,
mas não vê necessariamente tudo o que nela está oculto.
A maioria das fotografias funciona como espelhos, refletindo o passado num presente congelado.
Algumas contactam com dimensões mais misteriosas do tempo. “ Mark Fisher


Poemas e fotografias de M Céu Costa

MODO I . POEMAS

 

E EU ERA A CASA

Na cidade há um terraço

Onde me debruço

O ar é grande

E apetece respirar o céu

Tudo isso

São coisas que precisas de saber

 

É como se todo o chão do mundo fosse pequeno

Para caber dentro dele o meu olhar

 

Algo parecido com retratos a preto e branco

Coisas que fundas me falam à memória

Por isso, tão longamente adeus te digo

Tão sem nada

Tão depressa

Pois longe espero dormir

O sono branco da nascente

Junto ao ninho das árvores

 

Onde fui pássaro antes de ser gente

*

Agora que me falam os teus olhos

Sei a memória do corpo

 

Bruma ao anoitecer

Dorida água

*

                             (A Cristina Campo)

 

Pouso a minha face na tua mão:

A piedade de um verso

Dentro da chuva

*

Chove

E o mundo é grande

Igual a um deserto

Que não cabe em nós

 

Nunca somos de um mundo apenas

É isso que nos dói

Quando andamos sobre o soalho

Desta casa

Escoando para as fendas os barcos que a vida tem

*

Quando não existe o mundo

Semeio jardins no meu quarto

 

Desconhecidas palavras

Florescem no coração da tarde

*

As crianças de Israel

Brincam às horas do ágape

 

Sob o incêndio da alegria

*

As fogueiras da noite

Resplandecem no pólen do coração

*

E eu era a casa

A música do mar

 

 

MODO II

FOTOGRAFIA . VÍDEO.

Canal Multimédia do Triplov. No YouTube

 

 

 

 

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