EQUINÓCIO DE OUTONO
Não sei quando as primeiras chuvas
virão humedecer
o canto das cigarras,
a exaustão dos ralos,
os frutos caídos pelo chão
que mãos nenhumas colheram.
Mas no leve som da água
sobre as folhas
ao desafio com as rãs no charco,
soará a primeira melodia
apaziguando o cansaço da terra
recompensa de todos os partos.
QUATRO AIKUS
Uma onda pode ser uma onda
uma emoção vestida de branco
ou uma pomba nascida da água.
O nome da tinta
com que se escreve Figueira da Foz,
chama-se gaivota.
Morrer sentado na areia
estático como um padrão
leve como a luz mais alta.
Árvores aladas, algumas sonham,
e vão ter com os anjos.
É quando ficam carregadas de frutos.
Eduardo Aroso
Verão, 2026
