MARIA AZENHA
Nos confins da tarde,
ela acende o fogo das palavras
e lança-as como fantasmas
sobre a pele do mundo.
Cada verso é um líquido estranho
que escorre pelas veias da realidade,
fazendo o vulgar tremer de espanto.
As cidades curvam-se sob os seus olhos,
e até o vento hesita antes de passar.
Ela fala sem sonhos
e a dor transforma-se em música quebrada.
Mona Lisa tem lágrimas de pedra
e cabelos de tempestades,
ritmados pelo salto dos corvos
e por lembranças malfadadas.
No limiar do impossível,
cada verso seu é uma flor elétrica
que grita mais alto que mil versos.
Maria Azenha
