PAISAGEM COMEMORATIVA COM MORTOS E DRONES
Entro na guerra
com a mesma naturalidade
com que entro no supermercado
à procura da promoção de mortos.
Passo na caixa automática,
sem piscar os olhos —
e não é metáfora.
Trago dez pelo preço de um,
alguns drones importados,
sem prazo de validade.
Ao sair, arrecado um panfleto:
“Hoje, massacre no corredor cinco.
Aproveite.
Últimas unidades.”
Poema dito por Maria Azenha

