Poeta que se quieta não é poeta

 


FILIPE DE FIÚZA


dedicado ao meu querido amigo Paulo J. Brito e Abreu

 

Poeta que se aquieta
vende a alma por moeda,
cala a dor, cala a caneta,
e no fundo… nada herda.

Poeta que se esconde
com medo do trovão
é muro sem horizonte,
é carne sem pulsação.

Poeta não se cala,
poeta não disfarça.
Se a vida vira bala,
ele escreve — e ameaça.

Não nasceu pra obedecer,
nem pra pedir licença,
nasceu pra estremecer
toda e qualquer sentença.

Não aceita a mordaça
nem rima por vaidade,
escreve o que ameaça
a falsa autoridade.

Se a verdade é facada,
ele escreve com o corte.
Se a paz é fabricada,
ele vira o sul em norte.

Poeta que se quieta
é só sombra do que era.
Poeta é fogo que protesta,
é punho em cada esfera.

É grito que não se mede,
é verbo sem corrente.
É chama que não cede
à mão de nenhum presidente.

Então guarda essa receita:
não se cala, não se apruma.
Poeta que se respeita
explode feito espuma.

Filipe de Fiúza, 21/04/2025


Filipe de Fiúza, 21/04/2025

Filipe de Fiúza | Poeta. Engenheiro . Ativista.