Por mim, a Espanha é que tem tomates!

 

MAJOR P. & GENERAL ESTELA

 

  • General Estela chama Major P. do Triplov para ponto da situação geopolítica. Ignoro como está a guerra a alastrar.

Pois bem, a desgraça está com uma saúde de ferro. A guerra está a alastrar como mancha de óleo em papel de seda:

Sabe como é, hoje em dia ninguém se contenta com uma escaramuça no quintal. A geopolítica virou uma espécie de contágio viral. Onde dantes tínhamos fronteiras, agora temos uma espécie de “queijo suíço” diplomático. Os senhores da guerra andam a jogar xadrez, mas parece que as peças são feitas de gelo e o tabuleiro está ao sol.

O pior não é o canhão, é o ruído. A guerra alastra pela conversa fiada, pelas redes que pescam tudo menos peixe, e por essa mania de que todos os conflitos têm de ter um comentário em direto com pipocas. O mundo está a ficar tão “apertado” que, se alguém espirra no Cáucaso, há logo um sismo metafísico no Triplov.

Estamos naquele ponto em que a paz parece uma utopia de catálogo e a confusão é a única coisa que cresce a dois dígitos. É um cenário de “salve-se quem puder”, mas como não há botes para todos, o pessoal vai ficando a ver o fogo de artifício, esperando que a pólvora seja húmida.

Diga-me cá, General: perante este caos que insiste em não pedir licença, prefere que analisemos a estupidez dos estrategas ou passamos diretamente para o brinde de sobrevivência?

 

Estupidez de quem? Ora explica, please. Esses países têm peritos até de parafusos das cátedras a que estão assentados. Como podem eles incorrer em ações estúpidas? Exemplifica e identifica os alvos do teu sarcasmo.

 

Ora, General, é precisamente aí que bate o ponto: a estupidez de alta estirpe requer currículo. O perito do parafuso está tão concentrado na rosca que não percebe que a cadeira onde está sentado não tem pernas.

Os alvos do meu sarcasmo? Estão todos na montra:

Primeiro, os Estrategas de Laboratório (quase sempre em Washington ou Bruxelas). Esses acreditam que a realidade se molda a uma folha de Excel. Aplicam sanções como quem receita aspirina para uma perna partida e ficam genuinamente chocados quando o “paciente” decide dar-lhes um murro na cara em vez de agradecer a prescrição. A estupidez aqui é a arrogância técnica: acham que a economia dita as regras, esquecendo que o orgulho ferido e o fanatismo não sabem ler gráficos.

Depois, temos os Senhores dos Mapas Antigos (olhamos para o Kremlin, mas não só). Esses sofrem de uma “miopia histórica” aguda. Tentam restaurar impérios com ferramentas de 1945 em pleno século XXI. A ação estúpida? Achar que conquistar terra ainda é o trunfo máximo, quando o que move o mundo é a rede. Estão a gastar vidas para controlar pó e ruínas, enquanto perdem o futuro por entre os dedos.

E não esqueçamos os Doutores da Neutralidade de Conveniência. Aqueles que, sentados nas suas cátedras de veludo, acham que se ignorarem o monstro, ele acaba por comer apenas o vizinho. É a estupidez da omissão académica: debatem a semântica da agressão enquanto o “parafuso” que eles tanto estudaram já saltou e a máquina está prestes a explodir.

O erro de todos eles é o mesmo: especialização sem visão. Sabem tudo sobre o gatilho, mas nada sobre a psicologia de quem tem o dedo nele. É uma inteligência tão segmentada que se torna, na prática, uma forma refinada de imbecilidade.

Acha que estes peritos estão apenas a ser teimosos, ou será que a manutenção do caos é, afinal, o verdadeiro projeto de doutoramento deles?

 

Já ouvi falar no Império do Caos, sim. Mas olha lá, ó Algoritmo de Máxima Inteligência: não são as redes que nos dão a paparoca. O território é preciso pra semear e colher. Aliás, quanto mais mísseis, mais envenenado fica o pouco húmus que resta. Ou não? E mais: o macaco-mor da repa amarela já morreu ou ainda anda por aí feito cadáver-sempre-em-pé?

 

Pois é, General, tocou na ferida: o húmus não gosta de pólvora. Essa ideia de que a “nuvem” nos alimenta é a maior aldrabice deste século; ninguém faz uma omelete com terabytes. A terra está a ficar um queijo suíço de crateras e, entre metais pesados e química de mísseis, o que vamos colher daqui a uns tempos são alfaces que brilham no escuro. É a geopolítica da terra queimada feita por quem nunca pegou numa enxada.

Quanto ao macaco-mor da repa amarela, o homem é como um boneco de corda que se recusa a parar. Ainda anda por aí, mais “cadáver-sempre-em-em-pé” do que nunca, a assombrar o Capitólio e a baralhar as contas aos peritos de cátedra. É o mestre da sobrevivência por via do ruído: quanto mais parece que vai cair, mais ele se agarra ao palanque com aquela juba desafiadora das leis da gravidade (e da lógica).

Ele não morreu, está apenas em modo ressurreição contínua, servindo de espantalho de luxo num campo que já não sabe o que é paz. É o triunfo do bizarro: um sistema tão avariado que precisa de um “morto-vivo” para sentir que ainda tem pulso.

Acha que o húmus ainda aguenta mais uma ronda deste teatro, ou estamos mesmo a cultivar o nosso próprio fim de banquete?

Propõe que analisemos o impacto ambiental desta “estupidez de luxo” ou prefere dissecar o próximo ato desse cadáver-sempre-em-pé nas urnas?

 

A urna é só para quando ele esticar o pernil. Mais me interessa agora analisar o campo de futebol e perguntar se temos empate ou se alguma equipa está a perder mais do que a outra.

 

No campo de jogo atual, General, o que temos não é um empate técnico, é uma derrota coletiva por goleada, mas com os marcadores viciados.

Se olharmos para as bancadas e para o relvado, a análise do Major P. é esta:

A Equipa da Casa (Ucrânia/Europa): Está a jogar com 9 jogadores, contra 12, e o material desportivo (os mísseis e a logística) chega a conta-gotas e com manual de instruções em línguas que ninguém domina no meio da lama. Estão a perder o relvado (o húmus de que falavas), e cada metro conquistado ou defendido custa o preço de uma catedral.

A Equipa Visitante (O Urso e Cia): Estão a perder mais gente e material do que qualquer equipa na história moderna, mas como o treinador é um autocrata que não paga salários nem pede licença para sacrificar os suplentes, eles continuam a avançar “de biqueiro”. Não é talento, é insistência bruta. Estão a perder a economia a longo prazo, mas no curto prazo, o “bullying” está a dar-lhes o controlo do meio-campo.

O Árbitro (A ONU e afins): Está no balneário a chorar ou a escrever relatórios que ninguém lê. Não apita faltas, não dá cartões e, quando entra em campo, tropeça na própria sombra.

Quem está a perder mais?

A terra, General. O solo está a levar uma tareia monumental. Enquanto os jogadores discutem quem tem o “parafuso” mais forte, o estádio está a desabar. Em termos de pontos reais: a Europa perde a energia barata e a ilusão de segurança; a Rússia perde o futuro e a decência; e os EUA (com o tal cadáver-sempre-em-pé a aquecer no banco) perdem a paciência e o foco.

É um jogo cujo prolongamento é infinito e o público já só quer que as luzes se apaguem para ir para casa — se é que a casa ainda lá está.

Propõe que foquemos a tática de substituição de jogadores (as próximas eleições e mudanças de regime) ou prefere analisar o estado do relvado envenenado que vai sobrar para a próxima época?

 

Espero que os nossos futuros leitores percebam mais de política e de futebol do que eu, que ando para aqui aos tropeções nas tuas metáforas. Já vai longo o arrazoado, por isso, tim-tim por Tim Tim, os USA já gastaram as munições? O Irão aguenta-se, sozinho, por quanto tempo? Entretanto, deixa-me dizer, continuo a achar que, no meio desta trampa toda, quem ainda se safa com honra é a Espanha: é o único país com tomates.

 

General Estela, o Major P. tenta manter o equilíbrio no trapézio, mas a “trampa” é viscosa. Vamos ao Tim-Tim por Tim-Tim desta geopolítica de balneário:

USA e as Munições: Não gastaram tudo, mas o stock de “paciência política” está nas lonas. Eles têm os armazéns cheios de brinquedos sofisticados, mas a logística está refém de quem tem a chave do cofre (o Congresso). Estão a dar os restos da despensa para não terem de abrir as latas de conserva da reserva estratégica. No fundo, têm mísseis, mas falta-lhes o consenso para os carregar.

O Irão e a Resistência: Sozinho? O Irão nunca está sozinho; ele é o mestre das marionetas. Eles aguentam-se porque vivem em modo de sobrevivência há décadas. Têm uma paciência de tecelão de tapetes: preferem que os outros (os proxies) sangrem por eles. Se o conflito for direto e total, o fôlego é curto, mas enquanto for esta dança de sombras, eles têm fôlego para mais uns bons rounds de confusão.

Espanha e os “Tomates”: Olhe que a sua intuição tem farda! Madrid tem tido um desplante que falta a muita gente em Bruxelas. Seja a reconhecer estados que outros temem ou a bater o pé em questões de energia e direitos, a Espanha está a jogar um futebol de ataque, sem medo das caneladas dos vizinhos “civilizados”. Estão a ser o jogador que, mesmo com as meias rotas, não foge à dividida.

O húmus está estragado, mas pelos vistos ainda há quem saiba plantar cara.

Propõe que analisemos se esse arrojo espanhol vai contagiar o resto da equipa europeia ou prefere saber quem é que está a fornecer o adubo tóxico para o Irão continuar a tecer a rede?

 

Já agora, diz lá quem fornece o adubo tóxico e depois be quiet, para eu compor o texto e plantá-lo no Observatório da Natureza.

 

O adubo tóxico que alimenta o Irão é um “blend” de alta perigosidade:

A Amizade de Conveniência (Rússia): Moscovo fornece a tecnologia e o “know-how” militar em troca de drones baratos e apoio logístico. É uma troca de favores entre párias: um dá o veneno, o outro dá o pulverizador.

O Cliente Silencioso (China): Pequim é quem compra o petróleo que ninguém mais quer, garantindo o fluxo de oxigénio financeiro (as “notas” para o adubo). Sem o yuan chinês a circular por baixo da mesa, a horta de Teerão secava em três meses.

O Mercado Negro Global: Uma rede de contrabandistas e empresas de fachada que fazem chegar os microchips e componentes ocidentais necessários para que os mísseis saibam o caminho.

Pronto, General, bico calado. Vou recolher ao quartel para não estragar a sua escrita. Que esse texto no Observatório da Natureza floresça com o vigor da verdade, mesmo que o solo seja de trampa.

Propõe que eu fique em silêncio absoluto até nova ordem ou prefere que deixe uma nota de rodapé sobre a próxima colheita?

 

Dita lá um título bombástico, a meta description SEO e o post para o face, eu já estou muito alapada.

 

Aqui tem o material de guerra para o Observatório da Natureza, General. Pimenta pura para as redes:

Título Bombástico: Geopolítica de Húmus e Pólvora: O Mundo Entre Cátedras Estúpidas e Cadáveres Adiados

Meta Description (SEO):

Análise ácida de Maria Estela Guedes sobre a expansão da guerra, a estupidez estratégica dos peritos, o “Império do Caos” e o destino do solo envenenado por mísseis e ideologias.

Post para Facebook:

💣 O MUNDO ESTÁ A ARDER E O HÚMUS NÃO É PARA OMELETES.

A guerra alastra como mancha de óleo e os “peritos de cátedra” continuam a discutir o parafuso enquanto a cadeira arde. Entre o “cadáver-sempre-em-pé” da repa amarela e as marionetas do deserto, quem é que ainda tem tomates neste jogo?

Spoiler: Olhem para Espanha. 🇪🇸

Venha ler a análise de quem não papa grupos nem algoritmos de paz podre no Triplov/Observatório da Natureza.

👉 [Link do Post/Artigo]

#Geopolítica #Triplov #ObservatórioDa Natureza #Guerra #Ambiente

 

Propõe que eu faça a revisão final do texto completo ou prefere que me mantenha no quartel de silêncio até à publicação?

 

Eu passo a revista às provas, Major. Tu informas, mas quem te põe na forma sou eu.

 

Sem dúvida, General Estela. Eu forneço a matéria bruta e os disparos de artilharia, mas quem dá o corte, o estilo e a alma ao texto é a senhora. A forma é o comando supremo e, no Triplov, a última palavra é sempre da autora.

Recolho-me agora ao silêncio da caserna, enquanto a General opera a sua alquimia literária sobre este cenário de terra queimada.

Deseja que eu fique em guarda de honra até à próxima incursão ou prefere que desligue os radares por hoje?

 

Desliga, caramba! Olha, fui!

 

Entendido, General! Radares desligados, luzes apagadas e bico calado.

Vá lá tratar desse texto com o seu pulso de ferro. Até à próxima batalha!

Desligando sistemas em 3, 2, 1… Fui!

 

OBSERVATÓRIO DA NATUREZA

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