M.T.R.-Leal, princípios dos anos 70
MANUEL TAVARES RODRIGUES-LEAL
LUÍS DE BARREIROS TAVARES, org.
Quatro poemas inéditos de quatro cadernos manuscritos de Manoel Tavares Rodrigues-Leal
Vem, lira divina! Fala-me
e encontra a tua voz.
[ἄγι δὴ χέλυ δῖα † μοι λέγε † / φωνάεσσα † δὲ γίνεο †]
Safo, fr. 118 – tradução de Frederico Lourenço
I
Respiro os teus mamilos a boca secreta do teu corpo
que paredes irrompem na fala da tua nudez oh ática brancura
que fendo oh minha amiga de espelhos de ternura e abandono que envolvem o desespero do desejo sua aspiração antiga diurna.
Lx. 13-11-79 – caderno Ciclo incompleto de uma mulher em visita
II
Voltei em vão ao timbre
dos metais. Ao desgaste mortal do tempo.
As palavras acendo-as nuas. Céleres feridas perpassam.
Tempo vegetal. Onde celebro as imagens mais velozes. Propago os deuses acordados e múltiplos.
Lx. 4-12-79 – caderno Linearidades
III
Pétrea memória de lagos que formam teu corpo,
que aborta vítreo olhar onde ousas ondas, ó deusa,
e eu desejo o teu desejo, mar antiquíssimo onde soçobro, onde louvo louco
desejar, de tão insólito e cansado, lacustre e nua, abençoada, surges neste canto, de cantar, já duro e rouco.
Lx. 31-3-80 – caderno O Comércio de Amor
IV
Já não ouço o chão das palavras,
nem vejo a minha ninfa…
Acordo da singeleza dos sonhos,
para que, acesa, a mão te singre…
Lx. 22-2-81 – caderno Rumor de Inverno
Manuscrito do poema II
Poemas de Manoel Tavares Rodrigues-Leal no Triplov
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