EDUARDO ROCHA

 

 

 


Há qualquer coisa de especial em tocar Mozart.

No primeiro andamento da Sonata n.º 6, “Dürnitz”, tudo parece acontecer com uma naturalidade quase desconcertante. As notas sucedem-se com leveza, mas por detrás dessa aparente simplicidade existe uma música cheia de movimento, de contrastes e de pequenos momentos de tensão.

É uma obra luminosa, elegante e cheia de vida. Mas, quanto mais a toco, mais percebo que não é apenas sobre brilho e virtuosismo. Há também espaço para a delicadeza, para a respiração e para aqueles breves instantes em que a música parece parar por um segundo antes de continuar.

Mozart consegue transformar poucas notas em algo que parece maior do que elas próprias. Talvez seja essa uma das coisas que mais admiro na sua música: a capacidade de dizer tanto sem nunca precisar de exagerar.

Neste Allegro, sinto sobretudo isso — liberdade, movimento e uma alegria que não precisa de ser explicada.

 


EDUARDO ROCHA