Certas músicas parecem nascer do silêncio; outras são arrancadas dele, como uma chama que alguém tentou apagar logo no início. O Estudo Op. 2 n.º 1 de Alexander Scriabin pertence a este segundo grupo. Trata-se de uma obra precoce, mas longe de ser ingénua. Guarda algo de surpreendentemente antigo, como se o jovem compositor […]
música
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Scriabin, ou o combate da alma contra o destino
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Láb maior: Uma carta que Schubert nunca ouviu ler
Há melodias que parecem ter existido sempre, à espera apenas de serem ouvidas pela primeira vez — e o Impromptu Op. 142, No. 2, em Láb maior, de Schubert, é uma delas. Desde as primeiras notas, tudo nele respira uma serenidade que não é ausência de dor, mas antes a sua transformação em […]
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Entre o sonho e a elegância
EDUARDO ROCHA A “Nobre e Sentimental Valsa n. 2”, de Maurice Ravel, transporta-nos para um mundo onde a elegância e a emoção se entrelaçam. Como uma memória que surge subtilmente da névoa do tempo, a valsa convida-nos a entrar num salão imaginário, banhado por uma luz dourada e preenchido por sombras graciosas que flutuam […]
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Sombras de Moscovo
EDUARDO ROCHA O Prelúdio nº 2 do Op. 3 de Sergei Rachmaninoff surge do silêncio como um sino distante numa noite fria. Não entra de forma suave; ele impõe-se. As primeiras notas parecem nascer de um espaço escuro, trazendo um peso antigo, como se guardassem a memória de algo que veio antes da própria […]
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Entre o silêncio e a saudade
EDUARDO ROCHA O Prelúdio de Maurice Ravel é uma daquelas peças que falam diretamente ao coração. Mas por que causa tanto impacto? Apesar da sua simplicidade, está longe de ser simples. (É isso que a torna tão poderosa.) Cada nota é impregnada de uma delicada melancolia, como uma memória distante que retorna com […]
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Sussurro inquieto
EDUARDO ROCHA O Estudo nº 9 do Op. 10 de Frédéric Chopin não se destaca como os outros mais famosos; em vez disso, aparece como um sussurro inquieto, uma corrente invisível que nunca para. Desde o início, há uma sensação interna — como se algo estivesse prestes a acontecer, mas sempre ficasse em suspenso, […]
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A gravidade do pensamento em som
EDUARDO ROCHA A Fuga em Dó menor, BWV 857, de Johann Sebastian Bach, pertencente a “O Cravo Bem Temperado – Livro I”, revela um dos aspetos mais profundos da escrita contrapontística do compositor. Desde a apresentação do sujeito, percebe-se um caráter contido e intenso, quase meditativo, que percorre toda a obra. As vozes entram […]
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Sussurros de Outono na alma de Brahms
EDUARDO ROCHA Sussurros de Outono na Alma de Brahms: O Intermezzo Op. 118 n.º 6 O Intermezzo op. 118 n.º 6 de Johannes Brahms, composto em 1893 no crepúsculo da vida do grande mestre do romantismo alemão, emerge como uma das joias mais íntimas e comoventes de sua produção pianística tardia, um testemunho silencioso […]
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O abismo luminoso
Há uma inquietação que nasce dentro do silêncio, e nela desperta o Prelúdio op. 11 n.º 9 de Scriabin — uma chama que arde sem ruído, oscilando entre a dor e o êxtase. As suas harmonias parecem suspensas num espaço onde o tempo hesita em avançar. Cada acorde é um sopro que se desfaz, cada […]
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O veludo do silêncio tardio
O Gimnopédio nº 3 de Erik Satie não se apresenta: inclina-se. Entra no espaço com uma cortesia antiga, quase cerimonial, como quem pede licença ao tempo para existir. Nada impõe, nada reclama. Limita-se a estar — e nessa presença contida reside toda a sua pompa discreta. As primeiras […]